IMPRENSA HOJE

Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais (23/09/2022)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Corrida pela Presidência é a mais estável desde 1994
Castro se isola em 1º, com 36%; Freixo em 26%
Debate: Freixo e Neves se unem para atacar governador, que defende sua gestão
Gafe de Tarcísio agita disputa em São Paulo
Em nota, sem citar Lula, FH defende voto pela democracia
STF decide que poder público deve garantir vagas em creches e pré-escolas
Novo bloqueio no Orçamento afetará emendas de relator
Desvio de gás encanado é nova fonte de renda do crime no Rio
Protestos no Irã – Após seis dias de manifestações, governo bloqueia acesso a redes sociais

O Estado de S. Paulo

Esquema no MEC pediu propina dentro de pneu, diz empresário
Governo anuncia bloqueio de R$ 2,6 bi para cumprir teto
FHC pede voto pró-democracia e ciência, mas não menciona Tebet
Lula quer reaver R$ 815 mil que teria pago por imóvel no Guarujá
Pandemia torna mais urgente corte no inchaço da máquina pública
Polícia apura venda de CNH e prende diretor do Detran
Parece feriadão, mas são russos fugindo do alistamento
Irão bloqueia redes sociais em meio a protestos por coação a mulheres

Folha de S. Paulo

Lula vai a 47%, e Bolsonaro fica com 33%, diz Datafolha
Em SP, Haddad tem 34%, Tarcísio, 23%,e Rodrigo, 19%
Castro chega a 36%, e Freixo oscila a 26% no Rio
Diferença de Zema, 48%, sobre Kalil, 28%, recua em MG
TCU questiona militares sobre apuração paralela
Sem provas, Lira insinua pesquisas manipuladas
Convocação vaga para a guerra gera confusão e protestos na Rússia
Irã restringe internet para sufocar protestos

Valor Econômico

ANS muda regra e dá alívio ao caixa de planos de saúde
Arrecadação de ICMS cai em agosto
Lula tem 47% e Bolsonaro 33%, diz Datafolha
Em debate no Rio, Castro e Freixo têm nova dinâmica
Municípios da pecuária lideram desmate

Correio Braziliense

Candidatos ao GDF priorizam os pequenos comerciantes
‘Querem ver o satanás e não querem me ver na Presidência’
FHC prega voto em democrata, mas não cita nome
Lula: ‘socialista refinado’ e ataque a Bolsonaro na TV
TCU vai ampliar número de urnas a serem auditada
Primeiras chuvas, velhos problemas
Isolada, Rússia começa a recrutar combatentes

EDITORIAIS

O Globo

Voto útil e abstenção são as chaves do primeiro turno

Lula tenta atrair eleitores de Ciro e Tebet, mas seu desafio será convencer os menos escolarizados a votar

Faltando nove dias, duas forças sobressaem na reta final da campanha eleitoral. Primeiro, a propaganda em favor do voto útil do líder nas pesquisas, o petista Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo, o efeito que a abstenção — não medida pelos institutos — terá no resultado das urnas. A primeira força é favorável a Lula, a segunda desfavorável. A resultante entre as duas determinará se a disputa pelo Planalto com o presidente Jair Bolsonaro acabará no primeiro turno ou se será necessária uma nova rodada no final do mês.

A pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra Lula com 47% das intenções de voto, 14 pontos percentuais à frente de Bolsonaro. O resultado é consistente com outros levantamentos. A medição do Ipec no início da semana também mostrou larga vantagem para o petista: 47% ante 31% de Bolsonaro. Acreditando que o “instantâneo” se manterá inalterado até o dia da eleição, os estrategistas da campanha lulista têm feito o possível para liquidar a disputa na primeira rodada.

O risco de Bolsonaro para a democracia tem sido brandido como argumento pelos petistas para tentar convencer eleitores de outros candidatos a votar em Lula. O PT, penalizado pelo voto útil repetidas vezes ao longo de sua história, adaptou às circunstâncias atuais o argumento que sempre usou.

