Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (07/06/2022)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Governo anuncia pacote para baratear combustíveis
Lula propõe derrubar teto; Bolsonaro se diz fiel a Guedes
Força-tarefa faz buscas por jornalista e indigenista
PGR recorre para manter cassão do deputado bolsonarista Francischini
Setor de serviços puxa criação de vagas formais de trabalho
Cresce número de crimes cometidos por falsos entregadores
Brasileiro morre em combate na Ucrânia
Boris sobrevive a voto de desconfiança, mas se desgasta

O Estado de S. Paulo

Covid avança em 24 Estados e contágio dobra em 2 semanas
Ameaça populista renova ataque à liberdade de imprensa
Jornalista inglês e indigenista da Funai desaparecem na Amazônia
PT formaliza plano de rever reforma trabalhista e teto de gastos
Indústria refaz o mapa da produção de chips
Governo propõe compensar Estados para zerar ICMS de diesel e gás
Em 40 dias, Prefeitura de SP interna 22 usuários de drogas
Johnson escapa enfraquecido de votação no Parlamento

Folha de S. Paulo

Bolsonaro dará a estados R$ 50 bi para zerarem ICMS do diesel
PT propõe revogar reformas em prévia de programa de Lula
Jornalista e indigenista somem na Amazônia
Governo incentiva garimpo ilegal, diz cardeal brasileiro
Boris supera voto de desconfiança e fica no cargo

Valor Econômico

Governo propõe zerar ICMS de diesel e gás e ressarcir Estados
Recompras de ações têm salto em 2022
Anac libera leilão de 15 aeroportos
Volks dá um gás no corte de emissões
OCDE avaliará de instituições a desmate do país
No programa do PT, a revogação do teto de gastos
PF busca jornalista e indigenista no AM
Rússia é acusada de saquear e exportar grãos ucranianos

EDITORIAIS

O Globo

Vacinação estagnada preocupa diante de novo crescimento de casos de Covid

Imunização ainda não atingiu os patamares necessários para proteger a população, principalmente devido às variantes e subvariantes do novo coronavírus

No momento em que o número de casos de Covid-19 volta a subir no país — eles estão há 11 dias em alta —, é preocupante constatar que a vacinação contra a doença está praticamente estagnada. Segundo levantamento feito pelo Ministério da Saúde a pedido do GLOBO, 46 milhões de brasileiros ainda não tomaram o reforço, e 17 milhões nem sequer receberam a segunda dose. Boletim do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já chamava a atenção para a “adesão substancialmente menor de adultos à aplicação da dose de reforço”. Segundo a Fiocruz, a situação se torna mais temerária porque medidas de prevenção, como uso de máscaras e exigência de passaporte sanitário, foram abandonadas no país.

Embora tenha avançado bem, a vacinação ainda não atingiu os patamares necessários para proteger a população, principalmente devido às variantes e subvariantes do novo coronavírus, para as quais as doses de reforço são fundamentais, diante do declínio da imunidade. Menos de 85% do público-alvo (acima de 5 anos) tomou a segunda dose. Os índices da dose de reforço ainda estão longe do ideal: cobrem menos de 60% da população vacinável.

Diferentemente do que ocorreu em 2021, no auge da pandemia, hoje não faltam vacinas — em alguns estados elas estão até sobrando. O governo, apesar de manter os estoques em dia, não ajuda, porque não se vê uma campanha oficial para estimular os brasileiros a ir aos postos ou, ao menos, para neutralizar as mentiras criminosas espalhadas nas redes pelas milícias antivacina. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, parece mais empenhado em turbinar a campanha política do filho.

É boa notícia que 2 milhões de doses da vacina AstraZeneca contra a Covid-19 já estejam disponíveis também em clínicas particulares de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A iniciativa — possível após o governo ter decretado o fim do estado de emergência que impedia a oferta em estabelecimentos privados — vem para somar.

