Para prevenir o suicídio, é preciso falar de vida, afirma Paula Belmonte

A deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) disse que para enfrentar o aumento nos índices de suicídio e combater a automutilação é preciso falar de vida.

“Temos que falar que nossos jovens são lindos. Somos todos irmãos brasileiros e temos que trabalhar unidos em prol desta grande nação”, afirmou, ao discursar no Simpósio de Prevenção ao Suicídio e à Automutilação, realizado pela Câmara dos Deputados nesta terça-feira (10).

A parlamentar do Cidadania descreveu os jovens como flores que despertam com plenitude.

“Se a gente falar para eles que eles não conseguem, que não têm condição, eles vão fracassar”, disse ao defender que na prevenção ao suicídio e à automutilação seja utilizada a linguagem do otimismo. “Temos tanto pelo que agradecer”, lembrou. O mês de setembro é saudado com a cor amarela por causa da luta contra o suicídio.

O Brasil é o oitavo país na ocorrência de suicídio. O fenômeno é a terceira causa de morte entre os jovens. Os sintomas experimentados por uma pessoa antes de tentar se matar são tristeza profunda, isolamento, desamparo, desespero e desesperança em relação ao futuro.

O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, afirmou que há evidências de que é possível reduzir o número de suicídios, através, por exemplo, do tratamento adequado dos transtornos psíquicos, principalmente a depressão.

“O estigma mata e suicídio mata mais do que guerras. Quem comete suicídio tem doença mental e é isso que jogamos para baixo do tapete”, disse, ao denunciar a falta de investimento do Estado brasileiro na saúde mental.

“As pessoas não têm acesso à saúde mental”, disse.

 

 

Estudo revela que quase 90% dos empregos dos jovens brasileiros são informais

89% dos novos empregos dos jovens são informais

Bruno Villas Bôas e Thais Carrança – Valor Econômico

Como se não bastasse o elevado nível de desemprego de jovens no país, 89% das pessoas de 18 a 24 anos de idade que conseguiram uma ocupação remunerada nos últimos 12 meses foram parar no mercado de trabalho informal, recebendo salários abaixo da média e sem garantias trabalhistas, mostra levantamento da consultoria IDados obtido pelo Valor.

Do segundo trimestre de 2018 ao mesmo período deste ano, 230 mil jovens de 18 a 24 anos conseguiram uma ocupação. Entre eles, apenas 32,5 mil eram empregos no setor privado com carteira. O restante foi parar em empregos precários, principalmente em vagas sem carteira (85,1 mil) ou no trabalho por “conta própria” sem CNPJ (119 mil).

Os dados chamam atenção num momento em que o governo finaliza um pacote de medidas que inclui o estímulo ao primeiro emprego de jovens, por meio da desoneração da folha de pagamento. O pacote também deve incluir outras medidas como reforço de programas de qualificação profissional e acesso facilitado ao microcrédito.

O levantamento mostra que os empregos com carteira de trabalho assinada foram gerados especialmente nas atividades chamadas de “outros serviços” (41,6 mil vagas líquidas), categoria que reúne profissões como cabeleireiros, embelezamento e cuidados pessoais. Outras 26,9 mil vagas foram criadas no setor de agricultura e pesca no período.

Ao mesmo tempo que esses setores geraram empregos com carteira para jovens, o saldo foi negativo para atividades de comércio (32,5 mil vagas fechadas de forma líquida), construção civil (-21,1 mil vagas) e educação (-9.800 postos), no segundo trimestre deste ano, sempre considerando a comparação ao mesmo período do ano passado.

Segundo José Pastore, professor de relações de trabalho da Universidade de São Paulo (USP), são dois os fatores principais que explicam a dificuldade do jovem em conseguir emprego. “As empresas consideram que o jovem não tem experiência, então não dão preferência a ele”, afirma. “E os encargos sociais são os mesmos para contratar alguém com experiência ou sem, o que desestimula a contratação do jovem.”

Pastore avalia que a desoneração de folha é, dessa forma, boa por atacar um dos fatores que inibem a contratação dos jovens. Já os programas de qualificação em parceria com o Sistema S, também parte do pacote, enfrentam a outra ponta da questão.

O sociólogo reconhece, porém, que reduzir o custo do trabalho não resolve sozinho o problema. “O emprego depende de investimentos e crescimento econômico, mas, dentro do atual quadro de baixo crescimento, um estímulo às empresas abrirem as portas é uma medida necessária”, afirma Pastore.

