‘Bolsonaro não é incoerente. Ele tem feito tudo que sempre pregou’, diz Eliziane Gama

Em live da revista IstoÉ, senadora diz que ‘a pandemia escancarou a desigualdade entre classes’ no Brasil e que é preciso ‘entendimento do governo e vontade política do presidente para reequilibrar esse fosso social’

‘Bolsonaro não é incoerente. Ele tem feito tudo que sempre pregou’, diz Eliziane Gama

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) foi a entrevistada da live de Istoé, na tarde da última sexta-feira (14). Na conversa com o diretor de redação da revista, Germano Oliveira, ela falou sobre a pandemia e todas as crises resultantes da Covid-19, como a econômica, a sanitária e a política que surgiram em torno do tema. Para ela, o maior problema que o país atravessa e ainda sem solução é a desigualdade social, que ganhou visibilidade com a chegada do novo coronavírus ao Brasil.

“A pandemia escancarou a desigualdade entre classes, o rico ficou mais rico e o pobre ficou mais pobre. Precisa-se de entendimento do governo e vontade política do presidente para reequilibrar esse fosso social”, avalia.

Jornalista, a parlamentar é autora de um dos projetos de imposto sobre grandes fortunas que tramita no Congresso Nacional. Segundo o entendimento da parlamentar, “só mesmo taxando as grandes fortunas, o país conseguirá redirecionar e equilibrar a renda nacional”, diz.

Defensora de um Reforma Tributária que reduza a tributação do estrato mais baixo da sociedade, ela diz na conversa que “a taxação de grandes fortunas vem para reduzir a concentração de renda e trazer recursos para aqueles que estão em situação de maior vulnerabilidade social. O problema é que o governo não olha para a população mais pobre do país”, diz e adverte: “O pós-pandemia será muito complicado e incerto”.

Considerada uma das parlamentares mais atuantes do Congresso, Eliziane é líder do partido Cidadania no Senado. Defensora dos direitos humanos, da infância e da mulher, Eliziane foi estudante de escola pública e teve que sair da casa dos pais para cursar ensino médio em outra cidade. Segundo ela, o país precisa que o Estado brasileiro assuma a educação como prioridade da nação e para isso é imprescindível que o Fundeb seja aprovado.

Ao fim, a senadora avalia que o Congresso Nacional não tem medido esforço para aprovar medidas, em todas os setores, que deem totais condições necessárias para o país atravessar com segurança e equilíbrio a travessia da crise sanitária. O problema, diz ela na conversa, é que o Brasil está numa situação capenga e o governo federal não ajuda.

Na live, ela falou sobre educação, saúde, meio ambiente, impeachment e fez uma análise do cenário político e econômico.

“Nós temos um governo que divide o país e hoje o momento é de unidade. Um governo que rasga dinheiro. Porém, o presidente Bolsonaro não é incoerente. Ele tem feito tudo que sempre pregou”, conclui.

Fonte: https://istoe.com.br/bolsonaro-nao-e-incoerente-ele-tem-feito-tudo-que-sempre-pregou-diz-eliziane-gama/

Em live com Roberto Freire, Professor Nado apresenta série de propostas para mudar São Leopoldo

Em live com o presidente nacional do Cidadania, o pré-candidato do partido a prefeito de São Leopoldo (RS), Professor Nado, apresentou as principais propostas, de um conjunto de 23 iniciativas, número da legenda, para mudar a realidade do município. A primeira delas é a realização de uma auditoria externa, com apoio da universidade e de especialistas, para “apresentar claramente o estado em que se encontra a cidade”. Além disso, facilitar a transparência e a participação popular e reduzir o número de comissionados.

“Qual o valor da dívida, como ela foi contraída e quem são os credores para equacioná-la. Inovação será também central. Assim como estamos fazendo lives agora, é preciso manter esse diálogo direto com a comunidade, inclusive dotando as associações de bairro com computador e internet para formular as nossas decisões. Ter ação macro micro cotidiana de escuta popular. E também reduzir à metade os cargos de confiança da cidade”, sustentou.

Conforme Nado, o município tem hoje cerca de 800 cargos e ele observou que, embora as funções gratificadas sejam justas para valorizar o servidor, é preciso reequacionar o quadro para modernizar a adminitração e atender à reivindicação dos moradores de São Leopoldo. Na Saúde, Nado defendeu quem um profissional da área comande a secretaria para aliar técnica e política, uma demanda que ele ouviu de médicos, anestesiologistas, enfermeiros, fisioterapeutas e outros.

