Pedro Auarek: Os riscos da erotização infantil

No último domingo (22/09), o canal de televisão SBT, exibiu um programa apresentado por Silvio Santos de “Concurso Miss Infantil”, no qual crianças desfilavam de maiô, para a escolha do “melhor corpo”.

Devido aos avanços tecnológicos e a facilitação do acesso as informações, diariamente crianças e adolescentes estão tendo de conviver com propagandas, filmes, redes sociais, programas de televisão que despertam a sedução e a exposição do corpo. Situações estas que promovem a erotização infantil, podendo alterar o processo natural de desenvolvimento e proporcionar experiências com as quais ainda não estão preparadas. A erotização infantil extrapola as etapas de desenvolvimento da criança/adolescente e antecipa seus aprendizados, o que pode ser bastante prejudicial.

De acordo com Fórum de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes de Minas Gerais (Fevcamg), a erotização infantil é considerada como uma das principais causas da violência sexual contra crianças e adolescentes.  Entre 2011 e 2017, o Brasil teve um aumento de 83% nas notificações gerais de violências sexuais contra crianças e adolescentes. No período foram notificados 184.524 casos de violência sexual, sendo 58.037 (31,5%) contra crianças e 83.068 (45,0%) contra adolescentes (Dados do Ministério da Saúde).

Historicamente, os casos relacionados às crianças e adolescentes são velados. Em alguns contextos culturais meninos e meninas são obrigados a casarem e terem relações conjugais muito novos ou pelo fato da maior parte destes abusos acontecerem nos ambientes de convívio de seus núcleos familiares, cometidos por vizinhos ou parentes. 

Não podemos retroceder, acobertar, omitir e muito menos estimular situações de erotização infantil. É de extrema importância denunciar qualquer tipo de suspeita de violência contra crianças e adolescentes. Hoje existe um portal gratuito e sigiloso que é disque 100, do Disque Direitos Humanos. As denuncias também podem ser realizadas diretamente nos Conselhos Tutelares e, em situações flagrante, o órgão acionado deve ser a Polícia Militar. 

Pedro Auarek é Conselheiro Tutelar de BH, Membro do Movimento Acredito de MG, aluno do RenovaBr Cidades 2019 e Dirigente do Cidadania 23

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