Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (28/04/2022)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Inflação acelera e chega a 12% nos últimos 12 meses
WhatsApp reitera decisão criticada por Bolsonaro
Maioria reprova gestão de ensino básico público
Deputados aprovam Auxílio Brasil permanente de R$ 400
Silveira ganha festa do perdão no Planalto e vaga na CCJ
Leilão de Congonhas deve ficar para 2023
Europa reage a corte de fornecimento de gás da Rússia

O Estado de S. Paulo

Subsídio para plantio se esgota; Orçamento não prevê mais verbas
Prévia da inflação vai a 1,73%; compras caem
Nova regra eleitoral deve estimular renovação na Câmara
Bolsonaro mobiliza governo, mas ouve não do WhatsApp sobre supergrupos
Condenado no STF, Daniel Silveira ganha vaga na CCJ da Câmara
Pacote deve regular trabalho rural e motorista de aplicativo
Deputados aprovam Auxílio Brasil de R$ 400 permanente
Invasores inovam em tática de roubo
Lance inicial pela marca Daslu será de R$ 1,4 milhão
Substituição no Pacaembu: sai o futebol, entram os shows

Folha de S. Paulo

Contratadas em emergência, térmicas estão atrasadas
Em ato contra STF, Bolsonaro cobra militares em apuração
Presidente se reúne com WhatsApp, que mantêm espera por megagrupo
Estudo vê impacto de pobreza no desenvolvimento
Caciquismo político sequestrou a 3ª via, diz Felipe d’Avila
Síndrome respiratória em criança lota hospitais
Uso de opioides em alta no país acende alerta para vício
Consulado paga fiança de argentino acusado de racismo
Pequim repete Xangai com isolamentos e dispara preocupação com surtos de Covid na China

Valor Econômico

Indústria e varejo têm nova onda de reajuste nos preços
Inflação segue em alta e se espalha
Na Porto, ênfase nos planos de saúde
Guerra por energia entre a Rússia e UE
Precatórios viram ‘moeda’ em concessões
Mulheres são minoria no topo salarial
R$ 41 bi em recompra de ações na Vale
União vence ação tributária de R$ 155 bi no STJ

EDITORIAIS

O Globo

Mundo pagará caro pela insistência chinesa na estratégia ‘Covid zero’

Maior e mais rica cidade do país, Xangai viu o movimento do porto local cair à metade

Não apenas os chineses, mas o mundo todo provavelmente pagará caro pela insistência do Partido Comunista da China em manter a política de “Covid zero”. Com a variante Ômicron se espalhando, Xangai, com seus 25 milhões de habitantes, está há quase um mês em lockdown. Cerca de 20 outras cidades seguiram o mesmo caminho ou adotaram severas restrições a movimentações de pessoas. Os 3,5 milhões de habitantes da cidade de Jilin estão em quarentena há mais de 50 dias. Os chineses afetados nas últimas semanas somam 329 milhões, número próximo à população dos Estados Unidos.

Maior e mais rica cidade do país, Xangai viu o movimento do porto local cair à metade. Relatos de falta de alimentos e medicamentos, imediatamente silenciados noutros lugares, vazaram antes de ser apagados pelo exército de censores digitais. Teme-se que Pequim seja a próxima cidade onde a reclusão será imposta.

O percentual de vacinados na China mascara a vulnerabilidade sanitária do país diante da velocidade de alastramento das novas variantes. Quase 90% da população recebeu duas doses, mas, até o final de março, 40% daqueles com 80 anos ou mais não tinham recebido nenhuma. Mais de 50 milhões com mais de 60 anos não haviam completado o ciclo de vacinação. O país que se preservou durante dois anos com uma política rigorosa de combate ao vírus agora reúne os maiores bolsões de suscetíveis. O impacto econômico da política de tolerância zero com o contágio já se faz sentir.

Em relatório recente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) previu que a economia chinesa desacelerará neste ano, com crescimento de 4,4%, ante 8,1% no ano passado. Entre as incertezas que rondam o mundo, diz o FMI, uma das maiores é o risco de novos lockdowns na China.