Digitalização na Saúde

O pré-candidato também apontou a necessidade de certificar o Hospital Centenário para que passe a atuar como Hospital Escola, que seria peça central na digitalização do atendimento a partir da criação do Cartão Sãoleo, informatizando toda a area de Saúde da cidade. “Não é possível chegar num posto e simplesmente ser atendido novamente do zero. Também não é possível termos somente 10 leitos de UTI num município de mais de 200 mil habitantes”, sinalizou.

Ao citar números assustadores da Educação leopoldense, ele disse ser difícil falar em desenvolvimento sem investir para melhorar o resultado do IDEB e elevar o nível de escolaridade da população. “Tendo um bom plano de carreira, grandes professores e professoras, temos um IDEB de 4,3 nas séries finais. São Leopoldo tem 46% de seus cidadãos com ensino fundamental incompleto. Como falar em desenvolvimento?”, apontou.

Para colocar todas as crianças na educação infantil, a ideia é mobilizar as igrejas católicas, luteranas e evangélicas para utilizar eventuais espaços disponíveis com esse objetivo e buscar financiamento junto ao Banco Mundial para iniciar um processo de digitalização do ensino distribuindo um lap top para cada aluno da rede de ensino.

Nado também sustentou ser necessário rever a atuação da guarda municipal para reduzir os altos indices de violência e refazer o planejamento urbano da cidade e do meio ambiente, ouvindo o Interventura,  conjunto de arquitetas da Unisinos que se reuniu e está oferecendo uma proposta para a cidade, que, para ele, deve passar, ainda, pela adoção da coleta seletiva.

Deputada estadual pelo Cidadania, Anny Ortiz lembrou que projeto de sua autoria tramitando na Assembleia prevê, a exemplo das leis da Cultura e do Esporte, incentivos para que empresas patrocinem projetos que tratam de reciclagem. “Questão da reciclagem do lixo, de não ter separação de lixo, estamos falando de 2020, de oportunidade de renda. Pessoas poderiam estar trabalhando, tirando seu sustento, com muita dignidade”, apontou, ao prometer colaborar com a gestão.

Oposição ao atual prefeito

Presidente estadual do Cidadania-RS, Cesar Luís Baumgratz disse ser “municipalista de carteirinha” e ver na pré-candidatura de Nado a consistência necessária para mudar a realidade de São Leopoldo. Já o presidente da seção leopoldense do partido, Marcus Vinicius Ortácio, falou da preparação para as eleições, que dividiu a ação pelos 25 bairros da cidade e conseguiu filiar 1.300 pessoas na busca por um projeto o mais amplo possível de oposição ao atual prefeito.

Finalizando o encontro, o presidente do Cidadania, Roberto Freire, disse ver em Nado, Any, Baumgratz e outros pré-candidatos do partido a vereador quadros que têm condição de pensar o Brasil a partir de sua dimensão local e, dali, pensar o lugar das pessoas numa perspectiva de um mundo globalizado.

“Quadros que tem condição de pensar o Brasil, pensar o local, mas ter a dimensão do mundo globalizado. São quadros politicos que dão dimensão nacional ao Cidadania. O papel de Nado vai além de ser o prefeito, sendo eleito, como esperamos:  vai nos ajudar a pensar o Brasil numa visão mais ampla, pra superar essa profunda desigualdade que ainda existe, com a tarefa de traçar um amanhã melhor para todos. A esperança tá junto de nós no Cidadania”, defendeu.

Em live sobre 30 anos do ECA, Eliziane Gama lamenta corte de recursos para políticas da infância

“O ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente] é um marco regulatório de proteção da criança e adolescentes, mas ainda temos muitos desafios”, diz a senadora (Foto: Reprodução)

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), participou nesta segunda-feira (13) de live sobre os 30 anos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) que contou com a presença do promotor de Justiça do Maranhão, Márcio Thadeu e da ex-conselheira tutelar e membro do Fórum Maranhense de Mulheres, Sandra Silva.

Com o tema “Estatuto da Criança e Adolescente: desafios pós-pandemia” os participantes da transmissão ao vivo pautaram as dificuldades enfrentadas por crianças e adolescentes durante o isolamento social em virtude da Covid-19, como desigualdade social, dificuldades de acesso à educação e o crescimento do número de casos de violência doméstica, violência sexual e trabalho infantil.

“O ECA é um marco regulatório de proteção da criança e adolescentes, mas ainda temos muitos desafios. A pandemia tirou as crianças da escola e também aumentou o número de violência doméstica e vulnerabilidade social”, disse Sandra Silva.

Eliziane Gama falou sobre seu trabalho no Congresso Nacional e destacou que a Constituição preconiza que crianças e adolescentes são prioridade absoluta, mas infelizmente desde o ano passado tem havido cortes no orçamento federal direcionado às políticas para infância.

“Temos arcabouço legal e uma atuação intensa da Justiça, das Promotorias e entidades de defesa da infância, mas precisamos também garantir o orçamento para ter efetividade de políticas de proteção de crianças e adolescentes. Garantir a qualidade de vida dos nossos meninos e meninas é também garantir o futuro do nosso País”, enfatizou Eliziane Gama.

Durante a transmissão ao vivo, o promotor de Justiça, Márcio Thadeu falou sobre o atual contexto, destacou os desafios e os processos de construção das leis de proteção à infância no Brasil.

“A principal visibilidade que tivemos na pandemia foi da perversa desigualdade econômica e social no nosso país e como essa questão influencia no direito à vida dessas pessoas. Nossas crianças e adolescentes são a parte da população mais vulnerável”, afirmou Márcio Thadeu.

A senadora do Cidadania também lamentou a situação de vulnerabilidade durante a pandemia, principalmente entre crianças, idosos, comunidades indígenas e quilombolas.

“Quando a gente fala de criança, idosos, comunidades tradicionais não temos atenção a altura para que essas pessoas que estão situação de vulnerabilidade tenham acesso à proteção”, destacou Eliziane Gama. (Assessoria da Parlamentar)

Fátima Romar, pré-candidata em Maceió, defende renovação política pra mudar a capital alagoana

A professora e pré-candidata do Cidadania à prefeitura de Maceió, Fátima Romar, defendeu, em live realizada nesta quinta-feira (9) pelo ex-presidente da OAB de Arapiraca, Hecto Martins, que o eleitor precisa apostar em novos nomes comprometidos com mudanças significativas e reais para as suas cidades. Martins é pré-candidato do partido a prefeito de Arapiraca, a segunda maior cidade alagoana.

“Temos que mudar a realidade das nossas cidades. O cidadão deve acreditar na política. Ele precisa entender que apenas o novo de verdade possui essa capacidade de oferecer mudanças reais. Esse suposto novo que hoje dirige nossas cidades vem do velho que ninguém quer mais. Hoje, vemos no poder a terceira geração da velha política. São os netos que chegam. Até quando iremos com isso? Eles não resolvem nada. É preciso mudar tudo isso aí e por esse motivo temos de mostrar a cara. Dar a cara à tapa sem medo. O Cidadania vem para fazer a diferença nesse sentido. Temos que incomodar”, defendeu Romar.

Ao concordar com a colocação de Fátima Romar, Martins afirmou que é necessário mobilizar homens e mulheres de bem como protagonistas das mudanças. 

“Vamos sair da zona de conforto. É possível sim realizar essas mudanças que todos esperam, mas, para isso, cada um de nós deve fazer a sua parte. A sociedade, sobretudo com o isolamento devido à pandemia, está mais atenta em relação aos problemas enfrentados pelo País. Observa com maior atenção os problemas enfrentados na Saúde e a precariedade da Educação. Não seremos salvadores da pátria, mas, somando forças, conseguiremos trazer a sociedade para dentro da gestão pública. Uma gestão democrática e descentralizada”, propôs. 

A professora destacou no encontro virtual os diversos problemas enfrentados pela capital alagoana como a educação precária, o transporte público caótico e a falta de planejamento estratégico para o Turismo. Ela lembrou que, em toda eleição, os mesmos políticos realizam promessas, as quais nunca são cumpridas. Ela também criticou a banalização da compra de votos no estado.