Embora essa estratégia faça parte do jogo democrático, ela não deveria significar um cheque em branco. Para atrair o voto útil no primeiro turno, Lula deveria ter adequado seu programa de modo a torná-lo mais representativo. É verdade que ele tem feito acenos ao centro do eleitorado (chamou o ex-tucano Geraldo Alckmin para vice, apareceu nesta semana ao lado do ex-ministro Henrique Meirelles e tem distribuído afagos a banqueiros e empresários). Mas só assumiu compromisso concreto com os eleitores da Rede, cujas propostas ambientais incorporou a seu programa para ganhar o apoio de Marina Silva. No tocante à economia, continua a dever.

O principal indicador para determinar a adesão ao voto útil é a rejeição. Nesse quesito, Bolsonaro tem sido imbatível. Na última pesquisa do Ipec, seu nome foi repelido por 50%, enquanto Lula por 33%. No levantamento do Datafolha, Bolsonaro é rejeitado por 52%, Lula por 39%. Um segundo indicador que tem entusiasmado os petistas mede a convicção do voto. Dos eleitores de Lula e Bolsonaro, respectivamente 87% e 88% dizem que não mudarão de ideia. Entre os que preferem Ciro Gomes e Simone Tebet, os números giram em torno de 50%. As oscilações dos dois nas últimas sondagens revelam um veio potencialmente rico em votos úteis para Lula.

O principal problema dele está na abstenção, que tem ficado em torno de 20% nas últimas eleições. Eleitores com menos anos de estudo, segmento em que Lula tem larga vantagem, votam menos que os mais escolarizados, revela uma análise do cientista político Jairo Nicolau. Há quatro anos, o comparecimento dos que tinham ensino fundamental incompleto foi de 77,5%. Entre quem tinha o ensino médio completo ou superior incompleto, chegou a 86%. De acordo com Nicolau, a convocação para eleitores de baixa escolaridade saírem de casa e irem votar será decisiva para Lula.

O Estado de S. Paulo

O realismo do Copom

BC promete manter juros altos até a inflação ceder e enquanto perdurar a incerteza fiscal, no momento em que os EUA e as economias mais desenvolvidas também apertam o crédito

Com o maior juro real entre 40 economias emergentes e ricas, o Brasil continuará sujeito ao arrocho monetário até haver um claro recuo da inflação, avisou o Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC). O juro real, diferença entre a taxa básica e a inflação prevista, está em cerca de 8%. Crédito caro será um dos entraves enfrentados pelo presidente eleito, no início de mandato, na tentativa de impulsionar o crescimento econômico e a expansão do emprego. Depois de 12 altas consecutivas, o BC interrompeu os aumentos e manteve em 13,75% a taxa básica de juros, a Selic, na reunião concluída ao anoitecer de quarta-feira. Dois dos nove membros do comitê defenderam mais um ajuste de 0,25 ponto porcentual. Embora vencidos na deliberação final, também sua atuação pode valer como advertência: ninguém deve esperar para breve um afrouxamento.

O Copom prometeu, ao anunciar a decisão sobre os juros, manter sua política até atingir dois objetivos, o recuo da inflação para perto da meta e a ancoragem das expectativas do mercado. O compromisso foi acompanhado de uma advertência: o comitê “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste, caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”.

Entre os sinais de perigo foi incluída, como em comunicados anteriores, a incerteza sobre o futuro do “arcabouço fiscal”, isto é, das contas públicas. Também foi mencionada a insegurança quanto a novos estímulos fiscais – como despesas e cortes de impostos – destinados a estimular o mercado. As medidas eleitoreiras com impacto nas contas do próximo ano já estão, obviamente, incluídas no cenário do BC. Falta conferir como o presidente eleito cuidará das finanças do governo, especialmente diante das perspectivas de uma forte desaceleração econômica no próximo ano.

A advertência está feita: juros altos serão mantidos enquanto a inflação for resistente, um novo aumento continua possível e a equipe do próximo governo, se tiver juízo, levará a sério a mensagem do Copom.

Também o quadro externo deverá dificultar um afrouxamento monetário no Brasil. No mundo rico, a inflação atingiu os níveis mais altos em décadas. O desarranjo dos preços tem contagiado a maior parte do mundo, incluído o Brasil. Além disso, os bancos centrais das maiores economias iniciaram a elevação de juros para frear a alta de preços. Isso afeta as condições globais de financiamento, altera os fluxos de capitais e mexe no câmbio, favorecendo, por exemplo, a valorização do dólar.

Na quarta-feira, antes de terminar a reunião do Copom, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anunciou a elevação dos juros básicos para a faixa de 3% a 3,25%, com alta de 0,75 ponto porcentual. No dia seguinte o Banco da Inglaterra adicionou 0,5 ponto aos juros, aumentando-os para 2,25%. No dia 8 o Banco Central Europeu (BCE), depois de vários anos de política expansionista, havia alterado sua taxa principal de zero para 0,75%.

Diante desse quadro, os membros do Copom terão de ser especialmente cuidadosos no manejo da taxa básica de juros, principalmente se quiserem diminuir o arrocho. Poderão aumentar a taxa mais uma vez, se os preços continuarem muito desarranjados, mas até isso será complicado, se a atividade continuar insegura.

No mercado, os mais otimistas têm previsto redução dos juros a partir do segundo trimestre. Talvez estejam certos, mas o espaço de ação poderá ser muito limitado pelas condições financeiras internacionais e pelo câmbio. Qualquer decisão será perigosa, se provocar insegurança entre investidores e resultar em dólar sobrevalorizado. As avaliações dos investidores, convém ressaltar, dependerão também da condução das contas públicas. Os arroubos e improvisações do presidente Jair Bolsonaro têm sido grandes fatores de insegurança e de instabilidade cambial.

A inflação continuará influenciada pelas condições internacionais. O belicismo do presidente Vladimir Putin ainda causará problemas para o Copom. Mas já haverá uma alteração positiva, no Brasil, se o seu governo se mostrar menos tolerante e simpático aos surtos agressivos do dirigente russo.

Folha de S. Paulo

A cartada de Putin

Mobilização de reservistas e intimidação nuclear explicitam erros e elevam risco

Logo que chegou ao poder, na virada do ano 2000, um jovem e desconhecido Vladimir Putin publicou uma autobiografia. Em “Primeira Pessoa”, ele conta episódios da sua infância na arruinada Leningrado (hoje São Petersburgo), nos anos 1950, e destaca como gostava de atacar os ratos que infestavam os dilapidados prédios locais.

“Eu tive uma lição rápida sobre o sentido da palavra encurralado”, escreve, sobre quando cercou um enorme roedor em uma escadaria. “Ele não tinha para onde ir e, de repente, se jogou contra mim. Eu fiquei surpreso e assustado, e agora o rato estava me perseguindo.”

Se o menino é o pai do homem, como se diz, é possível ver sombras da anedota na invasão da vizinha Ucrânia promovida pelo russo.

Parte do que explica a agressão é a reação ao que se encara na Rússia como um cerco feito pelo Ocidente ao país após a implosão da União Soviética, em 1991.

Não justifica a guerra, claro, mas ajuda a entendê-la. O mesmo se dá com a cartada de quarta-feira (21).

O russo anunciou uma mobilização parcial de até 300 mil reservistas, para assegurar as fronteiras que pretende redesenhar ao anexar áreas que ocupa no vizinho. Elas serão objeto de fantasiosos referendos a serem completados neste fim de semana, em flagrante violação das leis internacionais.

Mais reveladora foi a assertiva de que a guerra é contra o Ocidente, que usaria a Ucrânia como um fantoche —e a anexação significa que, no limite, armas nucleares poderão ser usadas para defender as novas terras russas.

Trata-se do conceito do rato encurralado em pleno uso. Putin não parece estar perto da derrota militar final ou de um golpe, mas vive sob pressão devido a seus erros.

Sua escolha de empregar força insuficiente, a fim de manter a popularidade, impediu a vitória em fevereiro e, agora, resulta na perda de áreas conquistadas no nordeste ucraniano. Pior, ameaça seu maior prêmio, o leste russófono.

A mobilização visa estancar esse movimento e, talvez, criar condições objetivas para o fim do conflito. Para ficar nas memórias infantis, o roedor só parou quando Putin fechou a porta de casa.

