IBGE: Vendas do comércio recuam 1% em janeiro

Além do dado fraco do primeiro mês de 2020, o IBGE revisou o desempenho dos meses anteriores (Foto: Reprodução)

Antes dos impactos do coronavírus sobre a economia, o volume de vendas no varejo brasileiro recuou 1% em janeiro, perante um mês antes, conforme dados com ajuste sazonal da PMC (Pesquisa Mensal do Comércio), divulgada nesta terça-feira (24) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Além do dado fraco de janeiro, o IBGE revisou o desempenho dos meses anteriores. As vendas de dezembro de 2019 passaram a recuar 0,5% frente a novembro (revisado de queda de 0,1%). O resultado de novembro, por sua vez, passou de avanço de 0,7% para elevação de 0,3%.

De acordo com o IBGE, as vendas do varejo ficaram 1,3% acima do mesmo mês de 2019. No acumulado de 12 meses até janeiro, o setor registra alta de 1,8%.

O volume de vendas no varejo, em janeiro de 2020, voltou a mostrar perda de ritmo, expresso não só pelo recuo de 1% frente a dezembro, mas também pela disseminação de taxas negativas entre as atividades investigadas. Com isso, o comércio varejista, em janeiro de 2020, permanece 5,4% abaixo do nível recorde alcançado em outubro de 2014.

No confronto com janeiro de 2019, na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista cresceu 1,3% e no varejista ampliado a taxa foi de 3,5%. No entanto, no acumulado em 12 meses, o volume de vendas fica estável tanto para o varejo quanto para o varejo ampliado.

Já a receita nominal do setor — que não desconta a inflação — aumentou 0,8% ante dezembro de 2019. Ante janeiro do calendário passado, houve expansão de 6,6%. (Com informações do IBGE e Valor Econômico)

Comércio interrompe 7 meses de alta em dezembro

Seis das oito atividades pesquisadas no comércio varejista tiveram taxas negativas de novembro para dezembro (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O comércio varejista teve leve retração de 0,1% em dezembro, na comparação com novembro do ano passado, interrompendo sete meses seguidos de avanço nas vendas. No acumulado em 2019, o setor cresceu 1,8% e fechou o terceiro ano consecutivo de taxas positivas, embora tenha havido uma desaceleração em relação a 2017 (2,1%) e 2018 (2,3%).Os dados são da PMC (Pesquisa Mensal de Comércio), divulgada nesta quarta-feira (12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Na comparação com dezembro de 2018, houve avanço de 2,6% nas vendas, sendo que o varejo mostrou maior dinamismo no segundo semestre de 2019 (3,3%) do que no primeiro (0,6%), em relação ao mesmo período do ano anterior.

“A presença de recurso livre adicional devido a liberação dos saques nas contas do FGTS a partir do mês de setembro e a melhoria na concessão de crédito à pessoa física são alguns fatores que podem ter influenciado esse resultado no segundo semestre. O comércio ainda não se recuperou totalmente da crise de 2015 e 2016, mas está em seu momento mais elevado desde outubro de 2014”, explica a gerente da pesquisa, Isabella Nunes.

Seis das oito atividades pesquisadas no comércio varejista tiveram taxas negativas de novembro para dezembro, sendo que o que mais pesou no índice geral foi o recuo em Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,2%).

“Essa atividade, que tem peso de 44% no total do varejo, foi particularmente afetada pelo comportamento dos preços das carnes”, ressalta Isabella Nunes.

Também tiveram resultado negativo nessa comparação: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-2,0%); Tecidos, vestuário e calçados (-1,0%); Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-10,9%); Combustíveis e lubrificantes (-0,4%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,1%). Em contrapartida, dois setores mostraram avanço, suavizando a queda no indicador geral estão os Móveis e eletrodomésticos (3,4%) e os Livros, jornais, revistas e papelaria (11,6%).

“A Black Friday em 2019 caiu na última sexta-feira do mês de novembro, o que levou o comércio a expandir as promoções para o fim de semana e, assim, muitas das vendas desse evento ocorreram já em dezembro, no domingo do dia 1o. Isso pode ter influenciado nos resultados positivos para o setor de móveis e eletrodomésticos”, comenta Isabella.

Varejo ampliado recua 0,8% em dezembro

Considerando o comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo, as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, o volume de vendas em dezembro teve decréscimo de 0,8% em comparação a novembro. O resultado foi impactado, principalmente, pelo recuo de 4,0% em Veículos, motos, partes e peças e de 1,1% em Material de construção ambos, após recuo de 1,6% e 0,1%, respectivamente, registrados no mês anterior.

