Eliziane Gama defende fim dos retrocessos na política ambiental

Dentre os projetos que mais os preocupam, estão a Lei Geral de Licenciamento Ambiental, a mineração em terras indígenas e a regularização fundiária (Foto: Reprodução)

A retomada dos trabalhos legislativos após o Carnaval deve ser marcada por uma ofensiva do governo federal na área ambiental, destaca matéria do Congresso em Foco (veja abaixo). Segundo ambientalistas ouvidos pelo site, “o governo vai investir pesado na aprovação de medidas consideradas nocivas ao meio ambiente. Dentre os projetos que mais os preocupam, estão a Lei Geral de Licenciamento Ambiental, a mineração em terras indígenas e a regularização fundiária.

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), acredita que a Frente Parlamentar Ambientalista tem um papel importante neste momento para frear os retrocessos.

[A Frente Parlamentar Ambientalista] é fundamental para o Congresso, é fundamental para o Brasil. A gente está vivendo um momento muito tenso na política ambiental brasileira, inclusive com vários retrocessos e ações que são inaceitáveis e inadmissíveis. E o Congresso Nacional tem um papel muito preponderante neste sentido, declarou.

A senadora afirma que este é um dos momentos de maior pressão contra o meio ambiente no Congresso Nacional.

Há pressão contra o meio ambiente no Congresso Nacional, diz senadora (Foto: Beto Barata)

Nós temos uma série de leis que estão em curso. Eu te diria que este é o momento da história brasileira em que a gente tem mais ações, com comissões, com CPI funcionando, com comissões temporárias funcionando, todas com a questão ambiental. Várias medidas provisórias, vários projetos de lei que vieram aqui e a gente encontra em quase todos eles, naqueles que tem avançado, que acabam trazendo de nós uma preocupação muito maior, disse.

Meio ambiente é alvo de nova ofensiva no Congresso em 2020

Erick Mota – Congresso em Foco

Passado o carnaval, o Congresso Nacional retoma os trabalhos com a promessa de acelerar a pauta no primeiro semestre por causa do calendário eleitoral da segunda metade do ano. Para os ambientalistas, este é o momento que requer maior atenção, pois, segundo eles, o governo vai investir pesado na aprovação de medidas consideradas nocivas ao meio ambiente. Dentre os projetos que mais os preocupam, estão a Lei Geral de Licenciamento Ambiental, a mineração em terras indígenas e a regularização fundiária.

Ex-presidente da Frente Parlamentar Ambientalista , o deputado Nilto Tatto (PT-SP) acredita que este ano deve oferecer mais riscos à agenda ambiental. “É um desafio muito grande em 2020, principalmente neste primeiro semestre. Se ano passado foi um ano de desmonte de tudo aquilo que a civilização brasileira conquistou, tanto do ponto de vista social, como em especial da legislação ambiental, neste ano é o ano em que o governo Bolsonaro vai querer implementar o seu projeto de desenvolvimento e que implica subjugar os interesses do Brasil para o capitalismo internacional”, disse.

Para Tatto, a medida provisória (MP) de regularização fundiária e o licenciamento ambiental são as pautas que merecem maior atenção no momento. “A medida provisória da regularização fundiária, que é legalizar o roubo de terra pública, do projeto de lei para o avançar do agronegócio e com a mineração em terras indígenas ou a tentativa de aprovar uma Lei Geral de Licenciamento Ambiental que vai pra cima de direitos dos povos indígenas e também quilombolas, como vai pra cima das Unidades de Conservação (UC)”.

Um dos nomes cotados para presidir a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável na Câmara (CMADS) em 2020, Camilo Capiberibe (PSB-AP) concorda com o petista. “O que já está na pauta é a MP 910, a pauta da regularização fundiária, essa pauta é extremamente complexa, porque é de fato a regularização da grilagem. Você aceitar o que está sendo proposta naquela medida provisória, passar a ser lei, passar a ser adotado, significa você fazer uma moratória para grileiros – que são ladrões de terra pública -, é importante dizer, porque às vezes a gente fala ‘grileiro’ e não fica muito claro, é ladrão, é corrupção, é roubo de terra pública. Essa medida provisória é extremamente danosa, ela também tem esse efeito ruim para o meio ambiente e ruim para economia por causa da pressão internacional”, disse o deputado ao Congresso em Foco.

Camilo atenta ainda para um jabuti – texto estranho à pauta – na MP 901/2019, que está pronta para ser votada no Plenário da Câmara. A matéria, que originalmente tratava da transferência ao domínio dos estados de Roraima e Amapá terras pertencentes à União, passou a a incluir itens que, na prática, vão excluir de proteção ambiental 4.745 hectares da flona da região e abrir essas áreas para a mineração.

“Também tem essa MP 901 que não tem nada haver necessariamente com essa pauta, mas que agora ganhou jabutis modificando o Código Florestal e também tentando abrir um precedente de redução de unidades de conservação via medida provisória”, declarou Capiberibe. “Isso mostra que o ano mal começou e os ataques que estão vindo para a agenda de meio ambiente são grandes”, concluiu o deputado.

Para Túlio Gadelha (PDT-PE), o projeto que prevê mineração em terras indígenas é o que mais preocupa. “O projeto do presidente Jair Bolsonaro padece de vários vícios. O primeiro deles é não escutar a população brasileira, não escutar a população indígena, não debater sobre esse projeto de mineração. Segundo é que todas as experiências que temos de mineração de terras indígenas não são exitosas”, declarou.

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), acredita que a Frente Parlamentar Ambientalista tem um papel importante neste momento para frear os retrocessos. “[A Frente Parlamentar Ambientalista] é fundamental para o Congresso, é fundamental para o Brasil. A gente está vivendo um momento muito tenso na política ambiental brasileira, inclusive com vários retrocessos e ações que são inaceitáveis e inadmissíveis. E o Congresso Nacional tem um papel muito preponderante neste sentido”, declarou.

A senadora afirma que este é um dos momentos de maior pressão contra o meio ambiente no Congresso Nacional. “Nós temos uma série de leis que estão em curso. Eu te diria que este é o momento da história brasileira em que a gente tem mais ações, com comissões, com CPI funcionando, com comissões temporárias funcionando, todas com a questão ambiental. Várias medidas provisórias, vários projetos de lei que vieram aqui e a gente encontra em quase todos eles, naqueles que tem avançado, que acabam trazendo de nós uma preocupação muito maior”, disse.

Pressão nos estados

O deputado estadual Goura Nataraj (PDT-PR) compareceu na abertura dos trabalhos da Frente Parlamentar Ambientalista em 2020. Para o deputado, é necessária a união da esfera municipal, estadual e federal para conter os retrocessos. “A gente também tem que trazer estes temas aos municípios, a discussão nos parlamentos todos. Sejam câmaras municipais, sejam as assembleias legislativas”, disse.

Goura se mostra preocupado com pautas de Jair Bolsonaro que impactam diretamente o estado que representa. “O Paraná está sendo um palco de experimentação para algumas coisas muito preocupantes, muito graves, que podem abrir precedentes para o futuro. Eu cito alguns exemplos. Primeiro, o Parque Nacional do Iguaçu que está tendo a sua integridade ameaçada por um projeto que quer abrir uma estrada, assim chamada de Estrada do Colono, que vai abrir o parque ao meio, isto é inadmissível”, disse.

O projeto, que tramita com celeridade dentro do Senado, coloca em risco a preservação do segundo parque mais visitado do Brasil, o Parque Nacional do Iguaçu. Foi aprovado em novembro na Comissão de Infraestrutura da Casa o projeto de lei que permite a reabertura da Estrada do Colono, que divide o parque paranaense.

Para o deputado do PDT, não é apenas o governo federal que representa perigo ao meio ambiente. “Também no litoral do Paraná, a gente tem uma proposta de implantação de um porto privado, cujo o acesso será facilitado com recursos públicos do governo do estado”, disse.

“A Frente Parlamentar Ambientalista está muito preocupada com tudo isso e a gente tem que ter resistência, a gente não pode aceitar que num momento mundial em que a gente está discutindo mudanças climáticas, em que a gente está discutindo questões que ameaçam o futuro da humanidade, a gente não leve em consideração a ciência, os direitos das minorias e os direitos constitucionais e democráticos como um todo”, declarou Nataraj.

