Luiz Carlos Azedo: Segundo turno entre Lula e Bolsonaro será uma disputa dramática

Estava escrito nas estrelas que a disputa entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) iria para o segundo turno; ontem mesmo, o petista ressaltou que nunca ganhou uma eleiçao no primeiro turno e que teria quer convencer a maioria dos eleitores de que será a melhor opção no segundo. Com 96,93% das urnas apuradas, Bolsonaro recebeu 43,70% dos votos válidos, enquanto o Lula teve 47,85% dos sufrágios. Os candidatos Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) obtiveram, respectivamente, 4,22% e 3,06% dos votos válidos.

No sábado, as pesquisas do DataFolha e do Ipec já sinalizam nessa direção. O efeito da forte campanha a favor do voto útil em Lula, que mirou principalmente o candidato do PDT, Ciro Gomes, havia se esgotado sem que o objetivo almejado fosse assegurado. O que as pesquisas não captaram foi o efeito contrário, uma espécie de voto útil por gravidade, a favor de Jair Bolsonaro, até previsível. Era a famosa Terceira Lei de Newton, o princípio da ação e reação, segundo o qual para toda força de ação existe uma força de reação que possui o mesmo módulo e direção, porém em sentido contrário.

Esse princípio da mecânica serve para explicar o fenômeno político que ocorreu na reta final das eleição, com a mobilização de uma parcela silenciosa do eleitorado, motivada por forte sentimento antipetista, que acabou atingindo não somente os indecisos, mas também parcela dos eleitores que votariam na candidata do MDB, Simone Tebet.

A propósito, ao contrário do que aconteceu com Ciro, cuja liderança foi muitos esvaziada, inclusive no Ceará e no Nordeste, sua principal base eleitoral, Simone emerge da eleição como uma nova liderança nacional, que transborda o Mato Grosso Sul e o Centro-Oeste, ao obter o melhor desempenho eleitoral de seu partido nas eleições para a Presidência de sua história. Simone poderá ter um papel decisivo no resultado do segundo turno, ao se posicionar claramente sobre a disputa em curso, que será dramática. O resultado frustra a militância petista e deixa pilhada a base de Bolsonaro. (Correio Braziliense – 03/10/2022)

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