O contágio econômico acontece de diferentes formas. Como ficou claro no primeiro semestre de 2020 e no final de 2021, o prazo de entregas de peças e produtos se dilatou em todo o mundo. Com fábricas fechadas, as cadeias de suprimento emperraram, levando ao desabastecimento e ao aumento de preços. Caso a situação sanitária piore na China, a pressão inflacionária voltará a ser sentida.

Apesar dos riscos, é pouco provável que o governo decida abandonar a política “Covid zero”. Os comunistas chineses passaram dois anos exaltando as vantagens da estratégia, segundo eles prova da superioridade do regime. É verdade que a China evitou a tragédia sanitária que vitimou outros países, como Estados Unidos ou Brasil. Mas não conseguiu imunizar os mais vulneráveis e acabou ficando refém da pandemia. Seria necessário reconhecer o erro, cuidar de imunizar a população que falta e rever a política de tolerância zero com o vírus. Será que Xi Jinping fará isso às vésperas de ser confirmado para um terceiro mandato?

O Estado de S. Paulo

Escalada inflacionária assombra o País

IPCA-15 de abril tem a maior alta para o mês desde 1995 e confirma as projeções cada vez mais pessimistas dos analistas privados, inclusive em relação ao ano que vem

Há mais de dois anos a maioria dos trabalhadores brasileiros não tem aumentos reais. A inflação tem sido sistematicamente maior do que a correção salarial. Novas perdas devem ocorrer, pois o cenário está ficando mais sombrio. Nunca, nos últimos 27 anos, o aumento médio dos preços tinha sido tão alto no mês de abril como o registrado agora. A variação de 1,73% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) em abril é também a mais alta para qualquer mês desde fevereiro de 2003. O acumulado de 12 meses, de 12,03%, é o maior desde novembro de 2003.

Calculado pelo IBGE, o IPCA-15 antecipa a inflação do mês. O resultado de abril mostra que, do ponto de vista dos preços, o País parece ter voltado para o início do Plano Real (de julho de 1994), quando, depois de conviver com a hiperinflação, os agentes econômicos se adaptavam à nova realidade. Ou, na outra comparação, para o início do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcado por desconfianças que fizeram a taxa de câmbio e os preços explodirem.

A aceleração inflacionária comprime a renda real e mesmo trabalhadores formais têm perdas. O boletim Salariômetro, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, por exemplo, mostra que, das negociações coletivas concluídas em março por empregados e empregadores, 49% não repuseram a inflação. O reajuste mediano no mês foi igual à inflação. Há 25 meses seguidos a mediana é menor ou igual à variação do INPC, índice que corrige salários.

O IPCA-15 confirma a notável deterioração das expectativas entre os analistas das principais instituições financeiras consultadas regularmente pelo Banco Central (BC) para a elaboração do boletim Focus. Em quatro semanas, a mediana das projeções para o IPCA em 2022 saltou de 6,86% para 7,65%. A leitura dos cinco últimos boletins mostra uma contínua alta da mediana do IPCA para este ano: 6,86%, 6,97%, 7,43%, 7,46% e 7,65%. A piora das projeções do IPCA se estende para 2023. Em quatro semanas, a estimativa para a inflação no ano que vem passou de 3,80% para 4,00%.

Fatores que vêm impulsionando a alta do IPCA nos últimos meses não se alteraram. Com alta de 3,43%, os preços no grupo de transportes foram os que mais pesaram no IPCA-15 de abril. A gasolina subiu 7,51%. O preço da alimentação subiu 2,25%, em razão do aumento dos itens consumidos em domicílio. Mas a alta é disseminada, pois praticamente 80% dos itens que compõem o índice ficaram mais caros em abril.

É possível que alguns componentes que empurraram os preços para cima percam alguma força nos próximos meses e a inflação de 2022 até fique abaixo das projeções hoje dominantes. A cotação das commodities no mercado internacional, cuja alta vem tendo forte influência nos preços internos, pode se estabilizar. O fato de a taxa de câmbio não ter explodido por causa da guerra na Ucrânia também favorece os preços internos. O Focus mostra redução no valor projetado pelos analistas do mercado para o dólar no fim do ano. Há, porém, um movimento de alta do dólar, cujo vigor ainda é difícil de avaliar, pois em boa parte decorre do comportamento cada vez mais preocupante do presidente Jair Bolsonaro, obcecado em ganhar apoio político ou pelo menos manter o de que dispõe.