Já em relação a dezembro do ano anterior, os resultados positivos prevalecem em cinco das oito atividades. O segmento de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos, brinquedos etc, exerceu a maior contribuição ao resultado geral do varejo, com avanço de 12,9%, fechando o ano de 2019 com avanço de 6,0% frente a 2018. O setor de Móveis e eletrodomésticos, com aumento de 18,6% no volume de vendas, a melhor taxa desde março de 2012 (20,9%), exerceu o segundo maior impacto positivo, acumulando um índice de 3,6% no ano.

Já o setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com recuo 2,9% no volume de vendas frente a dezembro de 2018, exerceu o maior impacto negativo na formação da taxa global do varejo. A análise pelo indicador acumulado no ano mostrou perda de ritmo ao passar de 0,8% em novembro para 0,4% em dezembro. Também houve recuo no volume de vendas de Combustíveis e lubrificantes (-1,0%), que exerceram a segunda maior contribuição negativa para o resultado total do varejo. (Agência IBGE Notícias)

Indicadores econômicos de novembro frustram expectativas

Ao longo de 2019, economia registrou sinais contraditórios de retomada do aquecimento. Vendas do comércio na Black Friday foram abaixo do esperado (Foto: Reprodução)

Jornal Nacional – O Globo

A trajetória de crescimento da economia brasileira diminuiu de ritmo no fim de 2019. Em novembro, alguns números ficaram abaixo das expectativas.

No chão da fábrica, pé no freio. Depois de três meses seguidos de produção em alta, o ritmo caiu em novembro na comparação com outubro – pouco mais de 1% de queda.

O resultado afetou o setor de serviços. A queda de 0,1% foi puxada especialmente pelo setor de transportes. Com menos produtos saindo das fábricas, os caminhões também circularam menos no fim de 2019.

“No caso da indústria, você produz muito em outubro e consome estoques ao longo de novembro e dezembro, isso é um processo natural. Houve um repique da inflação também, isso piora as condições de renda e consumo, atrapalha”, disse Roberto Padovani, economista-chefe do BV.

As vendas do comércio em novembro subiram 0,6% em relação a outubro. Apesar do resultado positivo, foi bem menor do que muitos previam para um mês com Black Friday.

Segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, os dados de novembro deram um banho de água fria nas projeções do mercado e colocam em dúvida a velocidade de crescimento do PIB – o conjunto de todos bens e serviços produzidos pelo país num determinado período. Mas isso não indica que a economia parou

“Os números de novembro colocam certo alerta de que o ritmo seja um pouquinho menor do que se imaginava. Vamos pensar assim: a gente está com uma economia que, na média, em 2019 cresceu em torno de 1%. Ou seja, ainda é um crescimento muito baixo. Quando a gente tem crescimentos baixos assim é normal alguns meses virem pior do que outros e negativos, como a gente viu de fato acontecer, no caso da indústria em novembro”.

Nesta quinta-feira (16), o Banco Central divulgou o índice de atividade econômica que dá um termômetro de como anda o crescimento do país porque leva em conta todos os segmentos da economia. Esse indicador é calculado pelo BC e é considerado uma prévia do PIB.

Em novembro, esse índice subiu 0,18%, resultado que também surpreendeu os analistas, mas desta vez positivamente – muitos acreditavam que haveria queda de atividade nesse período.

“O dinamismo da economia brasileira está vindo via setor privado, através do consumo e de uma recuperação moderada do investimento. Então, a gente deve esperar duas coisas: uma recuperação forte do setor privado, que é ampliação das vendas nível de varejo, e uma retomada dos investimentos produtivos”, disse o professor da Faculdade de Economia da USP Simão Silber.

Varejo registra alta de 0,1%, a sexta alta consecutiva em 2019

O setor varejista acumula alta de 2,7% no período, de acordo com dados do IBGE (Foto: Reprodução)

O comércio varejista brasileiro registrou ligeiro crescimento de 0,1% na passagem de setembro para outubro, a sexta alta consecutiva do setor no ano. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (11) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) por meio da PMC (Pesquisa Mensal de Comércio).

O setor acumula alta de 2,7% no período. O varejo também registrou altas de 0,4% na média móvel trimestral, de 4,2% na comparação com outubro do ano passado, de 1,6% no acumulado do ano e de 1,8% no acumulado de 12 meses.