Uma parcela significativa dos jovens de 18 a 24 anos segue em busca de oportunidade de trabalho. Mesmo mais escolarizados do que as gerações anteriores, muitos desses jovens profissionais esbarram na falta de experiência para acessar o mercado de trabalho e também acabam sendo alvo mais frequentes em momentos de corte.

Dados do IBGE mostram que 4 milhões de jovens de 18 a 24 anos estavam desempregados no segundo trimestre deste ano. Dessa forma, a taxa de desemprego da faixa etária estava em 25,8% no segundo trimestre deste ano. Esse percentual é três vezes mais elevado, por exemplo, do que na faixa de 40 a 59 anos, que está em 7,2%. O desemprego médio geral estava em 12%.

Se incluído nesses cálculos os jovens subocupados (empregados, mas que gostariam de trabalhar mais) e da chamada força de trabalho potencial (que não buscam emprego, mas estão disponíveis), 7,2 milhões de pessoas de 18 a 24 anos têm a mão de obra “desperdiçada”. Essa é a medida chamada de subutilização, cuja taxa estava em 41% no segundo trimestre deste ano.

Com um quadro geral tão ruim de emprego, os profissionais mais jovens também sofreram com o encolhimento salarial. Na média, a renda caiu de R$ 1.191 no segundo trimestre de 2018 para R$ 1.173 no mesmo período deste ano, baixa de 1,5%. É um desempenho pior do que a média geral dos trabalhadores, que viram a renda cair 0,2%.

Para Sérgio Firpo, professor do Insper, a desoneração da folha de pagamentos como estímulo à contratação de jovens pode ser um paliativo ao desemprego nas faixas etárias mais baixas, mas melhor política é estimular o jovem a permanecer na escola.

“O desemprego entre a juventude é alto em todos os países, mas, no Brasil, ele cresceu muito recentemente por causa da crise”, observa Firpo. “Muitos jovens tiveram que ajudar a recompor renda familiar, entrando precocemente no mercado de trabalho. Isso afetou a capacidade deles de acumular capital humano e ter renda futura mais alta.”

Nesse cenário, o economista avalia que, pensando na renda futura e no crescimento da produtividade, seria mais importante gastar recursos públicos para aumentar a qualidade da educação – particularmente no ensino médio público, em que a evasão é elevada – ou em incentivos às famílias dos jovens para que eles se mantenham na escola.

O professor também avalia que um escalonamento do salário mínimo por faixa etária talvez fosse uma medida mais bem focalizada do que a desoneração de folha, embora mais difícil de tornar viável. “Criar subsídio para as firmas contratarem jovens me parece uma forma de universalizar algo que poderia ser focado naquele jovem que não tem emprego porque o salário mínimo é muito elevado para aquilo que ele consegue agregar de produtividade às empresas”, afirma. “Talvez fosse o caso de se pensar em ter diferentes pisos salariais dependendo da idade.”

Atlas da Violência aponta crescimento de homicídios de negros, mulheres e jovens e da violência contra LGBTs

O Atlas da Violência (veja aqui), estudo realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com bases em dados do Ministério da Saúde colhidos nas cidades brasileiras em 2017, revelou que o País registrou 65,5 mil homicídios, ou 179 mortes diárias, relacionados à violência.

Os números assustam ainda mais quando analisados os públicos mais atingidos. Segundo o estudo, ao analisar o número geral, 75,5 % das vítimas são negras, a maior proporção da última década. O número de morte de mulheres de forma violenta também assusta já que foram registrados 4.936 assassinatos em 2017. Uma média de 13 homicídios por dia, e mais uma vez, o maior número em uma década.

A situação foi recentemente debatida pelo Cidadania nos encontros realizados pelo núcleo de Mulheres M23 que reuniram mulheres negras, indígenas e jovens do partido. Os eventos proporcionaram relatos das dificuldades enfrentadas diariamente por essa parcela da sociedade, sobretudo o machismo e a violência.

Negros

O crescimento nos registros de assassinatos no Brasil atingiu em cheio a população negra, com  taxa de mortes que chega a 43,1 por 100 mil habitantes, enquanto para não negros é de 16. Apesar das vítimas negras sempre representarem os maiores registros em estudos passados, os dados de 2017 chamam atenção por essa prevalência ter crescido. Como exemplo, em 2007, o assassinato de negros era na ordem de 63,3% do total, saltando, como escrito acima, para 75,5%.

O estudo aponta que em uma década (2007 a 2017), a taxa de negros assassinados cresceu 33,1% enquanto a de não negros apresentou um crescimento pífio, de 3,3%. Quando analisada a variação de 2016 e 2017 a taxa de mortes de não negros teve ligeira estabilidade com redução de 0,3%, enquanto a de negros subiu 7,2%.

