Reunião da Executiva Nacional do Cidadania reforça discurso de oposição a Jair Bolsonaro

Roberto Freire credita aparente moderação à prisão de Fabrício Queiroz e diz não ter ilusão de que o pior presidente no combate à pandemia tenha mudado

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, afirmou, nesta quinta-feira (16), ao fazer uma análise da conjuntura política na reunião da Executiva Nacional do partido, que o desgoverno de Jair Bolsonaro e o descalabro no trato da pandemia de Covid-19 continuam, apesar do aparente recuo do presidente da República nos ataques contra as instituições democráticas brasileiras. Segundo ele, erra quem alimenta expectativas de que ele tenha sido moderado. Bolsonaro continua sendo Bolsonaro, em sua avaliação.

“As besteiras ditas por Bolsonaro junto aos cercadinhos e a sua constante defesa de manifestações antidemocráticas há algumas semanas não fazem mais parte do cotidiano do País. Na minha compreensão isso se deve à prisão do [Fabrício] Queiroz. Bolsonaro já enfrentava problemas com a investigação do STF sobre o uso das redes de fake news. Isso lhe criou problemas, obrigando-o a recuar. No caso da pandemia, vemos uma demonstração clara do descaso e desmantelo desse governo, que visa mais destruir do que construir”, sustentou.

O presidente do Cidadania destacou que Bolsonaro tenta manipular a opinião pública, responsabilizando governadores e prefeitos pelo avanço da Covid-19, tema, que na opinião de Freire, terá relevância nas eleições. Ele reforçou a necessidade de o partido se opor fortemente aos planos do atual chefe do Executivo Federal.

“Não podemos baixar a guarda. Bolsonaro é antidemocrata e não possui visão de país. Precisamos ter clareza sobre o posicionamento desse governo, que é obscurantista, negacionista e anticiência. Precisamos construir e não defender a destruição. Estarmos atentos e presentes nessas discussões. Precisamos continuar lutando pela defesa da democracia e ter clareza quanto à oposição a Bolsonaro. Isso irá nos distinguir bem na campanha eleitoral, que é o nosso grande objetivo nesse momento”, defendeu.

O ex-governador e ex-senador Cristovam Buarque (Cidadania-DF) concordou com as colocações de Roberto Freire e ressaltou que, apesar de eventuais discordâncias no bloco democrático, é preciso manifestar repulsa ao governo Bolsonaro. No mesmo tom, o secretário de finanças nacional e presiddente do Cidadania-AL, Regis Cavalcante, afirmou que o Governo Federal é inexistente do ponto de vista democrático e das políticas públicas e não tem um projeto para a Nação. Para ele, Bolsonaro não tem postura para estar no cargo que ocupa.

O ex-deputado federal Arnaldo Jordy também avaliou que o governo Bolsonaro extrapola os limites do bom senso e não oferece rumos concretos para a nação. Ele lembrou que o poder Executivo contrariou todas as orientações de organizações mundiais e cientificas no combate à pandemia, levando o País a uma grave crise sanitária.

Ele disse ainda que a má condução no combate da doença agravará a frágil situação econômica brasileira. “Estamos prevendo 20 milhões de desempregados e tivemos mais de cinco milhões de empresas destituídas segundo relatório recente do Sebrae. Logo, por conta de toda essa situação, não tenho dúvidas de afirmarmos oposição ao governo Bolsonaro’, defendeu.

Jordy ainda disse que o descaso com o Meio Ambiente está afetando a imagem internacional do país, com desdobramentos econômicos.

“A questão ambiental começa ter dimensão devido a manifestações recentes de empresários e investidores internacionais pressionados pelos seus mercados. Isso vai gerar uma onda positiva e afirmativa desses valores, representados na Amazônia e nos demais biomas que estão sendo agredidos por esse governo como nunca visto antes. O Cidadania precisa abraçar essa causa com mais atenção”, cobrou.

Presidente do Cidadania-RN, Wober Júnior também condenou os propósitos autoritários e antidemocráticos do governo. “O partido tem o dever de tomar uma decisão clara contra esses posicionamentos”, assinalou. Já a ex-deputada ítalo-brasileira Renata Bueno, que mora atualmente na Itália, disse ver com clareza como Bolsonaro é reconhecido internacionalmente, sobretudo na Europa, como o pior governante do mundo no combate à pandemia.

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