Daniel Coelho contesta discurso de que houve fraude nas eleições

O deputado Daniel Coelho (Cidadania/PE) repudiou,  em discurso no plenário da Câmara, na tarde desta quarta-feira (18), o discurso de que houve fraude nas eleições municipais do primeiro turno deste ano. “Não posso me calar ao perceber que uma meia dúzia ataca a democracia brasileira”, afirmou o parlamentar.

Segundo o deputado, os que defendem essa posição ocupam os seus canais de comunicação para divulgar suas teses. Coelho disse ainda que aqueles que “foram eleitos e fazem esse discurso deveriam renunciar porque perdem a legitimidade”.

O deputado do Cidadania disse que não é contra investigação ou auditoria, mas lembrou a necessidade de elementos e “não vamos atacar a democracia que formou esta Casa”. De acordo com o parlamentar, a democracia vem promovendo  alternância de poder, elegendo presidentes de diferentes matizes ideológicos.

“A impressão que tenho é que essa minoria que contesta os resultados das eleições acredita que o processo eleitoral só funciona quando ela é vencedora. Se não for assim, se voltam contra o processo e dizem que tudo estava errado, que teve fraude”, destacou o deputado.

Roberto Freire: Brigada Candido Portinari, o espírito do PCB na campanha de 1978 em Pernambuco

O amigo Rafael Parente sugeriu a excelente “Portinari of Brazil” (Portinari do Brasil), exposição que o artista plástico Candido Portinari, um dos grandes nomes da história, estreava há 80 anos no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York, nos Estados Unidos. Em celebração à data, o Google Arts trouxe aquela experiência de volta, colocando à nossa disposição na rede a história daquele momento e obras como “Morro”, “Cena gaúcha” e “Jangadas do Nordeste”. Vale a visita neste link: Google Arts – Candido Portinari no MoMA.

A exposição me trouxe à memória um dos momentos marcantes da minha carreira política. Era 1978. Eu era candidato a deputado federal por Pernambuco e o grande Guri, Hugo Martins, meu companheiro de chapa como candidato a deputado estadual. Eu havia estado no Chile não tinha muito tempo. Lá, assisti às campanhas do Partido Comunista Chileno em que Salvador Allende, ainda antes de concorrer à presidência daquele país, participava.

Os chilenos formavam, para a disputa, o que chamavam de brigadas, reunindo artistas de diversas áreas. Pintavam muros, faziam shows e instalações em apoio a causas e candidatos. Inclusive uma família de artistas famosos ligada à esquerda tinha o seu próprio grupo: a Brigada de Los Parra. Violeta Parra já havia morrido, mas era o principal expoente artístico da família.

Resolvemos importar e reproduzir aquela iniciativa em Recife, cidade sempre muito à frente do nosso tempo. Chegamos, nos reunimos com alguns artistas que abraçaram a nossa causa e criamos a Brigada Candido Portinari. Estávamos no MDB, mas éramos, na verdade, PCB, o partidão, que ainda estava proscrito, na clandestinidade.

Fizemos atos, reuniões, intervenções, pintamos muros com artistas como o grande pintor João Câmara, Luciano Pinheiro, Zé Cláudio, o escultor Cavani Rosas, o cartunista Clériston, entre outros artistas plásticos de Recife e Olinda. Começava como um happy hour, sempre no finalzinho da tarde, e se tornava point dos boêmios, de toda sorte de gente de alma leve e sede de mudança e liberdade. Viramos notícia. Apareceu aí denúncia de um deputado estadual de que a Brigada Candido Portinari, ou BCP, era propaganda subliminar do PCB, invertendo a sigla do Partido Comunista Brasileiro.

Errado não estava, pois éramos mesmo comunistas. Tal como fora Portinari, que chegou a se candidatar, pelo PCB, a deputado federal e a senador na década de 1940. A bela obra do artista inclusive fala por suas preocupações. A ira daquele deputado, no entanto, é que nos serviu de publicidade: viramos um dos eventos mais marcantes da campanha em Recife e Olinda em 1978.

Enfim, vejam no Google Arts a exposição de Portinari, que faria 117 anos em 29 de dezembro deste ano. Um deleite. Aqui, ilustro a publicação com o quadro “O Morro”, o responsável pela ida dele ao MoMA e obra que pertence à coleção permanente do museu até hoje.