A venda de vacinas em clínicas particulares em nada afeta a rotina do Sistema Único de Saúde (SUS). Se preferir, qualquer brasileiro que queira se vacinar pode se dirigir a um posto de saúde. Está em curso em estados como São Paulo a aplicação da segunda dose de reforço. A dose particular, que custa em torno de R$ 350, é para quem não quiser ir ao SUS ou para casos em que o médico prescreve mais doses do que as recomendadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Outras vacinas, como a da gripe, já são oferecidas tanto pelo sistema público quanto pelo privado. A Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas estima que entre 3% e 4% da população poderá ser atendida.

Se o brasileiro tem a impressão, ainda que falsa, de que a pandemia acabou, não só pela bem-vinda queda no número de mortes e casos graves, mas também pelo fim das medidas de restrição e pela relativa normalidade, é graças à vacinação. Por isso é fundamental ampliar ao máximo a cobertura. Não importa se o cidadão recorrerá ao SUS ou à clínica privada. Importa é se vacinar.

O Estado de S. Paulo

Autoritários temem a imprensa livre

A recessão democrática está intimamente ligada às agressões à liberdade de imprensa, mas o jornalismoseguirá firme em sua missão de viabilizar a democracia

Nunca, desde a redemocratização, foi tão importante celebrar este Dia Nacional da Liberdade de Imprensa. A crise é global, mas no Brasil é particularmente aguda.

Democracia e liberdade de expressão são tão visceralmente ligadas que é impossível dizer qual é a causa e qual a consequência. Não surpreende que as instituições que as encarnam – o Estado de Direito e a imprensa independente – estejam sob pressão.

Institutos responsáveis por monitorar liberdades apontam unanimemente uma recessão da democracia no mundo. De acordo com a Freedom House, só 13% da população mundial goza de uma imprensa livre. Segundo o V-DEM, as ameaças às liberdades de expressão e imprensa respondem por 8 entre 10 indicadores em declínio no maior número de países na última década.

Superpotências totalitárias como China e Rússia multiplicam arsenais de desinformação e repressão. No Ocidente, a promessa das redes digitais de ampliar a pluralidade e a liberdade de opinião malogrou. A lógica de impulsionamento dos algoritmos favorece o sensacionalismo e a agressividade. Cresce o número de políticos que, auxiliados por tropas de robôs, usam táticas digitais para intimidar adversários e distorcer eleições.

O kit dos populistas iliberais, do México à Hungria e à Índia, inclui pressão financeira sobre a imprensa independente, privilégios a plutocratas alinhados ao regime e abuso das leis contra a desinformação. O assalto ao Congresso dos EUA mostra que a indústria da desinformação pode atingir o coração da democracia mais rica, longeva e poderosa do planeta. A pandemia mostrou que a desinformação pode ser literalmente uma questão de vida ou morte.

No Brasil, segundo o V-DEM, na última década a liberdade de imprensa, num índice de 0 a 1, se contraiu de 0,94 a 0,54. É alarmante – e sintomático – que os dois movimentos políticos que lideram as pesquisas de intenção de voto sejam os mais hostis à imprensa independente da Nova República.

Lula da Silva já disse que o “controle social da mídia” é uma de suas prioridades. Jornalistas que cobrem eventos do PT são ainda hoje hostilizados e agredidos, e não surpreende que o lulopetismo tenha consagrado a expressão “Partido da Imprensa Golpista”.

Tampouco surpreende que Jair Bolsonaro tenha dito que “o maior problema do Brasil não é com alguns órgãos, é a imprensa”. Em seu mandato, a opacidade e a hostilidade à imprensa transformaram-se em políticas de governo. O decreto de sigilos e as restrições à Lei de Acesso à Informação se multiplicaram. Diretores de órgãos de Estado que divulgam dados incômodos são sistematicamente exonerados e vilipendiados. As redes sociais bolsonaristas foram alçadas a instrumentos de consulta pública. Ao mesmo tempo, o governo editou decretos alterando abruptamente regras de publicações de editais e documentos societários assumidamente para prejudicar órgãos de imprensa. Quando o próprio presidente chega a ameaçar “encher” um jornalista de “porrada”, não surpreende que os ataques morais e físicos a jornalistas tenham aumentado.