Mil preocupações

A coordenadora do Comitê Chico Mendes, Angela Mendes, acredita que o momento é de atenção geral. “Eu vejo que não existe uma principal pauta ambiental. Se a gente considerar que hoje existem cerca de mil PLs [projetos de lei], PECs [propostas de emenda à Constituição], decretos, vários mecanismos que ameaçam e que são um ataque direto ao meio ambiente e aos povos tradicionais, tanto indígenas, quanto extrativistas e ribeirinhos, não da pra gente definir exatamente uma pauta de maior ou menor grau ofensivo. Tudo que está vindo aí visa desmontar e é uma ameaça direta aos povos da floresta, a floresta, a Amazônia e a soberania do povo brasileiro”, disse ao Congresso em Foco.

Pautas que preocupam ambientalistas

MP 901/2019 – Transfere terras da União para o Amapá e Roraima. Mas ambientalistas denunciam jabutis contidos no texto que, na prática, irão excluir de proteção ambiental 4.745 hectares da flona da região e abrir estas áreas para a mineração. A matéria também altera o Código Florestal, o que pode gerar um efeito cascata que, segundo análise do Instituto Socioambiental (ISA), abrirá um precedente que pode levar ao aumento de 30% de desmatamento da Amazônia.

MP 910/2019 – Flexibiliza as regras de regularização fundiária, alcançando até 15 módulos fiscais que, em regiões da Amazônia, podem totalizar 1.500 hectares. A lei de 2008 tinha como limite quatro módulos fiscais. O governo fala em legalizar 300 mil propriedades, com autodeclaração do interessado. Em recente artigo publicado no Congresso em Foco, o advogado ambientalista André Lima, afirmou que “a MP é um enorme estímulo a novas ocupações e desmatamentos ilegais”.

Licenciamento Ambiental – A matéria está em debate na Câmara desde junho e 2019 e foi discutida em dez audiências públicas. Porém, segundo os ambientalistas, no último relatório apresentado por Kim Kataguiri (DEM-SP), os debates técnicos não foram levados em conta. Kim promete buscar consenso antes da matéria ir à Plenário. Rodrigo Maia, por sua vez, também prometeu que não irá pautar antes de um acordo entre os ambientalistas, ruralistas e setor de infraestrutura.

PL 191/2020 – De autoria do governo federal, o PL permite a mineração e geração de energia em terras indígenas, além de outras possibilidades econômicas. O projeto prevê ainda que a exploração das terras poderá acontecer contra a vontade dos povos afetados.

Fundo Nacional do Meio Ambiente – Constituído por recursos de concessões florestais, dele foram excluídas as participações de entidades da sociedade civil e secretarias estaduais de meio ambiente. Ou seja, o poder absoluto de decisão agora é da União. A previsão orçamentária do Fundo para 2020 caiu de quase R$ 50 milhões, para R$ 33 milhões.

Fonte: https://congressoemfoco.uol.com.br/meio-ambiente/meio-ambiente-recebe-ofensiva-no-congresso-em-2020/

É inaceitável que os nossos índios estejam sendo dizimados, afirma Eliziane Gama

Comitiva de parlamentares visitou as terras indígenas Araribóia, em Amarante do Maranhão, nesta sexta-feira (Foto: Caio Igreja)

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), integrou nesta sexta-feira(10) a comitiva composta pelos deputados federais Jôenia Wapichana (Rede), Nilto Tatto (PT) e Bira do Pindaré (PSB) que realizou uma diligência nas terras indígenas Arariboia, em Amarante do Maranhão, para averiguar a situação de conflitos na região, principalmente após os recentes assassinatos de índios.

“Nosso objetivo é combater a impunidade”, disse Eliziane Gama (Foto: Caio Igreja)

“Nosso objetivo é combater a impunidade. É inaceitável e inadmissível que os nossos índios estejam sendo dizimados. Tão grave quanto isso é deixar os autores dessas barbaridades fiquem sem nenhuma punição. Nós iremos encaminhar esse relatório. Podem contar conosco”, afirmou Eliziane Gama durante a diligência no território Arariboia.

Os parlamentares foram acompanhados pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA, o advogado Rafael Silva; presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Mari Silva Maia; Tenente Coronel Araújo, comandante do 34º Batalhão de Polícia Militar da cidade de Amarante, e também pela representante da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Andréa Barbosa.

Entre as lideranças indígenas presentes na audiência estava o cacique Zezé, da Aldeia Juçaral; o atual coordenador geral da Comissão dos Caciques e Lideranças da Terra Indígena Arariboia (CCOCALITIA-MA), Elias Sousa Guajajara; o representante dos Guardiões da Florestas, Silvio Guajajara, que é da Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (COAPIMA). As lideranças indígenas presentes pediram mais investimentos em equipamentos de segurança para ajudar na proteção das reservas.

