Inviabilidade do Fundo Amazônia é algo similiar a rasgar dinheiro, afirma Eliziane Gama

Senadora avalia em audiência virtual com o vice-presidente Hamilton Mourão que o País sofre um apagão ambiental e o questiona sobre demissões do ministro do Meio Ambiente, no Inpe e a atuação do governo para combater o garimpo ilegal em terras indígenas (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

A lider do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), disse ao vice-presidente da República Hamilton Mourão em sessão temática virtual do Senado para debater as ações e planos do governo no meio ambiente que a inviabilidade do Fundo Amazônia foi fruto de atitudes ‘irracionais’ do governo, ‘algo similiar a rasgar dinheiro’.

“E a nossa torcida é para que o Fundo Amazônia, de fato, seja reativado. Referente à questão da Amazônia Legal, desde a campanha eleitoral, o presidente Bolsonaro sempre deixou muito claro que a preservação do meio ambiente não teria nenhuma prioridade no seu governo. Isso é um fato, basta verificar o que aconteceu na governança ambiental, que foi praticamente toda desmontada, principalmente em órgãos importantes como o Ibama e também o ICMBio”, disse a senadora, ao afirmar que a ‘intransigência’ do Executivo na área ambiental já prejudica a economia brasileira.

“E o mais triste é que somos nós que, infelizmente, estamos criando justificativa para o bloqueio de nossas exportações, porque algumas dessas pressões acabam se sustentando num forte protecionismo, é claro, mas nós não podemos dar munição para isso”, completou a líder do Cidadania.

Eliziane Gama disse ainda na audiência que o País sofre um apagão ambiental e questionou o vice-presidente sobre demissões do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, no Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais) e a atuação do governo para combater o garimpo ilegal em terras indígenas

Amazônia nas mãos do Congresso

Coordenador do Conselho da Amazônia, Hamilton Mourão afirmou que o melhor para o Brasil em relação à Amazônia é aquilo que o Congresso decidir. Segundo ele, o Parlamento é como o Rio Solimões, para onde convergem bons rios, os debates.

“É para onde convergem todos os afluentes, é o local da discussão. O que emergir daqui é aquilo que é o melhor para o Brasil. Essa é a minha visão”, disse ele.

Crítica das políticas do governo que levaram retrocesso à área ambiental, Eliziane Gama disse que Mourão tem uma qualidade para o diálogo com setores divergentes que é pouco comum no governo federal.

Ela questionou o vice-presidente se o governo discute a demissão do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e quando e como o governo irá retirar os garimpeiros da terra indígena Ianomâmi.

Mourão disse que só cabe ao presidente da República demitir o ministro.

“Eu, na minha visão, estou trabalhando com aquilo que foi-me colocado para trabalhar. No caso específico do ministro Ricardo Salles, que ele tem cumprido aí todas as nossas orientações e tem sido um parceiro na busca das soluções e da melhoria da nossa política ambiental e do nosso combate às ilegalidades”, ressaltou.

Garimpo

Sobre o garimpo ilegal na terra Ianomâmi, Hamilton Mourão defendeu que o Congresso discuta o projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso.

“Os garimpos dentro da terra indígena Ianomâmi são que já vêm de bastante tempo. Eles, de tempos em tempos, têm um incremento na sua exploração. Tem uma falácia sendo divulgada de que tem 20 mil garimpeiros lá dentro. Isso não existe. Os nossos dados de inteligência colocam aí na faixa de 3,5 mil – e 2 mil estariam no Rio Uraricoera e 1,5 mil na área ali do Rio Mucajaí. São mais de 400 pontos de garimpo”, reconheceu.

Em relação a quando os garimpeiros ilegais serão removidos, o vice-presidente disse ser contra a repressão.

“Não é uma operação simples. Eu podia até, mas não quero. É uma operação que tem que ser muito bem calculada”, ponderou.

Inpe

Eliziane Gama também questionou Mourão do motivo da demissão da coordenadora-geral de Observação da Terra do Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais) , Lúbia Vinhas. Para ela, ‘ficou muito claro que o governo parece preferir quebrar o termômetro em caso de febre do que efetivamente combater as causas’.

Mourão disse que, segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, houve um rearranjo dentro do Inpe e que a pesquisadora vai ocupar outra função ‘com a mesma ou até mais responsabilidade que ela tinha nessa área do monitoramento’.

Para a parlamentar maranhense, ‘Mourão precisa contribuir rapidamente para desfazer o apagão ambiental em que o Brasil foi mergulhado graças a desastrosa política ambiental do presidente e de Ricardo Salles’.

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