Ao analisar a situação por região, a discrepância faz com que em alguns estados a diferença entre as vítimas seja ainda mais acentuada. De acordo com o Atlas, no caso de Alagoas, por exemplo, a taxa de negros é de 67,9 por 100 mil habitantes, a quinta mais elevada do País. Por lá, a taxa de morte de não negros é de 3,7 por 100 mil habitantes.

Feminicídio

Ao confrontar os dados relacionados à mortes violentas de mulheres, os números de 2017 revelam que das quase 5 mil mulheres assassinadas, 53,8% foram vitimadas com armas de fogo e 26,8% com objetos cortantes. Mais uma vez, esse número se dá sobretudo entre mulheres negras. Essa parcela viu o número de homicídios crescer em mais de 60% em uma década em comparação com um crescimento de 1,7% nos assassinatos de não negras.

Além disso, quase 40% das mortes femininas ocorreram dentro de casa o que aponta que os casos estejam relacionados ao feminicídio, quando as mortes envolvem crimes de gênero. Conforme revelado pelo Atlas, só em 2017, mais de 221 mil mulheres procuraram delegacias de polícia para registrar agressões em decorrência de violência doméstica.

As regiões Norte e Nordeste registraram os maiores números de mortes contra mulheres. O Ceará, por exemplo, registrou 71,6% de crescimento de homicídios de mulheres em uma década; no Rio Grande do Norte, o aumento foi de 48%.

LGBTs

A novidade para a versão do Atlas deste ano foram os dados relacionados à denúncias de crimes violentos relacionados a orientação sexual e identidade de gênero. Segundo o estudo, apesar do problema ainda continuar “invisível” às estatísticas oficiais, os poucos dados existentes indicam que esse tipo de violência tem se agravado no País.

A pesquisa, que utilizou como base de dados o Sinan – sistema de dados do Ministério da Saúde – e o Disque 100, que é vinculada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. De acordo com as informações, o Disque 100 recebeu, em 2017, 193 denúncias de homicídios, 26 tentativas e 423 casos de lesão corporal contra essa população.

Jovens

A Atlas mostrou também que de todas as causas de mortes envolvendo jovens, a com maior relevância é o assassinato. Em 2017, 35.783 jovens, mais da metade de todos os assassinatos registrados, foram por meios violentos. O número representa uma taxa de 69,9 homicídios para cada 100 mil jovens, entre 15 e 29 anos, e mais uma vez, taxa recorde para os últimos 10 anos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Além disso, ao observar o grupo de homens jovens, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes chegou a 130,4 em 2017. Segundo a pesquisa, dos 35,783 jovens mortos no período, 94,4%, ou 33.772, foram do sexo masculino.

1º Encontro de Mulheres Jovens: Formação política para o empoderamento feminino

O 1º Encontro de Mulheres Jovens do Cidadania foi aberto neste sábado (29), em Brasília, com a participação de representantes femininas do partido de 15 estados. Promovido pelo núcleo de Mulheres do partido M23, o evento dá sequência a estratégia de formação política das militantes para o empoderamento feminino na luta contra à violência e à discriminação no Brasil.

A mesa de abertura do encontro contou com a participação do presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire; da deputada estadual do partido em Sergipe, Kitty Lima; das vereadoras Jéssica Serra (Terra Roxa-PR), presidente da Câmara Municipal; Loreny Caetano Roberto (Taubaté-SP), 2ª vice-presidente da Câmara; Juliet Matos, Secretária Nacional do M23; e de Indaiá Pacheco, do núcleo de Mulheres e da Juventude 23.

Ao fazer a saudação , Raquel Dias (Igualdade 23 e M23), uma das organizadoras do encontro, falou sobre a “política inclusiva” da Secretaria de Mulheres de dividir recursos do núcleo com as “facetas femininas” dos demais agrupamentos do partido, como o Juventude 23, Igualdade 23 e Diversidade 23.

Encontro de Mulheres Jovens em Brasília

“As mulheres do Igualdade estiveram aqui na semana passada [no 1º Encontro de Mulheres Negras], as mulheres da J23 estão presentes nesta mesa”, reforçou.

Segundo ela, a estratégia da Secretaria de Mulheres é transformar sua “plataforma geral em plataforma inclusiva”.

“[É ]ouvir as especifidades das mulheres e permitir que as políticas públicas defendidas por nós, mulheres do Cidadania, sejam de inclusão de todas faces e desafios do que é ser mulher nesse País”, disse, ao explicar que ao final do encontro será celebrado um acordo de cooperação entre J23 e M23.