Nem por isso a imprensa se calou. Dela veio a apuração de esquemas antirrepublicanos, como mensalões, petrolões, rachadinhas e orçamentos secretos. Na pandemia, ela foi obrigada a criar um consórcio para divulgar informações confiáveis. Para as eleições, 42 veículos se uniram no projeto Comprova para checar desinformações.

Mais do que o direito, a imprensa tem o dever de incomodar, não só os donos do poder, como os próprios leitores. Ao contrário das redes sociais, os órgãos de imprensa têm responsabilidades editoriais, acima de tudo com os fatos. Ao contrário dos influencers, os jornalistas têm a missão de lançar luz onde as pessoas não gostam e ouvir opiniões divergentes em um espaço genuinamente plural.

Como disse Hannah Arendt, “o súdito ideal não é o nazista convicto ou o comunista convicto, mas aquele para quem já não existe diferença entre o fato e a ficção, entre o verdadeiro e o falso”. Eis o sonho de todo autoritário. A imprensa no Brasil não renunciará à missão de ser o seu pesadelo.

Folha de S. Paulo

Aborto com clareza

Políticos deveriam liderar debate para prática ser vista pela ótica da saúde

Você já fez aborto ou conhece alguma mulher que tenha feito? Se sim, defende que você ou ela seja punida com detenção de 1 a 3 anos?

Para a antropóloga Debora Diniz, essa seria uma maneira alternativa de aferir a posição dos brasileiros diante do aborto. A pergunta, ao incorporar a consequência prática prevista em lei, levaria a uma resposta mais distanciada de visões morais preestabelecidas.

A hipótese faz sentido, mas é impossível saber de antemão quanto ela modificaria os resultados da pesquisa Datafolha que, sem citar a pena de prisão, questionou os entrevistados sobre o tratamento que a legislação dá ao aborto no Brasil.

Como se sabe, a prática é proibida por aqui, exceto se for o meio de salvar a vida da gestante, se a gravidez resultar de estupro ou em caso de feto anencefálico (por decisão do Supremo Tribunal Federal).

Os dados do instituto mostram que 39% defendem manter a lei como está e que 26% apoiam ampliar as situações nas quais o aborto seria permitido. Além disso, 32% afirmam que a interrupção da gravidez não deveria ser autorizada em nenhuma circunstância.

Se há alguma diferença digna de nota entre esse levantamento e o de dezembro de 2018, é o recuo na fatia dos que pedem ainda mais rigor penal: 41% diziam pensar dessa maneira há quase quatro anos.
Por outro lado, continua mínima, abaixo de 10%, a parcela dos que se manifestam a favor de permitir o aborto em qualquer situação.

A julgar por esses números, a ampla maioria dos brasileiros prefere olhar para o aborto como um problema criminal, não pela ótica da saúde pública e dos direitos da mulher. Esta Folha, há muito tempo, acompanha o grupo minoritário.

A despeito da proibição legal, centenas de milhares de abortamentos são cometidos todos os anos no país. Ocorrem em residências ou em clínicas clandestinas, onde a falta de estrutura e orientação adequada fere e mata sobretudo as mulheres de baixa renda.

Deveriam todas ficar de 1 a 3 anos em detenção? Ou deveriam ser assistidas por profissionais que garantissem a maior segurança diante dessa intervenção extrema nas primeiras semanas da gravidez?

Os países avançados optam pelo segundo caminho. Aos poucos, nações da América Latina se movimentam na mesma direção, como atestam os exemplos de Argentina, Colômbia e México. O Brasil, por sua vez, parou no tempo.

Este jornal já defendeu que se fizesse uma consulta pública antes de qualquer mudança em relação ao tema, decerto controvertido. Hoje está claro, entretanto, que cabe a líderes políticos, autoridades e estudiosos tomar as rédeas desse debate e, com coragem, ajudar a esclarecer a sociedade.

