Jorge Kajuru cobra da Câmara votação do projeto sobre redução de juros do cartão e cheque especial

Senador acusa]ou Rodrigo Maia (DEM-RJ) de engavetar ‘todo pedido que contraria banqueiros’ (Foto: Reprodução/EBC)

O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) cobrou da Câmara dos Deputados na sessão remota do Senado, nesta terça-feira (29), a votação dos projetos de leis que suspende a cobrança de consignados (PL 1.328/2020) e do que limita as taxas de juros de cartão de crédito e do cheque especial em 30% ao ano (PL 1166/2020), e não poupou críticas ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) por não pauta as propostas.

O  PL 1166/2020 foi aprovado pelo Senado em 6 de agosto, por 56 votos a favor, 14 contrários e 1 abstenção, incorporando no texto dispositivos do PL 2261/2020, de autoria de Kajuru.

“Esses projetos não serão votados enquanto na Câmara estiver como presidente Rodrigo Maia. Ele engaveta todo pedido que contraria banqueiros. E chego à conclusão que realmente nasceu no Brasil um novo banco privado, cujo nome é Banco Rodrigo Maia”, afirmou o senador do Cidadania. ​

De acordo com o projeto aprovado pelo Senado, os juros para o crédito rotativo do cartão de crédito e todas as demais modalidades de crédito ofertadas por meio de cartões de crédito e da linha de crédito do cheque especial não poderão exceder a 30%. A proposta vale para dívidas contraídas entre março e dezembro de 2020.

Já o PL 1328/2020 prevê prazo de carência para o pagamento de empréstimos consignados em decorrência da pandemia do novo coronavírus. O projeto aguarda votação na Câmara desde 22 de junho.

Com “Estou aqui”, apresentador Luciano Huck se coloca à disposição para disputa presidencial de 2022

O “estou aqui” do apresentador Luciano Huck, ao responder se teria coragem de se candidatar à Presidência da República, continuou repercutindo na imprensa e tracionando nas redes. A declaração, uma das mais claras sobre sua disposição de se lançar, foi feita na Associação Comercial de São Paulo em reunião na segunda-feira (22). A jornalista Vera Rosa, colunista do Estadão, diz hoje (23) que, “com uma plataforma econômica sob medida para agradar de liberais a setores da centro-esquerda”, Huck “tem conquistado apoios desde 2018”.

Entre eles, cita o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e destaca elogios do sociólogo Paulo Delgado, ex-PT, que integra a Associação, para quem, o empresário lhe pareceu “sincero, curioso e com conteúdo”. Curioso, aliás, é como Huck se define no Twitter, uma das redes sociais em que vem sendo cada vez mais ativo, comentando e se posicionando sobre acontecimentos importantes do dia a dia dos brasileiros, inclusive com críticas à gestão do presidente Jair Bolsonaro.

“Liderar é apontar soluções. É ter capacidade de atrair. É covardia culpar índios e caboclos pelo caos resultante da descoordenação ambiental do país. E não é verdade que o Brasil ultimamente tem atraído investimentos estrangeiros. O próprio Banco Central mostra o contrário”, afirmou ele, sobre o discurso de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral das Organização das Nações Unidas. Ele também disse considerar “falso o litígio entre produção e preservação”, um “delírio negar a urgência climática” e pediu união entre agro e ativismo ambiental”.

Na coluna, Vera Rosa opõe o “Estou aqui” de Huck ao “E daí” de Bolsonaro diante da pandemia de Covid-19, que já matou quase 140 mil brasileiros. Quando se colocou à disposição na Associação Comercial, Huck se colocou como líder. “Quero mobilizar, liderar, fomentar uma geração para que a gente participe ativamente das transformações de que o Brasil precisa. Ninguém vai entregar isso de graça para a gente”, declarou.

Ao mesmo tempo, mostrou simplicidade e abertura ao diálogo, ao reconhecer que estava ali tratando de “temas que não são óbvios” para ele e com estômago “pra ouvir opiniões diversas” e “estar em cena num momento tão delicado do País”. Ao Estadão, Roberto Freire, presidente do Cidadania, que trabalha pela filiação de Huck, disse que esse é o momento para o apresentador fazer isso. “Agora é a hora em que ele está reivindicando protagonismo, debatendo e propondo soluções para o país”, avaliou.