Roberto Freire lembrou que a vitória e conquista de qualquer movimento só acontecem quando ganham a sociedade. “Enquanto ele ficar só entre nós, ele se perde”, provocou, lembrando que o partido (PPS-PCB) foi o primeiro a discutir o aborto.

Mulheres do Parlamento

Deputada estadual Kitty Lima

A secretária nacional do M23, Tereza Vitale, destacou a importância da presença das mulheres no Parlamento. Ela disse que o encontro dá continuidade a formação política do grupo feminino do partido para a conquista de direitos e busca de espaços na política para o empoderamento das mulheres.

Após a abertura, as mulheres participaram de dinâmica de grupo e assistiram ao vídeo “Agradeça a uma feminista”. A programação do dia foi encerrada pelo grupo Slam – DéF, de Brasília, com uma “batalha de poesias”. O Slam – DéF também se apresentou no início dos trabalhos com poesias de temática feminina.

Participam do encontro representantes do Cidadania do Pará, Paraná, Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, São Paulo, Sergipe, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Distrito Federal.

Saúde e redes sociais

O 1º Encontro de Mulheres Jovens prossegue neste domingo (29) com relato do ex-deputado federal Arnaldo Jordy (Cidadania-PA) sobre os resultados da CPI do Tráfico de Pessoas no Brasil, roda de conversa sobre a saúde da mulher e o uso das mídias sociais com responsabilidade.

Cidadania realiza 1º Encontro de Mulheres Jovens do partido no fim de semana, em Brasília

O núcleo de Mulheres do Cidadania (M23) realiza no próximo fim de semana, em Brasília, o 1º Encontro de Mulheres Jovens do partido (veja abaixo a programação). O evento será  no hotel San Marco (Setor Hoteleiro Sul), com início às 10h no sábado (29) e às 9h30 no domingo (30). O encontro será transmitido ao vivo pela internet.

O evento vai abordar temas como a saúde da mulher, dados relacionados à pedofilia e a correta utilização das redes sociais. Para a organizadora do evento, Raquel Dias, o encontro tem o objetivo de debater os desafios da mulher jovem no Brasil e a convergência das pautas feministas e da juventude.

A abertura contará com a presença do presidente do partido, Roberto Freire; da deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF); do ex-deputado federal, Arnaldo Jordy (Cidadania-PA), da representante do Igualdade 23, Indaiá Pacheco; e da secretária nacional do M23, Juliet Matos.

PROGRAMAÇÃO

I ENCONTRO DE MULHERES JOVENS DO CIDADANIA M23

DIA 29/06

10h-12h – Credenciamento

14h – Abertura
APRESENTAÇÃO DE POEMA COM TEMA FEMINISTA
SlaméDF

14h15 – Formação da Mesa de Abertura
SAUDAÇÕES
Roberto Freire
Presidente Nacional do Cidadania 23
Paula Belmonte
Deputada Federal (DF)
Arnaldo Jordy
Ex-Deputado Federal (PA)
Indaiá Pacheco
Juventude 23
Juliet Matos
Secretária Nacional M23

15h – Relato
NÚMEROS E CASOS SOBRE PEDOFILIA
Arnaldo Jordy
Ex-Deputado Federal. Presidente da CPI do Tráfico de Pessoas no Brasil
e da CPI da Exploração Sexual de Crianças e adolescentes

16h30 – Rodas de Conversa
SAÚDE da MULHER
Jane Neves
Mestra em Saúde Coletiva. Rede Fulanas, Coletivo ABAYOMI, NUPIR23
Provocadora: Raquel Dias

20h – Jantar
APRESENTAÇÃO CULTURAL
Batalha de SlaméDF (batalha de poemas)

DIA 30/06

9h30 – Dinâmica
CÍRCULO FEMININO
Elissa Felipe
Juliet Matos

10h30 – Video: AGRADEÇA a uma feminista
RODA DE CONVERSA
Provocação: Tereza Vitale
BATALHA DE EXPERIÊNCIAS – Loreny (vereadora SP), Kitti (deputada estadual
SE), Jessica (vereadora PR).

