Governadores de 20 estados criticam fala de Bolsonaro sobre morte de miliciano

Presidente insinuou que polícia da Bahia, governada pelo PT, matou Adriano de propósito (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Em carta, 20 governadores criticam fala de Bolsonaro sobre morte de miliciano ligado a Flávio

Julia Chaib, João Pedro Pitombo – Folha de S. Paulo

Vinte governadores elaboraram uma carta “em defesa do pacto federativo” na qual criticam declarações de Jair Bolsonaro, feitas no último final de semana, sobre a morte do miliciano Adriano da Nóbrega, na Bahia.

Na nota, divulgada nesta segunda (17), os governadores citam recentes falas de Bolsonaro “confrontando os governadores” e “se antecipando a investigações policiais para atribuir graves fatos à conduta das polícias e seus governadores”.

A iniciativa de se posicionar contra as falas de Bolsonaro partiu do governador Wilson Witzel (PSC-RJ), endossada em seguida por João Doria (PSDB-SP). Ambos são adversários políticos do presidente. Depois, outros governadores chancelaram a proposta.

A carta, divulgada pelo Fórum dos Governadores, começou a ser gestada no final de semana, após Bolsonaro ter acusado a “PM da Bahia, do PT” ​de ter promovido a “provável execução” de Adriano, ex-capitão do Bope morto em operação conjunta das polícias baiana e fluminense no último dia 9.

O presidente insinuou que pode ter havido queima de arquivo pela polícia da Bahia, o que foi rebatido pelo governador do estado, Rui Costa (PT).

Investigações apontam que Adriano atuava em diferentes atividades ilegais: milícia, jogo do bicho, máquinas caça-níqueis e homicídios profissionais.

Homenageado duas vezes na Assembleia Legislativa do Rio pelo hoje senador Flávio Bolsonaro (sem partido), o ex-PM é citado na investigação que apura a prática de “rachadinha” (esquema de devolução de salários) no gabinete do filho do presidente quando ele era deputado estadual.

O miliciano teve a mãe e uma ex-mulher nomeadas por Flávio.

O próprio Bolsonaro defendeu Adriano em discurso no plenário da Câmara dos Deputados, em 2005, quando era deputado federal. Ele criticou a condenação por homicídio do ex-policial militar e o chamou de “brilhante oficial”.

Na época, Adriano havia sido condenado pelo assassinato do guardador de carro Leandro dos Santos Silva, 24. Mais tarde, em um novo julgamento, foi absolvido.

A carta dos governadores também aborda declarações de Bolsonaro sobre a reforma tributária. Segundo eles, o presidente se referiu à reforma, “sem expressamente abordar o tema, mas apenas desafiando governadores a reduzir impostos vitais para a sobrevivência dos estados”.

No último dia 5, Bolsonaro disse que zeraria o imposto federal sobre os combustíveis se os gestores estaduais zerassem o ICMS. “Eu zero o [imposto] federal se eles zerarem o ICMS. Está feito o desafio aqui agora. Eu zero o federal hoje, eles zeram o ICMS. Se topar, eu aceito. Tá ok?”, disse.

A conduta do presidente, avaliam os governadores, não contribui “para a evolução da democracia no Brasil”.

“É preciso observar os limites institucionais com a responsabilidade que nossos mandatos exigem. Equilíbrio, sensatez e diálogo para entendimentos na pauta de interesse do povo é o que a sociedade espera de nós”, diz a nota.

“Trabalhando unidos conseguiremos contribuir para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros, pela redução da desigualdade social e a busca pela prosperidade econômica. Juntos podemos atuar pelo bem do Brasil e dos brasileiros”, continua a carta.

Ao final, eles convidam Bolsonaro a participar de um encontro do fórum em 14 de abril.

Assinam a nota governadores de 20 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Sergipe, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Maranhão, Acre, Amapá, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Mato Grosso do Sul e Amazonas.

Não assinaram a carta Carlos Moisés (PSL-SC), Marcos Rocha (PSL-RO), Antonio Denarium (PSL-RR), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Mauro Mendes (DEM-MT), Mauro Carlesse (DEM-TO) e Ratinho Júnior (PSD-PR).

Em entrevista à imprensa nesta segunda-feira, Rui Costa afirmou que as últimas declarações do presidente foram recebidas com indignação pelos governadores.

“Estados e municípios não podem ser agredidos de forma regular e constante pelo presidente da República. Governar não é isso, não é agredir prefeitos e governadores toda semana. É preciso dar um basta”, afirmou o petista.

Além de criticar o comportamento de Bolsonaro, Costa sugeriu que o presidente se ocupasse mais dos problemas do país e menos dos problemas dos filhos.

“Espero que o presidente dedique seu tempo para cuidar do desemprego, do aumento da pobreza e de parar de tirar o Bolsa Família do Nordeste. […] Ao invés de ficar cuidando os problemas dos filhos, ele deveria cuidar dos problemas do país”, afirmou.

Ele afirmou ainda que não será a polícia da Bahia, mas a do Rio, que vai investigar as possíveis relações do miliciano Adriano da Nóbrega com autoridades do país. Os celulares apreendidos com o ex-capitão, diz o governador, foram remetidos para o Ministério Público do Rio.

