Alessandro Vieira aponta contradições e enquadra Blanco em depoimento na CPI

Coronel criou empresa e passou a intermediar negócios entre o antigo local de trabalho no Ministério da Saúde e vendedores suspeitos de vacina, como o PM  Luiz Paulo Dominguetti Pereira, da Davati Medical Supply (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

O líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira (SE) demonstrou nesta quarta (4), durante depoimento à CPI da Pandemia do tenente-coronel Marcelo Blanco, ex-assessor do Delog (Departamento de Logística) do Ministério da Saúde, que o militar abriu uma empresa, a Valorem Consultoria em Gestão Empresarial, que tinha entre suas atribuições o mercado de saúde – ou seja, o que ele fazia no antigo emprego.

Blanco dizia ter como atuação a área de educação financeira. Ao ser confrontado pelo senador, que teve acesso ao cadastro da Valorem,  o coronel admitiu que a empresa podia sim atuar na área  de saúde, o que, segundo ele, foi possível, com um ajuste contábil nas finalidades da empresa.

“O senhor participa de diversas reuniões online, e troca diversas ligações, com um bando de criminosos, estelionatários, que queriam receber vantagem financeira numa negociata com o Ministério da Saúde, exatamente com o setor do qual o senhor fez parte. Aí o senhor altera a configuração de sua empresa para adequá-la à negociata do qual o senhor estava participando”, afirmou Alessandro Vieira.

Cara-de-pau

“E o senhor tem a cara-de-pau de vir para essa CPI para se apresentar como uma pessoa que, de boa vontade, apenas fez uma interface” [entre o Ministério da Saúde e inmtermediários de vacinas]. É zombar da inteligência das pessoas. Deve achar que somos um bando de patetas”, completou Alessandro Vieira.

Marcelo Blanco, que fazia parte da equipe militar montada pelo general Eduardo Pazuello, então ministro da Saúde, foi exonerado em janeiro passado e imediatamente passou a intermediar a compra de vacinas.

Com a empresa já criada, o coronel Blanco teve o já mencionado jantar, em um shopping de Brasília, com os demais personagens do caso, entre eles seu ex-chefe, o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, e o atravessador e policial militar Luiz Paulo Dominguetti Pereira, da Davati Medical Supply.

Foi Blanco quem apresentou Dias a Dominguetti. Para a CPI, o coronel é visto como um dos elos entre o grupo que agia a partir do ministério e as intermediárias de venda de vacinas. Apesar de afirmar não ter se esforçado para que as tratativas avançassem, o coronel realizou 108 ligações para Dominghetti num espaço de 30 dias, sendo 64 com sua iniciativa.

“E o senhor foi incapaz de perceber que ele era um estelionatário?”, questionou o senador.

‘Comissionamento’

Em depoimento anterior à CPI, Cristiano Carvalho, também da Davati, disse que Dominguetti comentou com ele sobre um pedido de “comissionamento” do “grupo do Blanco”, feito durante o jantar. Também à comissão, Dominguetti disse que o “comissionamento” viria com o pagamento de propina de US$ 1 por dose, num lote de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca negociado com a Davsti. As vacinas nunca existiram, mas a negociação suspeita e o pedido de propina, para a CPI, foram bem reais.

Narrativa de Roberto Dias sobre negociação para compra da Covaxin ‘não convence’, diz Eliziane Gama

Para senadora, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde deu a entender em depoimento à CPI da Pandemia que aceitou tratar formalmente de negociações para a aquisição da vacina indiana (Foto: William Borgmann)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (MA), disse que o depoimento do ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, à CPI da Pandemia nesta quarta-feira (07) não foi convincente ao dar a entender que aceitou tratar formalmente de negociações para a aquisição de vacinas da Covaxin, quando ainda era diretor do Ministério da Saúde, a partir de encontro no restaurante Vasto em Brasília, em 25 de fevereiro, de forma inesperada para ele.

“O senhor não acha coincidência demais? O senhor vai a um shopping num restaurante, com um amigo [José Ricardo Santana, ex-secretário executivo da diretoria de regulação do Mercado de Medicamentos da Anvisa] que tem expertise exatamente nessa área. Lá o senhor encontra por acaso um negociante oferecendo 400 milhões de vacinas ao lado de um ex-assessor seu [o coronel Marcelo Blanco]. Um negócio de R$ 30 bilhões. É muita coincidência, e o negociante [Luiz Paulo Dominghetti] estava hospedado num hotel em frente ao shopping e já havia apresentado propostas à pasta. E tudo é agendado rapidamente para que o senhor receba essa pessoa no dia seguinte no ministério. Não consigo acreditar na sua versão, me desculpa”, disse a senadora, representante da bancada feminina na CPI.

Roberto Dias foi exonerado na última quarta-feira (30) após suspeitas de pedido de propina de US$ 1 por dose para a contratação da vacina da AstraZeneca pelo governo federal. Ele negou à comissão as acusações feitas pelo vendedor e policial militar Luiz Paulo Dominghetti, o qual ele disse ‘trata-se de um picareta que tentava aplicar golpes em prefeituras e no Ministério da Saúde’.

“Roberto Dias vai tomar um chopp num sábado e por ‘acaso’ se encontra com Blanco e Domingueti. Na mesa do bar lhe oferecem 400 milhões de doses de vacina. Dias leva o lobista no dia seguinte ao ministério. Que falta de sorte da Pfizer: precisou tentar 101 vezes”, postou Eliziane Gama na rede social, ao mencionar a demora do governo federal na compra de vacinas contra a Covid-19.

Ao jornal Folha de S. Paulo, Dominghetti afirmou que Dias pediu US$ 1 de propina por dose da vacina. Em seu depoimento à CPI, o vendedor reafirmou o que revelou ao jornal. Durante sua oitiva, realizada na última quinta-feira (1º), Dominghetti, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, disse ter recebido o pedido de propina para a compra de 400 milhões de doses do imunizante.

Eliziane Gama: CPI tem que ‘seguir o dinheiro’ para identificar suspeitas de corrupção na compra de vacinas

Para senadora, com a quebra de sigilo fiscal e bancário dos acusados será possível chegar à “linha do dinheiro” dos recursos desviados pela corrupção (Foto: Reprodução/CNN)

Em entrevista à CNN (veja aqui), a líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama disse que a CPI da Pandemia já conseguiu identificar, logo no início dos trabalhos da comissão, que o governo federal promoveu medidas negacionistas no enfretamento da pandemia de Covid-19. Agora, avalia a parlamentar, a CPI se aproxima de indícios de irregularidades na compra de vacinas, com a acusação de pedido de propina de servidores do Ministério da Saúde.

