Para Eliziane Gama, ‘braço-direito’ de Pazuello no Ministério da Saúde cometeu crime de prevaricação

Senadora diz que Airton Cascavel cometeu ‘grave erro’ quando atuou na pasta por não adotar as ações necessárias para o enfrentamento da pandemia de Covid-19 (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

A líder do bloco parlamentar Senado Independente, Eliziane Gama (MA), disse nesta quinta-feira (05) na CPI da Pandemia que o ex-assessor especial do Ministério da Saúde, empresário Airton Soligo, o Airton Cascavel –  considerado o ‘braço direito’ do ex-ministro Eduardo Pazuello -, cometeu ‘grave erro’ quando atuou na pasta por não adotar as ações necessárias para o enfrentamento da pandemia.

“Em todos os momentos em que o TCU [Tribunal de Contas da União] faz um levantamento dessa política [do governo de enfrentamento à Covid-19], há claramente falhas. E o senhor estava lá, exatamente como uma função estratégica. Por isso que eu não consigo entender o que que o senhor fazia lá. Ou seja, para mim me vem um entendimento de uma certa prevaricação da sua parte”, afirmou a senadora.

Depoente do dia da CPI, Cascavel teria trabalhado informalmente durante meses no Ministério da Saúde, ao lado de Pazuello, sem ter qualquer vínculo com o setor público. A atuação do ex-assessor é alvo de investigação da Procuradoria da República no Distrito Federal. A suspeita é de usurpação de função pública, ou seja, da ocupação de um cargo de maneira informal.

“O senhor acabou participando de toda essa má gestão. O TCU tem relatório nesse sentido, aliás, não é um, não, são vários. Tem ação do Ministério Público Federal contra o Ministério da Saúde e que inclusive um dos alvos é o senhor – está aqui a ação toda –, o alvo principal é o Pazuello, mas também é o senhor, exatamente por essa usurpação, ou seja, má gestão”, disse Eliziane Gama.

‘Picaretas’

O ex-assessor especial do Ministério da Saúde reconheceu durante o depoimento à CPI que “picaretas das vacinas” procuraram a pasta para tentar negociar a venda dos imunizantes contra a Covid-19.

“O senhor falou agora aqui e o Brasil inteiro ouviu: eram picaretas que iam ao Ministério da Saúde. Quem eram esses picaretas, o senhor pode nominar para mim, por favor?”, questionou a senadora.

“Quando eu vejo um [Luiz Paulo] Dominguetti da vida ofertar [ofertar vacina ao Ministério da Saúde] não sabia, fiquei sabendo disso agora…”, respondeu Cascavel.

“O senhor nunca falou com o Dominguetti?”, perguntou então a senadora diante de informações da CPI de que ele recebeu ligações do lobista de vacina.

O ex-assessor admitiu ter recebido as ligações, mas disse que nunca respondeu mensagens de celular de Dominguetti sobre oferta de vacinas.

“Nunca respondi essas mensagens porque achava que era armação”, afirmou Cascavel, acrescentando nunca ter visto Dominguetti.