Itaipu: Roberto Freire diz que CPI pode ser necessária para investigar acordo polêmico entre Brasil e Paraguai

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, afirmou nesta quinta-feira (15), ao analisar o acordo secreto da hidrelétrica de Itaipu Binacional entre os governos de Brasil e Paraguai, que talvez seja necessária a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para esclarecer o episódio que se transformou em crise no País vizinho. Para Freire, o assunto é grave por envolver supostas denúncias de corrupção entre políticos de ambas nações.

Freire: “Assunto nebuloso”

“É um assunto nebuloso que talvez se torne necessário [a instalação de] uma CPI. Precisamos saber mais detalhes desse episódio, um escândalo no Paraguai, que inclusive está discutindo a possibilidade de impeachment de seu presidente [Mario Abdo Benítez]. É um assunto que traz preocupação para nós também. É um tema grave que envolve denuncias de corrupção”, disse.

Freire classificou como correta a ação (veja abaixo) do deputado federal do Cidadania, Rubens Bueno (PR), que, na semana passada, solicitou a convocação dos ministros de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e de Minas e Energia, Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior, para dar maiores esclarecimentos na Comissão de Relações Exteriores da Câmara sobre o assunto.

“Correta a posição do deputado Rubens Bueno que conseguiu, na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, aprovar o convite para que os ministros brasileiros expliquem nossa participação nesse acordo secreto que posteriormente foi anulado e não se sabe muito bem o porque. Precisamos descobrir o por que dessa pressa e possíveis negociatas. O que me parece é que, se os esclarecimentos não forem convincentes [na Comissão], não há dúvida que a CPI se impõe”, analisou.

Acordo suspeito

A polêmica sobre o acordo surgiu após reportagem do jornal paraguaio ABC apontando que o presidente do Paraguai recebeu pressões do Brasil para assinar a ata secreta de 24 de maio sobre a venda de energia excedente do País vizinho para o Brasil.

Segundo a reportagem, o presidente da ANDE (Administración Nacional de Eletricidad), Pedro Ferreira, demonstrou profunda preocupação com o acordo pelo fato de inicialmente prever venda de 12% do excedente e posteriormente se depararem com uma venda de 18%, o que representaria U$ 341 milhões de sobrecusto para o Paraguai.

O jornal especulou a existência de um esquema de corrupção para favorecer a empresa brasileira Leros, que seria contratada como consequência da assinatura do novo acordo e que teria ligações com a família do presidente Jair Bolsonaro. Ainda segundo o jornal, a contrariedade do presidente da ANDE causou mal-estar ao governo brasileiro, fazendo com que o Itamaraty convocasse o embaixador paraguaio no Brasil, Hugo Saguier Caballero, para dar explicações.

Pedro Ferreira, em mensagem enviada no dia 4 de julho, alertou o presidente paraguaio sobre a lesividade do acordo e afirmou que “queria lhe mostrar os números e nossa análise. A prova de que o acordo é claramente inconveniente é que querem que o mantenhamos secreto”. (Com informações das agências de notícias)

 

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