De acordo com ela, os senadores precisam “seguir o dinheiro” para identificar essas suspeitas de corrupção no governo federal. A parlamentar ressaltou ainda que a confirmação de irregularidades aparecerão após a quebra de sigilo de alguns investigados.

“A gente vai buscar essa linha, no meu entendimento, através de dois mecanismos: ouvindo o pessoal, mas também buscando documentos estabelecendo a quebra dos sigilos sobretudo fiscal e bancário”, disse Eliziane Gama.

A senadora comentou que a quebra dos sigilos telefônicos e telemáticos são importantes, mas com a quebra do sigilo fiscal e bancário será possível chegar à “linha do dinheiro” de recursos desviados pela corrupção.

Dominghetti tentou desvirtuar foco da CPI

Eliziane Gama disse também na entrevista à CNN que policial militar de Minas Gerais e representante da Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominghetti, foi “instrumentalizado” para chegar à Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia na quinta-feira (01) e desviar o foco dos trabalhos.

Segundo a parlamentar, o PM tentou desvirtuar o foco dos senadores presentes ao exibir um áudio do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF). Na ocasião, Dominghetti afirmou que Miranda tratava, no áudio, da compra de vacinas. O parlamentar, no entanto, nega e reafirma que negociava a venda de luvas.

“Alguns colegas chegaram, inclusive, a ter o entendimento que ele [Dominghetti] teria sido plantado ali dentro da CPI. Eu não diria plantado, mas acho que ele foi instrumentalizado para chegar até a CPI com um áudio que foi exposto por ele e que ficou muito claro que foi uma montagem para tentar desfocar e desvirtuar o foco da CPI”, disse Eliziane Gama.

Para Eliziane, Dominghetti foi orientado pelo CEO da Davati, Cristiano Carvalho. Ainda na avaliação da senadora, a relação entre a empresa e o Ministério da Saúde é “tenebrosa”.

Embora tenha reconhecido uma tentativa de obstrução na CPI, a parlamentar ressaltou que os senadores vão buscar todos os instrumentos legais para evitar as tentativas de burlar as provas.

“A comissão, como o próprio nome já diz, é uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Nós temos, na verdade, poder de polícia. Estamos dentro de um processo de investigação e todos os instrumentos do ponto de vista legal estão à disposição da CPI”, afirmou. (Com informações da CNN)

Cidadania no Senado: Veja o resumo das atividades da bancada

Eliziane Gama e Alessandro Vieira dizem que prorrogação dos trabalhos da CPI da Pandemia ‘é fundamental’ para apurar a suspeita de corrupção na compra de vacinas contra Covid-19 pelo governo Bolsonaro (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

O Senado mantém as deliberações remotas (veja abaixo as propostas aprovadas na semana) na análise e aprovação de projetos, no plenário e em algumas comissões permanentes, e as sessões semipresencias da CPI da Pandemia na investigação das ações e omissões do governo federal no combate ao coronavírus, com as novas denúncias de corrupção na compra de vacinas contra a Covid-19.

Para apurar os desdobramentos dos depoimentos do deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) e de seu irmão, Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, à CPI da Pandemia apontando que o presidente Jair Bolsonaro foi avisado por eles em março sobre supostas irregularidades no contrato de compra da vacina Covaxin pelo governo federal, os senadores Eliziane Gama (Cidadania-MA) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disseram ser ‘fundamental’ a prorrogação dos trabalhos da comissão em razão da ‘gravidade dos fatos’  denunciados para se ‘chegar aos culpados’ (veja aqui).

“É fundamental prorrogarmos a  CPI da Pandemia. Os desdobramentos e o surgimento de denúncias de corrupção [trazidas nos depoimentos dos irmãos Miranda]precisam ser apurados. Encerrar os trabalhos em 7 de agosto como  estava previsto, é impossível diante da gravidade dos novos fatos”, afirmou Eliziane Gama.

Líder do Cidadania no Senado, Alessandro Vieira disse ser ‘muito difícil’ a CPI encerrar os trabalhos no prazo inicial de 90 dias com o surgimento de ‘informações graves’, e do volume de documentos em posse da comissão que ainda precisam ser ‘analisados e divulgados’.

“Chegamos à conclusão de que será preciso prorrogar. Não há outra alternativa”, afirmou o senador, que ao lado de Eliziane Gama integra o chamado G7, grupo que reúne senadores independentes e de oposição da CPI.

Em entrevista ao UOL News (veja aqui) quarta-feira (30), Alessandro Vieira não descartou a possibilidade de os integrantes da CPI da Pandemia recorrem ao STF caso o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), não prorrogue os trabalhos da comissão.

“O presidente do Senado surpreendentemente ontem [29 ]recebeu o requerimento de prorrogação. O regimento é cristalino, quando chega o requerimento com o número de assinaturas ele só pode fazer uma coisa, que é prorrogar. Mas ele decidiu deixar a leitura para um outro momento que ele considere oportuno. É mais do mesmo. Vai ter o mesmo encaminhamento e o mesmo resultado: se ele não fizer a leitura e a propagação nós vamos ao Supremo Tribunal Federal”, disse o senador, autor do pedido ao Supremo que determinou a instalação da CPI.

Ao fazer um balanço das oitivas até agora na comissão parlamentar de inquérito, Alessandro Vieira disse nas redes sociais que os depoimentos às CPIs ‘são relevantes e midiáticos’, mas que ‘o trabalho silencioso de análise de dados é mais efetivo’.

“Já provamos a inércia deliberada do governo, que custou centenas de milhares de vidas. Agora apuramos as motivações do crime: ignorância/negacionismo ou também corrupção?”, postou o parlamentar no Twitter sexta-feira (02), ao defender um análise aprofundada dos documentos já encaminhados à CPI.