Leia aqui a coluna da jornalista Vera Rosa no jornal o Estado de São Paulo

Leia aqui a matéria do Estadão sobre a agenda de Huck na Associação Comercial Paulista

Alessandro Vieira diz que reeleição de Maia e Alcolumbre ‘rasga a Constituição’

‘O único que não pode concorrer é Davi Alcolumbre, porque a Constituição veda taxativamente, assim como o regimento da Casa’, afirmou o parlamentar do Cidadania (Foto: Reprodução/RJP)

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan, nesta quinta-feira (27), o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) fez duras críticas à tentativa de reeleição dos presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“No Senado você tem 80 senadores aptos a eleição para a presidência da Casa. O único que não pode concorrer é Davi Alcolumbre, porque a Constituição veda taxativamente, assim como o regimento da Casa”, afirmou o parlamentar do Cidadania (veja o vídeo da entrevista abaixo).

Senador critica manobra de Maia e Alcolumbre por reeleição: ‘Querem rasgar a Constituição’

Em entrevista à Jovem Pan, Alessandro Vieira disse que “o Brasil tem que deixar no passado essa república de bananas”

A manobra que corre no Congresso para permitir a reeleição de Davi Alcolumbre como presidente do Senado – e possivelmente a de Rodrigo Maia à frente da Câmara – fez com que crescesse um movimento de parlamentares contrários à manobra, que não está prevista na Constituição e que pode ser analisada pelo Supremo Tribunal Federal.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-Sergipe) fez duras críticas à tentativa de Alcolumbre e Maia. “No Senado você tem 80 senadores aptos a eleição para a presidência da casa. O único que não pode concorrer é Davi Alcolumbre, porque a Constituição veda taxativamente, assim como o regimento da Casa. Essa tentativa de jeitinho com amigos ou companheiros não pode prosperar. O Brasil tem que deixar no passado essa república de bananas onde você faz adaptações ou interpretações de textos constitucionais de acordo com interesses políticos. O STF deve atuar no limite da lei, não da política, não faz o menor sentido. O que for necessário e possível de fazer como parlamentar e cidadão vamos fazer.”

Fonte: https://jovempan.com.br/programas/jornal-da-manha/senador-critica-manobra-de-maia-e-alcolumbre-por-reeleicao-querem-rasgar-a-constituicao.html

Governo entrega à Câmara sugestões para novo marco de PPPs e concessões

Relator da matéria na Câmara, o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) informou que o parecer será apresentado até o fim de outubro (Foto: Robson Gonçalves)

O relator do projeto que institui o marco legal referente às PPPs (Parcerias Público-Privadas), Concessões Públicas e Fundos de Investimentos em Infraestrutura, deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), estima apresentar até o fim deste mês (outubro) parecer sobre a proposta que pode resultar na geração de milhões de empregos.

Na tarde desta terça-feira (8), os parlamentares receberam de técnicos da Casa Civil e dos ministérios da Economia, Infraestrutura e Desenvolvimento Econômico sugestões para o projeto que resultará na nova legislação. A reunião ocorreu na presidência da Câmara dos Deputados.

A matéria é, na avaliação de especialistas e do próprio presidente da Casa, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), uma das mais importantes em tramitação no Congresso para a retomada do desenvolvimento e na geração de postos de trabalho e renda.

Para Arnaldo Jardim, o País, sozinho, não tem condições de investir em infraestrutura, sob o risco de aumentar o rombo nas contas públicas.

De 2000 a 2016, o Brasil aplicou em média 2,1% do Produto Interno Bruto no setor. Para se igualar à média global, o País precisaria atingir um total de 4,7% do PIB pelos próximos 20 anos. Como não há reservas suficientes para tal demanda, a saída é recorrer a investimentos privados.