“Falta vontade de fazer. Por que não podemos trazer uma visão política diferente para cá? A cidade está cheia de buracos, com lixo para todo lado. Nosso Turismo não é sustentável. Por que não pegamos essa garotada do segundo grau, por exemplo, e os inserimos em cursos técnicos voltados para essa área? A Educação, totalmente sucateada e sem o menor estímulo ao professor. Agora, pergunta se essa política velha que conhecemos quer fazer essas mudanças? Não quer. E sabe por quê? Porque aqui a compra de votos é algo cultural. Líderes comunitários, para a velha política, só servem pra garantir votos”, lamentou.

Em live com Lessa, Regis Cavalcante defende política ambiental no centro do debate político

O presidente do Cidadania em Alagoas, Regis Cavalcante, mostrou preocupação com a agenda ambiental, durante live com o presidente do PDT em Alagoas, Ronaldo Lessa, nesta quarta-feira (1). “A política é fundamental para mover a vida de todos nós e a política ambiental é o desafio para quem quer fazer da política algo em defesa do bem comum. O compromisso com a natureza, com o meio ambiente é fundamental”, defendeu. Durante o bate papo, ele falou sobre o bairro de Fernão Velho, que ainda concentra uma parte da Mata Atlântica. 

“É uma APA que vem sendo, inclusive, ameaçada até pelas autoridades públicas. Ela é um pedaço importante de Maceió do ponto de vista da preservação, de algo que é fundamental hoje e a realidade que estamos enfrentando determina isso. Uma realidade onde há um resquício de Mata Atlântica que tem sido preservada com um esforço grande. Fernão Velho precisaria ter uma administração pública que começasse a ver o potencial que tem do ponto de vista do empreendedorismo”, alertou.

Na avaliação de Cavalcante, a pauta ambiental é importante como programa futuro de governo e deve ser tratada como questão de saúde, educação e desenvolvimento. “Nunca imaginei viver uma pandemia. Não é uma gripezinha e não é só uma questão do Brasil. Temos um presidente que desdenha da preocupação sanitária, é uma insensatez enorme. Fora o trato na questão ambiental, que, hoje, as pessoas percebem rapidamente. Na nossa juventude, quando se falava em questão ambiental, se falava que era coisa de hippie, de quem não tinha compromisso com o desenvolvimento”, apontou.

Sobre o cenário político atual, Cavalcante afirmou que o governo Bolsonaro ameaça a democracia. “É um projeto para sequestrar a democracia. Isso não vai acontecer porque o respeito à Constituição se impõe e essa jovem democracia brasileira está reagindo, porque ele pensava mesmo em dar um autogolpe e ser presidente da República. O PT, é bom registrar, concorreu para a fragilização institucional e deixou esse cidadão solto a verbalizar um discurso conservador atrasado. Ele sempre teve pendor autoritário, não enganou ninguém. Ele é incapaz de governar. O Brasil está órfão de presidente”, criticou.

O presidente do Cidadania-AL disse acreditar que Bolsonaro enfretará desgaste profundo se continuar com essa agenda. “As pesquisas estão mostrando que 75% acreditam na democracia, não querem autogolpe, não querem fechar o Congresso e nem a Suprema Corte. Ele está na contramão da história”, apontou. Para Cavalcante, o presidente coloca até mesmo as Forças Armadas em risco. “Ele mandou o Exército brasileiro fabricar cloroquina e já há estoque para 18 anos de um medicamento que não é eficaz contra Covid. Está comprometendo a imagem da instituição”, avaliou. 

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Em 2019, o Presidente Estadual do Cidadania em Alagoas, Regis Cavalcante, denunciou crime ambiental em Maceió.

Regis Cavalcante defende frente em prol da democracia e repudia autoritarismo de Jair Bolsonaro

Presidente do Cidadania em Alagoas falou sobre a possibilidade de impeachment do presidente da República

O presidente do Cidadania em Alagoas, Regis Cavalcante, falou nesta quinta-feira (11) sobre a atual conjuntura política nacional, durante a live “Ato Pela Democracia, Contra o Racismo e em Defesa da Vida”. Na ocasião, ele se solidarizou com as mais de 40 mil vítimas da covid-19 no país e culpou o governo Bolsonaro pela velocidade da doença no país.

“Não respeita a dor de milhares de famílias vítimas dessa doença. Há um descaso em relação à vida dos mais pobres, um discurso alimentado de ódio. Cotidianamente, usa as redes sociais para desdenhar desta realidade cruel que estamos atravessando”, protestou.