Roberto Freire, ex-deputado, ex-senador e ex-ministro da Cultura, é presidente Nacional do Cidadania

Roberto Freire recebe visita do presidente do Cidadania-MG

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, recebeu, nesta quarta-feira (11), a visita do presidente estadual do partido em Minas Gerais, o deputado estadual João Vitor Xavier. Na visita, o vereador de Belo Horizonte, Pedro Bueno, se filiou ao partido. João Vitor afirmou que o Cidadania está crescendo no estado de Minas Gerais e já possui mais de 100 pré-candidaturas confirmados.

“Viemos consolidar o projeto que o partido está construindo no estado e prestar contas ao presidente Roberto Freire do trabalho que estamos fazendo por lá. Estamos muito animados com o que estamos construindo. Candidaturas importantes em cidades importantes como a prefeitura de Belo Horizonte e agora candidatura própria em Contagem, segunda cidade mineira mais importante”, observou.

Já o vereador Pedro Bueno destacou os motivos que o levaram a se filiar ao Cidadania e enalteceu o papel desempenhado por Freire na política nacional. “Tenho em Freire uma referência de uma figura pública e histórica que participou da Constituinte e que tem um projeto muito bem definido. Encontro no Cidadania um projeto que tem consonância com o que acreditamos”, afirmou.

2º Encontro de Coordenadores Regionais do Cidadania do Paraná tem orientações e debate sobre eleições

Evento reuniu coordenadores e lideranças do partido em Campo Mourão (Foto: Reprodução/Cidaddania-PR)

Coordenadores e lideranças do Cidadania do Paraná, dentre eles pré-candidatos a cargos eletivos nas eleições municipais de outubro, estiveram reunidos neste sábado (7), em Campo Mourão. O 2º Encontro dos Coordenadores Regionais do partido definiu as últimas metas do partido no estado para o pleito de 2020, esclareceu dúvidas sobre a nova legislação eleitoral e debateu a conjuntura política estadual e nacional.

Durante a programação, com explanações de todos os coordenadores regionais sobre pré-candidaturas nos municípios paranaenses, o presidente estadual do partido, deputado federal Rubens Bueno, incentivou novas filiações, visando o fortalecimento da legenda dentro de um processo de reestruturação e planejamento para pleito.

“Com um partido forte, organizado e muito trabalho poderemos fazer muito mais”, disse Rubens Bueno, que também falou sobre a conjuntura política atual nas esferas estadual e federal.

Ao final do encontro, Rubens Bueno prestou homenagem às mulheres pelo Dia Internacional da Mulher celebrado neste domingo (8).

Cidadania lança vídeo em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

“A gente trabalha para que as mulheres brotem no bailão da democracia nas eleições de 2020” é o tema do vídeo (veja abaixo) que o Cidadania lançou nas redes sociais em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, que este ano será comemorado no próximo domingo (8).

“Se o poder insiste em ser masculino, advinha, a mudança é feminina”, diz a locutora da peça que tem roteiro inspirado no sucesso de “Tudo Ok”.

Luiz Carlos Azedo: A coerência de Bolsonaro

Nas entrelinhas

“O bolsonarismo tem certos antecedentes históricos, mas é um fenômeno único, que não seria possível sem a quebra de paradigmas da política, a crise ética e a emergência das redes sociais”

Ninguém tem o direito de dizer que se enganou com o presidente Jair Bolsonaro. A característica mais marcante de seu primeiro ano de mandato é a coerência com o discurso de campanha. Esse entendimento vale para seus apoiadores e para a oposição. Pela primeira vez, temos um governo assumidamente de direita, que tirou do armário uma parcela do eleitorado que andava enrustida e desorganizada, mas que agora se articula nacionalmente, em torno do clã Bolsonaro, e está constituindo um novo partido, a Aliança pelo Brasil, que já conta com 100 mil filiados.

Uma direita orgânica, de caráter nacional, sem vergonha de mostrar a própria cara, é um fenômeno raro no Brasil. Temos a Ação Integralista Brasileira, de Plínio Salgado, na década de 1930, liquidada por Getúlio Vargas, no Estado Novo, após uma tentativa frustrada de tomada do poder, em 1938. A antiga UDN era mais heterogênea, surgiu como uma frente democrática, em São Paulo, inclusive com a participação dos comunistas, antes de se transformar no partido conservador e golpista que marcou a Segunda República. A vertente da UDN mais próxima do bolsonarismo foi o lacerdismo, no Rio de Janeiro, um movimento da classe média carioca liderado pelo então governador da antiga Guanabara, Carlos Lacerda. Na transição à democracia, o que mais poderia se aproximar do bolsonarismo é o malufismo, um fenômeno paulista, em decorrência da penetração popular do ex-governador Paulo Maluf, que nunca teve um caráter orgânico nem nacional.

Podemos concluir que o bolsonarismo tem certos antecedentes históricos, mas é um fenômeno único, que não seria possível sem a quebra de paradigmas da política, a crise ética e a emergência das redes sociais. Sem isso, não seria possível a Jair Bolsonaro ter feito com êxito um movimento contrário ao de seus antecessores, que buscaram apoio político entre as forças do centro, como Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, pela via dos governos de coalizão. Bolsonaro desprezou as alianças partidárias, prestigiou apenas os setores do Congresso que o apoiaram nas eleições, como evangélicos, ruralistas e a “bancada da bala”. Desprezou até mesmo o partido pelo qual se elegeu, o PSL, que contava com a segunda maior bancada na Câmara, com 41 deputados, muitos dos quais policiais e militares.

A criação da Aliança pelo Brasil é uma jogada que não deve ser subestimada, pois visa à criação de um partido de massas, de caráter nacional, com uma doutrina reacionária e ligações internacionais. De certa forma, essa foi a decisão mais audaciosa que Bolsonaro tomou no plano estritamente político, nesse primeiro ano de mandato. É uma aposta estratégica para a sua própria reeleição. Sua base social é formada pelos segmentos que o apoiam incondicionalmente, como militares, policiais, caminhoneiros, garimpeiros, evangélicos pentecostais, ruralistas e milicianos. Não formam a maioria do eleitorado, mas têm grande capacidade de mobilização e identidade programática com a nova legenda.

Lava-Jato

É para esses segmentos que a ala ideológica do governo trabalha, mas é um erro supor que somente esses setores estão sendo atendidos pelo governo. O meio empresarial aposta no sucesso de Bolsonaro, por causa da política ultraliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes; e também setores de classe média, insatisfeita com a violência urbana e a crise ética na política. São setores que não têm a mesma afinidade ideológica com Bolsonaro, mas foram decisivos para sua eleição por causa do seu antipetismo. É com essas forças que Bolsonaro conta para neutralizar a oposição no Congresso e na opinião pública. Graças a isso, vem mantendo a avaliação de seu governo na faixa dos 30% de bom e ótimo, 32% de regular e 36% de ruim e péssimo. Se o governo não descarrilar, isso significa presença garantida no segundo turno das eleições.

Quanto a isso, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, passou a ser uma peça-chave no jogo político, pois encarna a bandeira da ética no governo, mas goza de mais prestígio popular do que Bolsonaro e com ele vem tendo uma relação cada vez mais conflituosa. A questão que mais tensiona a relação entre ambos é o caso Fabrício Queiroz, uma investigação que envolve o senador Flávio Bolsonaro (RJ), filho do presidente da República, de quem era assessor parlamentar. No momento, o maior estresse entre ambos ocorre porque Bolsonaro não vetou a criação pelo Congresso do chamado “juiz de garantia”, que Moro critica, porque, no seu entendimento, favoreceria a impunidade para os crimes de colarinho branco. Defendida por advogados e a maioria dos políticos, a medida é polêmica e enfrenta forte oposição de procuradores e juízes de primeira instância, com o agravante de que teria havido um acordo com o governo no Senado para que a proposta fosse vetada, em troca da aprovação ainda neste ano do pacote anticrime negociado na Câmara.

O assunto esquentou no final do ano porque dois partidos, Podemos e Cidadania, questionam a constitucionalidade da nova lei no Supremo Tribunal Federal (STF), que também está sendo muito pressionado pela opinião pública. A mesma pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra que 39% dos consultados avaliam a atuação do Supremo como ruim ou péssima, enquanto somente 19% dos brasileiros a consideram ótima ou boa. Para 38%, o trabalho da Corte é regular; outros 4% disseram não saber avaliar.Também há insatisfação com o Congresso, que tem 14% de bom/ótimo, 38% de regular e 45% de ruim/péssimo. (Correio Braziliense – 30/12/19)