“Não será apenas por meio de aumento de tributos ou simplesmente pelo corte nos gastos públicos que se dará conta da demanda por investimentos em infraestrutura. A solução está na aprovação do novo marco regulatório para PPPs e concessões. No Brasil, um aumento de 1% no investimento em infraestrutura levaria a um avanço de 2,1% do PIB ao longo de uma década. O Estado brasileiro não tem capacidade de investir sozinho, daí a importância da parceria com o setor privado. É plenamente viável o Brasil criar milhões de empregos com a entrada em vigor dessa atualização das regras”, explica Arnaldo Jardim.

O relator da comissão especial que trata das PPPs e concessões acrescenta que o país pode aproveitar o alto nível de capitais internacionais e fundos de investimentos prontos para aplicar em obras de infraestrutura.

“Há uma alta demanda por investimentos de longo prazo tendo o Brasil como um dos principais receptores. Apesar de todas as adversidades, o Brasil consta como 4º maior destino de investimento estrangeiro direto (IED) no mundo, contrariando tendência global de desaceleração desses fluxos”, destacou o parlamentar.

Fernando Exman: Mais uma rota no voo solo do Legislativo

Os pontos de fricção entre a Câmara e o presidente Jair Bolsonaro irão além da agenda econômica, após o recesso parlamentar. Deputados devem começar a falar mais abertamente do plano do presidente da Casa, Rodrigo Maia, de implementar uma pauta social autônoma. Será mais uma tentativa de colocar o Parlamento em voo solo, agora na busca de protagonismo político num novo terreno.

O arranjo no calendário parece meticulosamente planejado. A partir de agosto, quando a Câmara dos Deputados finalmente passar adiante a pauta negativa da reforma da Previdência Social para o Senado, poderá então se debruçar sobre projetos de interesse de seus redutos eleitorais e com mais apelo popular.

Num primeiro momento, a Câmara fará o necessário para tocar a reforma tributária num ritmo acelerado o suficiente para que o Executivo consiga apenas entrar de carona na história. Maia assegura que a proposta a ser aprovada pelos deputados não instituirá novos impostos, mas essa bandeira, embora possa agradar governadores, prefeitos e empresários, não é capaz de animar comício algum. Assim como a necessária reforma administrativa do Estado, promessa do governo federal e também da cúpula do Legislativo.

O passo seguinte da cúpula da Câmara, que tem como horizonte os pleitos municipais do ano que vem e a eleição geral de 2022, será a discussão de uma agenda social. Em recentes entrevistas, Maia definiu algumas linhas do embate, como a aplicação do Bolsa Família, a primeira infância e o combate à evasão das escolas.

A esquerda já estava na mira de Maia e aliados, sejam eles seus correligionários do DEM ou lideranças nordestinas de outros partidos. Há meses os partidos de centro e centro-direita falam sobre a necessidade de se oferecer à sociedade programas que possam rivalizar com as realizações dos governos do PT. Com Bolsonaro passando a falar abertamente de seu projeto de reeleição, os programas da atual administração também entraram na linha de tiro. E a área ganhou evidência em razão de mais uma leva de declarações polêmicas do presidente: ao dizer que no Brasil não se passa a fome, o próprio Bolsonaro acabou deixando para um segundo plano os esforços de seu governo para combater a miséria.

Responsável pelos programas sociais da atual gestão e deputado licenciado, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, disse ao Valor que convidará o presidente da Câmara para conhecer as ações em andamento.

Ele destaca, por exemplo, o “Criança Feliz”. O programa tem hoje 700 mil crianças acompanhadas em casa por visitadores capacitados para estimular a criança em seus mil primeiros dias de vida. A meta do governo é chegar a 1 milhão de beneficiados até o fim do ano. “As crianças nascem com o mesmo potencial”, afirma o ministro, lembrando que cada palavra, som ou qualquer tipo de estímulo faz diferença no processo de aprendizado e formação de memória do bebê.

Abismos começam a ser criados nas escolas. Explica o ministro: fica para trás quem não entende direito as aulas e não se faz ser compreendido pelos professores. “Vai perpetuando a desigualdade e alimentando o ciclo da pobreza”, complementa. “Para romper o ciclo da pobreza tem que ter desenvolvimento humano.”