Para Cavalcante, o momento é de respeito à vida dos brasileiros e à democracia. “Podemos construir um país mais coeso e compromissado com as causas sociais. Todos aqueles que vivenciaram momentos autoritários nesse país, que têm horror à ditadura e ditadores, não podem concordar com essa realidade”, disse.

Basta

Ele também falou sobre os movimentos que estão surgindo pró-democracia. “Essa é a luta que devemos desempenhar nesse momento, fazer com que todos os brasileiros e instituições de compromisso com a democracia mostrem seu repúdio, nesse momento em que as ruas não podem ser ocupadas, a essa forma de chantagear a sociedade, de querer impor um autogolpe nesse país, fazendo com que as instituições, especialmente os poderes, sejam desrespeitados”, apontou.

Durante o bate papo, Cavalcante também condenou a participação do presidente em manifestações pró-governo que incitam a violência contra o Judiciário e Legislativo. “Precisamos ampliar com todos os democratas a possibilidade de fazer uma grande movimentação nesse país, respeitando o devido isolamento social, para dar um basta nessa postura e caminharmos, se for necessário, ao impeachment do presidente”, defendeu.

Calero: Bolsonaro não soube aproveitar a boa vontade do Parlamento e se perdeu em interesses paroquiais

“O governo Bolsonaro praticou estelionato eleitoral”, cravou o deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ), durante bate-papo virtual com o também deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), nesta quinta-feira (4). Para o parlamentar, o presidente não soube aproveitar a boa vontade do parlamento, no início do seu mandato, e se perdeu em interesses “paroquiais”.

Questionado por Kim sobre sua visão do governo, Calero afirmou que Bolsonaro “se vendeu, na eleição, como alguém que iria nomear dirigentes técnicos”. Segundo ele, no começo de 2019, havia um clima favorável ao presidente. “Eles contavam com a boa vontade do Parlamento, como poucos governos contaram no início. Estávamos prontos para batalhar e favorecer a agenda de reformas, de fortalecimento da República”, disse.

“Mas o que a gente viu foi o contrário”, colocou. Na sua visão, o uso do aparelho estatal para obtenção de vantagens políticas e troca de favores ficou evidente. “É o desvio de finalidade do que foi pensado originalmente, de um governo a serviço do cidadão”, completou.

Na sua avaliação, Bolsonaro está “cada vez mais refém, ao tentar salvar a sua família de investigações de casos nebulosos, como o de Flávio Bolsonaro”. “Faltou visão de estadista e isso afetou o governo”, lamentou Calero.

Veja abaixo os principais pontos:

Bandeiras

Quando iniciamos o mandato, fizemos planejamento estratégico com base no que tínhamos conversado na campanha com os eleitores. Cultura sempre esteve presente, então é um dos vetores de atuação. Junto com a Cultura vem a Educação e também o que convencionamos chamar de combate à corrupção, que hoje vejo em perspectiva maior, que é o fortalecimento da República. O combate aos mecanismos de desvio e práticas ilícitas vem muito ligado à necessidade de fortalecimento institucional no Brasil. As políticas públicas que derivam daí conseguem ser mais efetivas, entrega acaba acontecendo de maneira mais eficiente. Atividade parlamentar de formatar projetos de lei é importante, mas um dos nossos trabalhos é de fiscalização, atividade parlamentar por excelência. Tenho focado muito nisso. A gente precisa trabalhar mais na fiscalização do Poder Executivo.

Corrupção no governo Bolsonaro

Governo Bolsonaro praticou verdadeiro estelionato eleitoral. Mais uma vez, o Brasil foi vítima de estelionato eleitoral. Não adianta tapar o sol com a peneira ou mesmo criar teorias de que no Brasil só se governa assim, que é a desculpa perfeita. Foi eleito com discurso de apoio aos mecanismos de combate à corrupção e nomeação de dirigentes técnicos para os órgãos públicos e o que vemos hoje é o contrário disso. Governo cada vez mais refém de forças políticas tradicionais, que têm um modus operandi bastante próprio de obtenção de vantagens, e nem entro no mérito de se são ou não ilícitas. Na medida em que você tem a utilização do aparato estatal para troca de favores, para interesses privados, isso já é um desvio de finalidade. O presidente acabou se enredando em assuntos paroquiais e na necessidade que ele tem de salvar a família dessas investigações e casos nebulosos que surgem aqui no Rio de Janeiro a partir da atuação do Flávio Bolsonaro na Alerj. E ele fica refém desse grupo político, de agendas não prioritárias para o Brasil. Faltou visão de estadista.