“Se há receio de alguém em saber se naqueles telefones existem contatos com autoridades do país, quem vai responder isso é o Ministério Público do Rio de Janeiro. Não é a Bahia que vai apurar com quem aquele bandido, aquele marginal, mantinha conversas e negociações”.

Na primeira vez em que falou sobre a morte do ex-PM, no sábado (15), o presidente driblou antigas convicções para colocar em xeque a gravidade da atuação criminosa do miliciano.

Bolsonaro criticou a polícia da Bahia por não ter preservado a vida do ex-capitão durante a operação. Normalmente, o presidente é um forte apoiador das polícias, mesmo quando as ações resultam em mortes.

Ele é crítico de defensores de direitos humanos, aos quais geralmente se refere com deboche.

Em outubro do ano passado, por exemplo, durante solenidade no Palácio do Planalto para lançamento de campanha do pacote anticrime, o presidente defendeu policiais que acumulam autos de resistência (mortes em decorrência de ação da polícia).

“Muitas vezes a gente vê que um policial militar ser alçado para uma função e vem a imprensa dizer que ele tem 20 autos de resistência. Tinha que ter 50! É sinal que ele trabalha, que ele faz sua parte e que ele não morreu”, afirmou.

No sábado, Bolsonaro também ensaiou uma defesa da presunção de inocência, não replicada no passado diante de condenações de adversários. “Não tem nenhuma sentença transitada em julgado condenando capitão Adriano por nada, sem querer defendê-lo”, afirmou.

Quando o ex-presidente Lula foi solto, em novembro do ano passado, Bolsonaro disse que o petista estava momentaneamente livre, mas carregado de culpa, e o chamou de criminoso. Assim como o ex-PM, Lula não tem sentença transitada em julgado.

Os laços de Adriano com a família do presidente podem ir além das contratações. Segundo o MP-RJ, contas do ex-capitão foram usadas para transferir dinheiro a Fabrício Queiroz, suspeito de comandar o esquema de devolução de salários no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro.

PERGUNTAS SEM RESPOSTA

Por que Adriano estava escondido na Bahia?

Por que Leandro Guimarães deu abrigo a Adriano em sua fazenda?

Por que Adriano deixou a fazenda de Leandro para se esconder no sítio de Gilsinho? Ele ficou sabendo que a polícia planejava uma operação? Se sim, como?

A casa onde Adriano foi morto tinha um colchonete, alguns móveis e alimentos, sinais de que pode ter sido preparada para receber alguém. Alguém ajudou Adriano a se esconder?

Se Adriano estava em um terreno cercado e com chances mínimas de fuga, por que a polícia, em vez de invadir a casa, não fez um cerco, reduzindo as chances de confronto e morte?

Se a Secretaria de Segurança Pública da Bahia vai investigar as circunstâncias da morte, ​por que o local onde Adriano foi morto não foi protegido ou isolado, evitando contaminação?

Qual a real extensão do relacionamento entre Adriano e a família Bolsonaro?

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/02/em-carta-20-governadores-criticam-fala-de-bolsonaro-sobre-morte-de-miliciano-ligado-a-flavio.shtml

Em nota, Cidadania lamenta morte de Ibsen Pinheiro

Ex-deputado federal presidiu a Câmara dos Deputados no processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor (Foto: Galileu Oldenburg/MDB)

Em nota pública (veja abaixo), o presidente do Cidadania, Roberto Freire, lamentou a morte do ex-deputado federal Ibsen Pinheiro, aos 84 anos. Ele Ele foi presidente da Câmara dos Deputados durante o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992.

Ibsen estava internado no Hospital Dom Vicente Scherer, na Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre. Segundo familiares, Ibsen tinha descoberto em dezembro um tipo de câncer na medula e estava em tratamento.

“Tive o prazer de compartilhar com ele de grandes momentos, na vida política nacional, na defesa das causas maiores dos brasileiros, particularmente de sempre mais liberdade e oportunidades iguais para todos, durante nossa presença conjunta na Câmara dos Deputados, por mais de uma década”, diz nota assinada por Freire que se solidariza com a família de Ibsen.

“O Brasil perdeu uma grande figura

Vítima de uma parada cardiorrespiratória, faleceu, ontem [24/01], em Porto Alegre, aos 84 anos, o grande cidadão e político gaúcho Ibsen Pinheiro, cuja trajetória deixou uma profunda marca não apenas em seu Estado natal mas no país, sobretudo considerando-se sua intensa participação nas mais diversas batalhas para isolar o regime civil-militar implantado em 1964 e derrotá-lo no fim dos anos 1970.