11h45 – Apresentação do Livro
MYRTES BEVILACQUA. MEMÓRIAS EM FRAGMENTOS
Elissa Felipe
Secretária Nacional M23
Tereza Vitale
Secretária Nacional M23

12h – Almoço

14h – Roda de Conversa
MÍDIAS SOCIAIS. COMO USÁ-LAS COM RESPONSABILIDADE
Juliet Matos
Secretária Nacional M23
Lairson Geisel
Diretório Nacional Cidadania23
Mediadora: Raquel Dias

15h – Momento cultural:
SlaméDF

16h – Assinatura do Acordo de Cooperação
Juventude23 e Mulheres23

17h – Fechamento
Elissa Felipe
Juliet Matos
Raquel Dias
Tereza Vitale

Número de jovens no ensino médio aumenta de 61% para 68,7% em 6 anos, mostra pesquisa

O número de jovens de 15 a 17 anos cursando o ensino médio aumentou de 61% em 2012 para 68,7% em 2018. O percentual de jovens nesta faixa etária que frequentam a escola também vem crescendo e chegou a 91,5% em 2018. Os dados estão no Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019, divulgado nesta terça-feira (25) pelo movimento Todos pela Educação em parceira com a Editora Moderna e traz dados organizados de acordo com as metas do PNE (Plano Nacional de Educação).

“É uma avanço estatisticamente significante, mas um avanço ainda tímido. O modelo que temos acaba fazendo com que adolescentes e jovens saiam da escola e, mesmo os que frequentam a escola, não veem um ambiente atrativo para seguir e encaixar a ideia de escolarização do ensino médio nos seus projetos de vida”, disse o coordenador de projetos do Todos pela Educação, Caio Callegari.

A conclusão do ensino médio na idade adequada ainda é um desafio, como mostram os dados do relatório. Em 2018, apenas 63,6% dos jovens de 19 anos matriculados concluíram o ensino médio. Em 2012, 51,7% dos jovens de 19 anos haviam concluído essa etapa do ensino.

Desigualdades

As desigualdades socioeconômicas e de raça têm peso no acesso ao ensino médio, como aponta o anuário. Em 2018, 75,3% dos jovens brancos de 15 a 17 anos estavam matriculados na etapa. Já entre os jovens negros da mesma faixa etária esse percentual era de 63,6%, uma diferença de quase 12 pontos percentuais.

O anuário mostra também as disparidades em relação à distribuição de recursos. Enquanto São Paulo recebe a maior média anual de recursos vinculados à educação por aluno, R$ 6,5 mil, o Maranhão está no outro extremo com R$ 3,5 mil por aluno ao ano.

“Boa parte das desigualdade educacionais está relacionada a desigualdade de financiamento tanto em relação a garantia de recursos mínimos quanto a gestão de recursos. Estamos dando menos recurso para quem tem que corrigir um passivo histórico de investimento em educação”, disse o coordenador de projetos do Todos pela Educação.

Professores

Em relação à formação dos professores a publicação mostra que desde 2012 houve aumento médio de cerca de cinco pontos percentuais no número de docentes com formação adequada para as disciplinas que lecionam.

Em 2018, 48,7% dos docentes dos anos finais do ensino fundamental, que vai do 6º ao 9º ano, tinham formação adequada. O dado representa um crescimento de 5 pontos percentuais em comparação a 2012. Já no ensino médio, essa taxa era de 56,3%, aumento de 5,4% no mesmo período.

“A última década foi marcada por avanços importantes, mas que de forma nenhuma desligaram a sirene de urgência de mudanças estruturais na educação brasileira. Ainda estamos muito distantes das metas estratégicas do PNE”, disse Caio Callegari

O Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019 usa como base dados do Ministério da Educação e traz análises sobre os temas das 20 metas do PNE que foi sancionado em 2014 e estabelece metas para melhorar a educação até 2024. (Agência Brasil)

Paula Belmonte fala a ministra sobre violência contra crianças e jovens

Em audiência com a ministra da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, Damares Alves, nesta quarta-feira (05), a deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) se emocionou ao falar da violência contra crianças. Ela lembrou o caso do garoto Rhuan Maycon da Silva Castro, de apenas nove anos de idade, que foi assassinado pela mãe e pela companheira dela em Samambaia (DF).

“Brasília chora porque não foi só o Rhuan que foi morto brutalmente. Também tivemos o caso de uma criança que foi pedir alimentação no vizinho e acabou morta, depois de apanhar muito”, disse.

Os casos de agressões a crianças têm sido noticiado cotidianamente pelos jornais.

“É muito sério o que está acontecendo com nossas crianças e jovens e só é possível dar segurança a elas a partir de duas bases: geração de emprego e educação”, afirmou

A deputada salientou que não se pode admitir que o povo passe fome.

“Não podemos aceitar que as políticas não conversem entre si – saúde, educação e justiça. Eu me coloco 100% para lutar por essa causa”, disse.

