Duarte Júnior pode representar em Brasília 43 municipios atingidos pela tragédia ambiental em Mariana

Ex-prefeito articula lançamento de candidatura a deputado federal pelo Cidadania para acelerar reparação à população vítima do rompimento da Barragem de Fundão

O ex-prefeito de Mariana (MG) Duarte Júnior está conversando com prefeitos e outras lideranças das 43 cidades atingidas pelo rompimento da Barragem de Fundão sobre uma eventual candidatura a deputado federal pelo Cidadania em 2022. A tragédia ocorreu em 2015, mas ainda hoje a população dessas cidades sofre com o maior desastre ambiental do país.

Em Brasília, nesta quinta-feira (17), para uma conversa com o presidente nacional do partido, Roberto Freire, Duarte criticou a morosidade na reconstrução das casas e na concessão de indenizações aos moradores. Ele avaliou que um mandato dedicado à região pode garantir celeridade ao processo de reparação.

Abaixo, trechos da entrevista do ex-prefeito ao portal do Cidadania.

Como estão as negociações para uma eventual candidatura à Câmara dos Deputados nas eleições do ano que vem?

Estamos conversando, nesse primeiro momento, com alguns municípios. Nós constituímos o Fórum de Prefeitos, que nasceu da nossa intenção de trabalhar em conjunto. Esse Fórum hoje representa 35 municípios de Minas Gerais e 8 do Espírito Santo. Esse grupo se formou como decorrência da tragédia. Temos conversado com essas cidades para que tenhamos um representante na Câmara Federal. Espero ter a oportunidade de representar as populações e o fórum de prefeitos em Brasília.

De qualquer forma, o senhor, como ex-prefeito, ainda uma atuação forte em favor dos atingidos…

Eu sou Secretário-Executivo do Fórum de Prefeitos, que fundei em 2017. As decisões envolvendo as cidades atingidas são discutidas nesse grupo. Represento também os 43 municípios da região atingida pelo desastre da Barragem de Fundão no Conselho Nacional de Justiça, que discute a repactuação do Termo de Ajustamento de Conduta por meio do qual as empresas responsáveis pela tragédia – BHP, Vale e Samarco – e o setor público processam as políticas de reparação. Estamos discutindo programa a programa para tentar agilizar a resposta. Já são seis anos e precisamos acabar com a morosidade na reparação aos atingidos.

E como o senhor avalia essa resposta até aqui?

A gente não pode generalizar e dizer que deu tudo errado, mas infelizmente o prazo está muito aquém do ideal. Se você pensar que, seis anos depois, só temos 10 casas construídas e outras 80 que iniciaram a construção… é muito pouco. Há uma insatisfação muito grande. Eles têm todo o direito de buscar a sua indenização, sua casa, e precisamos estar ao lado deles defendendo esses direitos. Estamos falando das duas maiores mineradores do mundo. Nosso sentimento é de que o processo está muito atrasado. As pessoas precisam retomar suas vidas, que não voltarão ao normal, seja pelas pessoas que morreram no dia da tragédia, seja pelas 55 que faleceram depois. Mas as famílias precisam seguir em frente. E, para seguir em frente, precisam, no mínimo, ter a moradia garantida.

Falta um nome em Brasilia que possa pressionar em favor da população e dos municípios?

Toda ajuda sempre será bem-vinda. Mas ninguém tem a experiência que eu tive, ninguém vivenciou o que eu vivenciei. Na parte econômica e na parte ambiental. Hoje, faço um mestrado em Meio Ambiente, Sustentabilidade e Reparação. A tragédia me levou a buscar esse caminho. Claro que precisamos buscar o bom senso. Em cidades como Mariana, Itabirito e Ouro Preto, não adianta chegar e falar em buscar outras fontes de receita. Em Mariana, por exemplo, 90% da arrecadação vem da mineração. É possível conciliar progresso e desenvolvimento com preservação. Proteger o Meio Ambiente, sem deixar de lado a economia. O que fui buscar na academia é conhecimento para propor discussões e leis que tornem o processo mais justo e ágil. Porque se nada for feito, em 10 anos, por exemplo, teremos um déficit de 40% de água. Temos de pensar em reflorestamento agora. Ou deixaremos uma tragédia para as futuras gerações.

Quais são suas principais bandeiras hoje na política, além da proteção aos atingidos pela Barragem de Fundão?

Defesa consciente do meio ambiente, sem radicalismo, que entenda a necessidade de cada realidade local. Levar para Brasília a experiência do Executivo. São poucos os que passaram por prefeituras e governos e precisamos facilitar o trabalho dos chefes do Executivo, que têm enormes responsabilidades. Sempre fui um desportista e pretendo trabalhar também com projetos nessa área, principalmente com categorias de base, formar atletas a partir de 7 ou 8 anos e também cidadãos melhores. Futebol, ginastica artística, buscar as modalidades em que nossas crianças possam se destacar. Quem sabe não possamos fazer grandes parcerias com a Leila do Volei, que tem feito um excelente trabalho no Senado.

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