De acordo com a PMC, seis das oito atividades pesquisadas tiveram alta no volume de vendas entre a passagem de setembro para outubro: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,3%), combustíveis e lubrificantes (1,7%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,2%), móveis e eletrodomésticos (0,9%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,3%) e tecidos, vestuário e calçados (0,2%).

As atividades que tiveram queda de acordo com a PMC foram supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,1%) e de livros, jornais, revistas e papelaria (-1,1%).

Varejo ampliado

Ao analisar o varejo ampliado, que inclui os setores de de materiais de construção e venda de veículos peças, foi registrado aumento de 0,8% de setembro para outubro com alta de 2,1% na atividade de materiais de construção e 2,% no de veículos e peças. Também foi registrada alta na média móvel trimestral (0,7%), na comparação com outubro de 2018 (5,6%), no acumulado do ano (3,8%) e no acumulado de 12 meses (3,8%). (Com informações do IBGE e agência de notícias)

Vendas do comércio crescem 0,7% em setembro

Na comparação com setembro de 2018, o varejo cresceu 2,1%, sendo a sexta taxa positiva seguida (Foto: Reprodução)

As vendas do comércio varejista cresceram 0,7% em setembro na comparação com agosto. Segundo informou nesta quarta-feira (13) a PMC (Pesquisa Mensal de Comércio), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), este é o quinto resultado positivo consecutivo. O segmento acumulou ganho de 2,4%.

O instituto informou ainda que, com o maior dinamismo da atividade comercial nos últimos três meses, o índice de média móvel no trimestre encerrado em setembro (0,6%) “acentua ritmo de crescimento frente à estabilidade que vinha sendo observada entre março e junho de 2019”.

Na comparação com setembro de 2018, o varejo cresceu 2,1%, sendo a sexta taxa positiva seguida. Com estes resultados, os índices do setor foram positivos tanto para o fechamento do terceiro trimestre de 2019 (2,6%), como para o acumulado dos nove primeiros meses do ano (1,3%).

As comparações são em relação a iguais períodos do ano anterior. O indicador acumulado nos últimos 12 meses, saindo de 1,4% em agosto para 1,5% em setembro, “sinaliza estabilidade no ritmo de vendas”. (Agência Brasil)

Vendas do comércio sobem 1,1% entre junho e julho

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou, nesta quarta-feira (11), a PMC (Pesquisa Mensal do Comércio) que aponta crescimento de 1% das vendas do setor na passagem de junho para julho. Apesar de baixo, os dados representam o terceiro resultado positivo do índice, que já acumula alta alta de 1,6% no acumulado de 12 meses.

O volume de vendas também apresentou alta de 0,5% na média móvel trimestral, 4,3% na comparação com julho do ano passado e 1,6% no acumulado do ano.

No período analisado,  sete das oito atividades pesquisadas tiveram alta nas vendas, com destaque para supermercados, alimentos, bebidas e fumo (1,3%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,2%) e móveis e eletrodomésticos (1,6%).

A PMC também registrou alta nos tecidos, vestuário e calçados (1,3%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,7%), combustíveis e lubrificantes (0,5%) e livros, jornais, revistas e papelaria (1,8%).

As quedas foram registradas nas atividades de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação teve queda em julho (-1,6%).

Ao analisar o varejo ampliado, houve crescimento nos setores setores de veículos e materiais de construção, o volume de vendas cresceu 0,7% e materiais de construção com crescimento positivo de 1,1%. As atividades de veículos, motos e peças recuou 0,9%.

O varejo ampliado registrou crescimentos de 0,5% na média móvel trimestral, 7,6% na comparação com julho de 2018, 3,8% no acumulado do ano e 4,1% no acumulado de 12 meses. (Com informações do IBGE e agências de notícias)

IBGE: Vendas do varejo caem 0,1% de abril para maio

O volume de vendas do comércio varejista no País teve um recuo de 0,1% na passagem de abril para maio. De março para abril, o setor já havia tido uma queda de 0,4%.

Segundo dados da PMC (Pesquisa Mensal do Comércio), divulgada nesta quinta-feira (11) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o varejo também caiu 0,1% na média móvel trimestral.

Nos demais tipos de comparação temporal, no entanto, o comércio teve crescimento: 1% na comparação com maio de 2018, 0,7% no acumulado do ano e 1,3% no acumulado de 12 meses.

Na passagem de abril para maio, a queda foi puxada por apenas duas das oito atividades do varejo pesquisadas: outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,4%) e combustíveis e lubrificantes (-0,8%).