Tentativa de incriminação de Luís Miranda

O senador Alessandro Vieira demonstrou durante oitiva da CPI da Pandemia, na quinta-feira (01), que o policial militar e vendedor de vacians, Luiz Paulo Dominguetti, cometeu falso testemunho à comissão, apresentando, sem nenhum contexto com o depoimento, um áudio atribuído ao deputado Luís Miranda (DEM-DF), insinuando que a testemunha-chave do colegiado tentara negociar aquisição de doses da vacina da Astrazeneca, diretamente com a Davati Medical Supply (veja aqui).

Alessandro Vieira mostrou, com base nas atas em atas cartoriais, que Dominguetti, que se apresenta como representante da Davati, tentou propositadamente desmoralizar o deputado e seu irmão – o também denunciante Luís Ricardo Miranda, servidor de carreira do Ministério da Saúde -, que nem é citado.

“Aqui não é lugar para brincadeira. Isso aqui não é lugar pra moleque, para molecagem. Para tentar fazer alguma forma de interferência na investigação, que trata de meio milhão de brasileiros que morreram”, afirmou, de forma veemente, o senador.

Ele chegou a pedir a prisão em flagrante de Dominguetti – negada, no entanto, pelo presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), que não descartou fazê-lo em outro momento. 

Convocação de representante da Davati na CPI

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama defendeu quinta-feira (01) que a CPI convoque imediatamente  Cristiano Alberto Carvalho, representante da Davati Medical Supply no Brasil. A senadora quer que ele confirme ou não ser o autor de áudio que foi mostrado à comissão por Dominguetti que envolve  o deputado Luís Miranda em negociação de vacinas com a Davati (veja aqui).

“O representante da Davati no Brasil, senhor Cristiano [Alberto Carvalho],  já negou a acusação contra Luís Miranda. Mas é fundamental que ele preste depoimento para confrontar as  versões. Há indícios de que [o depoimento] foi plantado ”, afirmou Eliziane Gama.

“Em nenhum momento se falou em vacina no áudio. Vamos aguardar a perícia para ver quem mentiu”, postou a senadora no Twitter.

 Eliziane Gama estranhou ainda alvoroço da parte de senadores da base governista na CPI em defesa de Dominguetti após a apresentação do áudio.

Wizard difunde tratamento precoce e ignora a ciência

Alessandro Vieira acusou o empresário Carlos Wizard, durante depoimento à CPI da Pandemia, na quarta-feira (30), de usar sua riqueza e contatos privilegiados no governo, ajudar a disseminar o chamado “tratamento precoce”, com remédios não reconhecidos pela ciência, “num processo de profunda vaidade e desrespeito ao ser humano” (veja aqui).

Diante das muitas citações bíblicas feitas por Wizard, na sua apresentação inicial, o parlamentar do Cidadania lembrou um provérbio bíblico, segundo o qual “a humildade antecede a honra” – e disse que faltou a ele humildade.

“O tribunal que mais lhe importa não leva em consideração patrimônio, leva em consideração exemplo de vida. E seu exemplo foi o pior possível”, disse o senador ao empresário, que se recusou responder todos os questionamentos à CPI.

Vacinas apenas para o setor empresarial

Sem conseguir respostas de Carlos Wizard que se reservou ao ‘direito de permanecer em silêncio’ na CPI – amparado por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal –, a senadora Eliziane Gama afirmou que o empresário estava interessado apenas na compra de vacinas contra a Covid-19 para o setor empresarial (veja aqui).

“Inicio fazendo a pergunta de qual era o seu interesse acerca da aquisição de vacinas para a iniciativa privada. Tivemos lá [na Câmara dos Deputados] a tramitação e votação do projeto de lei que estabelecia, por exemplo, a compra pelo setor empresarial e que essas vacinas seriam direcionadas para os seus funcionários. O senhor teve interesse nesse tipo de aquisição de vacinas?”, questionou a senadora, sem obter resposta do empresário suspeito de fazer parte do ‘gabinete paralelo’ de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro para as ações do governo na pandemia do novo coronavírus.

“O senhor fica em silêncio, mas a imprensa deixou muito claro, na verdade, o seu interesse em relação a essa aquisição de vacina”, disse a senadora a Wizard.

Líder do governo vai depor na CPI

A CPI da Pandemia aprovou quarta-feira (30) requerimento do senador Alessandro Vieira de convocação do deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara (veja aqui). O depoimento foi marcado para a quinta-feira (8).

O senador diz que o depoimento é necessário diante da afirmação do deputado Luís Miranda de que o presidente Bolsonaro citou Barros como um dos responsáveis pelas pressões da contratação da vacina indiana Covaxin, entre outros negócios ilícitos no Ministério da Saúde, que o líder do governo já comandou.

Para Alessandro Vieira, o comparecimento de Barros à comissão é fundamental ‘para que seja possível detalhar os exatos termos de sua participação em referido cenário’.

Foco da CPI na ‘fábrica de propina’

Diante da tentativa da base aliada do governo na CPI da Pandemia de insistir na investigação de recursos que não foram transferidos diretamente para o combate à Covid-19, a senadora Eliziane Gama disse que toda denúncia de corrupção deve ser apurada, mas que o foco da comissão agora é a ‘fábrica de propina’ com as novas revelações de corrupção na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde (veja aqui). 

“O foco agora, porém, é a fábrica de propina que aparentemente se instalou no Ministério da Saúde. Propinas que geraram mortes de milhões de brasileiros”, afirmou a senadora, diante da insistência do senador Eduardo Girão (Podemos-CE) na apuração de recursos supostamente desviados de municípios e estados do Nordeste para compra de respiradores fora do escopo da CPI.

Investigação de possível prevaricação de Bolsonaro

Ao fazer uma avaliação dos ‘novos passos’ da investigação da CPI nas próximas semanas, o líder do Cidadania no Senado disse segunda-feira (28) ao jornal ‘Em Ponto’ (veja aqui), da GloboNews, que a comissão precisará avançar mais na apuração de uma ‘possível prevaricação por parte do presidente Jair Bolsonaro’ no caso da compra da vacina Covaxin.

“Os indicativos são fortes, mas é preciso avançar um pouco mais nesse sentido documentando, juntando a certidão de que nunca teve pedido de investigação [sobre suposta irregularidade na contratação da Covaxin que o presidente alegou aos irmão Miranda ter determinado ao ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello] e nem em órgão de controle”, disse o senador.

