Freire: voto impresso é teoria conspiratória que serve a projeto golpista de Bolsonaro

Presidente do Cidadania defendeu urna eletrônica no Grande Debate da CNN e lembrou que sistema previsto na PEC 135 foi usado em fraude na Venezuela

Em discussão sobre a PEC 135/2019, que propõe a volta do voto impresso no Brasil, o presidente do Cidadania, Roberto Freire, disse no Grande Debate, da CNN, nesta terça-feira (27), que o texto apoiado pela base de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional tem inspirações golpistas e defendeu a votação por urna eletrônica, sistema que elegeu o presidente, seus filhos e amigos para inúmeros mandatos. O programa, apresentado pela jornalista Carol Nogueira, teve como outro debatedor o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR), relator da PEC.

“Quero lembrar a você que, na Venezuela, uma das fraudes não foi na urna eletrônica, mas no voto impresso, que a urna eletrônica fazia. Foram descobertos vários votos incinerados em vários locais. Essa eleição, com Chávez, foi considerada fraudulenta, era o início da ditadura do chavizmo. Isso que devemos ter cuidado no Brasil com o governo Bolsonaro, se ficarmos com essas teses conspiratórias. É fundamental a defesa da democracia em relação a esse governo”, comparou Freire.

O presidente do Cidadania argumentou que as urnas eletrônicas são seguras e auditáveis e que, em 25 anos de uso, não houve qualquer denúncia de fraude. Todo o processo de totalização e apuração dos votos é acompanhado pelos próprios partidos políticos, sustentou. Ele lembrou ainda que Bolsonaro foi instado pelo Tribunal Superior Eleitoral a apresentar as provas que diz ter sobre supostas fraudes há mais de 500 dias e até agora não as apresentou. O ex-deputado também questionou se Barros tinha alguma prova de fraude eleitoral nas urnas eletrônicas, mas não obteve resposta.

“Eu não tenho porque participar desse processo golpista do senhor Bolsonaro, de não respeitar nossos tribunais e a Justiça Eleitoral. Eu respeito o sistema judiciário. O que não quer dizer que aprove todas as suas decisões. Tenho minhas críticas. Mas eu respeito as nossas instituições democráticas e republicanas. Isso é que tem de ser repudiado: Jair Bolsonaro e seu ministro da Defesa que apontam para o golpe de que não vai haver eleição se o Congresso Nacional não aprovar aquilo que eles desejam”, criticou.

“O presidente Jair Bolsonaro, os seus filhos e amigos, todo o seu clã, foram eleitos sem voto impresso, com urna eletrônica. Você inclusive como vereador. E nunca levantaram essa questão. Isso só surge quando começa a haver um movimento no mundo. Inclusive com a invasão do Capitólio, com Trump dizendo que havia fraude, mas no voto impresso. Tivemos eleições muito mais sérias e não tivemos nenhuma ideia de fraude”, completou.

Freire ainda ponderou que se a questão é avançar, então que se discutisse no Brasil o que outros países vêm fazendo: o voto por celular e não por urna eletrônica. E observou que a grita bolsonarista contra o sistema não se estende ao mercado financeiro, cada vez mais digitalizado, ou a outro serviço público igualmente informatizado: a declaração do Imposto de Renda.

“Se for pra reformular, é para avançarmos. O mundo começa a discutir o voto por celular e não por urna. Isso que é avançar. E não buscar criar nas milhares de urnas um receptáculo para o voto impresso que certamente será fraudado. O Brasil é respeitado pelo avanço não só no sistema eleitoral, mas na entrega do Imposto de Renda, que fazemos pela internet. Você não pede que a Receita Federal te mande algo impresso. Quando você acessa o banco, não tem reposta por escrito. Não queremos voltar para a época em que os coronéis no interior determinavam quem ia ser eleito”, apontou.

Freire finalizou com um recado para que o deputado Filipe Barros não se prendesse a ideias do passado, como o voto impresso ou a tentações totalitárias, como as que seduziram deputados da base bolsonarista. Uma referência a Bia Kicis (PSL-DF), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que se reuniu com Beatrix von Storch, deputada do partido de inspiração nazista Alternativa para a Alemanha (AfD), também recebida por Bolsonaro.

“Não fique preso a ideias do passado. Não fique se vinculando a ideias obscurantistas e anti-iluministas. Busque entender esse mundo do futuro. Não se posicione com ideias neofascistas e neonazistas, porque isso significa só atraso. E quando conseguem se implantar significam só barbárie”.

Assista ao programa no link abaixo:

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