Coronavírus: Ex-deputada ítalo-brasileira relata situação de isolamento da Itália

Segundo Renata Bueno, “a população tem aceitado as orientações, mas está bastante apreensiva (Foto: Reprodução)

A ex-deputada ítalo-brasileira Renata Bueno, que está em Roma, relatou nesta quarta-feira (11) a situação de verdadeiro isolamento da Itália em virtude das medidas adotadas pelo governo do país para conter o avanço do coronavírus/Covid-19. De acordo com ela, o governo italiano acaba de anunciar o bloqueio total do país para o combate contra a doença.

“O governo já havia fechado escolas e universidades, além de proibir eventos com agrupamento de pessoas. Logo em seguida veio o decreto determinando o fechamento de bares e restaurantes, e hoje (11), houve o bloqueio total do comércio, indústrias e de circulação de pessoas”, conta a ex-parlamentar.

A rápida e intensa contaminação afetou grande parte da população italiana, sendo que hoje mais de 12 mil pessoas estão certificadamente contaminadas.

“Tudo aconteceu em aproximadamente 15 dias, se espalhando muito rapidamente em pequenas cidades próximas de Milão, tomando conta do Estado da Lombardia e, após tentativa do governo em isolar o Estado Lombardo, fazendo com que milhares de pessoas fugissem para cidades do centro e sul do país, onde estão os familiares e residência de origem. Foi então, que houve a preocupação da contaminação generalizada por todo o território nacional”, relata.

Segundo Renata Bueno, “a população tem aceitado as orientações, mas está bastante apreensiva em ter que mudar radicalmente seu dia-a-dia e comportamento”. A previsão é de que as novas regras sigam até dia 3 de abril, quando se espera vencer a batalha contra o vírus. “Caso contrário, a restrição para os cidadãos será estendida” diz a ex-deputada, que tem mantido contato com autoridade brasileiras e italianas para repassar informações aos brasileiros que residem no país. (Site Cidadania do Paraná)

Renata Bueno vê com desconfiança o novo governo de coalizão na Itália

Renata Bueno vê com desconfiança o novo governo de coalizão na Itália

Aliança entre dois partidos rivais e ausência de um novo programa de governo põe em risco o futuro político e econômico do País, afirma a ex-deputada.

Oriundi.net

A aliança firmada entre o Movimento 5 Estrelas (M5S) e o Partido Democrático (PD), com o retorno de Giuseppe Conte como primeiro-ministro, solução apresentada ao presidente Sergio Mattarella, visando a formação de um novo Governo de coalizão, envolve dois partidos que até então eram os principais rivais no Parlamento, o que gera forte desconfiança em relação ao futuro político e econômico da Itália. A opinião é da advogada ítalo-brasileira Renata Bueno, ex-deputada no Parlamento italiano, eleita pela circunscrição América do Sul.

Entre as questões urgentes a serem afrontadas pelo próximo Governo e que colocará à prova a nova maioria política recém definida, Renata Bueno cita a Legge di Bilancio 2020, documento contábil programático, através do qual o Governo precisa comunicar quais serão as entradas e as despesas públicas previstas para o ano seguinte, quais medidas pretende adotar, além de quantificar os recursos que serão empenhados para que se cumpram as deliberações aprovadas pelo Parlamento.

“O Governo tem até 31 de dezembro de 2019 para obter a aprovação definitiva do projeto de lei e ter o texto publicado na Gazeta Oficial (Gazzetta Ufficiale)”, salienta a advogada que se diz preocupada com o porvir do acordo firmado entre os dois partidos opositores.

Nesta direção, Renata Bueno lembra que, nos últimos seis anos, desde que o Movimento 5 Estrelas passou a ocupar espaço no quadro político italiano, a relação com o Partido Democrático sempre foi a pior possível e primou por ataques de ambas as partes.

Ainda segundo a ex-deputada, “imaginar uma aliança entre o Partido Democrático e o 5 Estrelas para a formação de um governo que atenda às necessidades do país pode até ser aceito. No entanto, ver Giuseppe Conte ser reposto como chefe de governo para implementar as políticas do Movimento 5 Estrelas, como disse Luigi Di Maio, significa que o Partido Democrático, junto com aqueles que estão criando uma nova maioria, não estão propondo um novo programa de governo, mas simplesmente estão apoiando a continuidade da prática política falimentar do Movimento 5 Estrelas”.

VEJA AQUI NO SITE DO ORIUNDI.NET

Eliane Cantanhêde: Lava Máfia

Depois de anos de estranhamento, Brasil e Itália retomam as relações a todo vapor, principalmente no combate ao crime organizado, e comemoraram ontem o sucesso da operação da Polícia Federal que prendeu em São Paulo dois importantes líderes mafiosos, Nicola e Patrick Assisi, pai e filho, os “fantasmas da Calábria”.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, comemoraram a operação impecável, o desfecho e a sinalização para brasileiros e para o mundo: “O Brasil não deve ser refúgio para criminosos”, declarou Moro. “O Brasil não é paraíso de mafioso”, disse Valeixo, sem precisar lembrar dos filmes estrangeiros em que o bandido, de camisa florida, foge, feliz, para o Brasil.