Brasil perde R$ 151 bilhões por ano com jovens entre 15 e 17 anos fora da escola

O custo de deixar os jovens fora da escola

Baixa qualificação limita renda e reduz produtividade do país

CASSIA ALMEIDA E DAVID BARBOSA* – O GLOBO

Fernanda Rodrigues da Silva, aos 32 anos, sonha se tornar médica. Mas ainda falta terminar o ensino médio. Aos 16 anos, ela abandonou os estudos para trabalhar e ajudar os pais, agricultores analfabetos. Agora, depois de trocar o interior do Ceará pelo Rio, vai conseguir terminar o ciclo, pois voltou a estudar no Ensino de Jovens e Adultos (EJA), no Colégio São Vicente de Paulo, no Rio.

— Quero fazer um curso técnico de enfermagem e depois faculdade de medicina. Só Deus sabe onde eu vou parar.

Se ela concretizar o plano, será um feito considerável num país que só 4% dos filhos de pais sem instrução conseguem chegar à universidade. Mas o atraso escolar de Fernanda e o de muitos outros jovens que abandonam os estudos antes de concluir o ensino médio tem um preço.

O Brasil perde R$ 151 bilhões por ano ao manter 15% dos jovens entre 15 e 17 anos fora da escola, ou 1,5 milhão de jovens. Há um custo para cada um deles, impedidos de ocupar vagas com maior renda apenas com o ensino fundamental. A conta inclui também os custos para o país de ter na sua população esses trabalhadores menos qualificados.

O resultado da evasão escolar na adolescência é que, dos 3,2 milhões de jovens que completam 18 anos a cada ano, 35% não terminam o ensino médio: o equivalente a 1,12 milhão nessa condição. O custo financeiro para o país é de R$ 135 mil para cada jovem que não se forma por ano.

As contas são do economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, Ricardo Paes de Barros, que coordenou um diagnóstico sobre a educação no país:

— O custo privado mais significativo para jovens é a perda de empregabilidade e renda.

PERDA DE OPORTUNIDADES

A estimativa leva em conta a perda de produtividade e competitividade do país com trabalhadores menos qualificados, mas também custos relacionados ao aumento da violência e à piora nas condições de saúde dos menos escolarizados.

— Ter 15% de jovens fora da escola é um prejuízo bilionário para o país e enorme para eles. É violação grave de direitos e um custo fenomenal para a sociedade. Depois a gente se pergunta por que não temos produtividade — afirma o economista.

Babá, Fernanda voltou aos estudos incentivada pelos patrões. Sempre trabalhou em serviços domésticos desde que saiu do Ceará.

— Nem procurava emprego no supermercado ou como recepcionista porque, sem ensino médio, sabia que não encontraria — diz Fernanda, moradora do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa.

No diagnóstico do Instituto Ayrton Senna, Paes de Barros mostra que, ao fim do ensino médio, o jovem aprende só dez pontos da escala do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O ideal era que alcançasse 50.

Pesquisas mostram que cada ano a mais de estudo faz a renda subir em 10%. Os que terminam o ensino médio ganham 40% mais em relação a quem tem fundamental.

Para Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a evasão na faixa etária de 15 a 17 anos não será resolvida apenas com política educacional. Há pressão socioeconômica para o jovem trabalhar, mesmo que a família incentive o estudo: — A questão econômica é prevalente. Quando vê a família necessitada, o jovem larga os estudos e vai trabalhar.

Precisamos conciliar política educacional com assistencial e de saúde. A gravidez na adolescência é outro problema.

Cara afirma que dificilmente o jovem volta a estudar depois que entra no mercado de trabalho. Só se perder promoção ou o emprego e perceber que precisa se formar para se ocupar novamente.

Foi o que aconteceu com Maria Paula Gomes, que deixou a sala de aula aos 18 anos, em 2017, e não voltou. Ela estudava no Largo do Machado, na Zona Sul do Rio, e havia acabado de se mudar para a casa dos avós, no Engenho Novo, na Zona Norte, para cuidar do avô doente. Não conseguiu conciliar os estudos e o trabalho como jovem aprendiz com a responsabilidade em casa, e trancou a matrícula. Desde a morte do avô, em julho, Maria pensa em se inscrever em um supletivo enquanto tenta arrumar um emprego formal.

— Já passei por um processo seletivo e me saí muito bem, mas outra pessoa conseguiu a vaga. Tinha o certificado de conclusão do ensino médio, eu não —lamenta Maria, que trabalha como garçonete e entrega panfletos.

PRODUTIVIDADE ESTAGNADA

Essa baixa formação atinge em cheio a economia do país. Segundo Fernando Veloso, economista da Fundação Getulio Vargas, a produtividade brasileira crescia 0,5% ao ano desde os anos 1980 e ficou estagnada na crise atual: — Universalizar a educação é uma agenda do século XX. Os países desenvolvidos conseguiram há décadas. O Brasil não fez e está despreparado para a nova agenda com uso de inteligência artificial. Tem que universalizar e ensinar novas habilidades.