Em entrevista à BBC News Brasil (veja aqui), o senador Alessandro Vieira afirmou quarta-feira (30) que o problema não está em o presidente Bolsnaro ter um assessoramento paralelo, mas esse assessoramento ser incompatível com a gestão do Ministério da Saúde.

“Não é crime ser negacionista nem defender coisas estúpidas, mas é crime fazer gestão pública com base nisso”, afirmou o parlamentar.

Suspensão de metas de prestadores de serviços do SUS

O Senado aprovou quinta-feira (1º) o substitutivo da Câmara dos Deputados ao projeto de lei (PL 4384/2020), sob a relatoria da senadora Eliziane Gama, e segue agora para sanção do presidente da República (veja aqui). O texto prorroga até 31 de dezembro a suspensão da obrigatoriedade do cumprimento de metas pelas instituições que prestam serviços ao SUS (Sistema Único de Saúde).

De autoria das senadoras Mara Gabrilli (PSDB-SP) e Leila Barros (PSB-DF), o projeto beneficia hospitais filantrópicos, laboratórios, clínicas, organizações sociais de saúde e associações de assistência social que prestam serviços ao SUS. Normalmente, essas instituições precisam cumprir metas quantitativas e qualitativas, estabelecidas em contrato, para continuar tendo direito a benefícios fiscais.

Luz mais barata para famílias vulneráveis

Eliziane Gama defendeu mecanismos de proteção por parte do poder público às famílias vulneráveis economicamente com o anúncio nesta semana do reajuste da bandeira tarifária vermelha patamar 2 em 5,45% na conta de luz do próximo mês, em comparação com junho (veja aqui).

“Em virtude da queda do nível de água dos reservatórios, as famílias com consumo médio de energia vão pagar até 6% a mais em suas contas. As famílias mais vulneráveis economicamente precisam da proteção do poder público”, alertou a senadora.

Com a crise hídrica enfrentada pelo País e a queda do nível dos reservatórios de hidrelétricas, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou terça-feira (29) um reajuste na bandeira tarifária que passa de R$ 6,24 para R$ 9,49 a cada 100 kWh consumidos, uma alta de 52%.

Eliziane Gama também protocolou emenda à Medida Provisória 1055/2021, que estabelece medidas para enfrentar os impactos da crise hídrica na garantia do suprimento de energia elétrica este ano (veja aqui).

O texto da MP já afirma que as medidas terão custos a serem repassados para os consumidores.

“Julgamos que, por questão de justiça social, os consumidores com menor poder aquisitivo devem ser eximidos do pagamento desses custos”, defende a senadora.

A emenda ressalta que os consumidores, beneficiários da Tarifa Social de Energia Elétrica, já não pagariam integralmente os custos associados às medidas decorrentes da MP.

PLENÁRIO VIRTUAL

Veja abaixo as propostas deliberadas pelo Senado e o resumo dos depoimentos da semana na CPI da Pandemia.

Deliberações quinta-feira – 01/07/2021

Responsabilidade sanitária: Os senadores aprovaram a realização de sessão de debates temáticos para discussão do PL 1.746/2019, que trata da responsabilidade sanitária dos entes federados no Sistema Único de Saúde (RQS 1.540/2021).

Regularização tributária: Aprovado requerimento (RQS 1.684/2021) para realização de debate sobre a avaliação do impacto fiscal do PL 4.728/2020, projeto que altera o Programa Especial de Regularização Tributária (Pert).

Renegociação de débitos: Aprovado requerimento (RQS 1.729/2021) para realização de sessão de debates sobre a avaliação do impacto fiscal do PLP 46/2021, projeto que institui programa de renegociação de débitos com a Fazenda Nacional.

Esforço concentrado: O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, anunciou a realização de semana de esforço concentrado entre 5 e 9 de julho, com atividades em comissões e no Plenário. Estão na pauta sabatinas e deliberações de autoridades.

Povos indígenas: Aprovada a realização de sessão de debates sobre a situação dos povos indígenas. O senador Paulo Paim (PT- RS), autor do requerimento (RQS 1.726/2021), pediu que a sessão ocorra em setembro.

Conveniados ao SUS: Aprovada a prorrogação da suspensão de cumprimento de metas por prestadores de serviços de conveniados ao SUS até o fim de 2021 (PL 4.384/2020). Vai a sanção.

Renegociação de dívidas: Foi adiada a votação do projeto que permite renegociação de dívidas com a Fazenda Nacional e o Simples Nacional, e também concede crédito a pequenas e microempresas (PLP 46/2021).

Regularização tributária: Adiada a votação do projeto que altera o Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), prevendo novos prazos e condições para pagamento de débitos com a União (PL 4.728/2020).

Associações de municípios: Foi retirado de pauta projeto que define regras para a criação de associações de municípios (PLS 486/2017).

Lei de Segurança Nacional: Foi retirado de pauta o projeto que tipifica os crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito e revoga a Lei de Segurança Nacional (PL 2.108/2021.)

Proteção à mulher: Aprovado o PL 741/2021, projeto que cria o programa de cooperação Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica, que reforça medidas de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. O texto vai à sanção.

Resumo de depoimento à CPI da Pandemia – 01/07/2021

CPI da Pandemia: A reunião para ouvir Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da Davati Medical Supply, foi aberta às 10h13. Ele afirmou ter recebido pedido de propina de representante do Ministério da Saúde para conseguir vender doses da vacina AstraZeneca.

Recurso ao STF: O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), informou que a Advocacia do Senado pediu a reconsideração da decisão de habeas corpus da ministra do STF Rosa Weber em favor de Francisco Maximiano, sócio-administrador da Precisa Medicamentos. Omar afirmou que a comissão respeita a decisão, mas entende que está equivocada.

Acordo verbal: Ao responder a primeira pergunta do relator, Renan Calheiros (MDB-AL), Luiz Paulo Dominguetti Pereira disse que tinha feito um acordo verbal com o CEO da Davati, Cristiano Alberto Carvalho, que lhe deu consentimento para representar a empresa em negociações com o Ministério da Saúde. 

Primeiro contato Ministério da Saúde: Segundo Dominguetti, o primeiro contato com o Ministério da Saúde foi feito por meio do ex-diretor substituto do Departamento de Logística coronel Marcelo Blanco. De acordo com ele, o ex-funcionário da pasta já vinha fazendo tratativas com a Davati para a aquisição de vacinas da AstraZeneca.