IPHAN

Voltamos a falar do IPHAN por conta da famosa reunião ministerial de 22 de abril, em que Bolsonaro falou com todas as letras que tinha de colocar alguém à frente que fosse simpático às pretensões do empresário Luciano Hang, seu apoiador. Esse caso é exatamente o que vivemos na experiência com Geddel. Ao fazer seu trabalho técnico, o IPHAN acaba colidindo com interesses que nem necessariamente são ilegítimos. Não cuida de cocô de índio, como disse ele, mas da nossa memória, da nossa história. Geddel queria que subisse um edifício ali na Ladeira da Barra, em Salvador, zona de proteção história por conta de uma Igreja que tem ali do século XVII. Você tem de fazer a proteção de todo o entorno para não afetar aquele sítio histórico.

O Geddel então me pressiona para que aquele interesse particular dele de ver o edifício onde ele tinha comprado um apartamento subir fosse atendido. Queria que eu desse uma carteirada e passasse por cima da decisão técnica do IPHAN. É claro que depende de mais investigações, mas o caso do Luciano Hang é muito similar, porque ele tinha uma loja pra ser construída no Rio Grande do Sul. O IPHAN estabelece alguns critérios para que as obras aconteçam, é leviano dizer que o IPHAN embarga. Voce não pode pretender usar uma relação pessoal que você tenha com algum manda-chuva pra burlar esses requerimentos senão você está ganhando vantagem em relação aos outros cidadão. Relações pessoais não podem prevalecer na administração pública. Aquele edifício que o Geddel queria que eu passasse por cima do IPHAN e aprovasse era usado em um esquema de lavagem de dinheiro dele. Ficou provado na ação penal que ele se valia de empreendimentos imobiliários para lavar dinheiro

É claro que muitas vezes pode haver excessos, mas a Kátia Bogea, que comandava o IPHAN, tinha uma visão muito lúcida do papel do órgão e da necessidade de compatibilizar os interesses comerciais legítimos do desenvolvimento econômico com os interesses legítimos da proteção ao patrimônio histórico. Essas dicotomias que se criam são muito perigosas. Patrimônio histórico versus interesses comerciais. Saúde versus economia. Não existe essa oposição. Essas oposições são fabricadas artificialmente para justificar comportamentos injustificáveis.

Interesses paroquiais

O Planalto se ocupa de projetos de pouco alcance, enquanto nós lá na Câmara cuidamos do que é realmente importante pro futuro do país. Isso é lamentável porque temos um sistema presidencialista quase imperial. O presidente manda muito, tem muito poder. Presidente tem papel de articulação de longo prazo muito importante. Lembro do Bolsonaro entregando esse projeto de mudança no código de trânsito brasileiro é aquele projeto que alterava as regras de utilização de cadeirinha de criança no carro contra a visão de todos os especialistas. Lembro do discurso da deputada perguntando se sabíamos o preço de uma cadeirinha e dizendo que ela desconhecia, mas sabia o preço de um caixão porque teve de comprar pro filho dela. A política brasileira ainda está muito refém desses arranjos de curto e médio prazos pensando muito em benefícios eleitorais que se pode auferir. Construir política pública é muito difícil, mas destruir é muito fácil.

Diplomacia

Temos que lembrar que existem órgãos de Estado. Os governos passam. São órgãos que têm uma tradição de atuação que pode ser aperfeiçoada, mas que trazem um arcabouço que não está sujeito ao capricho do governo de plantão. Cada governo que entra quer refundar a República. De recomeço em recomeço a gente só retrocede, não consegue ter solução de continuidade. A política externa do Bolsonaro foi pensada dentro do misticismo olavista como se fosse uma nova cruzada. Ela precisa estar alinhada aos vetores do desenvolvimento econômico e social brasileiro. Uma tradição diplomática como a brasileira construída por tantas décadas tem um peso muito grande. Nós não temos poderio militar. Brasil dispõe de ouros muitos fatores de poder como recursos naturais e produção de alimentos. Sempre fomos adeptos do multilateralismo, utilização de órgãos multilaterais pra que as nossas posições pudessem ser ouvidas e muitas vezes vitoriosas.