Maria Lede Gomes, de 30 anos, está desempregada há três anos. Chegou ao Rio aos 17, fugindo do interior da Paraíba, da ameaça de abuso de um irmão mais velho. Mas logo engravidou. Com dois filhos, de 13 e 9 anos, cursa o EJA na tentativa de recuperar a renda perdida com a falta da escola. Quer um emprego para se mudar da Vila do João, no Complexo da Maré.

— Eu mal sabia o meu nome direito. Minha mãe tinha perdido meu registro. Com os estudos, me sinto mais segura para lidar com as dificuldades, até mesmo me abrir, me conhecer, ter minha identidade.

O vendedor ambulante Anísio Santana, de 33 anos, pai de dois filhos,deixou os estudos duas vezes: na quinta série e no supletivo, quando chegou à metade do ensino médio: — Não tinha mais tempo. Vendo água e cerveja no trem de meio-dia até a hora que dá. Minha esperança é voltar para ter um emprego com carteira. (*Estagiário sob a supervisão de Cássia Almeida)

VEJA TAMBÉM

http://www.pps.org.br/2019/05/17/ensino-publico-sob-risco-desperdicio-com-evasao-escolar-e-reprovacao-supera-cortes-na-educacao/

Carmen Zanotto manifesta preocupação com aumento do suicídio de crianças e adolescentes

Em audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, nesta quinta-feira (09), a deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania-SC) defendeu o aprofundamento do debate em torno do suicídio e da automutilação de crianças em adolescentes no País, em especial dos estados do Sul e Sudeste.

O debate foi sobre formas de prevenção do suicídio e automutilação de crianças e adolescentes.

Em sua fala, a parlamentar citou dados da Diretoria  de Vigilância Epidemiológica (Dive) de Santa Catarina  mostrando que, entre 2010 e 2015, 140 meninos e 404 meninas, com idades entre 10 e 14 anos, tentaram suicídio no estado. Destes, 23 morreram.

“Esses dados não são atuais, mas acendem a luz vermelha a respeito dessa questão, que merece a atenção de todos nós. Estamos muito preocupados com a gravidade desta situação”,  alertou, ao defender a consolidação de políticas públicas com ações preventivas e de apoio psicossocial inclusive na escola.

Estudos do Ministério da Saúde reforçam o alerta feito pela parlamentar. De acordo com a pesquisa, no período de 2011 a 2016, as tentativas de suicídio aumentaram mais de  200%. A maioria na faixa etária de 10 a 39 anos e na região Sudeste e Sul do país. As maiores taxas de óbitos por suicídio foram registradas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Durante o debate, nasceu a ideia de se criar uma frente parlamentar para tratar do tema no Congresso Nacional.

Na avaliação da deputada catarinense, a lei sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro que prevê que escolas passem a notificar caos de automutilação a conselhos tutelares é importante para que se tenham números mais precisos a respeito do deste dilema que não é apenas brasileiro.

Carmen Zanotto é autora de requerimento da audiência pública que provocou a discussão na Câmara  sobre a influência dos jogos virtuais em suicídios e automutilações de jovens.

OMS

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. É também a sétima causa de morte de crianças entre 10 e 14 anos de idade.

Carteira assinada: Empresas fecham 1,9 milhão de vagas para jovens em seis anos

Empresas fecham 1,9 milhão de vagas com carteira para jovens

Além do efeito da crise, grupo está mais inclinado a aceitar regimes flexíveis

Flavia Lima – Folha de S. Paulo

Uma análise mais aprofundada dos dados sobre o mercado de trabalho desde 2012 mostra que a oferta de vagas com carteira assinada caiu dramaticamente para um segmento bem específico: os mais jovens.

O número de vagas formais no setor privado entre jovens de até 24 anos recuou mais de 25% de 2012 a 2018. A redução de postos com carteira assinada no período foi de 1,9 milhão apenas nesse segmento.

O trabalhador mais jovem foi, de longe, o mais afetado pela crise, mostra o levantamento feito por Cosmo Donato, economista da LCA Consultores, com base nos microdados da Pnad, a pesquisa por amostra de domicílios do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O saldo de empregos com carteira assinada no grupo de pessoas com idade entre 25 e 44 anos também foi negativo, mas numa intensidade bem inferior — queda de 481,3 mil.

Acima dos 45 anos, o saldo de vagas formais foi positivo em quase 1 milhão.

