Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (27/05/2022)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Datafolha: Lula lidera com 48%; Bolsonaro tem 27%
Homem morre em ‘câmara de gás’ da PRF em Sergipe
Planos de saúde terão reajuste recorde de 15,5%
Fachin alerta para risco de projeto que esvazia o poder do TSE
Fundos querem ao menos R$ 13 bi em ações da Eletrobras
MP desmantela no Rio grupo de PMs acusados de corrupção
Tarcísio de Freitas – ‘Tendência é repetir a polarização nacional’

O Estado de S. Paulo

Agentes da PRF fazem de viatura ‘câmara de gás’ e matam homem em Sergipe
Prática pode ser classificada como tortura, diz especialista
Perdão concedido por Bolsonaro a Silveira atropelou parecer jurídico
Planos de saúde individuais e familiares subirão até 15,5%
Economia dá sinal verde para criação de ‘bolsa’ para caminhoneiro
Vírus respiratórios sobrecarregam UTIs infantis em São Paulo
Bolsonaro diz que se reunirá com Biden, mas o critica

Folha de S. Paulo

Lula abre 21 pontos no 1º turno
Polícia mata homem por asfixia com gás em Sergipe
PRF altera motivo para atuação em operação no Rio
Presidente recua de reajuste maior só para policiais e fala em 5% geral
Governo quer R$ 1 bi para trator e ignora assistência
Morre Jacó Bittar, 81, fundador do PT e primeiro prefeito do partido em Campinas
Planos individuais de saúde vão subir 15,5%, a maior alta em 22 anos
Bolsonaro decide ir à Cúpula das Américas e se reunirá com Biden
China eleva pressão interna, diz chefe da diplomacia dos EUA

Valor Econômico

Redes de varejo voltam a investir em loja física
Corte no ICMS alivia inflação e cria rombo no cofre de Estados
Economia global vive era de redefinição
Inadimplência registra queda no Pronampe
Plano de saúde individual vai aumentar 15,5%
Risco de falta de diesel cresce com ingerência na Petrobras
Lula tem 48% e Bolsonaro, 27%, diz Datafolha

EDITORIAIS

O Globo

Morte por asfixia em Sergipe exige investigação e punição a policiais

A morte brutal de um cidadão cujo erro foi passar pela blitz onde estavam policiais despreparados e cruéis não pode ser ignorada

São sufocantes as imagens da abordagem truculenta, desumana e inaceitável da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ao negro Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, em Umbaúba, Sergipe. Genivaldo, segundo a família portador de transtornos mentais, foi detido por três agentes quando passava de moto pela BR-101. Foi imobilizado e posto no porta-malas da viatura, de onde saía uma fumaça branca. De acordo com o relato do sobrinho, Wallison de Jesus, os policiais jogaram um gás dentro do veículo. No vídeo gravado por um morador, é possível ouvir os gritos. Levado pelos policiais ao hospital Dr. José Nailson Moura, ele chegou morto. Era casado e tinha um filho.

O Instituto Médico Legal de Sergipe apontou asfixia e insuficiência respiratória como causas da morte, investigada pela Polícia Federal. Em nota, a PRF alegou que os agentes usaram “técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo” para conter Genivaldo. Desde quando trancar alguém no porta-malas, num ambiente irrespirável, representa “menor potencial ofensivo”? A corporação argumenta ainda que Genivaldo resistiu à abordagem e foi agressivo. Não é o que o vídeo dá a entender.

A morte brutal de um cidadão cujo erro foi passar pela blitz onde estavam policiais despreparados e cruéis não pode ser ignorada. Os responsáveis precisam ser punidos com rigor. Imagens gravadas mostram a ação, há testemunhas da abordagem. Tudo isso ajuda a montar o quebra-cabeça do crime. Os agentes precisam ser afastados enquanto durarem as investigações.

A ação chocante em Sergipe chama a atenção para a truculência das forças de segurança do país. Um dia antes, no Rio de Janeiro, uma operação da Polícia Militar fluminense com a mesma PRF na favela da Vila Cruzeiro deixou ao menos 23 mortos, entre eles uma moradora atingida por uma bala perdida dentro de casa. Não se pode achar isso normal.