Na medida em que você ataca um mecanismo que sempre te favoreceu você tá atuando contra a própria lógica. Os grandes prejudicados são a nossa tradição diplomática e os nosso negócios. Vemos essa cruzada contra a China e temos o agronegócio voando como um dos grandes pilares da economia. A China é nosso principal mercado. Temos uma série de erros nas questões ambientais. Começamos a ser vistos como um pária ambiental e sanitário. Hoje somos motivo de chacota nas arenas internacionais por conta dessas posições místicas totalmente alheias à realidade. A gente se pergunta: quando o interesse do Brasil vai prevalecer? Estamos reféns de uma disputa que nem sequer é a nossa. Essa teoria do caos e do conflito que faz parte do repertório bolsonarista é fadada ao fracasso.

Candidatura a prefeito

Paixão pelo Rio é o que me move. Sou apaixonado por essa cidade, fiz meu mestrado em ciências políticas com base na história do Rio de Janeiro, estou fazendo meu doutorado nesse mesmo vetor de pesquisa. Temos problemas crônicos no Rio. No Rio tivemos solução de continuidade. Veio de um período de capacidade de investimento e gestão bem feita. Isso não começa com o governo de Eduardo Paes, do qual participei, mas isso começa com a eleição de Marcello Alencar, em 1988. Tivemos governos preocupado com a gestão pública, com seus altos e baixos. Crivella representa a ruptura dessas portículas continuas, especialmente na área financeira. Temos rombos importantes e um problema muito grave de gestão. Situação de total abandono da cidade. O que acontece hoje no Rio diante da pandemia é uma verdadeira carnificina. Estive recentemente no Hospital Miguel Couto, que tem várias enfermarias fechadas por conta de falta de médicos e enfermeiros. Enquanto isso, o prefeito que me se valer de um hospital de campanha no Rio Centro que permanece com muitos leitos impedidos pelo mesmo motivo. O propósito dessa candidatura é falar de uma gestão que seja eficiente e baseada em princípios republicanos, que sobretudo tenha amor pelo Rio e consiga enxergar suas vocações sem qualquer tipo de filtro ideológico.

Em live com Yula Merola, Freire diz apostar em renovação nas eleições municipais deste ano

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, participou nesta quinta-feira (28) de uma live com a pré-candidata do Cidadania à prefeitura de Poços de Caldas (MG), Yula Merola. Durante o bate papo, Freire falou sobre as eleições municipais deste ano, que, em virtude da pandemia do coronavírus, deverão ser adiadas.

“No regime democrático, uma dos muitos aspectos positivos é que, de dois em dois anos, temos consulta popular. Essa periodicidade é algo fundamental na questão democrática. Provavelmente, o processo deve ser jogado para dezembro para se ter maior segurança. Tudo está sendo bem conduzido pelo ministro Luís Roberto Barroso, que agora preside o Tribunal Superior Eleitoral”, disse o ex-parlamentar.

Freire também destacou o momento de renovação da política com as eleições municipais. “A grande maioria de quem entra na política o faz pelas eleições municipais. Elas passaram a ter uma presença muito grande dessas novas relações de comunicação, com as novas mídias. Com toda essa mudança vamos ter uma maior participação de movimentos fora daquilo que é a política tradicional. Estamos vendo um número grande de jovens que vieram desses movimentos e isso terá um peso maior e será um instrumento de renovação política nessa eleição”, observou.

Sobre a atual conjuntura política nacional, Freire destacou a importância do diálogo em defesa da democracia, que, para ele, está ameaçada com o governo Bolsonaro. “Precisamos construir uma grande frente do ponto de vista democrático. Bolsonaro está acuado, principalmente agora com todas essas investigações sobre as fakenews. Já chegaram ao chamado gabinete do ódio e envolvem seus filhos, além das ligações com recursos financeiros para o próprio bolsonarismo. Toda essa conjuntura nos chama à defesa da democracia”, acrescentou.

O presidente do Cidadania também abordou a questão das cidades Inteligentes, como ferramenta de desenvolvimento e de olhar para um novo mundo tecnológico. “Não é para se imaginar grandes avanços para já. É a compreensão de acabar com o estado burocrático, tentar construir esse novo Estado via internet. É importante, para nós do Cidadania, adotarmos essa compreensão, vincular a nova administração das cidades a esse novo mundo da inteligência artificial”, afirmou.