Pedido de propina de US$ 1 por vacina: Questionado por Renan Calheiros (MDB-AL) sobre o valor da propina pedido na negociação de vacina da AstraZeneca, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da Davati Medical Supply, confirmou que Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, solicitou a “majoração” de US$ 1 por dose. A proposta inicial da Davati, segundo Dominguetti, era de US$ 3,5 por unidade, mas o acordo não foi fechado. Seriam 400 milhões de doses: “O pedido dessa majoração foi exclusivamente do senhor Roberto Dias”, apontou o depoente. 

Majoração de preço: Dominguetti afirmou que sempre foi colocada uma oferta “justa e comercial” para o Ministério da Saúde. Segundo ele, o então diretor de Logística, Roberto Dias, não era visto como facilitador do negócio. 

Encontro com executivos do Ministério da Saúde: Dominguetti confirmou que a vacina negociada por ele com o governo era a da AstraZeneca. Ele esclareceu também ao relator que o ex-diretor Roberto Dias não foi a única pessoa com quem teve contato no Ministério da Saúde. Ele esteve também, segundo afirmou, com Elcio Franco, que na época era secretário-executivo, e com Laurício Monteiro, então diretor do Departamento de Imunização.

Comissão de US$ 0,03 a US$ 0,05 por unidade vendida: Sobre a remuneração que receberia se a venda das vacinas fosse concretizada, Dominguetti explicou que Cristiano Alberto Carvalho receberia US$ 0,20 por dose comercializada e estimou que sua remuneração ficaria entre US$ 0,03 e US$ 0,05 por unidade:

Pedido de propina comunicado a Davati: Dominguetti disse que comunicou ao procurador da Davati, Cristiano Alberto Carvalho, sobre o pedido de propina que, segundo ele, teria sido feito pelo ex-funcionário do Ministério da Saúde Roberto Dias. Questionado pelo relator, Renan Calheiros, se a Davati possui contrato com a Astrazeneca, o depoente afirmou não saber e que somente o CEO da empresa, Herman Cardenas, tem acesso a documentos confidenciais. 

‘Surpresa’ após recusa de propina: Ao ser indagado por Fabiano Contarato (Rede-ES) indagou Dominguetti sobre a reação do coronel Marcelo Blanco, ex-diretor substituto do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, após a recusa da propina. — Ele [Blanco] ficou me olhando. Quando eu disse não, uma surpresa do outro lado — respondeu Dominguetti.

Parlamentares na negociação de vacinas: Em resposta a Humberto Costa (PT-PE), Dominguetti afirmou que parlamentares tentaram negociar a busca por vacinas diretamente com a Davati. Entre eles, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que teria procurado o CEO da Davati no Brasil, Cristiano Alberto Carvalho, para negociar a aquisição de compra de vacinas.

Suspeita sobre habeas corpus do dono da Precisa: O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), apontou que o dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, entrou com habeas corpus diretamente no gabinete de um ministro do Supremo Tribunal Federal para burlar o sorteio eletrônico do STF e afirmou que a Polícia Federal teria aberto uma investigação para servir de base à concessão desse HC.

Reconvocação de Luís Miranda: Após Dominguetti reproduzir áudio de conversa do deputado Luis Miranda (DEM-DF), o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), confirmou reconvocação do parlamentar para próxima terça-feira (6) em  audiência aberta. Miranda já havia solicitado ser ouvido em reunião secreta.

Perícia em áudio de Luis Miranda: Depois de exibir em seu celular um áudio do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) supostamente tentando fazer intermediação de compra de vacinas, Dominguetti entregou o aparelho à mesa da comissão. O vice- presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), determinou que a Polícia Legislativa faça perícia no áudio e informou que o arquivo será disponibilizado a todos os senadores.

Outra explicação sobre gravação: Após encerrar suas perguntas, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) informou aos integrantes da CPI que o jornal O Globo havia entrado em contato com a Davati, que esclareceu que o áudio mostrado na reunião pela testemunha é na verdade de 2020. Na gravação, aparece de fato o deputado Luis Miranda, que, no entanto, não está fazendo negociações sobre vacinas. Ainda conforme Eliziane, o empresário Cristiano Alberto Carvalho, CEO da Davati no Brasil, disse a O Globo acreditar que a conversa dizia respeito a negócios de Miranda nos Estados Unidos.

Conversa com Luis Miranda sobre áudio: Após a polêmica do áudio relacionado ao deputado Luis Miranda, o presidente Omar Aziz informou que foi conversar com o parlamentar, acompanhado dos senadores Fernando Bezerra (MDB-PE) e Marcos do Val (Podemos-ES). Segundo Miranda, o áudio é de 2020 e na conversa se tratava de negociações sobre outros assuntos nos Estados Unidos, quando ainda não se falava em vacinas. Conforme Omar relatou, o deputado disse que o áudio teria sido usado pra prejudicá-lo e, por essa razão, iria à polícia fazer uma denúncia de crime.

Prisão de quem pediu propina: Simone Tebet (MDB-MS) questionou por que Dominguetti não prendeu quem lhe pediu propina: — V. Sa. é policial militar da ativa. Poderia ter dado voz de prisão em flagrante e não o fez por quê?”— Tudo para mim ali era novo — respondeu o depoente. — Para mim também é novo um policial não saber o que está na lei — concluiu a senadora.

Convocação da Davati: Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) destacou que a AstraZeneca informa, em nota oficial, que só negocia vacinas com governos. O senador sugeriu que a CPI convoque então a Davati, pois a empresa diz ter poderes para vender vacinas da farmacêutica.

Golpe no Canadá: Eduardo Braga (MDB-AM) afirmou que a empresa Davati tentou aplicar golpe similar no Canadá. O senador pede que a CPI requeira o cadastro da farmacêutica ao FDA, agência do governo americano.

‘Validação’ da proposta junto à AstraZeneca: Questionado por Randolfe Rodrigues (Rede-AP) sobre a cronologia precisa de seus contatos com o Ministério da Saúde, Dominguetti relatou encontro com o então secretário-executivo da pasta, coronel Elcio Franco Filho, em que este lhe disse que iria “validar” com a AstraZeneca a proposta da Davati de venda de 400 milhões de doses de vacina

Tentativa de golpe: Tasso Jereissati (PSDB-CE) contestou afirmações e legitimidade de Dominguetti para representar a Davati na proposta de oferta de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca ao Ministério da Saúde.