Valor Econômico

Desemprego cai, mas é incerto futuro do mercado de trabalho

Incertezas em relação ao desempenho da economia no segundo semestre reforçam a cautela

A recuperação do mercado de trabalho neste início de ano foi uma surpresa e estimulou previsões otimistas. O dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou a queda na taxa de desemprego para 10,5% no trimestre terminado em abril, em comparação com os 11,1% do trimestre completado em março. É a menor taxa desde fevereiro de 2016. O presidente Jair Bolsonaro disse em transmissão ao vivo nas redes sociais esperar que o desemprego volte a um dígito ainda neste ano. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o desemprego está menor do que antes da pandemia. De fato, em fevereiro de 2020, a taxa era de 11,6%.

Bolsonaro não está sozinho em sua aposta. Alguns economistas de consultorias e bancos preveem que o desemprego vai cair mais até o fim do ano. Há quem diga que a taxa já está em um dígito se for dessazonalizada e, nesse ritmo, pode alimentar a inflação (Valor, ontem). Mas não há uma unanimidade em relação ao futuro. Tudo vai depender do comportamento da economia que – é quase consenso – deve desacelerar no segundo semestre com o efeito defasado do aperto monetário, a elevação dos juros no exterior e a esperada turbulência nas proximidades das eleições.

O desempenho do mercado de trabalho vem chamando a atenção desde janeiro. Ao contrário do que ocorre habitualmente nos primeiros meses do ano, quando as demissões aumentam após o período sazonal de contratações nas proximidades do Natal, o mercado de trabalho continuou firme desta vez. O desempenho espelha o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) que, conforme divulgado na semana passada, cresceu 1% no primeiro trimestre, puxado principalmente pelo setor de serviços, que ganhou gás com a reabertura da economia, possibilitada pela redução dos casos graves de covid-19 com o aumento da vacinação da população.

O setor de serviços garante quase 70% das vagas. Durante a pandemia, a demanda se concentrou nos profissionais de tecnologia da informação. A retomada das atividades presenciais abriu espaço para as contratações nas áreas de educação e serviços que pressupõem maior contato entre as pessoas, como as áreas de cuidados pessoais e alimentação. Cerca de 1,1 milhão de pessoas ingressaram no mercado de trabalho no trimestre terminado em abril, levando a população ocupada a subir 1,1% e atingir o patamar de 96,5 milhões, o maior contingente da série histórica, iniciada em 2012.

A redução do desemprego é outro fator de otimismo. Depois de a desocupação ter atingido a máxima de 14,9% em março do ano passado, a taxa foi recuando, mas em um ambiente de força de trabalho estável, com uma taxa de participação ao redor de 62% desde o terceiro trimestre. Muitos nem procuravam emprego pois acreditavam que não iam encontrar nada, o que ampliou a taxa de desalento. Mas isso mudou em abril quando a taxa de participação subiu para 62,7%, mais perto do patamar anterior à pandemia, de 63%.

No entanto, os fatores negativos ainda prevalecem. O principal deles é a existência de 11,3 milhões de desempregados, muitos deles há mais de dois anos. Os desalentados somam 4,5 milhões de pessoas, em comparação com os 6 milhões de um ano antes; e a mão de obra subutilizada soma 26,1 milhões.

É preciso avaliar também a qualidade do emprego que está sendo criado. A taxa de informalidade está muito elevada e chegou a 40,1% da população ocupada, ou 38,7 milhões de pessoas, maior do que os 39,3% do mesmo trimestre de 2021. Dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Previdência, mostraram a criação de 770,6 mil vagas com carteira assinada neste ano até abril, menos do que as 894,7 mil do mesmo período de 2021.

Como reflexo disso e da inflação elevada, a remuneração média não sobe, ao contrário, no trimestre encerrado em abril teve queda de 7,9%. Houve a queda da renda média até do trabalhador do setor público, o que é raro, de 2,2%. Outro fator determinante é o perfil de baixa remuneração dos novos postos criados no setor de serviços. A massa de rendimento real habitual ficou estável em R$ 242,9 bilhões na comparação anual em consequência do aumento da população ocupada.

Esses pontos sensíveis mais as incertezas em relação ao desempenho da economia no segundo semestre reforçam a cautela e põem em risco a aposta de Bolsonaro de chegar às eleições com dias melhores no mercado de trabalho.

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