Por outro lado, seis atividades tiveram crescimento e evitaram uma queda maior do setor no período: hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,4%), tecidos, vestuário e calçados (1,7%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,9%), móveis e eletrodomésticos (0,6%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (2,2%) e livros, jornais, revistas e papelaria (0,4%).

Varejo ampliado

O varejo ampliado, que também leva em consideração os setores de materiais de construção e de venda de veículos e peças, teve alta de 0,2% no volume na passagem de abril para maio, apesar das quedas de 1,8% dos materiais de construção e de 2,1% dos veículos, motos e peças.

O varejo ampliado cresceu 0,5% na média móvel trimestral, 6,4% na comparação com maio de 2018, 3,3% no acumulado do ano e de 3,8% no acumulado de 12 meses.

A receita nominal do varejo cresceu 0,8% de abril para maio, 0,5% na média móvel trimestral, 5,8% na comparação com maio do ano passado, 5% no acumulado do ano e 5,3% no acumulado de 12 meses.

Já a receita do varejo ampliado cresceu 0,9% na passagem de abril para maio e na média móvel trimestral, 10% na comparação com maio de 2018, 6,7% no acumulado do ano e 7% no acumulado de 12 meses. (Agência Brasil)

Monica De Bolle: O acordo UE-Mercosul

O anúncio de que após 20 anos de negociação finalmente a União Europeia e o Mercosul chegaram ao tão esperado acordo de livre-comércio foi notícia e tanto na semana passada. Para quem defende a liberalização comercial e a abertura da economia brasileira, o acordo abre caminhos para que finalmente o Brasil saia do isolamento. Os que acompanham essa coluna além de outros artigos que já escrevi sobre o tema sabem que há tempos defendo a abertura com base na ampla literatura empírica existente sobre os efeitos de longo prazo da abertura comercial no crescimento, na produtividade, nas transferências de tecnologia, nos investimentos. Dito isso, acordos comerciais são notoriamente difíceis de explicar para o público geral pois as minúcias e detalhes técnicos é que determinam a extensão dos benefícios pretendidos e se os números veiculados pelos governos envolvidos refletem adequadamente as medidas que o texto final contém.

Antes de prosseguir, advirto: muito se tem falado nos últimos dias sobre o acordo com o Mercosul. No entanto, ainda não dispomos do texto completo do acordo para analisá-lo. Dispomos tão somente de um documento de 17 páginas publicado pela UE resumindo alguns pontos do acordo preliminar. O primeiro ponto importante: o que foi anunciado na semana passada trata-se de um acordo preliminar, não final. O acordo final só virá após a sequência de revisões técnicas e jurídicas a serem feitas pelos países envolvidos, o que significa que as negociações ainda não terminaram. E, o que se sabe até agora? Não muito. Do texto de 17 páginas é possível extrair alguns detalhes sobre o acesso aos mercados para bens industriais e agrícolas, mas acordos modernos contém bem mais do que apenas a redução de tarifas e a abertura de mercados – embora o resumo da UE forneça lampejos do conteúdo dos demais capítulos, ainda é difícil saber o que de fato foi negociado nas áreas de propriedade intelectual, ecommerce, regras de origem, barreiras técnicas ao comércio, convergência regulatória, além de tantos outros temas complicados e bastante técnicos.

O que é possível dizer é que a UE pretende eliminar as tarifas aplicáveis a 100% dos produtos industrializados provenientes do Mercosul por linha tarifária ao longo de 10 anos, e que o Mercosul fará o mesmo para 93% das linhas tarifárias dos manufaturados que exporta para a UE. Há uma exceção para veículos de passageiros que ainda não está bem detalhada, mas no geral pode-se dizer que o acordo abre o mercado europeu para a indústria brasileira. Isso é evidentemente bom, mas há também que se considerar que a indústria local padece de baixa competitividade. A abertura pode ajudar esses setores a se modernizarem. Há quem ache que o acordo poderia acelerar a desindustrialização brasileira. Para esses, lembro: muitas empresas europeias já estão no País e já competem diretamente com empresas locais. No setor agrícola, o acordo parece favorecer mais a UE do que o Mercosul.