Inquérito da PF para proteger sócio da Precisa: O relator, Renan Calheiros, levantou suspeita hoje sobre uma possível participação do governo no habeas corpus concedido ao dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano. Segundo Renan, o empresário entrou com habeas corpus diretamente no gabinete de um ministro do Supremo Tribunal Federal para burlar o sorteio eletrônico do STF. Depois disso, a Polícia Federal teria aberto uma investigação para servir de base à concessão desse HC, de acordo com o senador.

Negociação de vacinas com estados e cidades: Marcos Rogério (DEM-RO) disse dispor de documentos mostrando que o depoente de hoje, Luiz Paulo Dominguetti, representante da empresa Davati, teria oferecido vacinas a diferentes municípios e estados, não apenas dizendo representar a AstraZeneca, mas também a Johnson & Johnson. Dominguetti negou ter atuado pela Johnson & Johnson. O senador disse que esse tipo de proposta é “picaretagem”.

Reunião é suspensa: O presidente da comissão, Omar Aziz, suspendeu a reunião para um intervalo de 20 minutos.

Retoma do depoimento: CPI retoma depoimento de Dominguetti com o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) fazendo questionamentos sobre informações trazidas na matéria do jornal Folha de S. Paulo, em que o depoente denunciou pedido de propina. Para o senador, Dominguetti prevaricou ao não dar voz de prisão após pedido de propina feito por Roberto Dias

Irregularidades no Consórcio Nordeste: O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) exibiu vídeo de reportagem da TV Bahia sobre supostas irregularidades na aquisição de respiradores pelo Consórcio Nordeste, e cobrou apuração dos fatos. Ele também criticou a mudança de pauta na comissão, que antecipou para hoje o depoimento de Luiz Paulo Dominguetti; Girão afirmou que só foi informado da antecipação pela imprensa.

Votação de requerimentos na próxima terça-feira: No exercício da presidência, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) informou que a pauta de requerimentos que seria analisada nesta sexta-feira (2) pela CPI será votada na próxima terça-feira (6). Depois de ouvir reclamações de Eduardo Girão (Podemos-CE) sobre mudanças de última hora na ordem dos depoimentos, Randolfe explicou também que a testemunha inicialmente prevista para hoje, Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, obteve o direito de ficar calado no STF, o que tornaria a reunião improdutiva.

Inspeção em celular: O senador Randolfe Rodrigues, que está na presidência provisoriamente, interrompeu por alguns minutos a reunião para que policiais legislativos fizessem uma inspeção no celular Luiz Paulo Dominguetti

Intenções de Dominguetti: A senadora Simone Tebet (MDB-MS) expressou dúvida em relação às intenções do depoente Luiz Paulo Dominguetti, após ele apresentar na CPI um áudio do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF). Simone disse que o áudio é “fraudulento” e comparável a uma “granada sem pino”. A senadora aventou a possibilidade de o policial militar estar sendo protegido por alguém interessado em “plantar” o depoimento para desviar o foco da CPI.

Sem voz de prisão a Dominguetti: O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que não dará voz de prisão a Luiz Paulo Dominguetti por falso testemunho. Mas o senador ressalvou que, se o policial militar tentar “desnortear” o trabalho da comissão numa futura acareação, “as consequências não serão as mesmas de hoje”.

Exoneração de diretor acusado: O líder do governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), lembrou que o ex-diretor de Logística Roberto Ferreira Dias foi prontamente exonerado pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, assim que vieram à tona as denúncias de tentativa de suborno.

Reconhecimento de empresário: O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), mostrou algumas fotos para que Luiz Paulo Dominguetti Pereira identificasse o empresário que estava com ele em um encontro em um shopping de Brasília. Dominguetti reconheceu o empresário, afirmando que é o coronel Alexandre Martinelli Cerqueira, que foi exonerado junto com o coronel Marcelo Blanco.

Denúncia sem resultado prático: Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) afirmou que a denúncia de propina na compra de vacinas não vai ter “resultado prático”, e que a acusação já faz parte da disputa eleitoral de 2022.

Depoimento encerrado: O senador Omar Aziz (PSD-AM) encerrou às 17h19 a reunião da CPI da Pandemia que ouviu o depoimento de Luiz Paulo Dominguetti. Azis disse que o telefone celular do depoente será devolvido logo que a Polícia Legislativa termine a perícia. Omar convocou a próxima reunião da CPI da Pandemia para as 9h da terça-feira (6), para votação de requerimentos. (Com informações da Agência Senado)

Deliberações quarta-feira – 30/06/2021

Legislação eleitoral: Os senadores aprovaram a realização de sessão de debates temáticos, em data a ser confirmada, sobre possíveis ajustes na legislação eleitoral (RQS 1.722/2021).

Acordo internacional: Aprovado o acordo sobre serviços aéreos entre o Brasil e o Barein (PDL 697/2019). O texto vai à promulgação.

Semana da Água: Aprovado, com alterações, o projeto de lei que institui a Semana Nacional do Uso Consciente da Água, a ser celebrado em março (PLC 40/2017). O texto agora volta à Câmara dos Deputados.

Violência contra a mulher: Foi adiada a votação do PL 741/2021, projeto de lei que insere no Código Penal o crime de violência psicológica contra a mulher e, além disso, cria o programa Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica.

Tarifa social de energia: Os senadores aprovaram o texto básico da proposta de inclusão imediata de famílias de baixa renda na tarifa social de energia (PL 1.106/2020).

Comprovação de vida: Aprovado o projeto que permite a beneficiários do INSS comprovar a vida com envio de atestado médico pelos meios eletrônicos ou pelo Correio (PL 385/2021). Proposta segue para Câmara dos Deputados.

Resumo de depoimento à CPI da Pandemia – 30/06/2021

CPI da Pandemia: Aprovada as convocações de pessoas envolvidas no suposto esquema de propinas na negociação de vacinas pelo Ministério da Saúde. Entre os convocados estão Luis Paulo Dominguetti, que denunciou o suposto esquema de superfaturamento de US$ 1 em cada dose de vacina comprada, e Roberto Dias, servidor exonerado do Ministério da Saúde que teria feito a proposta. O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, também foi convocado pela CPI. O depoimento foi marcado para a quinta-feira (8) da próxima semana.