Depois de ter sido eleito vereador em Porto Alegre, em 1972, deputado estadual em 1978, e deputado federal, nos pleitos de 1982, 1986, 1990 e 1994, presidiu a Câmara Federal, entre 1991 e 1993, quando do processo de impeachment do então presidente da República, Fernando Collor, e integrou a Assembleia Nacional Constituinte, com rica contribuição na redação do texto da Carta Magna de 1988, utilizando seus conhecimentos de jornalista, radialista, advogado, promotor e procurador de Justiça. Por conta de ter sido alvo de um processo montado para desmoralizá-lo e afastá-lo do Congresso Nacional, ele teve seu mandato cassado, em maio de 1994, pela CPI que investigou as irregularidades no Orçamento da União, acusado de participar do “Escândalo dos Anões do Orçamento”, um esquema de desvio de verbas, e condenado a ficar afastado da vida pública por oito anos. Não apenas ele, mas todos os seus amigos muito sofreram com o ocorrido, sobretudo porque estava evidente ter havido falsificação de dados e informações. Em 2000, o Supremo Tribunal Federal arquivou o processo em que era acusado de sonegação fiscal.

Tive o prazer de compartilhar com ele de grandes momentos, na vida política nacional, na defesa das causas maiores dos brasileiros, particularmente de sempre mais liberdade e oportunidades iguais para todos, durante nossa presença conjunta na Câmara dos Deputados, por mais de uma década.

Nossos sinceros e fraternos pêsames à sua companheira, a seus filho e neto, pela perda de tão fraterna e batalhadora figura.

Brasília, 25 de janeiro de 2020

Roberto Freire
Presidente do Cidadania23

Roberto Freire lamenta morte de mãe da deputada federal Carmen Zanotto

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, lamentou nesta segunda-feira (20) o falecimento de dona Olinda Bonfá Zanotto, mãe da deputada federal e presidente do partido em Santa Catarina, Carmen Zanotto (Cidadania).

Dona Olinda faleceu aos seus 94 anos na noite deste domingo (19), e seu velório será realizado na Capela São Benedito, em Lages-SC. O sepultamento se dará às 16h, no Cemitério Cruz das Almas, situado na mesma cidade.

Nota de pesar

Em nome do CIDADANIA, lamentamos o falecimento de dona Olinda Bonfá Zanotto, mãe da grande parlamentar e companheira, presidente do partido em Santa Catarina, a deputada federal Carmen Zanotto.

Oferecemos solidariedade extensiva a todos os familiares e amigos de Carmen Zanotto.

Roberto Freire
Presidente Nacional do Cidadania

Cidadania lamenta morte de Olinda Zanotto, mãe da deputada federal Carmen Zanotto

Por muitos anos, dona Olinda exerceu o trabalho voluntário no Asilo Vicentino de Lages (Foto: Reprodução)

O Diretório Estadual do Cidadania de Santa Catarina e a Liderança do partido na Câmara dos Deputados lamentam o falecimento da senhora Olinda Bonfá Zanotto, mãe da presidente do partido no estado, deputada federal Carmen Zanotto, ocorrido na noite de domingo (19).

Olinda estava com 94 anos e foi uma pessoa muito querida pela comunidade lageana, por muitos anos exerceu o trabalho voluntário no Asilo Vicentino de Lages (SC). O velório será na Capela São Benedito, em Lages, e o sepultamento acontece nesta segunda-feira, 20, às 16 horas no Cemitério Cruz das Almas

Diretório Estadual do Cidadania23 de Santa Catarina

Deputado federal Daniel Coelho
Líder do Cidadania na Câmara dos Deputados

Jornal “O Fluminense” destaca trajetória de Sebastião Rodrigues Paixão

Morre Sebastião Paixão, liderança política niteroiense

Líder comunista, que faleceu aos 81 anos, foi preso e torturado durante o período de ditadura militar no Brasil

O Fluminense

A política niteroiense se despede de um de seus grandes nomes. Faleceu, no último domingo (8), Sebastião Paixão, uma das lideranças políticas mais emblemáticas da cidade, aos 81 anos.

Membro e líder do Partido Comunista do Brasil (PCB), Paixão foi preso e torturado nos presídios da Frei Caneca e de Bangu, durante período da ditadura militar. Enquanto seu julgamento era conduzido, sendo ele defendido por Luiz Werneck Viana, premiado advogado e cientista social brasileiro, fugiu de seu cárcere.

Foi se entregar apenas na embaixada do Chile e, de lá, partiu para exílio na Bolívia, seguindo posteriormente para a Alemanha. Segundo colegas próximos, Paixão, no entanto, não suportou a solidão alemã e retornou ao Brasil, onde viveu clandestinamente até ser anistiado.

Retornando a política, Paixão foi o articulador da candidatura vitoriosa de Saturnino Braga ao Senado Federal, pela primeira vez, na década de 1970. Também foi presidente do Instituto Estadual de Terras durante o governo Marcello Alencar. Tinha orgulho de ter feito, na época, um assentamento de quilombolas no município de Silva Jardim.

Paixão também conduziu a passagem do PCB para o Partido Popular Socialista (PPS), sendo posteriormente presidente do diretório do partido em Niterói.

Vinícius Martins, assessor político e amigo pessoal de Paixão, se recorda de uma história quando ele, preso, recebeu a visita de Dom Eugênio Salles, Cardeal do Rio de Janeiro.