A violência policial não é problema exclusivo do Brasil. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta semana uma reforma da polícia, pondo em prática um compromisso de campanha. Golpes letais como o estrangulamento do negro George Floyd por um policial branco em 2020 não serão mais admitidos. As novas normas valerão para os agentes federais, uma minoria, mas ao menos são um sinal na direção desejável. No Brasil, após o morticínio da Vila Cruzeiro, o presidente Jair Bolsonaro parabenizou o Bope e a PRF.

É boa notícia que tenha havido redução do número de civis mortos por policiais no Brasil em 2021, embora estados como o Rio ainda mantenham Forças altamente letais. Na análise de pesquisadores, isso se deveu também a políticas públicas como a instalação de câmeras em fardas, iniciativa que deveria ser adotada por todas as corporações do país. É urgente que as polícias mudem o treinamento de seus agentes, tenham metas para reduzir letalidade e truculência e usem ferramentas como as câmeras para aumentar a segurança das operações. Caso contrário, não demorarão a surgir novos Genivaldos.

O Estado de S. Paulo

Paulo Guedes na Montanha Mágica

Em Davos, o ministro da Economia falou em nome de um estranho país, mais próspero, bem governado e com inflação em firme declínio

O ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a Davos como representante do Brasil, mas acabou falando em nome de outro país, mais ajustado e com perspectivas bem melhores que as indicadas pelas deploráveis condições brasileiras. A cidade alpina onde se reúne o Fórum foi celebrizada por Thomas Mann num romance publicado há quase um século, em 1924. O título do livro, A Montanha Mágica, parece ganhar novo sentido com as palavras de Guedes, criadoras de um país muito diferente daquele produzido pelo desgoverno de seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro. Neste mundo mais conhecido, onde milhões batalham duramente para sobreviver, o dia a dia é marcado pelo desemprego, pela inflação acelerada, pelo empobrecimento, pelo uso inepto e irresponsável do poder público e por ameaças frequentes à ordem institucional.

“O pesadelo de vocês está apenas começando”, disse o ministro a um grupo de jornalistas, numa referência aos sinais de enfraquecimento econômico dos países mais desenvolvidos. “Vai começar a recessão aqui fora”, acrescentou. “Eles estão começando a entrar no inferno e estamos saindo.” Mas o desemprego no Brasil, no primeiro trimestre, ficou em 11,1% e pouco deve ter mudado a partir daí. Os desocupados nos Estados Unidos, em abril, eram 3,6% da força de trabalho urbana (no campo o desemprego é pouco significativo). Na maior parte dos países desenvolvidos a taxa raramente alcança ou supera 7%. Além disso, o desempregado, nesses países, tem condições de vida geralmente melhores que as de boa parte dos brasileiros empregados.

Quanto ao dinamismo econômico, o País fica bem atrás de outros emergentes e também de muitos avançados. Se o País crescer 2% neste ano, como sugere o ministro da Economia, pouco se afastará do desempenho médio dos últimos do último decênio ou do período bolsonariano. Mas a última projeção oficial do governo indica uma expansão de apenas 1,5%, número próximo das últimas estimativas do mercado. Segundo a projeção recém-divulgada pela ONU, a produção mundial aumentará 3,1% em 2022, bem acima das taxas mais otimistas calculadas no Brasil.

Guedes também mostrou otimismo em relação à alta de preços. A inflação brasileira, segundo ele, pode ter atingido o pico e em seguida começar a diminuir. “Fomos os primeiros a combater a inflação, zeramos o déficit e subimos os juros”, afirmou. Seu comentário incluiu uma crítica ao atraso dos bancos centrais do mundo rico. Não há sinais claros, no entanto, de recuo duradouro da inflação.

A taxa apontada pela prévia deste mês, de 0,59%, é menor que a de abril, mas é também a mais alta para um mês de maio desde 2016. Além disso, o aumento de preços em 12 meses chegou a 12,20%, superando a variação acumulada até o mês anterior, 12,03%. Se o recuo começar agora, quanto tempo será necessário para a inflação anual chegar a níveis toleráveis?

O aumento de juros de fato começou mais cedo no Brasil do que nos Estados Unidos, mas isso ocorreu, obviamente, porque a inflação brasileira já era bem mais alta. Mas o Banco Central do Brasil também insistiu, por muito tempo, em avaliar como passageiro o surto inflacionário, e nesse ponto errou tanto quanto o Federal Reserve, seu par americano.