Sem os jovens, o saldo de vagas no setor privado com carteira assinada — considerado o empregado por excelência— teria sido positivo no período em mais de 500 mil postos.

No geral, com pouca experiência e qualificação, os jovens formam o grupo que, historicamente, mais sofre em situações de instabilidade no mercado de trabalho.

Após uma das maiores recessões da história, a taxa de desocupação entre pessoas de até 24 anos fechou 2018 em 27,2% —bem mais do que o dobro da média registrada pelo mercado em geral, de 11,6%.

Especialistas identificam, porém, fenômeno ainda inicial que também pode explicar a queda na contratação formal no segmento: entre os jovens, em especial os mais escolarizados, haveria uma maior disposição a aceitar regimes de contratação mais flexíveis.

Seria uma forma de ganhar um pouco mais e, ao mesmo tempo, encontrar vagas com um perfil mais próximo às pretensões desse grupo.

Pesquisa do Datafolha de setembro do ano passado apontou que metade dos eleitores brasileiros até 24 anos prefere ser autônomo, com salários mais altos e pagando menos impostos, ainda que sem benefícios trabalhistas, a ter carteira assinada.

Na faixa seguinte, entre 25 e 34 anos, a opção pela autonomia foi ainda maior (55%). A preferência, no entanto, caía para 47% entre 45 e 59 anos e 46% acima de 60 anos.

Ramon Barreto, 24, é um desses jovens. Ele atua na área de marketing de eventos esportivos e passa pela primeira experiência como PJ (pessoa jurídica que presta serviços a uma empresa via contrato).

Barreto conta que participou de outros processos seletivos até tomar a decisão de aceitar a vaga sem carteira assinada e sentiu insegurança, pois não conhecia os trâmites para abertura de empresa e emissão de notas fiscais.

“Mas, colocando tudo na balança e pensando no que era bom para mim profissionalmente, meio que compensava não ter os benefícios da CLT.”

José Roberto Afonso, pesquisador do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), diz que a preferência efetiva do jovem pelo trabalho autônomo é uma hipótese que só pode ser testada em períodos de normalidade – algo descolado do que viveram os trabalhadores nos últimos anos.

Como mostram os números, muitos jovens estão, na verdade, desempregados. Outros podem ter sido levados pela situação de crise a aceitar vaga sem carteira.

Ainda assim, Afonso diz que, para além da pejotização —fenômeno mais antigo e desencadeado pela alta tributação no  mercado de trabalho—, já é possível identificar um processo novo e mais global, em que o trabalho é exercido sem  contrato, sem local definido e sem horário fixo, em um contexto no qual o corte por idade é fundamental.

“Há um trabalhador jovem com menor preferência por ser empregado CLT, pois pode optar por mais flexibilidade, em linha com as mudanças tecnológicas”, diz Juliana Damasceno, também economista do Ibre e coautora de textos sobre o tema com Afonso.

Após alguns meses trabalhando como PJ, Barreto diz que atuar como pessoa jurídica traz flexibilidade para todos os envolvidos.

“Eu tenho um horário acertado, mas, se eu consigo entregar as demandas, não existe a rigidez de ter que bater ponto.

Isso facilita para mim e para a empresa, que não tem um funcionário cumprindo horário por tabela e pode contar com o comprometimento do profissional para as entregas.”

Responsável pela pesquisa dos dados, Donato, da LCA, afirma que ainda é cedo para entender se a retomada do emprego decorrente da recuperação econômica levará os mais jovens a serem contratados novamente no regime CLT ou se as mudanças ocorridas na recessão têm caráter mais permanente.

“Ainda não dá para entender se os arranjos informais estabelecidos pelos mais jovens e seus empregadores no mercado de trabalho vieram para ficar”, diz Donato.

Bruno Ottoni, pesquisador da consultoria IDados, concorda. “Questões mais estruturais são mais difíceis de discutir. É cedo para falar de automação em um país como o Brasil”, afirma ele.

Após quatro anos de recessão e crise, não há, até agora, sinal de recuperação da formalidade, afirma João Saboya, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e especialista em mercado de trabalho.

“E, enquanto não houver crescimento econômico mais forte, não vejo sinal de recuperação da carteira assinada entre os mais jovens”, diz ele.

Do alto de seus 24 anos, Barreto afirma que, quando avalia a dinâmica do mercado de trabalho e as opções que têm sobre a mesa, acredita que existem chances de que volte a ter a carteira assinada. Mas a tendência mais forte, diz ele, é a flexibilização. (Folha de S. Paulo – 24/03/2019)