“Paixão me contou uma bonita passagem. Preso em Bangu, o comunista e ateu recebeu a visita de Dom Eugênio Salles, que ouviu de sua voz as torturas e privações que estava vivendo. Presenteou o Cardeal com uma talha que confeccionava na prisão. Dom Eugênio, no silêncio que lhe era peculiar, enviou carta à Anistia Internacional com os relatos de tortura e guardou o presente em seu escritório do trabalho. Anos depois, Paixão visitou o Cardeal do Rio e sua talha enfeitava a sua mesa de trabalho”, conta Martins.

Lamento

O deputado estadual niteroiense Paulo Bagueira (SDD) lamentou em plenário, nesta segunda-feira (9), na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a morte de Paixão. Saudoso, o parlamentar solicitou à Mesa Diretora da Casa para constar em ata seu falecimento.

Mandante da morte de Miguel Donha é preso no Paraná

Azemir João de Barros, conhecido como Alzemir Manfron, foi preso no Paraná nesta terça-feira (10). Ele foi condenado a 16 anos e sete meses de prisão pelo assassinato do então pré-candidato a prefeito de Almirante Tamandaré (PR) Miguel Donha, do PPS, hoje Cidadania. Manfron tinha mandato de prisão expedido pela juíza Marina Lorena Pasqualotto e foi detido e levado para o Complexo Médico Penal em Pinhais. O crime ocorreu há quase 20 anos. Donha era bancário e político.

A sua morte chocou o Paraná no início de 2000. Assassinado no dia 22 de janeiro daquele ano, Donha era o principal nome da oposição para a disputa das eleições para prefeito do município, localizado na Grande Curitiba.

Na época a prefeitura era comandada por César Manfron, candidato à reeleição e irmão do condenado pelo crime. Na noite do crime, Donha e sua mulher, Iara, retornavam de um casamento quando foram abordados por dois homens no portão da chácara do casal. Ambos foram levados até Rio Branco do Sul e, no trajeto, Iara foi abandonada pela dupla. Em seguida, os criminosos dispararam contra as pernas de Donha, que teve uma artéria perfurada e não resistiu.

Três semanas após o crime, a polícia prendeu o mecânico Edson Farias, acusado de ser o autor dos disparos. Edson identificou seu comparsa apenas como Zé e disse que havia sido contratado por um motorista da prefeitura, Antônio Martins Vidal, o Tico Pompílio, para dar um “susto” em Donha. Em troca do serviço, Edson receberia R$ 300 e um cargo na prefeitura.

O irmão do prefeito foi citado nas investigações como mandante do crime. Edson, Tico Pompílio e um cunhado do motorista foram assassinados no decorrer do processo. O motorista da prefeitura seria apenas o contratante do crime, restando à Promotoria a tarefa de identificar os verdadeiros mandantes.

Em 2017, Alzemir Manfron, irmão do ex-prefeito de Almirante Tamandaré Antonio Cesar Manfron de Barros, foi condenado por mandar matar Miguel Donha. Houve recurso da defesa e agora a Justiça determinou a prisão do acusado. Antes, em 2014, José Geraldo, seu cúmplice, foi condenado com a pena de 13 anos e 7 meses de reclusão. (Com informações do Cidadania do Paraná)

Cidadania lamenta morte de Alberto Goldman

Em nota (veja abaixo), o presidente do Cidadania, Roberto Freire, lamentou a morte do ex-vice governador de São Paulo, Alberto Goldman, aos 81 anos, neste domingo (1/9), na capital paulista.

Ele estava internado no hospital Sírio Libanês desde o dia 19 de agosto, quando passou mal durante um procedimento para tratamento de um câncer.

O ex-governador iniciou sua carreira na política na década de 1950, quando foi um dos líderes do movimento estudantil do PCB (Partido Comunista Brasileiro) que lutou contra a ditadura militar.

Mais uma grande perda para o Brasil

Faleceu hoje, aos 81 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o engenheiro e exemplar personalidade política Alberto Goldman.

Sua rica militância política começou, aos 18 anos, quando passou a atuar nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro e no movimento estudantil, ao iniciar seu Curso de Engenharia, na Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo, em 1955. Ao concluir seu curso, além de permanecer ligado ao grupo comunista da comunidade judaica do bairro do Bom Retiro, vinculava-se aos Comitês Municipal e Estadual do partido, participando de reuniões e discussões, em uma militância clandestina. Em 1969, após o Ato Institucional nº 5 (AI-5), implantado pela Ditadura Militar, foi procurado em seu escritório por dirigentes comunistas que lhe foram propor candidatar-se a deputado estadual. Elegeu-se em 1970, pelo MDB, sendo o oitavo mais votado em sua legenda, começando ali uma carreira que não teria mais fim.

Em 1974, reelegeu-se deputado estadual, tornando-se líder da bancada do MDB, que tinha então dois terços da Assembleia Legislativa paulista. E, em 1978, elegeu-se deputado federal, sendo reeleito, em 1982, pelo MDB. Em 1986, após a legalização do PCB no ano anterior, tornou-se líder do partido na Câmara dos Deputados e integrante do Comitê Central do partido.

Tornou-se secretário de coordenação de programas do governo de Orestes Quércia (PMDB), em 1987, e, em seguida, deixou o PCB e retornou ao PMDB. Em 1990, voltou a se candidatar e a ser eleito deputado federal. No governo Itamar Franco (1992-1995), tornou-se ministro dos Transportes. Como tucano, elegeu-se deputado ainda em 1998 e 2002. Em 2006, elegeu-se vice-governador na chapa de José Serra (PSDB), assumindo o governo paulista, em 2010, após a renúncia do colega, que se candidatou à presidência da República.

Tendo deixado uma rica trajetória política e administrativa, Goldman constitui-se também uma exemplar e fraterna pessoa, sempre solidário e colaborador com qualquer um que lhe procurasse. À sua companheira Deuzeni, aos seus cinco filhos e quatro netos, nossos votos de muita paz, para que possam enfrentar sua singular ausência.

Brasília, 1º de setembro de 2019

Roberto Freire
Presidente nacional do Cidadania

Cidadania lamenta a morte de Daniel Bonfim

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, divulgou nota de pesar (veja abaixo) pela morte de Daniel Bonfim, ocorrida nesta segunda-feira (19), em São Paulo.

NOTA DE PESAR

“Com pesar informamos o falecimento do companheiro Daniel Bonfim (15/01/1933-19/08/2019), militante do “Partidão” (PCB – Partido Comunista Brasileiro), companheiro de lutas na resistência à ditadura militar.

Bonfim era comandante internacional aposentado da antiga Vasp e foi o secretário do antigo Comitê de Aeronautas preso durante o regime militar e impedido de trabalhar. Foi eleito para o Comitê Central do antigo PCB no VII Congresso. Depois de anistiado, em 1989, voltou a voar, pilotando DC-10 nas linhas de São Paulo-Nova York e São Paulo-Miami.

Por sua ativa ação entre os aeronautas foi uma liderança importante e um especial amigo.

À sua família nossos sentimentos neste momento de luto.

Roberto Freire
Presidente do Cidadania”

Polícia Federal chega a aldeia alvo de garimpeiros, diz Estadão

 

PF abre inquérito e investiga morte de cacique no Amapá; Funai diz que invasores estão armados e que clima na região é de “tensão”

Julia Lindner Lorenna Rodrigues / BRASÍLIA – O Estado de S. Paulo

A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar a invasão de garimpeiros a terras indígenas no Amapá e a morte de um cacique da etnia Waiãpi. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), agentes federais chegaram ontem ao local acompanhados de uma equipe do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Estado. A área fica no município de Pedra Branca do Amapari, localizada a 189 quilômetros da capital Macapá.

No início da semana passada, o cacique Emyra Wajãpi foi encontrado morto na aldeia Yvytotõ com sinais de facadas. O deslocamento de autoridades para o local ocorreu após lideranças indígenas e moradores pedirem ajuda através de mensagens de celular, que repercutiram entre políticos e artistas nas redes sociais.

De acordo com a equipe da Funai na região, a invasão começou na terça-feira passada, quando foi confirmada a morte do cacique. O grupo de cerca de 15 invasores portava armas e ocupou as imediações da aldeia. Os moradores da região tiveram que se abrigar em outra aldeia vizinha, chamada Mariry. Também há relatos de ameaças contra outros moradores nos últimos dias.

Moro. O Ministério da Justiça e da Segurança Pública informou ontem que não há previsão de o ministro Sérgio Moro ir até Pedra Branca do Amapari (AP) acompanhar os desdobramentos da invasão de garimpeiros nas terras indígenas. A prefeita da cidade, Beth Pelaes (MDB), chegou a anunciar a presença do ministro no local.

A Funai relatou que “o clima de tensão e exaltação na região é alto”. “Neste domingo (ontem), após a chegada de servidores da Fundação, da Polícia Federal e do Bope, foi aberto inquérito pela PF para apuração da morte de um cacique que foi a óbito na semana passada. Servidores da Funai encontram-se no local e acompanham o trabalho da polícia”, afirmou a fundação em nota.

“Com base nas informações coletadas pela equipe em campo, podemos concluir que a presença de invasores é real.” A região indígena é considerada de difícil acesso. A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, disse que se colocou à disposição para ir até a área. Damares afirmou que conhece a prefeita e que está em contato com ela e com a Funai.

O governo enviou uma medida provisória no início do ano que ligava a Funai à pasta de Damares, mas o Congresso Nacional devolveu o órgão e a demarcação de terras indígenas ao Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Em maio, Damares disse que iria “brigar” para manter a Funai na sua pasta e Moro chegou a dizer que não tinha interesse em ter a fundação ligada a seu ministério. A secretária especial de Saúde Indígena, Silvia Nobre Waiãpi, é da mesma etnia dos indígenas ameaçados.

Mulheres do Cidadania aprovam moção de solidariedade à deputada Talíria Petrone

O 1º Encontro de Mulheres Jovens do Cidadania aprovou por unanimidade, neste domingo (30), em Brasília, moção de solidariedade à deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) pelo governo do Rio Janeiro ter negado escolta policial à parlamentar, vítima de ameaças de morte.

Em abril deste ano, a Polícia Federal obteve informações de conversas captadas na chamada “dark web”, segundo as quais um plano contra a vida da parlamentar estaria sendo elaborado desde 2018. Desde então, ela está sendo acompanhada por agentes da Polícia Legislativa em todos os lugares nos quais circula em Brasília.

