Por requerimento de Eliziane Gama, Senado vai homenagear centenário da Assembleia de Deus no Maranhão

Igreja “atua de forma valorosa em diversas causas sociais em prol dos menos favorecidos”, diz senadora (Foto: Pedro França/Agência Senado)

O Senado aprovou, nesta quinta-feira (6), a realização de uma sessão especial para homenagear os 100 anos da igreja Assembleia de Deus no Maranhão. O requerimento para a homenagem foi apresentado pela líder do Cidadania na Casa, senadora Eliziane Gama (MA), e apoiada por outros senadores.

Segundo Eliziane Gama, as atividades da igreja foram iniciadas no estado pelo pastor Clímaco Bueno Aza, enviado ao estado pela igreja-mãe, de Belém (PA).

A senadora também destacou que, além de prestar assistência religiosa, a Assembleia de Deus “atua de forma valorosa em diversas causas sociais em prol dos menos favorecidos”. (Com informações da Agência Senado)

Eliziane Gama repreende Amilton Gomes na CPI e diz que relação do governo Bolsonaro com igreja é ‘promíscua’

Para a senadora, depoente da CPI da Pandemia mancha a imagem de pastores Brasil afora realmente dedicados à missão evangelizadora (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (Cidadania-MA),  repreendeu nesta terça-feira (3), no retorno dos trabalhos da CPI da Pandemia, o autointitulado reverendo Amilton Gomes, que mentiu e omitiu informações durante o depoimento à comissão sobre a intermediação da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitárias) na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde.

Filha de pastor, a parlamentar do Cidadania observou que o presidente Jair Bolsonaro e pessoas como o reverendo estabeleceram uma relação promíscua entre governo e Estado, e disse que a postura de Amilton mancha a imagem de pastores Brasil afora realmente dedicados à missão evangelizadora

“Temos hoje centenas de pastores no Brasil que, com todo respeito ao senhor, não têm essa postura. A gente percebe claramente que o senhor mente e omite em algumas situações. O que estamos vendo ultimamente é que, em nome de Deus, se propaga o armamento; em nome de Deus, se propaga a perpetuação da doença; em nome de Deus, em vez de se buscar, por exemplo, a vacina, se obstruía a busca por vacinas. Não basta pegar numa Bíblia ou ir à Igreja como o presidente da República faz. Ser a imagem e semelhança de Cristo não é isso”, protestou.

Eliziane Gama se disse triste com a atuação do reverendo e registrou como ela difere da postura de seu pai e dos milhões de evangélicos brasileiros.

“Fico pessoalmente muito triste pela sua posição. Lhe digo isso porque meu pai é pastor há mais de 40 anos. Quando eu nasci, ele já era pastor. E eu sei o que é um pastor, um ministro, sei o que é a luta e o que eles representam pra uma sociedade. No início do Ministério dele, meu pai andava 10 quilômetros pra realizar um culto, nas condições mais insalubres que se possa imaginar. Então esse é o pastor que eu conheço, que eu aprendi a respeitar”, argumentou.

A senadora ainda defendeu o Estado laico e sustentou que é preciso respeitar a separação entre Igreja e governo, junção que resultou, na Idade Média, na Santa Inquisição e na morte de mais de 100 mil pessoas, entre homens, mulheres e crianças. As Igrejas, pontuou, podem e devem ajudar na execução de políticas públicas, de responsabilidade do Estado.

Segundo ela, “não adianta  ir na igreja, pegar um bíblia e falar de Deus igual o presidente faz” mas é preciso também ter ações de fé.

“Seu ministério caiu em descrédito”, disse Eliziane Gama.

“Milhares de pastores e reverendos levam muito a sério a missão que receberam”, disse.

 Eliziane Gama concluiu sua participação na sessão de hoje da CPI lendo uma passagem bíblica como um recado ao reverendo e um desagravo aos evangélicos.

“Quero finalizar deixando para o senhor 2 Coríntios 6:3, que diz o seguinte: ‘Não damos motivo de escândalo a ninguém, em circunstância alguma. Para que o nosso Ministério não caia em descrédito’. O seu Ministério caiu em descrédito, senhor reverendo. Preciso fazer esse registro em nome de 30% evangélicos desse país e por milhares de pastores e reverendos que, assim como meu pai, levam muito a sério a missão que receberam. O senhor tem uma responsabilidade dupla como cidadão e como pastor, de ser de fato uma diferença na sociedade brasileira”, cobrou.

‘Usado’ pela Davati

Amilton Gome disse que mandou um e-mail pedindo com urgência uma reunião com a SVS (Secretara de Vigilância em Saúde) do Ministério da Saúde. E, mesmo antes de receber qualquer resposta, foi à SVS para participar do encontro.

“Não dá para acreditar”, reagiu Eliziane Gama.