Enquanto o Mercosul reduzirá tarifas em mais de 90% do que importa da UE, a UE diminuirá tarifas em 82% do que importa do Mercosul. Produtos como carne bovina, açúcar, etanol, dentre outros, estarão sujeitos a cotas no mercado europeu, além de toda a exportação agrícola ficar rigorosamente sujeita às regras sanitárias e fitossanitárias da UE, áreas em que o bloco segue padrão próprio. O acordo contém capítulo destinado ao desenvolvimento sustentável obrigando todas as partes a cumprir estritamente as condições não apenas o acordo climático de Paris, mas diversos outros acordos internacionais.

Essa é a parte que pode ser mais complicada para o Brasil durante o processo de ratificação nos parlamentos, sobretudo no parlamento europeu, onde os partidos verdes aumentaram sua participação nas últimas eleições. Não é segredo que o governo Bolsonaro vem desmantelando regras ambientais e agências de monitoramento como o Ibama. Caso essas práticas não sejam inteiramente revertidas, não dá para excluir o risco de que após passar por todas as barreiras e atravessar duas décadas de negociações, o acordo UE-Mercosul não avance devido à radical mudança do governo Bolsonaro na área ambiental. Aguardemos os próximos capítulos, pois serão muitos. (O Estado de S. Paulo – 03/07/2019)

Vendas do comércio apresentam baixa de 0,6% e sinalizam estagnação da economia

As vendas do comércio tiveram baixa de 0,6% em abril na comparação com março. O número é o pior resultado para o período desde 2015 , quando registrou -1%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na PMC (Pesquisa Mensal do Comércio).

O varejo perdeu força após dois meses de relativa estabilidade e, para muitos especialistas, os dados reforçam a leitura de estagnação econômica. Na comparação com abril de 2018 houve alta de 1,7%. Assim, o comércio avançou 0,6% no ano e 1,4% nos últimos 12 meses. A aposta dos analistas era para uma queda menor, de 0,2%.

Segundo a PMC, das oito atividades pesquisas, cinco registraram queda no volume de vendas para abril na comparação com o mês anterior. A pesquisa destacou que a retração no varejo foi puxada pelo segmento de hipermercados (-1,8%), que caiu pela terceira vez seguida, e vestuário (-5,5%), que teve o segundo mês negativo.

Os números também evidenciam que houve queda de vendas em 20 das 27 unidades da Federação com destaque para Paraíba (-3,5%) e Rio de Janeiro (-2,8%) e Pará (-2,6%).

As três atividades tiveram alta entre março e abril foram móveis e eletrodomésticos (1,7%), combustíveis e lubrificantes (0,3%) e livros, jornais, revistas e papelaria (4,3%).

Já o volume de vendas do comércio varejista ampliado ficou estável. Os veículos e peças tiveram alta de 0,2% e os materiais de construção, de 1,4%. O varejo ampliado cresceu 3,1% ante abril do ano passado, 2,5% no acumulado do ano e 3,5% no acumulado dos últimos 12 meses (3,5%).

Longo caminho

Para a gerente de pesquisa, Isabella Nunes, o País precisara percorrer um longo caminho para atingir os números obtidos em 2014 quando houve recorde de vendas.

“Só essa observação já nos mostra uma perda de ritmo no ano de 2019. Ainda tem um longo caminho a ser percorrido para que o comércio varejista volte a registrar taxas semelhantes às de 2014”, afirmou.

Ela destacou ainda que o País possui um grande volume de desempregados que contribui negativamente para o aquecimento das vendas no varejo.

“Essa situação dificulta o crescimento da massa de rendimentos, que é o que impulsiona o consumo”, afirmou a pesquisadora do IBGE. (Com informações do IBGE e agências de notícias)

IBGE: Comércio registra avanço de 0,3% em março

As vendas do comércio apresentaram um ligeiro crescimento de 0,3% de fevereiro para março segundo a PMC (Pesquisa Mensal de Comércio) divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Contudo, na comparação com o mesmo período do ano passado, o comércio apresentou um recuo de 4,5%.

O resultado foi sustentado pelos setores de artigo farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,4%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,7%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (2,9%).

O Instituto, por outro lado, registrou queda nos setores de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,4%), combustíveis e lubrificantes (0,8%), móveis e eletrodomésticos (0,1%), tecidos, vestuário e calçados (2,5%) e livros, jornais, revistas e papelaria (4,1%).