“Repudiamos a inércia do Governo do estado do Rio de Janeiro, também manifestamos nosso sincero apoio e desejamos que as medidas cabíveis sejam tão logo tomadas pelo poder Executivo estadual”, diz a nota que segue abaixo.

MOÇÃO de SOLIDARIEDADE Nº 1 DO I ENCONTRO DE MULHERES JOVENS DO CIDADANIA 23 – DESENVOLVIDO ENTRE A SECRETARIA NACIONAL DE MULHERES DO CIDADANIA 23 (M23 – NACIONAL) E A JUVENTUDE DO CIDADANIA (J23 -NACIONAL)

Nós, MULHERES DO PARTIDO CIDADANIA, presentes no I ENCONTRO DE MULHERES JOVENS DO PARTIDO CIDADANIA manifestamos, a partir desta moção de solidariedade, nosso apoio a Deputada Federal TALÍRIA PETRONE do PSOL que diante da negligência do Governo Estadual do Estado do Rio de Janeiro vê-se impossibilitada de cumprir suas agendas políticas em virtude de ameaças de morte sofridas nos últimos meses, ameaças estas comprovadas e comunicadas pela Polícia Federal à parlamentar.

Para nós, Mulheres do partido Cidadania, o fortalecimento das instituições democráticas deve ser recepcionado enquanto um princípio republicado e portanto, nenhuma parlamentar pode ser ameaçada sem que haja uma premente resposta por parte das instituições democráticas, qual seja do poder Executivo, principalmente quando a resposta assegura a vida de uma congressista.

No início de 2019, dois ofícios foram enviados pela Câmara dos Deputados, o primeiro pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), em 23 de abril e que foi posteriormente negado pelo Governador Wilson Witzel (PSC). O segundo foi enviado pelo partido da Deputada Talíria Petrone, em 10 de maio de 2019, no entanto, até a presente data não há resposta.

Entendemos, portanto, que a negação da escolta policial da Deputada Federal Talíria Petrone por parte do Governo do Estado do Rio de Janeiro significa uma investida contra a democracia, repudiamos a inércia do Governo do estado do Rio de Janeiro, também manifestamos nosso sincero apoio e desejamos que as medidas cabíveis sejam tão logo tomadas pelo poder Executivo estadual.

Brasília, 30 de junho de 2019.

Nota de pesar pela morte de Maria Ophélia de Figueiredo Cavalcanti

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, divulgou nota de pesar (veja abaixo) pela morte de Maria Ophélia de Figueiredo Cavalcanti, viúva de Paulo Cavalcanti, advogado, promotor, escritor e membro do PCB (Partido Comunista Brasileiro).

Nota de pesar

O PPS-Cidadania, em meu nome e de todos os que fazem o Partido em Pernambuco, lamenta o recente falecimento de Dona Maria Ophélia de Figueiredo Cavalcanti, viúva de Paulo Cavalcanti, advogado, promotor, escritor e membro do PCB.

Companheira de toda a vida, e apoio reconfortante nas horas difíceis da ditadura militar, que por fim vencemos.

À família enlutada nossos pêsames nesse momento de dor.

Roberto Freire

Presidente nacional do Cidadania

Cidadania lamenta a morte de Arildo Salles Doria

O Cidadania divulgou nota de pesar (veja abaixo) pela morte do militante histórico do PPS-PCB, Arildo Salles Doria, aos 85 anos, ocorrida neste domingo (23), em Brasília. Ele foi funcionário do Banco do Brasil, nasceu no Espírito Santo e muito jovem ainda foi morar no Rio de Janeiro, participando ativamente do movimento estudantil como presidente do Diretório Acadêmico da antiga Universidade do Distrito Federal, onde concluiu os cursos superiores de Direito e de Letras.

Arildo também foi militante sindical e no Sindicato dos Bancários de Brasília tornou-se a alma do Cebolão, jornal que redigia e serviu de referência para todo o movimento sindical dos bancários. Também trabalhou na Câmara dos Deputados e foi um empreendedor na criação e montagem da FAP (Fundação Astrojildo Pereira), vinculada ao Cidadania, tendo assumido o cargo de diretor-geral executivo da instituição.

“Construtor de sonhos, alguns dos quais ele, com outros, coletivamente, conseguiu transformar em algo palpável e consumível na sua antiga, constante e justa batalha por um mundo cada vez mais íntegro, sempre mais participativo, convivendo num ambiente de crescentes liberdades e em que se materializem oportunidades iguais para todos, este observador atento das “coisas do mundo” e intelectual de mente brilhante e solidária tinha na humildade um dos traços mais marcantes da sua personalidade. Seu livro de memórias, Essas Coisas, reflete bem quem ele foi”, diz a nota.