Tudo indica que, ao mencionar o maior arsenal atômico do mundo, o autocrata russo está fazendo o que nega —blefando. O problema que se coloca é se ele domina mesmo os limites de seu jogo.

Central no processo é o endosso, ainda que algo dissimulado, da China. Recém-saído de uma reunião com Putin, Xi Jinping sabe que boa parte do apoio dos EUA a Kiev diz respeito à contenda com Pequim. O que se pode dizer por ora é que os riscos da guerra aumentaram.

Valor Econômico

Indústria é hoje menos produtiva que em 2000

As respostas são plurais. Mas precisam ser formuladas, o que requer um esforço nacional

A produtividade industrial foi em 2021 a menor do século. A soma de todas as mazelas da falta de crescimento abateu-se com toda a força sobre o polo irradiador mais dinâmico da produtividade, a indústria de transformação, cuja participação no total das atividades econômicas é hoje a menor desde 1947, aponta estudo de Claudio Considera e Juliana Trece, da Fundação Getulio Vargas (Valor, ontem). A conclusão é pessimista. “A indústria de transformação está à beira da extinção”, diz Considera.

A decadência da indústria manufatureira do país, a maior e mais diversificada na América Latina nos anos 1980, é ilustrada de diversas maneiras. Sua participação na formação do conjunto das riquezas, o PIB, chegou ao auge em 1985 (35,9%), foi definhando a partir daí até chegar a 13,8% em 1998, ensaiou breve recuperação em 2004 (17,8%) para estacionar ao redor dos 11%, o menor percentual em 75 anos, em 2020 e 2021. Estudiosos do assunto, como Dani Rodrik, qualificaram a passagem de uma economia industrial para outra de serviços um caminho natural, porém bastante prematuro em países como o Brasil. De certa forma, é como se a indústria decaísse bem antes de chegar ao apogeu.

Ainda que a fatia industrial no PIB houvesse que declinar, a produtividade não necessariamente seguiria esse caminho, mas foi o que aconteceu. Houve perda geral de competitividade, como pode ser observado pela redução de seu papel nas exportações. Entre 1997 e 2021, a indústria de transformação teve uma perda de 27,5 pontos percentuais, enquanto as importações do setor avançaram 7 pontos percentuais (os números são do estudo da FGV, os comentários, não).

Como resultado, houve uma redução acentuada tanto das exportações como proporção da demanda total da indústria de transformação, como um aumento, ainda que em menor escala, da fatia das importações na produção doméstica. A competitividade do parque industrial nacional tornou-se anêmica, e sua participação na manufatura mundial regrediu. Entre 2015 e 2020, a redução foi de 1,6% para 1,3%, mas em intervalos mais longos a involução foi provavelmente maior.

As saídas para a crise da indústria, se existirem, são complexas e não há clareza sobre para aonde ir, ao contrário dos diagnósticos, quase todos conhecidos. A educação brasileira é de péssima qualidade, a economia é uma das mais fechadas do mundo, e a presença do Brasil nas cadeias globais de valor, pequena; a estrutura tributária nacional é um manicômio, os juros em geral são altos, e o Brasil perdeu tempo e energia preciosos para vencer uma inflação muito alta.

As soluções propostas são genéricas e incompletas. Em geral, contemplam melhorias macroeconômicas e alocação de recursos, como aumento da taxa de investimentos, mais recursos para ciência, tecnologia e inovação, maior integração dos centros de pesquisa, mais e melhores acordos comerciais, ampliação e melhoria do estudo técnico e profissionalizante e outras mais. Mas parecem adequadas como meios para se chegar a um fim que se desconhece.

A ascensão da China como parque industrial do mundo acabou com as chances de países como o Brasil voltarem a concorrer em uma ampla gama de produtos em que teve vantagens competitivas. Além disso, a China subiu na escala tecnológica e domina a oferta desde manufaturas simples a uma boa gama das sofisticadas. Os países desenvolvidos deram um salto para a indústria 4.0, enquanto pesquisa recente mostrou que a indústria brasileira mal está no estágio 2.0.