Já o comércio varejista ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, obteve alta de 1,1% entre fevereiro e março com crescimentos de 4,5% do segmento de veículos, motos, partes e peças e de 2,1% dos materiais de construção. Na comparação com o mesmo período de 2018, a queda foi de 3,4%. No acumulado do ano, foi registrada alta de 2,3% e no acumulado de 12 meses, crescimento de 3,9%. (Com informações das agência de notícias)

IBGE aponta estabilidade no comércio e ligeiro crescimento na indústria em fevereiro

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou, nesta terça-feira (9), a PMC (Pesquisa Mensal de Comércio), que se mostrou estável de janeiro para fevereiro, e a PIM (Pesquisa Industrial Mensal) indicando ligeiro crescimento entre ambos os meses.

A PMC aponta que as vendas do comércio varejista no País caíram 0,6% na média móvel trimestral. Contudo, nos outros tipo de comparação, o volume apresentou crescimento de 3,9% quando comparado a fevereiro do ano passado, de 2,8% no acumulado do ano e de 2,3% no acumulado de 12 meses.

De acordo com o IBGE, entre janeiro e fevereiro deste ano metade dos setores analisados apresentaram queda enquanto a outra metade obtive alta. Os segmentos com crescimento foram vestuário e calçados (4,4%), artigos de uso pessoal e doméstico (1%), livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,1%).

Já as quedas foram constatadas no setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,7%), combustíveis e lubrificantes (-0,9%), móveis e eletrodomésticos (-0,3%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-3%).

Quando analisado o comércio varejista, que incluem atividades de veículos e material de construção, o volume de vendas recuou 0,8% em comparação a janeiro. A receita nominal do varejo cresceu 0,3% na comparação com janeiro, 7,5% na comparação com fevereiro de 2018, 6% no acumulado do ano e 5,4% no acumulado de 12 meses.

Indústria

Ao analisar o desempenho da indústria no período, o IBGE constatou ligeiro aumento de 0,1% no trimestre encerrado em fevereiro de 2019, após sofrer recuo de 0,2% em janeiro. Oito locais apontaram taxas positivas com avanços acentuados em Goiás (3,6%), Amazonas (2,8%), Pernambuco (1,5%), região Nordeste (0,8%), Paraná (0,8%), São Paulo (0,8%) e Bahia (0,7%). Por outro lado, Espírito Santo (-4,7%), Minas Gerais (-1,3%) e Rio Grande do Sul (-0,8%) registraram os principais recuos em fevereiro de 2019.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, a indústria teve um crescimento de 2% em fevereiro com taxas positivas em 10 dos quinze locais pesquisados. Pará (12,7%) e Paraná (10,8%) foram as unidades da federação que mais cresceram impulsionados principalmente pelos setores de indústrias extrativas; veículos automotores, reboques e carrocerias; produtos alimentícios; e máquinas e equipamentos. (Com informações do IBGE e agência de notícias)

Hélio Schwartsman: Golpe de mestre

Na novela da transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, Jair Bolsonaro conseguiu a façanha de ficar mal com todas as partes.

A bancada evangélica, os grupos mais ideológicos de seu governo, além, é claro, do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, ficaram frustrados com o fato de o presidente ter recuado da promessa de campanha. Em vez de anunciar a mudança da embaixada durante sua visita ao Estado judeu, Bolsonaro limitou-se a dizer que abrirá um escritório comercial na cidade.

O problema é que mesmo esse pequeno prêmio de consolação basta para indispor o Brasil com os árabes. A Autoridade Palestina condenou a decisão e convocou seu embaixador para consultas. Há o receio de que outros países árabes e islâmicos adotem alguma represália comercial contra o Brasil. O alvo óbvio são as exportações de carne “halal” para o Oriente Médio, o que é motivo de preocupação para a bancada ruralista.

Nada disso é física nuclear. Se Bolsonaro tivesse consultado um especialista ou estudado ele mesmo a matéria por 20 minutos antes de fazer promessas, teria percebido que os ganhos potenciais não compensavam os riscos. É tolice incorrer na possibilidade de perdas reais para energizar um público que já estava fechado com a candidatura.

E isso nos leva ao ponto central da coluna. Das várias características do neopopulismo de direita que parece estar tomando conta do Ocidente, o anti-intelectualismo é a mais preocupante. A maior parte dos avanços socioeconômicos observados nos últimos 200 anos se deve ao acúmulo de conhecimento técnico, que passou a ser utilizado em políticas públicas. Pense em coisas como saneamento, programas de vacinação etc.

Ao desprezar o racionalismo e o saber de especialistas, a nova direita passa o rodo sobre o que deu certo ao longo da história e ainda abre flanco para criar novos problemas desnecessários, como fez Bolsonaro. (Folha de S. Paulo – 02/04/2019)