Arildo Salles Dória: Um personagem singular

Vítima de problemas cardíacos, faleceu ontem, aos 85 anos, em seu apartamento na Asa Sul, de Brasília, o querido companheiro Arildo Salles Dória, filho de um oficial da Polícia Militar e de uma professora primária. Figura singular, sob qualquer ângulo em que se examine sua vida, ele nasceu no Espírito Santo e muito jovem ainda foi para a então capital da República, a cidade do Rio de Janeiro, a fim de dar continuidade aos seus estudos, e onde as ideias e projetos revolucionários lhe conquistaram a mente e o coração no tumultuado período histórico em que de adolescente se fez adulto. Participou ativamente do movimento estudantil de então como presidente do Diretório Acadêmico da antiga Universidade do Distrito Federal, onde concluiu os cursos superiores de Direito e de Letras.

Aprovado em concurso público do Banco do Brasil, tornou-se seu funcionário e por conta disso envolveu-se na luta sindical. Logo depois do golpe militar de 1964, foi forçado pela direção do BB a passar, durante dois anos, “um doce exílio” em Picos, no Piauí. Ao retornar à Cidade Maravilhosa, passou a exercer funções importantes no Partidão e na luta sindical no Rio, sendo depois transferido para Brasília, para reorganizar o Partido.

Começou a trabalhar na Câmara dos Deputados em 1987, no gabinete do então deputado pelo PCB e ex-companheiro do Sindicato dos Bancários, Augusto Carvalho, e em seguida passou a atuar na Liderança do PPS, onde permaneceu até recentemente, não sem antes ser homenageado por aquela Casa com a Medalha do Mérito Legislativo, pelos serviços prestados à democracia.

Contamos com sua cabeça privilegiada e seu espírito empreendedor na criação e montagem da Fundação Astrojildo Pereira, no ano 2000, tendo aceito e assumido o cargo de diretor-geral executivo da instituição. Sua contribuição está reconhecida publicamente pela FAP e pelo Partido, com a criação do Espaço Arildo Dória, onde funcionam a Biblioteca Salomão Malina, o Cine-Clube Vladimir Carvalho e um auditório para palestras e ciclos de debates, no Conic.

Tendo construído ao longo do tempo uma vasta cultura, por meio de habitual e constante leitura de autores clássicos e populares, sejam obras complexas de filosofia, economia, sociologia e política, sejam obras leves de escritores e poetas, sejam artigos de revistas e jornais, sejam notícias sobre o cotidiano, Arildo era um cidadão antenado com o seu espaço físico e seu tempo.

Construtor de sonhos, alguns dos quais ele, com outros, coletivamente, conseguiu transformar em algo palpável e consumível na sua antiga, constante e justa batalha por um mundo cada vez mais íntegro, sempre mais participativo, convivendo num ambiente de crescentes liberdades e em que se materializem oportunidades iguais para todos, este observador atento das “coisas do mundo” e intelectual de mente brilhante e solidária tinha na humildade um dos traços mais marcantes da sua personalidade. Seu livro de memórias, Essas Coisas, reflete bem quem ele foi.

Brasília, 24 de junho de 2019

Roberto Freire
Presidente nacional do Cidadania

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Arildo Salles Dória: Democracia é o grande trunfo do PPS

 

 

Roberto Freire lamenta morte do crítico de cinema Rubens Ewald Filho

O presidente do Cidadania e ex-ministro da Cultura, Roberto Freire, lamentou na rede social a morte do jornalista e crítico de cinema, Rubens Ewald Filho, aos 74 anos, ocorrida nesta quarta-feira (19), em São Paulo.

“Em nome do Cidadania nossos pêsames pelo falecimento Rubens Ewald Filho, nossos sentimentos à família do respeitado critico de cinema”, escreveu Freire em sua conta no Twitter.

Em nota, Roberto Freire lamenta morte do jornalista Clóvis Rossi

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, lamentou nesta sexta-feira (14) a morte do jornalista Clóvis Rossi, aos 76 anos, em São Paulo. Freire destacou a seriedade e o compromisso profissional do jornalista com os valores democráticos e republicanos do País. O dirigente também apresentou condolências aos amigos e familiares de Rossi.

Nota de Pesar pelo falecimento do jornalista Clóvis Rossi

Com profundo pesar que em meu nome e dos que fazem o PPS-CIDADANIA registro o falecimento do grande jornalista Clóvis Rossi, cujo exemplo de seriedade e compromisso com a liberdade e os valores da Democracia e da República, o tornou uma referência obrigatória para seus colegas de profissão e todos democratas do país.

À família enlutada a certeza de que todos os brasileiros também estão, por essa enorme perda.

Roberto Freire
Presidente do Cidadania”

Fernando Gabeira: O Supremo e o sacrifício de animais

O Supremo Tribunal decidiu que o sacrifício de animais em cultos religiosos afro-brasileiros é constitucional. Foi por unanimidade. E isso me decepcionou um pouco. Esperava uma corrente mais crítica ao antropocentrismo e sensível à dor dos animais. Esses ventos ainda não sopram na Justice brasileira. Mas já chegaram aqui da Argentina. Foi o caso de um habeas corpus concedido à chimpanzé Cecília, que visitei no Santuário dos Grandes Primatas, em Sorocaba. Cecília vivia triste e maltratada num zoo, mas ao chegar ao Brasil recuperou a alegria e até acasalou.

Fiz um documentário sobre sua sorte. Na mesma época entrevistei o escritor Peter Singer, autor do livro Libertação Animal, lançado em 1975, um texto inspirador do movimento moderno de defesa dos bichos. Singer estava exultante com a libertação de Cecília. Ele via ali os primeiros lampejos da aceitação de sua tese sobre os direitos dos animais. Na vida cotidiana sabemos que essa é uma bandeira de minorias.

E como tal precisa ser tratada com habilidade para atravessar a bandeira de ironia que se ergue diante dela. Foi assim, por exemplo, que vi em Santa Catarina o movimento que criticava a Farra do Boi. É uma festa popular, tradicional na costa catarinense, onde para, os pescadores, o boi aparece como um invasor. A ideia na época não era acabar com a Farra do Boi, mas, na medida do possível, ajudar a transitá-la do boi real para um boi figurado, como, por exemplo, no Bumba meu Boi.

Creio que haveria uma possibilidade de argumentar com adeptos dos rituais de origem africana. Será que o sacrifício de animais é essencial para sua existência? Assim, como um leigo, posso afirmar que um dos mais belos rituais religiosos, envolvendo milhões de pessoas, são as oferendas a Iemanjá. Flores, quase todas flores. Na Baixada Fluminense documentei inúmeros trabalhos religiosos, nem todos usavam animais e, quando usavam, eram apenas uma parte das oferendas.

Creio que na própria religião afro-brasileira estão contidos os elementos que poderiam facilitar uma transição do corpo animal para o símbolo. Uma transição que a cultura popular brasileira, com suas representações do boi, já realizou. Falei com um jovem político sobre o tema. Ele me respondeu: “Se me preocupar com isso, vou denunciar o peru de Natal”. Mas o peru de Natal é diferente. Ele é comido. Sempre afirmei que a proteína animal ainda é a maneira de alimentar tantas bocas no mundo.

Mais ainda, para desalento dos vegetarianos, considero que o crescimento da humanidade, que nos levará aos 9 bilhões de pessoas em 2050, dificilmente dispensará a proteína animal. Mas o fato de comermos peru no Natal e sabermos que milhares morrem diariamente não justifica arrancar o pescoço de uma ave numa celebração mística. A votação do Supremo lembrou-me de uma coisa: adianta apenas proibir?

A experiência com a Farra do Boi, levei muitas pancadas por causa disso, é diálogo e compreensão. Mais que uma decisão da Corte, o ideal é uma transição em que o debate cultural realize o trabalho de suprimir maus-tratos aos animais. Essa discussão no Supremo foi apenas um momento. Animais morrem inutilmente em grande escala no Brasil. E a causa, de certa forma, é o progresso material. Tenho documentando a mortandade dos jegues no Nordeste.

Estão sendo substituídos pelas motocicletas. Morrem atropelados, abandonados pelos donos na margem das estradas. Em alguns lugares, como em Apodi (RN), os jumentos foram recolhidos. Um promotor propôs que as pessoas passassem a comer carne de jegue. Ofereceu um churrasco. Sua proposta não vingou. Alguns empresários ainda esperam vender carne de jegue para a China. Na verdade, uma extinção gradual vai tirando os jegues do cenário nordestino. Isso valeria uma política pública.

Assim como o sacrifício de animais em cultos religiosos merecia um debate mais amplo. Felizmente, nada vai deter o trabalho que se faz no Brasil. O próprio Santuário de Primatas em Sorocaba é um exemplo internacional. Em Três Rios há uma pousada que recebe bichos resgatados. A dona adotou uma jaguatirica que cruzou com uma gata e deu um belo gato mestiço.

Na Serra da Mantiqueira, os chiqueiros estão cheios de filhos de javalis que cruzam com as porcas de madrugada. O que fazer com os javalis devastadores? É todo um mundo girando. Levá-lo em conta ainda é muito difícil numa cultura em que o ser humana é o centro de tudo. Mas, apesar de decisões como a do Supremo, é possível dizer que está melhorando. Além disso, as crianças vêm aí e não são as mesmas do passado. São Paulo já tem um hospital gratuito para animais.

Em dezenas de lojas e restaurantes é possível ver tigelas de água para os animais de rua. Quando implodiram o presídio da Ilha Grande muitos cachorros fugiram para o mato. Hoje a ilha é cheia deles. Alguns estrangeiros às vezes retardam sua passagem pelo País apenas para adotar um cachorro da ilha. O antropocentrismo aos poucos vai enfraquecendo, apesar do mundo institucional. Lembro-me das difíceis discussões no Congresso sobre experiências científicas com animais.

Algumas envolvem a salvação de vidas humanas. No entanto, foi possível um nível de acordo. Acredito que hoje já exista uma tendência à simulação, fórmulas de cada vez eficazes para poupar os animais. É uma escolha que transcende a polaridade esquerda-direita: um tipo de civilização está em jogo.

Isso escapa ao próprio governo, preocupado, corretamente com a morte de 60 mil brasileiros por ano, mas totalmente perdido nas suas dúvidas sobre aquecimento global, nas suas estúpidas certezas como dizer que o nazismo foi um movimento de esquerda. Invadiu a União Soviética por engano? Milhões de mortes foram resultado de fogo amigo? Animais racionais têm cada ideia. (O Estado de S. Paulo – 05/04/2019)