Cidadania no Senado: Veja o resumo das atividades da bancada

A indicação do desembargador Kassio Nunes Marques para a vaga do ministro Celso de Mello no STF mobilizou os senadores. Ele vai ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça no próximo dia 21 (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

O novo adiamento da votação do veto da desoneração da folha de pagamento pelo Congresso Nacional, a continuidade do impasse em torno dos recursos para financiar o novo programa social do governo, o Renda Cidadã, e o período eleitoral estão paralisando as atividades do Senado, que na semana novamente realizou apenas duas sessões deliberativas remotas para votar a MP de incentivo para o setor automotivo e um projeto contra maus-tratos a idosos (veja o resultado das votações abaixo).

Um dos assuntos que mobilizou os senadores e a bancada do Cidadania na Casa foi a indicação apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro do desembargador Kassio Nunes Marques, para a vaga do ministro Celso de Mello no STF (Supremo Tribunal Federal). Marques vai ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado no próximo dia 21.

Ao se manifestar nas redes sociais sobre a indicação do desembargador para o Supremo, o vice-líder do Cidadania, Alesssandro Vieira (Cidadania-SE), disse ser preciso ‘garantir  uma sabatina dura e respeitosa’ a Marques (veja aqui).

“É preciso saber o que pensa o indicado sobre temas relevantes, como prisão em segunda instância, foro privilegiado, Lava Jato e a reeleição inconstitucional no Senado. E também como ele se portará ao julgar amigos e padrinhos”, postou o parlamentar em seu perfil no Twitter.

Alessandro Vieira manifestou dúvidas em relação a Marques, especialmente pelo fato de ter sido indicado para o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) pela então presidente Dilma Rousseff (PT).

Indicação de desembargador para STF ‘tem a benção do PT e do Centrão’, diz Alessandro Vieira (Foto: Pedro França)

“[A indicação do desembargador] tem a benção do PT e do Centrão”, afirmou o senador do Cidadania.

Ele considerou ainda, em declaração ao site O Antagonista, que as revelações recentes sobre o currículo de Kassio Marques “geram muito constrangimento” (veja aqui).

“A própria definição de notório saber aponta para um necessário reconhecimento público de conhecimento técnico, como aquele obtido através de obras publicadas e aprovações em concursos públicos. Não é o caso do desembargador Kassio, que fez carreira exclusivamente alicerçado em indicações políticas”, observou o senador.

Também em declaração ao site O Antagonista, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) adiantou não ter nada a falar com Marques.

“Ele não precisa entrar em contato comigo. Nada tenho a lhe falar. Desejo sorte e preparo. Vou sabatiná-lo de forma independente”, afirmou Kajuru.

Já para a líder da bancada, Eliziane Gama (MA), a sabatina do indicado do Supremo irá ‘dirimir todas as dúvidas acerca de sua formação’, especialmente em relação as divergências em seu currículo.

“Acredito que o desembargador Kassio Marques prestará os devidos esclarecimentos durante a sabatina no Senado Federal”, disse ao site Congresso em Foco (veja aqui).

Após a votação na CCJ, o relatório da indicação do desembargador seguirá para análise no plenário. As duas votações são secretas. Para ser aprovado para integrar o STF, Marques tem que obter votos favoráveis de ao menos 41 dos 81 senadores. Se a indicação for aprovada, o presidente Bolsonaro pode nomear o indicado assim que receber a comunicação do Senado.

Impasse no Renda Cidadã

Diante da indefinição das fontes de recursos para financiar o Renda Cidadã, o programa social que o governo pretende criar para substituir o Bolsa Família, a senadora Eliziane Gama (MA) disse que não existem ‘malabarismo e solução mágica’ (veja aqui) para a efetivação do financiamento.

“Não acredito que o governo apresente o programa antes das eleições, pois não existem malabarismo e solução mágica para criar uma fonte para sustentar a proposta”, disse, ao considerar que “bons e consistentes projetos” terão o apoio do Congresso Nacional.

“Governos que pensam programas sociais apenas com objetivos eleitorais e populistas não passam pela porta larga da história. Torcemos para que a gestão Bolsonaro não trilhe esse caminho”, completou.