Moro e Valeixo se reuniram com o procurador Antimáfia e Antiterrorismo da Itália, Federico Cafiero, que gravou vídeo recheado de elogios à PF brasileira. Bem… o fato de ser bem às vésperas da votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara deve ser mera coincidência. Policiais da PF, da PRF, da Polícia Legislativa e da Polícia Civil pressionam o Congresso por uma aposentadoria camarada, equiparada à dos militares.

Sob pressão, por conta dos diálogos com procuradores divulgados pelo site The Intercept Brasil, Moro estava todo saltitante ontem (na medida em que o contido Moro consegue ser saltitante), talvez por, enfim, inverter a pauta. Segundo ele, Nicola Assisi é “um dos maiores traficantes de cocaína do mundo” e a operação da PF foi impecável, merece todos os elogios.

Valeixo endossa: “Foram meses de trabalho, de levantamento, apuração, checagem”, contou, particularmente satisfeito porque seus agentes conseguiram driblar o sofisticado sistema de segurança dos dois mafiosos, surpreendê- los e prendê-los sem que tivessem tempo de correr para o esconderijo do apartamento. E sem troca de tiros, mortos e feridos.

Os alvos ocupavam três apartamentos duplex, com câmeras de monitoramento de última geração, e mantinham em casa um velho hábito de mafiosos na Itália: um cômodo com paredes reforçadas, antirruído e dissimuladas atrás de armários. Tinham, também, em torno de R$ 1 milhão, em dólares, euros e reais; 4 kg de cocaína pura e armas. Mas nada disso foi suficiente para escaparem da PF, que atuou em conjunto com a inteligência italiana.

Ao mover mundos e fundos para manter o terrorista Cesare Battisti no Brasil, contra a opinião de juristas e de pareceres do Ministério da Justiça e do Itamaraty, os governos do PT geraram irritação não apenas no governo e nas instituições italianas, mas também da própria opinião pública do país, sempre tão simpática ao Brasil e aos brasileiros. Os ventos mudaram, Battisti foi cumprir pena no país dele e os acordos e ações de cooperação deslancharam.

Vale dizer que, sem uma ampla e intensa rede de cooperação mundo afora, a PF e o Ministério Público jamais teriam conseguido ir tão longe na Lava Jato, rastreando contas, depósitos, desvios. Foi graças à troca de informações com EUA e países da Europa, da Ásia, do Caribe e da América do Sul que a operação reconstituiu, por exemplo, todo o complexo e tortuoso caminho dos reais, dólares e euros da Odebrecht.

Quanto mais globalizado o mundo, mais difícil fica para doleiros e mafiosos. Nicola Assisi, foragido desde 2014, passou por Portugal e Argentina antes de se instalar no Brasil. Sua extradição já está assinada. A Itália e o combate ao crime transnacional agradecem.

Sob o olhar preocupado das nações democráticas, pelas manifestações sobre meio ambiente, armas, radares, trabalho infantil, o Brasil ganha enfim boas manchetes na Itália. Não passou a mão na cabeça de criminoso, nem foi só para inglês ver. (O Estado de S. Paulo – 09/07/2019)

Confissão de Cesare Battisti desmoraliza o PT, diz Rubens Bueno

O deputado federal Rubens Bueno (Cidadania-PR) afirmou nesta segunda-feira (27) que o PT foi desmoralizado com o depoimento à Justiça italiana do terrorista Cesare Battisti. Ele confessou que foi responsável pelo assassinato de quatro pessoas na década de 1970, quando militava no grupo Proletários Armados pelo Comunismo. Disse que até então alegava inocência para conseguir refúgio em outros países.

“O que Lula e o PT terão a dizer agora com a confissão de assassinatos pelo terrorista Cesare Battisti? Eles concederam refúgio político ao criminoso e o defendiam abertamente em todos os fóruns no Brasil e pelo mundo afora. Eu sempre alertei, sempre defendi a extradição do terrorista, mas eles não quiseram ouvir. Agora, fica a desmoralização para o PT”, afirmou o deputado.

O italiano fugiu do País na década de 1980, passou por França e México, e em 2004 veio para o Brasil, onde vivia na clandestinidade até ser preso em 2007. No entanto, o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lhe concedeu o status de refugiado político.

“Espero que esse caso sirva de lição para o PT e possa fazer o partido repensar, entre outras coisas, sobre o apoio que deu e continua dando ao regime ditatorial e sanguinário de Nicolás Maduro na Venezuela”, disse o deputado.