Sobre as eleições de 2022, Freire acredita que o momento vivido pelo país em relação à pandemia de Covid-19 paralisou a discussão. “A questão da política está vindo por conta do Bolsonaro criar inimigos, brigar contra a democracia, contra as instituições. Sobre o Luciano Huck, ele está tendo uma atuação grande no campo da solidariedade. Eu continuo achando que pode ser uma alternativa”, avaliou.

Em live, Bolsonaro defende trabalho infantil e não cita reforma da Previdência

Bolsonaro defende trabalho infantil, mas diz que não propõe descriminalização para não ser ‘massacrado’

Presidente reclamou de quem critica crianças em atuação profissional: ‘Agora quando tá fumando um paralelepípedo de crack, ninguém fala nada’

Gustavo Maia – O Globo

BRASÍLIA – Em transmissão ao vivo na noite desta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro defendeu o trabalho infantil e usou o próprio exemplo para dizer que “não foi prejudicado em nada” por ter colhido milho aos “nove, dez anos de idade” em uma fazenda de São Paulo. Aos seus seguidores no Facebook, ele declarou ainda que “o trabalho dignifica o homem e a mulher, não interessa a idade”, mas alertou que não apresentaria nenhum projeto de lei para descriminalizar a prática por saber que “seria massacrado”.

Bolsonaro falava sobre sua experiência como pescador, ao lado do secretário nacional de Pesca e Aquicultura, Jorge Seif Júnior, quando foi questionado por ele se esta foi a sua primeira profissão.

– Posso confessar agora, se bem que naquele tempo não era crime – disse o presidente, relatando um encontro recente com um homem de 93 anos de idade chamado Jorge Alves de Lima, que segundo ele era o dono da fazenda onde morou por dois anos, na qual o pai era “peão”, em Eldorado Paulista.

– Lembro perfeitamente que uma das coisas que se plantava lá, além de banana, era milho. E naquele tempo para você cortar o milho, você não tinha que chegar na plantação e pegar. Tinha que quebrar o milho. Tinha que colocar o saco de estopa no braço. E eu com nove, dez anos de idade quebrava milho na plantação e quatro, cinco dias depois, com sol, você ia colher o milho – relatou.

– Olha só, trabalhando com nove, dez anos de idade na fazenda – disse Bolsonaro, como se imitasse um crítico. – Não fui prejudicado em nada. Quando um moleque de nove, dez anos vai trabalhar em algum lugar tá cheio de gente aí “trabalho escravo, não sei o quê, trabalho infantil”. Agora quando tá fumando um paralelepípedo de crack, ninguém fala nada.

O presidente continuou dizendo que “trabalho não atrapalha a vida de ninguém” e fez uma ponderação dirigida a possíveis opositores.

– Fiquem tranquilos que eu não vou apresentar nenhum projeto aqui para descriminalizar o trabalho infantil porque eu seria massacrado. Mas quero dizer que eu, meu irmão mais velho, uma irmã minha também, um pouco mais nova, com essa idade, oito, nove, dez, doze anos, trabalhava na fazenda. Trabalho duro – afirmou.

Outras confissões

Prosseguindo nas confissões, ele também contou que aprendeu a dirigir em dois tratores da fazenda com a mesma faixa etária, portanto, ilegalmente. E disse que começou a atirar “jovem”.

– Vai falar “ah, irresponsabilidade”. Nada, pô. O velho tinha uma espingarda, eu ia pro meio do mato e metia fogo, atirava sem problema nenhum.

– Hoje em dia é tanto direito, tanta proteção que temos uma juventude aí que tem uma parte considerável que não tá na linha certa. O trabalho dignifica o homem e a mulher, não interessa a idade – declarou Bolsonaro.

Ainda segundo o presidente, naquela época, o professor “tinha como exercer sua autoridade em sala de aula” pois os alunos seriam agredidos fisicamente por seus pais caso levassem uma bronca.

– Então, ai de você se levasse uma bronca do professor e professora e teu pai ou tua mãe ficasse sabendo. Não era bronca não, o pau cantava. A juventude nossa está aí… Saudades daquela época onde você tinha muito mais deveres que direitos. Hoje só se tem direitos, dever quase nenhum e por isso nós afundamos cada vez mais – concluiu.

A live desta quinta durou mais de 37 minutos. Em todo o período, Bolsonaro não citou a reforma da Previdência, cujo texto-base foi aprovado em comissão especial na Câmara dos Deputados à tarde.