A guerra continua impondo dificuldades para o abastecimento mundial de itens essenciais para a economia, como petróleo e gás, e para as pessoas, como trigo. Há pressões sobre a atividade econômica e a inflação em todo o mundo. Medidas mais duras estão em exame ou sendo executadas por autoridades monetárias em vários países. Em alguns, como os Estados Unidos, o endurecimento de medidas para conter a inflação pode ter repercussão mundial.

É nesse cenário, marcado por deterioração de expectativas internas com relação à inflação e pressões externas sobre a economia, que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC terá de decidir sobre a nova taxa básica de juros, atualmente em 11,75% ao ano, e se confirma sua sinalização de que o ciclo de aperto monetário se encerraria em maio.

Folha de S. Paulo

Cuba desumana

Condenação de manifestantes a penas absurdas mostra um regime ditatorial acuado

A brutal reação da ditadura cubana à onda de insatisfação popular que tomou a ilha em julho do ano passado deveria —embora provavelmente não vá — desfazer quaisquer ilusões ainda alimentadas pelos simpatizantes do regime.

Manifestantes que, de forma majoritariamente pacífica, foram às ruas de Havana e outras dezenas cidades para expressar seu descontentamento com a falta de liberdade e as condições de vida precárias no país caribenho terminaram sujeitos a penas absurdas que podem chegar a 30 anos de prisão.

Conforme deu a conhecer recentemente o Tribunal Supremo de Cuba, 128 participantes dos protestos já foram condenados sob a acusação de crimes contra a segurança do Estado e colaboração com forças estrangeiras.

É particularmente chocante o expressivo contingente de jovens entre os apenados. De acordo com entidades ligadas aos direitos humanos, mais de 40 menores de idade já foram alvo de condenações, em muitos casos a períodos superiores a 15 anos de reclusão.

Acrescentam-se a isso denúncias das mais diversas formas de tortura dentro das penitenciárias, como o uso de choques elétricos, além de privação de luz e comida. Dos cerca de 1.400 cubanos presos após a manifestação de 11 de julho, 728 seguem encarcerados.

A severidade descomunal das sentenças dá a elas um caráter exemplar e constitui um recado claro a todos os moradores da ilha: quem se envolver com protestos, dissidências ou agitações de qualquer espécie arrisca-se a ser condenado por sedição e mofar por décadas atrás das grades.

Essa estratégia do medo pode até surtir efeito de início —e a oposição, de fato, encontra-se atualmente fragmentada, como mostrou reportagem da Folha.

Uma parte dos ativistas aposta na via institucional, isto é, a tentativa de liberação dos presos políticos por meio de uma anistia, obtida por caminhos legais. Diversos líderes dos movimentos por trás dos protestos deixaram o país. Os que defendem soluções menos moderadas se recolhem, temendo novas ondas de punições.

Entretanto nenhuma medida repressiva tem o poder de acabar com o mal-estar social que grassa entre os cubanos; nenhuma sentença judicial pode estrangular o legítimo desejo de uma vida melhor.

Em sua reação desmesurada, a ditadura comunista mostra que, debaixo da aparente demonstração de força, há na verdade um regime acuado e em desespero, incapaz de oferecer às demandas de uma população asfixiada pela ruína econômica outra resposta que não violência e mais injustiça.

Valor Econômico

Tendência de valorização global do dólar se fortalece

A valorização do dólar é ruim para o BC brasileiro, em estágio final do ciclo de aperto

Os estragos feitos pela invasão da Ucrânia pela Rússia elevaram as expectativas de que a alta inflação deverá durar mais que o anteriormente previsto. A economia global crescerá pouco mais que a metade do que avançou em 2021 (3,6% e 6,1%). Os desequilíbrios existentes e a resposta esperada estão favorecendo o dólar, que retomou tendência de alta contra as principais moedas do mundo e reverteu com força e rapidez a valorização do real.