Paralisação das reformas

O senador Jorge Kajuru avaliou na sessão remota de quarta-feira (08) que a paralisação da agenda de reformas em tramitação no Congresso Nacional, sobretudo a tributária e administrativa, coloca em risco o debate no País sobre o pós-pandemia e gera insegurança nos brasileiros.

“A agenda de reformas não anda. Falta consistência nas discussões sobre o Brasil pós-pandemia, e a maioria da população solidifica uma certeza: a insegurança que lhe reserva o futuro bem próximo”, disse.

Segundo ele, as prioridades dos ‘caciques’ não estão em sintonia com as necessidades do País.

“Um quer colocar no STF [Supremo Tribunal Federal] um ministro que possa chamar de seu, como diz a música; outro busca uma reeleição que fere princípio constitucional; um terceiro deseja aprovar uma reforma tributária que possa engrandecer seu currículo”, comentou Kajuru.

A pandemia e os procedimentos do SUS

Eliziane Gama questiona secretário executivo do Conasems sobre fila de procedimentos no SUS (Foto: Waldemir Barreto)

O secretário executivo do Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), Mauro Junqueira, disse que 700 milhões de procedimentos ambulatoriais e hospitalares deixaram de ser realizados na rede pública de saúde do Brasil com a pandemia do novo coronavírus. O número foi apresentado por Junqueira após questionamento da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) na comissão mista da Covid-19 segunda-feira (05) sobre a avaliação do Conselho em relação ao saldo das ‘demandas eletivas’ no SUS (Sistema Único de Saúde) com a prioridade dada ao enfrentamento da doença (veja aqui).

“Qual a avaliação que o Conasems  faz quanto ao tamanho das demandas eletivas represadas e as recomendações que o Conselho está fazendo para esse enfrentamento pós-pandemia, sobretudo com a necessidade de partirmos para a realização dessas cirurgias eletivas?”, perguntou a senadora.

“Nós já temos 700 milhões de procedimentos ambulatoriais e hospitalares não realizados até o momento. Qual é a nossa posição? Como os recursos Covid começaram a ser passados num volume maior a partir de agosto, que a gente possa aprovar a transposição dos recursos Covid para 2021, para execução até 31 de dezembro de 2021, para que os gestores possam fazer a melhor aplicação desses recursos”, defendeu Junqueira.

Regras para vacinação contra Covid-19

A pedido do relator, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), a votação do projeto de lei (PL 4023/2020) de autoria do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que cria regras para distribuição de vacinas contra Covid-19, prevista para quinta-feira 08), foi adiada (veja aqui).

“Há que se construir um entendimento com o Ministério da Saúde para a gente poder ter uma efetividade na apresentação dessa lei por parte do Senado”, alegou Nelsinho Trad durante a sessão remota deliberativa.

Segundo o relator, o parlamentar do Cidadania concordou com o adiamento. Trad se comprometeu durante a sessão entregar à Mesa do Senado, na próxima semana, o relatório do projeto.

O PL de Alessandro Vieira altera a lei sobre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública para fixar diretrizes que orientem a distribuição de vacinas contra a covid-19, assegurando que a imunização da população seja conduzida com a priorização dos grupos mais vulneráveis à doença, como idosos, diabéticos e hipertensos, dentre outros.

Punição para atropelamento de cães e gatos

Quem atropelar cães e gatos pode ser obrigado a dar socorro imediato ao animal atingido. É o que propõe projeto do senador Jorge Kajuru. O PL 4786/2020 altera o CTB (Código de Trânsito Brasileiro — Lei 9.503, de 1997), com objetivo de responsabilizar o condutor do veículo que causar o acidente com animal (veja aqui).

Atualmente não existe norma que puna o atropelamento de cães e gatos. Com a proposta, a pena para o responsável será de detenção de seis meses a dois anos e suspensão ou proibição para dirigir veículo automotor.

Acesso de personal trainers a academias

Projeto de Jorge Kajuru muda lei que regulamenta profissão de educação física (Foto: Foto: Jefferson Rudy)

O senador Jorge Kajuru apresentou um projeto de lei (PL 4717/2020) que garante aos personal trainers livre acesso a academias de ginástica. Para permitir o livre acesso, a proposta introduz um novo parágrafo na Lei 9.696/1998, que regulamenta a profissão de educação física (veja aqui).