A expectativa no governo é que o programa ganhe destaque internacional em setembro, quando será anunciada a iniciativa mais inovadora do mundo na área de acordo com a Cúpula Mundial de Inovação para a Educação. O “Criança Feliz” ficou entre os 15 finalistas do Wise Awards de 2019, após ter sido selecionado entre 482 projetos de diversos países.

Já o Bolsa Família está por trás das recentes declarações do presidente de que a fome não é um problema no Brasil. No governo, a visão é que se conseguiu zerar a fila de acesso ao programa, o que demonstra a atual capacidade do Estado de rapidamente atender quem entra em uma situação de emergência financeira. O governo argumenta que há disponibilidade de recursos para os que precisam de ajuda para comer, e ainda apontam que a obesidade estaria matando mais do que a desnutrição no país.

Atualmente, 13,9 milhões de famílias estão no programa, que recebe aproximadamente R$ 30 bilhões por ano, e Terra diz que o governo edifica sua porta de saída. Ela é o “Progredir”, que tem como foco os 4,6 milhões de jovens assistidos pelo programa que se enquadram na categoria nem-nem. Ou seja, que não trabalham e tampouco estudam.

Eles receberão capacitação do Sistema S, enquanto o ministério tenta garantir sua colocação em empresas que precisem de mão de obra nas mais diversas regiões do país. Com meta de beneficiar 1 milhão de jovens por ano, o piloto é na cidade mineira de Brumadinho.

Terra disse que está em contato com o Ministério da Economia para que essa estrutura do Sistema S seja preservada. Do Banco Central, complementou, recebeu sinalização positiva em relação ao direcionamento de R$ 4,7 bilhões por ano dos depósitos compulsórios para microcrédito a ser tomado por empreendedores capacitados pelo Sebrae. Isso sem falar no décimo terceiro do Bolsa Família, que será liberado entre outubro e novembro.

“A chave é o desenvolvimento humano”, diz o ministro, que se coloca na missão de ajudar a população mais pobre a atravessar o deserto até que a economia volte a se aquecer. “O melhor programa social é o emprego e a renda”, conclui.

Enquanto a esquerda busca retomar a conexão com suas bases populares, o governo vai moldando um discurso e um portfólio a apresentar ao eleitor.

Maia e aliados podem afirmar que tiveram papel relevante para impedir retrocessos que atingiriam os mais pobres na reforma da Previdência. Na área tributária, o DEM esteve sempre na vanguarda contra a manutenção ou recriação da CPMF. Mas o partido terá longo caminho a percorrer até conquistar um espaço privilegiado no debate na área social. (Valor Econômico – 23/07/2019)

Fernando Exman é coordenador do “Valor PRO” em Brasília – E-mail: fernando.exman@valor.com.br

Luiz Carlos Azedo: A mágica da política

NAS ENTRELINHAS – CORREIO BRAZILIENSE

Por que a política exerce tanto fascínio, ainda que uma parte considerável da sociedade tenha repulsa aos políticos e nem sequer saiba que essa é uma atitude política, muito mais afirmativa do que a simples indiferença? Talvez a explicação seja seu poder de transformar a vida em sociedade, de viabilizar ambições e projetos coletivos. Essa é a grande mágica da política, embora sua definição básica, do ponto de vista clássico, seja a da ciência prática que tem por objetivo a felicidade humana.

Dizia Aristóteles: “Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras, tem, mais que todas, este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens; ela se chama cidade e é a comunidade política”. Ou seja, é a arte das artes e a ciência das ciências.

Há, portanto, dois campos num mesmo universo: o da ética, associada à felicidade individual do homem; e a política propriamente dita, que se preocupa com a felicidade coletiva. O problema é que nem sempre as duas andam juntas, e esse divórcio costuma ser muito perigoso. O próprio filósofo grego, discípulo de Platão, provou desse veneno quando caiu em desgraça e foi parar no exílio. Isso não impediu, entretanto, que, milênios depois, seu pensamento metafísico fosse um dos pilares do processo civilizatório ocidental.