São vários os fatores que fortalecem a moeda americana diante das demais. A intensa revisão dos preços dos ativos nos mercados foi motivada pelas declarações do presidente do Federal Reserve americano, Jerome Powell, de que aumento maior de juros, de 0,5 ponto, está na mesa da próxima reunião do banco e pode ser o primeiro de uma série. O alvo inicial é chegar logo ao juro neutro, de 2,5%, o que os investidores acreditam que ocorrerá até o fim do ano. Há poucas dúvidas de que, se quiser um pouso suave, o Fed deverá levar o juro alguns graus acima do neutro.

A mudança na instância da política monetária causou instabilidade nos mercados, ampliada pela perspectiva de razoável desaceleração da China. Ambas levam investidores a procurar refúgio no dólar, como sempre em tempos ruins, o que o valoriza. Há mais, porém. O Fed será o banco de país desenvolvido que mais rapidamente vai elevar as taxas de juros, tarefa na qual contará com a diminuição de seu balanço a partir de junho. O diferencial de juros entre os EUA, zona do euro, Reino Unido e Japão vai aumentar, o que também reforça o dólar.

O índice da cesta do dólar em relação a outros moedas fortes está hoje em seu maior nível desde 2017 e, em relação ao euro, poucas valorizações adicionais da moeda americana tornarão a paridade entre as duas moedas possível. O Banco Central Europeu está sendo empurrado a antecipar seu calendário de fim do afrouxamento monetário, embora a presidente Christine Lagarde ainda defenda manobras graduais. Mas ela admitiu que as doses mensais de injeção de liquidez poderão se encerrar antes do terceiro trimestre, o que abriria espaço para a primeira alta de juros, hoje ainda negativos em -0,5%.

A zona do euro enfrenta condições distintas dos EUA, com inflação de 7,4%. Segundo Lagarde, metade da inflação da união monetária se deve à alta da energia, multiplicada pela guerra. Correr com os juros não elevará em nada a oferta do produto. A pressão inflacionária, de outro lado, é menos intensa, com o núcleo da inflação em 2,9%. Investidores e analistas estimam que o juro na zona do euro será positivo até o fim do ano.

O diferencial de crescimento entre as economias avançadas é outro fator que dá vantagem ao dólar. O PIB americano deve desacelerar para 3,7% em 2022, um pouco atrás do Canadá (3,9%), mas significativamente superior ao da Alemanha (2,1%), zona do euro (2,7%) e Japão (2,4%). A dianteira americana traz consigo problemas agudos, que desafiam o Fed. A inflação chegou a 8,5% em março, com o núcleo de 6,5%, mostrando pressões bastante disseminadas.

Há divergência entre economistas sobre a origem predominante da alta da inflação americana. As restrições à oferta tem seu peso, e é inútil combatê-la frontalmente com aumento de juros. Mas há inequívocas e desiguais forças vindas da demanda. Segundo o FMI, o núcleo dos preços de mercadorias atinge 6%, enquanto o de serviços não chega a 1%. Gastos com bens duráveis estão 25% acima do nível pré-pandemia, o de bens não duráveis, 10%, e os do setor de serviços ainda são inferiores (Martin Sandbu, FT).

O Fed tentará esfriar a economia sem levá-la à recessão. A valorização do dólar auxilia o BC, ao reduzir as exportações, que também se desaceleram com o menor crescimento global. É possível que isso ajude o Fed a suavizar a cadência dos juros.

Se o passado recente serve de guia, nem o Fed, e muito menos o BCE (que já errou duas vezes) tendem a levar a economia à recessão. Possivelmente recuarão diante de desaceleração acentuada. O Fed deu um peso maior ao emprego em seu mix de política monetária e esse é um limitador importante a uma estratégia contracionista agressiva. Os EUA estão em pleno emprego (3,6%), havendo espaço para um freio de arrumação. A alta dos salários está levando ao aumento da taxa de participação da força de trabalho, que mais à frente moderará os reajustes.

A valorização do dólar é ruim para o BC brasileiro, em estágio final do ciclo de aperto. Prolongá-lo muito trará poucos ganhos diante dos males de uma recessão, já antevista.

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