O ministro Guedes também falou de um país diferente do Brasil ao proclamar uma vitória da política fiscal. A melhora das contas públicas foi claramente facilitada pela inflação e em grande parte reflete, portanto, um desarranjo da economia brasileira. Também é preciso lembrar o dinheiro engolido, neste ano, pelo sumidouro do orçamento secreto e a transferência das decisões sobre gastos ao ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, representante principal do Centrão no Executivo. Enfim, ninguém deveria esquecer as bondades eleitoreiras deixadas como custos para o próximo governo. Nenhum desses desarranjos parece existir no país apresentado pelo ministro Guedes na Montanha Mágica. Mas neste outro país onde vivem os brasileiros a única façanha com jeito de mágica é a sobrevivência da maioria das famílias no dia a dia.

Folha de S. Paulo

Termômetro eleitoral

Datafolha apura vantagem maior de Lula ante Bolsonaro e menos espaço para 3ª via

Pesquisa Datafolha sobre intenção de voto para presidente divulgada nesta quinta (26) traz o que parece ser a melhor explicação para os recentes rompantes de Jair Bolsonaro (PL) contra instituições democráticas: voltou a crescer a vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O levantamento anterior, de março, havia trazido boas notícias para o presidente. A distância entre ele e o petista caíra pela metade na declaração espontânea, em que o entrevistado simplesmente responde em quem pretende votar.

Agora, nesse tipo de pergunta, a dianteira do ex-presidente mais que dobrou e atingiu 16 pontos percentuais, ou 38% a 22%, ante 30% a 23% dois meses atrás.

Na pesquisa estimulada, em que uma lista de candidatos é apresentada ao entrevistado, Lula registra 48%, ante 27% de Bolsonaro e 7% de Ciro Gomes (PDT), com os demais ficando no máximo em 2%.

A margem para uma terceira via parece mais estreita. Lula e Bolsonaro somam 75 pontos e deixam 25 livres para outros concorrentes — eram 31 em março.

Como se trata de um novo cenário político devido sobretudo às desistências de João Doria (PSDB) e Sergio Moro (União Brasil), não se pode fazer uma comparação direta entre esse resultado e os de levantamentos anteriores.

Mas isso não impede ninguém de notar que, considerando os votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos), Lula agora marca 54%, cifra em tese suficiente para vitória num primeiro turno hoje.

Além disso, a avaliação nada animadora do governo Bolsonaro ficou estagnada com 25% de aprovação e 48% de reprovação, a despeito de todos os esforços populistas e demagógicos que o mandatário empreendeu nos últimos meses.

O percentual dos que não votariam nele de jeito nenhum continua no mesmo patamar elevado (54%), ao passo que Lula viu sua rejeição passar de 37% para 33%.

Talvez por isso, num hipotético segundo turno, o petista derrota Bolsonaro com folga maior do que na pesquisa anterior: 58% a 33% agora, 55% a 34% em março.

O quadro pintado por esses números dificilmente terá passado batido pelos partidos. Um instituto como o Datafolha imprime um selo de independência no resultado, mas os políticos, mesmo aqueles que vociferam contra as pesquisas, medem o pulso dos eleitores com levantamentos próprios.

Daí por que Bolsonaro, ciente de que seu mau governo se transforma no maior obstáculo da corrida eleitoral, aposta no discurso contra as urnas. A eleição, por óbvio, está longe de decidida, e o adversário petista tem consideráveis fragilidades a serem exploradas. Mas é certo que o retrato do momento desfavorece o incumbente.

Valor Econômico

Sob o comando do Centrão, mais negócios suspeitos

O Centrão meaça ter mais controle sobre o Congresso, engrossando suas bancadas nas eleições

Assim como Jair Bolsonaro, por atitudes e palavras, desvaloriza a função de presidente, o Centrão, que domina a Câmara dos Deputados, desmoraliza o Legislativo, tornando-o um balcão de negócios suspeitos e sem controle. As emendas secretas são a essência da forma de atuação de PP, PL e demais siglas fisiológicas – bilhões de reais transferidos em segredo, sem que se saiba quem pediu e quem recebeu. O presidente da República, que sempre foi do Centrão em seus 28 anos de inútil carreira parlamentar, pagou sorrindo o preço de ter a tranquilidade de que não enfrentaria um processo de impeachment.