CPI da Pandemia: Amparado por um habeas corpus do STF, o empresário Carlos Wizard se recusou a responder as perguntas do senadores. Após falar por cerca de 20 minutos e negar participação em um “gabinete paralelo” de aconselhamento do presidente da República sobre a pandemia, Wizard disse que usaria seu direito constitucional de permanecer em silêncio diante da comissão. Senadores criticaram a postura do depoente. 

CPI da Pandemia: Após exibir vídeos de Carlos Wizard em entrevistas afirmando ser conselheiro do Ministério da Saúde, o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), iniciou uma série de questionamentos sobre a participação do empresário no grupo de aconselhamento do governo federal responsável pelas medidas de combate à pandemia. O depoente disse que “se reserva o direito de permanecer em silêncio”.

CPI da Pandemia: Após dezenas de perguntas a Carlos Wizard sobre vínculo com o governo e proximidade com representantes de laboratórios produtores de vacinas, o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), encerrou sua participação. A cada pergunta, o depoente disse que permaneceria em silêncio. Respondeu apenas “não” ao ser questionamento se seu grupo de empresas teria intenção de participar das vendas de vacinas. Ele disse ter explicado sobre o assunto na apresentação inicial.

CPI da Pandemia: Wizard se recusou a responder todas as perguntas de Eliziane Gama (Cidadania-MA), até mesmo quando foi questionado sobre qual é sua religião. A senadora afirmou que o depoente estava interessado na compra de vacinas para o setor empresarial. Segundo Eliziane, a propina relacionada à compra da vacina chinesa CanSino chegaria a R$ 2 bilhões, o que é totalmente contraditório aos ensinamentos de Jesus Cristo, a quem ele fez tantas referências na fala inicial.

CPI da Pandemia: O presidente da CPI, Omar Aziz, anunciou que o início da reunião do colegiado nesta quinta-feira (1º) foi adiado das 9h para as 10h, a pedido do depoente, Francisco Maximiano, sócio-administrador da Precisa Medicamentos.

CPI da Pandemia: Humberto Costa (PT-PE) lembrou que durante o mês em que Carlos Wizard fez parte da chamada “gestão paralela” no Ministério da Saúde, em meados de 2020, o empresário revoltou todo o Brasil ao propor que se mudassem os critérios na contagem de mortos pela covid-19.

CPI da Pandemia: Eduardo Girão (Podemos-CE) disse lamentar que o STF tenha impedido Wizard de falar na CPI. Sem obter resposta, o senador questionou o empresário sobre diversos temas

CPI da Pandemia: Ocupando momentaneamente a presidência, Otto Alencar (PSD-BA) desentendeu-se com Alberto Zacharias Toron, advogado do depoente Carlos Wizard.

CPI da Pandemia: O presidente Omar Aziz (PSD-AM) disse que vai recorrer do habeas corpus concedido a Wizard (instrumento que garantiu ao empresário o direito de permanecer em silêncio na CPI).

CPI da Pandemia: Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que, se o Brasil tivesse “feito o mínimo” e as vacinas tivessem sido compradas no tempo certo, pelo menos 100 mil brasileiros vitimados pela covid-19 ainda estariam vivos. O senador destacou que Carlos Wizard se vacinou nos Estados Unidos com o imunizante da Pfizer em dezembro.

CPI da Pandemia: Após solicitação de Wizard, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), na condição de presidente da CPI, suspendeu o depoimento por 20 minutos.

CPI da Pandemia: Após suspensão por 20 minutos, os senadores da CPI retomam os questionamentos ao empresário Carlos Wizard. O senador Jorginho Mello (PL-SC) está inquirindo o convocado, que tem se utilizado de habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal para permanecer em silêncio.

CPI da Pandemia: Após questionar Wizard sobre o porquê de acharem que o empresário conhece medicamentos anticovid-19, Luis Carlos Heinze (PP-RS) defendeu novamente o uso de fármacos como ivermectina, cloroquina e hidroxicloroquina, entre outros integrantes do chamado “kit covid”. Omar Aziz (PSD-AM) pediu ao senador — assim como aos demais parlamentares — que não cite as medicações, para não influenciar a população a utilizá-los, principalmente sem orientação médica

CPI da Pandemia: Rogério Carvalho (PT-SE) disse que empresário Carlos Wizard, durante o tempo que atuou no “gabinete anti- vacinas”, fez críticas ao Senado por lutar por imunizantes para a população.

CPI da Pandemia: O líder do governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), afirmou que o presidente Jair Bolsonaro segue “no firme propósito de não compactuar com qualquer irregularidade”. Ele citou o anúncio da exoneração do diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, após as acusações de um suposto esquema de propinas para a compra de vacina. Bezerra lembrou que a nomeação foi feita pelo ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e teve caráter técnico.

CPI da Pandemia: Jorge Kajuru (Podemos-GO) perguntou se a CPI aprovou as quebras de sigilo bancário, telefônico, fiscal e telemático de Carlos Wizard, já que ele segue sem responder aos questionamentos. Eliziane Gama (Cidadania-MA) confirmou o deferimento, mas informou que o advogado do depoente assegurou que apresentará os sigilos bancário e fiscal espontaneamente.

CPI da Pandemia: Para Fabiano Contarato (Rede-ES), a declaração de Wizard, de que teria se oferecido ao ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para colaborar com o governo de forma voluntária e sem vínculo administrativo caracteriza uma “confissão de culpa”.

CPI da Pandemia: Depois de 6h30 de duração, a reunião da CPI foi encerrada. Carlos Wizard Martins se recusou a responder às perguntas de todos os senadores durante a audiência. Nesta quinta-feira (1º), a partir das 10h, os senadores vão ouvir Francisco Maximiano, sócio-administrador da Precisa Medicamentos, empresa que teria intermediado a compra de doses da vacina indiana Covaxin junto ao Ministério da Saúde.

Deliberações terça-feira – 29/06/2021

Descarte de eletrônicos: Aprovado com emendas o PL 5.991/2019, projeto de lei que institui normas para o descarte e a reutilização de equipamentos eletrônicos, além de criar o Programa Computadores para Inclusão. O texto retorna à Câmara.

