Em nota, Igualdade 23 repudia ataques racistas contra Seu Jorge

Para a coordenação do coletivo, não há justificativa para as agressões ao cantor

A Coordenação do Coletivo Igualdade 23 do Cidadania divulgou nota pública (veja abaixo), nesta quarta-feira (19), na qual repudia ‘os ataques racistas contra o cantor Seu Jorge, em Porto Alegre (RS), ocorridos na última sexta-feira (14), durante um show do artista em clube da cidade.

“Ainda que fique provado, o que Seu Jorge nega, que a violência tenha sido desencadeada após manifestações político-partidárias, não há justificativa para os ataques”, diz trecho do texto.

A nota também chama atenção para o fato de o País já ter arcabouço jurídico para punir casos de racismo, e para que esse caso ‘sirva de incentivo ao combate ao racismo e violências correlatas, ocorram com qualquer pessoa e em qualquer lugar do Brasil’.

“O racismo à brasileira é persistente e desconhece reputações, condição social ou carismas

Os ataques racistas contra o cantor Seu Jorge em Porto Alegre ocorridos na última sexta-feira, 14, demonstram o quanto essa chaga social é persistente e incomodamente diversificada no país, ou seja, atinge pessoas de diversas classes socias, gente simples, de classe média e até personalidades de reconhecida reputação e carisma social como o caso do artista, cantor e ator, amado por muitos públicos.

Ainda que fique provado, o que Seu Jorge nega, que a violência tenha sido desencadeada após manifestações político-partidárias, não há justificativa para os ataques. Sabidamente, é bastante usual que ícones das artes se manifestem publicamente sobre suas preferências ideológicas, sem que isso legitime virulência por parte do público onde quer que seja.

Até aqui é animadora a reação da direção do Grêmio Náutico União, palco do triste episódio, que prometeu tomar todas as providências cabíveis para que o assunto não fique na impunidade nas estatísticas.

Apesar disso, gera suspeita a informação de que os administradores do local apagaram todas as fotos e vídeos que envolviam a apresentação do cantor.

Entra em cena a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, instituição a quem cabe as investigações via inquérito para apurar as denúncias de racismo contra Seu Jorge.

O que vem sendo veiculado é que parte do público ofendeu o cantor o comparando a um “macaco”, insulto acompanhado de imitações corporações, segundo testemunhas do ocorrido.

É instigante a propósito desse fato recordar que a primeira lei contra a discriminação racial brasileira, a Afonso Arinos, teve a tramitação e aprovação impulsionada pelo caso de racismo contra uma bailarina negra. Katherine Dunham, afro-americana, impedida de se hospedar em um hotel em São Paulo devido à sua cor de pele, em 1951.

Não esperamos que o desrespeito a essa estrela das artes, nesse caso um brasileiro, Seu Jorge, se traduza em nova legislação. Já temos suficiente arcabouço para punir casos assim. Clamamos que o imbróglio sirva de incentivo ao combate ao racismo e violências correlatas, ocorram com qualquer pessoa e em qualquer lugar do Brasil.

Coordenação do Coletivo Igualdade 23 do Cidadania

Igualdade de Minas Gerais luta pela defesa de vítima de racismo e homofobia

O Igualdade 23 de Minas Gerais lamenta o ocorrido com Graziele Campos, vítima de racismo e homofobia em suas redes sociais. O coordenador do núcleo no estado, Kennedy Vasconcelos, ao tomar conhecimento do caso, procurou ajudá-la para garantir proteção e justiça.

“Diante do que ela passou, com críticas referente à sua cor, e na tentativa de desqualificá-la como ser humano, como mulher, fizemos uma grande mobilização, envolvendo as mídias locais e do estado, e buscamos apoio jurídico e acompanhamento na delegacia”, conta Kennedy.

Segundo o coordenador, a ação também uniu movimentos de igualdade, mulheres e direitos humanos.

“Estamos cobrando a delegacia especializada em crimes cibernéticos e a delegacia da mulher para dar celeridade à apuração do caso e condenar o agressor. Ninguém cala uma voz preta.”

Movimento Negro Partidário apoia ação do Educafro contra Avel e XP por discriminação

Em nota divulgada nesta quarta-feira (25), o Movimento Negro Partidário (MNP), que congrega setoriais de igualdade de diversos partidos, entre eles o Cidadania, manifestou apoio à decisão da Educafro de acionar judicialmente as corretoras Avel e XP Investimentos por “flagrante atitude discriminatória” na contratação de colaboradores e funcionários.

As instituições se viram em meio a uma série de críticas após uma foto da equipe composta inteiramente de homens brancos viralizar nas redes sociais. Para o MNP, com a ação, o Judiciário poderá finalmente se posicionar sobre a não observância da diversidade nas contratações públicas e privadas.

O coletivo também reitera apoio ao Projeto de Lei  5875/2019, de autoria da deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), que estabelece mecanismos de combate ao racismo estrutural.

Clique abaixo para a íntegra da nota: