Alessandro Vieira diz que manobra para barrar CPI da Covid-19 não vai funcionar

Estratégia do governo é convencer parlamentares a retirarem assinaturas do requerimento da CPI para inviabilizar sua instalação (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

Em entrevista ao Broadcast Político do Estadão nesta quinta-feira (19), o líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE), disse que há uma articulação da presidência da Casa (veja aqui e leia abaixo) para a retirada de assinaturas da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) protocolada pela oposição para investigar ações e omissões do governo Bolsonaro no combate à pandemia de Covid-19.

“O presidente do Senado está tentando esticar o tempo para ver se o governo consegue retirar assinaturas. Não vai funcionar, a situação só vai piorar”, afirmou o senador.

Governo Bolsonaro age para barrar CPI da covid-19 no Senado

Líderes partidários concordaram em abrir comissão de acompanhamento, modalidade que teria menos poder do que órgão de investigação

Daniel Weterman –  O Estado de S. Paulo

O governo de Jair Bolsonaro age para evitar ou pelo menos adiar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado que pode investigar ações e omissões do Executivo no combate à pandemia de covid-19. O pedido de instalação da CPI aguarda decisão do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Nesta quinta-feira, 18, líderes do Senado concordaram em abrir uma comissão de acompanhamento da covid-19 na semana que vem. O colegiado teria menos poder do que uma CPI e não poderia, por exemplo, realizar convocações. Enquanto isso, a estratégia do governo é convencer parlamentares a retirarem assinaturas do requerimento da CPI, inviabilizando a instalação.

Em 2020, o Congresso abriu uma comissão de deputados e senadores para acompanhar as ações do governo na crise. O funcionamento formal, porém, encerrou em dezembro, com o fim do estado de calamidade pública. Agora, o presidente do Senado concordou em reativar um colegiado semelhante na Casa enquanto avalia a possibilidade de uma CPI.

Na semana passada, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, foi a uma audiência pública no Senado e passou por uma sabatina de senadores. O governo esperava que o ato reduzisse a pressão pela CPI, o que não ocorreu.

“O presidente do Senado está tentando esticar o tempo para ver se o governo consegue retirar assinaturas. Não vai funcionar, a situação só vai piorar”, afirmou o líder do Cidadania na Casa, Alessandro Vieira (SE), em entrevista ao “Papo com Editor”, do Broadcast Político.

O pedido de instalação da CPI foi protocolado no último dia 4 com 30 das 27 assinaturas necessárias. Parlamentares pressionam pela abertura independentemente da comissão de acompanhamento. “A comissão de monitoramento daria um certo estofo para o governo justificar a instalação mais demorada da CPI. Não basta, nós não nos demos por satisfeitos”, disse o líder da minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN), em entrevista coletiva mais cedo.

Alessandro Vieira denuncia acordão para invalidar ações da Operação Lava Jato

Senador diz não ser verdade que ‘existiu algum tipo de armação’ na Lava Jato contra ‘político ou partido político’ para justificar a anulação da operação (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

O líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE), denunciou nesta quarta-feira (10) a ‘movimentação’ em  Brasília visando um ‘verdadeiro acordão’ para invalidar ‘confissões, provas e condenação’ da Operação Lava Jato, e conclamou os brasileiros a reagirem para mostrar a verdade nas redes sociais.

“Querem que você esqueça os bilhões de reais roubados, as confissões, provas e condenações em troca de uma narrativa, uma mentira, que existiu algum tipo de armação contra algum tipo de político ou partido político, isso não é verdade”, aponta o parlamentar.

Alessandro Vieira disse que denunciava a manobra para garantir os direitos da população e a continuidade do combate à corrupção no País.

“Estamos no Senado Federal denunciando essa manobra e tentando permitir que você, cidadão brasileiro, tenha o direito a que nós todos sonhamos: um Brasil honesto, verdadeiro e justo pra todos. Você não pode ter mais um Supremo Tribunal Federal, um sistema político corrupto, que tenta alimentar esse tipo de narrativa fantasiosa.  Vamos reagir e vamos fazer de tudo dentro do nosso alcance”, afirma o senador.