José Paulo Bisol: Aprovado voto de pesar pela morte do ex-senador José Paulo Bisol, que morreu no sábado (26). Os senadores fizeram um minuto de silêncio em Plenário em homenagem a Bisol.

Dia do Bombeiro: Aprovada a realização de sessão especial para destacar o Dia do Bombeiro Militar, comemorado em 2 de julho (RQS 161/2021).

Itamar Franco: Aprovado voto de aplauso pela passagem dos 91 de nascimento do ex-presidente da República Itamar Franco, que faleceu em 2011. O requerimento (RQS 1.720/2021) foi apresentado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Recursos para Salvador: Os senadores aprovaram contratação de empréstimo entre Salvador e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), para financiamento da segunda fase do Projeto Salvador Social (MSF 18/2021). Vai a promulgação.

Terceiro setor: Aprovado projeto de lei sobre parcerias entre o governo e o terceiro setor durante o estado de calamidade pública (PL 4.113/2020). O texto segue para sanção.

Conflitos patrimoniais: Aprovado, por 69 votos a 5, projeto que institui comitês de prevenção e solução de disputas em contratos administrativos continuados celebrados pela União (PLS 206/2018). O texto agora vai à Câmara dos Deputados.

Prorrogada Comissão da Covid-19: Aprovado pedido de prorrogação, por 120 dias, dos trabalhos da Comissão Temporária Covid-19 (RQS 1.626/2021). A comissão acompanha ações do governo na área fiscal e de saúde pública relacionadas à pandemia.

Homenagem a Marco Maciel: Aprovada a designação de Sala Marco Maciel ao plenário 2 da Ala Nilo Coelho do Senado Federal, que abriga reuniões de comissões. O PRS 38/20921 vai a promulgação.

Resumo de depoimento à CPI da Pandemia – 29/06/2021

CPI da Pandemia: Depoimento de Fausto Junior (MDB), deputado e relator da CPI da Saúde realizada pela Assembleia Legislativa do Amazonas. O requerimento de convocação é de autoria de Marcos Rogério (DEM-RO).

CPI da Pandemia: O presidente da CPI, Omar Aziz, disse que a votação dos requerimentos será feita nesta quarta-feira (30). Há na pauta 61 itens, entre convocações, pedidos de informação e quebras de sigilo.

CPI da Pandemia: Segundo o deputado estadual Fausto Junior, a CPI da Saúde no Amazonas detectou 17 crimes praticados durante a calamidade vivida no estado, entre eles peculato e fraudes, com 50 pedidos de indiciamento e 14 pessoas presas.

CPI da Pandemia: Eduardo Braga (MDB-AM) afirmou que Fausto Junior foi convocado na condição de relator da CPI da Saúde, e por isso deve prestar informações apenas sobre seu relatório. Para o senador, o depoente não deveria abordar outros assuntos.

CPI da Pandemia: A Renan Calheiros (MDB-AL), Fausto Junior disse que o relatório da CPI da Saúde no Amazonas foi apresentado antes da crise de oxigênio e que o documento serviu de base para três operações da Polícia Federal.

CPI da Pandemia: Randolfe (Rede-AP), Omar (PSD-AM) e Renan (MDB-AL) insistiram em perguntar por que o relatório não indiciou o governador do AM, Wilson Lima. Fausto Junior disse que isso seria responsabilidade dos órgãos de controle do estado.

CPI da Pandemia: Otto Alencar (PSD-BA) perguntou a Fausto Junior se o governador do Amazonas, Wilson Lima, teria responsabilidade pela crise por ter R$ 450 milhões em caixa e deixar faltar oxigênio. O deputado apontou que houve “má gestão”.

CPI da Pandemia: Após Eduardo Braga (MDB-AM) afirmar que o Hospital Delphina Aziz recebeu R$ 268 milhões durante a pandemia e mantinha três andares fechados, Fausto Junior reconheceu que a unidade chegou a funcionar com 50% da sua capacidade.

CPI da Pandemia: Humberto Costa (PT-PE) sugeriu ao deputado Fausto Junior a realização de uma nova CPI pela Assembleia Legislativa do Amazonas, com a inserção dos fatos relacionados à grave crise pandêmica vivida no estado em janeiro.

CPI da Pandemia: Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que a corrupção fez com que Fausto Junior não indiciasse o governador do Amazonas, Wilson Lima. Segundo Omar, o depoente teve uma “evolução fantástica” de imóveis em condomínios de altíssimo custo.

CPI da Pandemia: Marcos Rogério (DEM-RO) perguntou se foi apresentado pedido de impeachment do governador do Amazonas, Wilson Lima, e qual a posição do deputado. Fausto Junior diz que foi relator do pedido, mas que sua chapa saiu derrotada

CPI da Pandemia: Para Junior, declaração do vice-governador sobre o AM ter adotado imunidade de rebanho para se alinhar a Bolsonaro foi muito grave. Segundo ele, Carlos Almeida tinha muita informação porque coordenou força-tarefa contra pandemia.

CPI da Pandemia: Questionado por Rogério Carvalho (PT-SE) sobre papel de Mayra Pinheiro em Manaus, Fausto Junior disse que tinha conhecimento que pessoas do Ministério da Saúde estiveram no estado, mas que não sabe detalhar a atuação de cada uma.

CPI da Pandemia: Para o senador Telmário Mota, a CPI está perdendo seu foco. Ele disse que o depoimento do deputado Fausto Jr. e as manifestações de alguns senadores transformaram o dia da comissão em uma “disputa paroquial”, com foco no Amazonas.

CPI da Pandemia: Em resposta a Soraya Thronicke, Fausto afirmou que havia um “impeditivo da Constituição do Amazonas” para convocar o governador do estado, Wilson Lima. A senadora disse que há uma blindagem para não investigar os governadores.

CPI da Pandemia: Randolfe Rodrigues (Red-AP) apresentou pedido de prorrogação dos trabalhos da CPI da Pandemia por 90 dias. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, informou que o pedido será analisado ao fim do prazo atual da comissão.

CPI da Pandemia: Após seis horas de reunião, a CPI encerra os trabalhos de hoje (29). Amanhã a CPI deve votar dezenas de requerimentos e ouvir o empresário Carlos Wizard, suspeito de integrar um “gabinete paralelo” ao Ministério da Saúde.