Embora defendesse a existência de um Deus único acima de tudo, base da teologia católica, Aristóteles considerava a existência de um mundo único, um só objeto. E que, para ser feliz, é preciso fazer o bem a outrem. Por isso, o homem é um ser social e, portanto, um ser político. Por consequência, cabe ao Estado “garantir o bem-estar e a felicidade dos seus governados”. Testemunha da crise da democracia escravagista, escreveu a Política, seu grande tratado sobre o tema, no qual discorreu sobre a democracia, a aristocracia e a monarquia.

No fundo, essa é uma visão otimista, que se faz necessária no momento em que estamos vivendo, de certa forma sombrio e até atemorizante, por essa razão, impregnado de pessimismo. Sob certos aspectos da atual crise da democracia representativa e de uma onda regressista em relação aos costumes, a política é a nossa grande esperança. A aprovação da reforma da Previdência pela Câmara, ontem, por 379 votos, contra 131, portanto, um escore bem maior do que os 340 previstos pelos governistas, ainda que existam muitos destaques a serem apreciados, é demonstração de que a política ainda é o caminho para resolver os problemas da nossa sociedade.

Há muitas críticas à reforma, e uma justa oposição dos setores que por ela se consideram mais prejudicados, porém, a votação de ontem foi um daqueles momentos mágicos da política, no qual o Congresso brasileiro encontra saída para os desafios da nação. Ao contrário do que alguns defendem, sem a política não há soluções pactuadas na sociedade, ainda que reflitam o melhor do Iluminismo. O que há é imposição.

Ontem, vivemos uma inflexão no processo de confrontação que havia se instalado entre o Executivo e o Legislativo, um momento de afirmação da nossa democracia e do Congresso. É óbvio que se avultam os líderes que protagonizaram esse processo, em particular, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-DF), o grande artífice da aprovação da reforma. Seu papel como articulador da maioria é conhecido, mas há que se destacar o papel de negociador com o Executivo e interlocutor com a oposição, pois sua atuação tem se pautado pelo diálogo, a moderação e a prudência, além do respeito às ideias divergentes e às minorias.

A nuvem se mexe

Não fossem certas atitudes do presidente Bolsonaro e de seu grupo ideológico, de confrontação e fustigação constante do Congresso, os méritos seriam mais compartilhados com o Executivo, que também teve um papel relevante ao priorizar a reforma, principalmente, o ministro da economia, Paulo Guedes. Na verdade, o Palácio do Planalto abriu mão de ser sócio majoritário da reforma em razão de atitudes nas quais mirou muito mais a sua base eleitoral originária do que os interesses majoritários da sociedade.

Como disse certa vez o ex-governador mineiro Magalhães Pinto, a política é como uma nuvem: você olha uma vez, ela está de um jeito, olha de outro, já mudou sua configuração. Está em curso um reequilíbrio de forças nas relações entre os Poderes da República. Provavelmente, após o recesso do Judiciário, veremos qual será o reposicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Voltando à divisão aristotélica entre ética e política propriamente dita, que foram duramente contrapostas nas eleições passadas, sobretudo em razão da Operação Lava-Jato, em torno dessa questão terá que haver também um reposicionamento. O Congresso também terá protagonismo nesse terreno, talvez maior do que muitos gostariam. Na verdade, a discussão do chamado pacote anticrime e da lei de abuso de autoridade chama à responsabilidade todas as lideranças envolvidas nesse processo, entre as quais o ministro da Justiça, Sérgio Moro, que não está acima do bem e do mal, e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesse aspecto, a surpresa de ontem foi o relatório do senador Marcos Do Val (Cidadania-ES), que se reposicionou em relação ao tema e mitigou muitas propostas polêmicas de Moro. O relatório foi claramente pactuado com seus pares e sinaliza certo protagonismo que o Senado assumirá nessa questão. No mesmo sentido, a aprovação da proposta que criminaliza o crime de caixa dois, com base no relatório do senador Márcio Bittar (MDB-AC), aponta para a busca de um reencontro da política com a ética, a partir do Congresso, e não dos tribunais.