A comitiva ouviu a mãe de Laércio Guajajara que lamentou a situação do filho. Ele está no Programa de Proteção a Defensores de Diretos Humanos por ter sido vítima na mesma emboscada que foi assassinado Paulo Paulino Guajajara no ano passado.

Entre os encaminhamentos está a solicitação da cópia do inquérito sobre a morte do Guardião da Floresta, Paulo Paulino Guajajara. Também será feito um relatório sobre a diligência para subsidiar as ações na Câmara dos Deputados e Senado Federal. Os parlamentares se comprometeram a contribuir com a regularização das associações indígenas.

Lideranças indígenas protestam contra MP que transfere demarcação de terras para Ministério da Agricultura

As políticas públicas adotadas pelo governo Bolsonaro em relação às comunidades indígenas tem despertado muita preocupação nos movimentos sociais. Na semana passada, o presidente da República editou a Medida Provisória 886/2019 para transferir a demarcação de terras indígenas ao Ministério da Agricultura.

A nova mudança promovida pelo Executivo causou grande apreensão em todas as etnias indígenas presentes no 1º Encontro de Mulheres Negras e Indígenas, realizado pelo Cidadania, neste final de semana, em Brasília. O partido e a líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), querem barrar a medida, considerada inconstitucional (veja abaixo).

Ao avaliar a mudança, a indígena da etnia Makuxi e filiada do Cidadania de Roraima, Jucileia Teixeira da Silva Gomes, afirmou que a MP representa uma violação aos direitos humanos.

“Para o povo Makuxi, eu vejo essa medida como uma violação dos direitos humanos. Ele [Bolsonaro] não nos consultou. A gente tem uma luta de 30 anos. Como indígena acredito que a questão da demarcação deveria permanecer no Ministério da Justiça. Por que? Porque no ministério da Agricultura não teremos nossos direitos respeitados. Bolsonaro tirou isso de nós como se não fossemos nada nesse País. Já nos tirou direitos como saúde e educação. Ele está nos matando”, afirmou.

“Sobrevivência”

A indígena da etnia Kadiweu, Benilda Kadiweu, lembrou que os índios necessitam da terra pra sobreviver e afirmou que a medida tende a piorar a situação de todas as comunidades indígenas do País.

“A medida representa um retrocesso na luta indígena. Estamos há décadas aguardando a demarcação de um território que tem em torno de 150 mil hectares e que até agora não foi resolvido. Vai ficar mais difícil com essa MP. Os povos indígenas utilizam a terra apenas para a sua sobrevivência e não se preocupam com plantações de larga escala. De janeiro para cá a situação tem piorado para nós. A ação do partido é de grande importância e me orgulho muito por estar no Cidadania”, disse.

“Diálogo”

A indígena Silvana Terena, da etnia Terena, defendeu o diálogo como forma de superar o problema e adiantou que a população indígena brasileira não quer o conflito. Para ela, o Ministério da Agricultura não terá a compreensão necessária sobre a importância da demarcação de territórios indígenas.

“Acredito que deveria ter um diálogo junto ao Bolsonaro. Precisamos abrir espaço para que ele [Bolsonaro] possa entender o que queremos e, sobretudo, em relação a questão da demarcação de terras indígenas. Não queremos ir para o conflito. Ir para o Ministério da Agricultura é um retrocesso pois as pessoas de lá talvez não entendam da nossa cultura e a forma de ser e viver. Acredito que vamos perder com isso”, afirmou.

ADI e pedido de devolução da MP

Preocupado com a gravidade da situação, o Cidadania ingressou, na última sexta-feira (21), no STF (Supremo Tribunal Federal) com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade), com pedido de liminar, contra a mudança (veja aqui). A MP também foi alvo da ação da senadora Eliziane Gama (MA) na quarta-feira (19). Ela solicitou ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a devolução da MP medida sob alegação de ser “flagrantemente inconstitucional” (veja aqui).

O partido e a senadora entendem que o governo não poderia editar a MP  porque força o Congresso Nacional a rediscutir sobre que pasta cabe a competência da demarcação, quando o assunto já foi deliberado pela Câmara dos Deputados  e Senado, em maio, na MP 870, que transferiu o assunto para o  Ministério da Justiça.