Chamar movimentos de “partidos clandestinos é policialesco”, diz Roberto Freire

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, criticou a postura e declarações de partidos políticos e dirigentes partidários contra parlamentares, integrantes dessas siglas, que votaram a reforma da Previdência contra a orientação de suas legendas. Para Freire, chamar movimentos de renovação política de “partidos clandestinos é policialesco”.

“Um destempero mais do que verbal por ser atentatório à democracia está sendo assacado pelos que pretendem impor voto partidário sobre consciências, contra movimentos de renovação política. Chamá-los de partidos clandestinos é uma atitude policialesca e imprópria para um democrata”, afirmou Freire nas redes sociais.

A declaração de Roberto Freire ocorreu após o PDT e o PSB ameaçarem de expulsão deputados federais integrantes de ambas as siglas que votaram favoravelmente a aprovação da reforma da Previdência. Alguns deles integrantes de movimento Agora! e Acredito, como os deputados federais  Tabata Amaral (PDT-SP) e  Felipe Rigoni (PSB-ES).

Alessandro Vieira: A renovação não virá dos velhos caciques

Coragem de Tabata e Rigoni serve de exemplo

A renovação política de que o Brasil precisa é de práticas, e não de pessoas. É difícil abandonar velhos hábitos. Não elegemos presidentes. Elegemos mitos, que concentram a imunidade dos santos ou todos os pecados dos demônios, dependendo de quando e a quem se pergunta. Construir uma política madura, menos simplista e de centro —fiel à vontade daqueles que representamos— pressupõe rupturas.

Precisamos do exemplo de coragem de Felipe Rigoni e Tabata Amaral, colegas congressistas do Movimento Acredito, para indicar o caminho.

A votação da reforma da Previdência evidenciou o embate entre o novo e o velho que presenciamos diariamente no Congresso. De um lado, a política pelo exemplo, pelas novas práticas e pela convicção. Do outro, caciques tradicionais, fiéis a velhos hábitos, dos quais Ciro Gomes é a melhor caricatura. Ele representa o personalismo de quem já rodou por quase uma dezena de partidos e a polarização simplista do “nós contra eles”, travestido de ideologia.

É na hora de grandes decisões, daquelas que têm consequência para o futuro do país e custo eleitoral, que as diferenças entre o novo e o velho se tornam inconciliáveis.

O Acredito sempre foi a favor da reforma, tendo o combate a privilégios e a responsabilidade fiscal como valores. Tanto o PDT quanto o PSB assinaram carta com o movimento se comprometendo a “respeitar as autonomias política e de funcionamento do Acredito e de seus representantes”. Justamente para que o movimento, que é suprapartidário, garantisse a liberdade dos integrantes.

No nosso sistema político, em que reinam dirigentes partidários, a carta pública não tem valor jurídico. E parece tampouco terem valor os compromissos políticos dos dirigentes Carlos Lupi e Carlos Siqueira, que ameaçam Tabata e Rigoni de expulsão.

A reforma aprovada não é a ideal. É a possível. Mas ela combate desigualdades, quebra privilégios e é um passo concreto rumo à sustentabilidade fiscal. Alíquotas progressivas, idade mínima que afeta principalmente os mais ricos, regras iguais para sistemas público e privado. Há razão em quem grita contra isenções para ruralistas, contra a separação da reforma dos militares e contra os privilégios para algumas categorias. Porém esses erros não anulam os avanços.

Liderar é dar às pessoas protagonismo sobre seus destinos, e não ameaçar ou ofender quem pensa diferente, em exercício de arrogância dos donos da razão e do poder.

A liderança virtuosa busca devolver o poder e a responsabilidade de escolha. Isso significa lutar por um Brasil com igualdade de oportunidades, mas também devolver a deputados federais a responsabilidade de votar por convicção, e não por conveniência partidária.

Quando ninguém ousava, Tabata foi a única voz do PDT a anunciar que votaria a favor da reforma. Mas o partido teve oito votos a favor da reforma. Rigoni também assumiu essa posição no PSB, sendo acompanhado por dez congressistas. Essas são as práticas de uma política baseada em estudo e respeito à divergência. Essa é a renovação de que o Brasil precisa. (Folha de S. Paulo – 17/07/2019)

Alessandro Vieira, senador da República (Cidadania-SE) e ex-delegado-geral da Polícia Civil de Sergipe (2016-2017)

Órgãos de cooperação do Cidadania divulgam carta de apoio a movimentos cívicos e deputados Tabata e Rigoni

O Igualdade 23, Secretaria Nacional de Mulheres M23 e Diversidade divulgaram carta de apoio e solidariedade (veja abaixo) aos movimentos cívicos e aos deputados federais Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES).

Além de destacar a independência de seus membros com o mandato eletivo, o documento ressalta que o “Cidadania tem compromisso real com os movimentos cívicos, inclusive incluindo-os nos núcleos decisórios do partido”.

O Cidadania tem em seus quadros o deputado federal Marcelo Calero (RenovaBR-RJ) e o senador Alessandro Vieira (Acredito-SE), integrantes de movimentos cívicos.

CARTA DE SOLIDARIEDADE AOS MOVIMENTOS CÍVICOS E DEPUTADOS TABATA AMARAL E FELIPE RIGONI

Os órgãos de cooperação do Cidadania que abaixo subscrevem, se solidarizam e apoiam a independência dos membros com mandato eletivo dos Movimentos Cívicos.

No RenovaBR as pautas reformistas foram amplamente divulgadas, mesmo antes das filiações de Tábata Amaral e Felipe Rigoni, o que nos faz vir a público e nos solidarizarmos com ambos os deputados.

Nosso apoio a deputada TÁBATA AMARAL, cofundadora do Movimento Mapa Educação e do Movimento Acredito, vítima ainda deste universo político carregado de machismo, de uma exposição cruel e de linchamento. Ela, jovem, sempre foi muito clara em suas posições, compromissos e ideias.

O Cidadania, que tem em seus quadros com mandato eletivo, o deputado federal Marcelo Calero (RenovaBR ) e o senador Alessandro Vieira (Acredito ), respeita os valores impingidos que, independente de cartas-compromisso, exercem na prática a autonomia e o respeito vindos dos Movimentos Cívicos.

O Cidadania tem compromisso real com os movimentos cívicos, inclusive incluindo-os nos núcleos decisórios do Partido.

A lição disso tudo o que vem acontecendo é fundamental ao mundo da política e das já envelhecidas estruturas partidárias; é imperativo o respeito a cláusula de independência existente com os Movimentos Cívicos, e que os políticos tradicionais assumam a postura ética, séria e responsável diante do pactuado.

Brasília-DF, 15 de julho de 2019.

Diversidade 23
Secretaria de Mulheres M23
Igualdade 23