Nota oficial – É preciso impedir o desmonte do INEP e da Educação brasileira

“O estudo, como sabem mães e pais, é a principal ferramenta de mudança da realidade social. Um valor que eles passam aos filhos e às filhas. Milton Ribeiro e Jair Bolsonaro estão tratando de destruir esse valor. Ditos defensores da família que estão impedindo milhares de famílias brasileiras de conhecer um nível maior de prosperidade num horizonte mais curto de tempo”, dizem Roberto Freire e Cristovam Buarque

Nota oficial

O Cidadania se solidariza com os 37 servidores que até o momento pediram demissão de seus cargos de chefia no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) devido à “fragilidade técnica”, à política de desmonte do órgão, às sucessivas tentativas de interferência política e ao assédio moral praticado por seus superiores.

A fragilidade apontada por esses servidores é a principal marca da gestão Bolsonaro em todas as áreas. Trata-se de um governo incompatível com a inteligência e por isso mesmo voltado para a destruição de políticas públicas que não têm ideologia nem pertencem a esse ou àquele partido, mas ao povo que as financia com o dinheiro de seus impostos.

Na Educação, isso é particularmente desastroso pois está condenando as crianças e os adolescentes brasileiros a um futuro de menos oportunidades e mais desigualdade, comprometendo também, como consequência, o crescimento econômico nacional. O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) ocorrerá neste ano, apesar das demissões, mas como será em 2022?

O que está sendo feito para suprir o déficit de aprendizado de nossos estudantes que ficaram quase dois anos sem aulas? Segundo estimativas, recuperar o prejuízo pode levar 11 anos. Qual a política educacional do atual governo? Como pretende melhorar os resultados do Brasil no PISA? O que está fazendo para oferecer aos professores condições adequadas de trabalho?

Não se sabe, porque o Ministério da Educação está entregue a um reacionário mais preocupado em imprimir suas crenças pessoais nas políticas educacionais, promover uma guerra cultural a partir do ensino e agradar os áulicos do bolsonarismo interferindo ideologicamente até mesmo na formulação de questões do ENEM.

A Educação precisa deixar de ser um chiqueirinho onde ficam apoiadores do presidente da República cuja única qualificação é ser amigo do rei. Enquanto eles cuidam de seus interesses mais comezinhos, o interesse nacional fica em segundo plano, a exemplo dos censos da Educação Básica e Superior sem os quais qualquer planejamento é impossível.

O estudo, como sabem mães e pais, é a principal ferramenta de mudança da realidade social. Um valor que eles passam aos filhos e às filhas. Milton Ribeiro e Jair Bolsonaro estão tratando de destruir esse valor. Ditos defensores da família que estão impedindo milhares de famílias brasileiras de conhecer um nível maior de prosperidade num horizonte mais curto de tempo.

Que o Congresso Nacional, o Ministério Público e os órgãos de controle investiguem o que está ocorrendo no INEP e ajam para impedir que o retrocesso na Educação siga avançando.

Roberto Freire

Presidente Nacional do Cidadania

Cristovam Buarque

Ex-ministro da Educação

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