Kajuru afirma na justificativa do projeto que, “baseados em não mais que o acordo, implícito ou explícito, de repasse de percentuais arrecadados, as academias passaram a impedir ou a até mesmo impor ônus indevido ao aluno ou ao profissional que, não fazendo parte do seu quadro regular de professores ou eventual de personal trainers credenciados, desejam acompanhar seus alunos regularmente matriculados para orientação de treinos”.

Acordo UE-Mercosul

A senadora Eliziane Gama voltou a criticar a gestão ambiental do governo Bolsonaro por colocar em risco extremo a ratificação do acordo de livre-comércio da UE (União Europeia) com o Mercosul (veja aqui).

Segundo ela,  que é coordenadora da Frente Parlamentar Ambientalista do Senado, a resistência de parlamentares da União Europeia em relação ao acordo tem como base a atual política ambiental do Brasil e vai trazer graves prejuízos econômicos ao País.

“A má gestão do setor prejudica de forma severa o País. O acordo tem potencial para criar uma zona de mercado aberto com benefícios para 800 milhões de cidadãos”, postou a senadora em seu perfil no Twitter.

Plenário Virtual

Veja abaixo as propostas aprovadas pelo Senado na semana.

TERÇA-FEIRA – 06/10

Incentivo para o setor automotivo: Aprovada a prorrogação do prazo para empresas automotivas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste serem beneficiadas por incentivos fiscais (PLV 40/2020, oriundo da MP 987). Texto segue para promulgação

Prêmio para jornalismo: Aprovado o Projeto de Resolução do Senado 85/2019, que cria o Prêmio Chico Mendes do Senado Federal para premiar anualmente matérias jornalísticas sobre preservação do meio ambiente. O texto segue para promulgação.

QUARTA-FEIRA – 07/10

Maus-tratos contra idosos: Aprovado o texto substitutivo ao PL 4537/2020, que propõe o “SOS maus-tratos contra idosos”. O projeto segue para a Câmara dos Deputados.

Kassio Marques terá ‘sabatina dura e respeitosa’ no Senado, diz Alessandro Vieira

Para o senador, ‘é preciso saber o que pensa o indicado’ para o Supremo ‘sobre temas relevantes, como prisão em segunda instância, foro privilegiado, Lava Jato e a reeleição inconstitucional no Senado’ (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

Ao se manifestar nas redes sociais sobre a indicação de Kassio Nunes Marques para a vaga do ministro Celso de Mello no STF (Supremo Tribunal Federal), o vice-líder do Cidadania no Senado, Alesssandro Vieira (Cidadania-SE), disse ser preciso ‘garantir  uma sabatina dura e respeitosa’ ao desembargador.

“É preciso saber o que pensa o indicado sobre temas relevantes, como prisão em segunda instância, foro privilegiado, Lava Jato e a reeleição inconstitucional no Senado. E também como ele se portará ao julgar amigos e padrinhos”, postou o parlamentar em seu perfil no Twitter.

Alessandro Vieira manifestou dúvidas em relação a Marques, especialmente pelo fato de ter sido indicado para o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região pela então presidente Dilma Rousseff.

“[A indicação do desembargador] tem a benção do PT e do Centrão”, afirmou o senador do Cidadania.

Nada a falar com Marques

Em declaração ao site O Antagonista, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) adiantou não ter nada a falar com Marques.

“Ele não precisa entrar em contato comigo. Nada tenho a lhe falar. Desejo sorte e preparo. Vou sabatiná-lo de forma independente”, afirmou Kajuru.

Marques terá de ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o que pode ocorrer ainda este mês, conforme nota divulgada pela presidente do colegiado, senadora Simone Tebet (MDB-MS). Ela também promete para breve indicar qual senador relatará a indicação presidencial.

Para ser aprovado para integrar o STF, o indicado tem que obter votos favoráveis de ao menos 41 dos 81 senadores, lembrando que o senador que preside a sessão não vota, a não ser em raríssimos casos de empate.

Se a indicação for aprovada, o presidente da República pode nomear o indicado assim que receber a comunicação do Senado, podendo a posse efetiva ocorrer em poucos dias. Se a indicação é rejeitada, o presidente Bolsonaro terá de apresentar outro nome aos senadores. (Com informações da Agência Senado)