Definir rumos tendo como parâmetro a centralidade da indústria é muito complicado, mas há quem julgue que a solução não é mais essa e passa pela sofisticação dos serviços, que são dois terços do PIB tanto no Brasil como nos países desenvolvidos. “Estamos entrando em uma nova era em que a industrialização não será mais tão potente na disseminação dos benefícios dos ganhos de produtividade em toda a economia”, afirma Rodrik (Valor, 14-10-2021). “O crescimento agora só é possível com o aumento da produtividade em empresas informais menores que empregam a maior parte das classes média-baixa e pobres”.

As respostas são plurais. Mas precisam ser formuladas, o que requer um esforço nacional, que inclua governo, sindicatos, academia, industriais e agricultores etc. Não serão dadas pelo mercado ou pela volta da escolha de “campeões nacionais”.

Correio Braziliense

A pandemia e a primeira infância

Estudo aponta que a partir de 2020, e especialmente em 2021, observou-se um aumento vertiginoso na mortalidade materna em todo o País

Na última quarta-feira, um estudo realizado pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV), com apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Itaú Social, mostrou a triste realidade do Brasil no período pós-pandemia no que tange a crianças de 0 a 6 anos — a primeira infância. O levantamento comparou 10 indicadores da qualidade de vida de crianças nessa faixa etária, entre os quais destacam-se saúde, educação, segurança alimentar e proteção.
Antes mesmo de afetar as crianças, os indicadores mostram prejuízos à saúde materna. Foram analisados dados de 15 variáveis de forma contínua, entre 2015 e 2021, cobrindo períodos antes e durante a pandemia.

A partir de 2020, e especialmente em 2021, observou-se um aumento vertiginoso na mortalidade materna em todo o país. Entre 2015 e 2019, o índice no Brasil se manteve praticamente estável, próxima a 60 óbitos maternos a cada 100 mil nascidos vivos, ainda muito acima das metas recomendadas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (30 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos).

Desde o ano passado, entretanto, ocorreu um crescimento no número de mortes, que chegou a 113,6 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos em 2021 — um incremento de 89,3% desde 2019 —, sendo a covid-19 a grande responsável. Mais da metade das mortes maternas decorreram de infecção pelo novo coronavírus (53,4%).

Foi registrada também queda da taxa de acompanhamento pré-natal, de 72,9% (mães que fizeram pelo menos sete consultas) para 72,2%. Com relação às crianças, a cobertura vacinal foi um dos dados que mais chamaram a atenção. Dos 10 imunizantes destinados à primeira infância, comparando 2019 e 2021, a cobertura da BCG, por exemplo, caiu de 86,6% para 68,6%; e a da poliomielite, de 84,1% para 69,4%.

A crise econômica também impactou a alimentação infantil. O percentual de crianças de 0 a 5 anos muito abaixo do peso subiu de 1,1%, em 2020, para 1,7%, em 2021, o correspondente a cerca de 325 mil crianças desnutridas a mais.
Em três anos, as creches registraram uma redução de 338 mil matrículas. A pesquisa mostra ainda que as crianças praticaram menos atividades físicas, interagiram e brincaram menos, ficaram mais tempo diante das telas e aprenderam menos.

Bem se sabe que as crianças que estão na primeira infância viveram praticamente metade da existência em estado de pandemia, ou seja, quase três anos de vida. E é justamente nessa fase, especialmente nos três primeiros anos, que o cérebro da criança, assim como as linguagens e habilidades nos mais diversos campos, se desenvolve mais rapidamente.
Por outro lado, é durante esse período que os fatores de risco mais interferem no resultado final, a exemplo da pobreza, insegurança alimentar, falta de acesso a serviços como saúde e educação, violência, entre outros, interferindo negativamente na formação intelectual e psíquica dessas crianças.

A redução da interação social, o fechamento das escolas, serviços e comércio, as perdas econômicas, o desemprego, as mortes, a apreensão pela descoberta de vacinas, problemas de ordem física e mental — todo esse emaranhado de questões rondou seres humanos da primeira infância durante o período pandêmico e ainda ronda, se observarmos que o “normal” não é mais aquele. Mesmo temas “mais sofisticados” para o universo infantil reverberaram sobre as rotinas dos pequenos. Além da atenção e acolhimento dos pais, a busca de profissionais da saúde mental é uma ajuda bem-vinda. Para pais e filhos.

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