Aos poucos, a reação ao escândalo das emendas do relator cresceu. Alvejada pela ministra Rosa Weber, do STF, a Câmara foi obrigada a traçar a rota dos recursos: quem pediu, quanto, a quem se destinava e com qual objetivo. O Legislativo cumpriu pela metade a exigência, enviando um cartapácio de relatórios listando 330 deputados, com muitas lacunas. Agora foi a vez do Tribunal de Contas da União entrar em ação e bloquear parte da farra com o dinheiro das emendas destinadas à Codevasf, dirigida por Marcelo Pinto, ex-chefe de gabinete de Ciro Nogueira, da Casa Civil.

A estatal, que no governo Bolsonaro ganhou como área de atuação o Norte do país, deixou de ser uma empresa que cuidava dos recursos hídricos do Vale do São Francisco e Parnaíba para tornar-se outra, que faz pavimentação de rodovias e compra máquinas agrícolas, por exemplo. Desde que o Centrão assumiu o poder, jorrou dinheiro para a Codevasf. As emendas de parlamentares saltaram de R$ 300 milhões em 2018 para R$ 2,1 bilhões em 2021, já sob a égide da emenda secreta. A dotação para pavimentação passou de R$ 1,3 bilhão para R$ 3,4 bilhões no mesmo período.

A Codevasf tem projetos rápidos para gastos imediatos, receita que sempre atrai os políticos, especialmente os do Centrão. Os resultados aparecem há meses. Houve superfaturamento na compra de centenas de tratores e máquinas agrícolas pela empresa.

Em seguida vieram as pavimentações de quinta categoria, feitas por uma empresa do Maranhão que nas licitações concorria com outra, dos mesmos sócios. Foram criados “contratos guarda-chuva”, com definições genéricas baseadas em modelos de rodovias que não existem e que podem valer para um Estado inteiro. O TCU sentiu que havia algo errado nisso e suspendeu novas ordens de serviços a partir de 29 pregões eletrônicos realizados em 2020. (Folha de S. Paulo, ontem).

Segundo o TCU, a Codevasf deixou abertos espaços para “direcionamento indevido da realização de obras e ocorrência de conluio entre empresas e agentes públicos e políticos”. O zelo dos deputados é digno de nota. Em 35% dos 78 ofícios examinados, constatou-se que os parlamentares faziam referência até sobre o tipo de pavimento a ser utilizado e a via a ser reparada. Há entre as obras estradas em bom estado, que não precisavam de reforço de pavimentação algum.

Essa conduta se repetiu em outra frente de negócios suspeitos, a do superfaturamento dos caminhões compactadores de lixo, que viveram o milagre da multiplicação, depois do surgimento das emendas do relator – entrega de 85 antes e 488 agora (O Estado de S. Paulo, 22 de maio). Há diferença de preços estimada em R$ 109 milhões. Os chefões do Centrão aparecem nelas. Barra de São Miguel, cujo prefeito é o pai de Arthur Lira, presidente da Câmara, aparece mais uma vez como aquinhoado – em um par de anos foram 3 caminhões para uma cidade de 8 mil habitantes. Os técnicos consideram que o uso deste tipo de veículo é antieconômico em lugares com menos de 17 mil pessoas.

Há cidades que não têm sequer aterro sanitário, mas que receberam caminhões. O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, empenhou-se com afinco para fornecer à cidade de Brasileira (PI), dirigida por uma correligionária do PP, um caminhão, vendido por empresa de uma amiga que costuma frequentar seu gabinete.

A desfaçatez do Centrão com as emendas secretas é estimulada pela certeza da impunidade. Com seu apoio, a lei de improbidade administrativa foi modificada e uma das principais mudanças foi a necessidade de comprar intenção nos atos lesivos ao patrimônio público. O número de inquéritos caiu à metade depois disso.

O Centrão, como Bolsonaro, só se preocupa com familiares, amigos, correligionários e, claro, intermediação de obras. Ameaça ter mais controle sobre o Congresso, engrossando suas bancadas nas eleições.

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