A esquerda democrática escolhe a liberdade. A brasileira hesita e ainda não reconheceu o erro

A luta das mulheres e dos homens iranianos contra a ditadura teocrática dos aiatolás expôs uma clivagem cada vez mais evidente no campo progressista internacional.

Enquanto as esquerdas democráticas da Europa se posicionaram de forma clara e consistente em defesa da liberdade, da dignidade das mulheres e dos direitos humanos no Irã, parte significativa da esquerda brasileira segue em silêncio quando não em constrangido apoio ao regime iraniano. Um reflexo direto do alinhamento do governo Lula a ditaduras de diferentes matizes, entre elas a teocracia iraniana.

O Cidadania 23 já se manifestou de forma inequívoca a favor da resistência do povo iraniano, da liberdade das mulheres e da vitória de uma revolução democrática. Esse posicionamento nos coloca ao lado da melhor tradição da esquerda democrática internacional.

Na Europa, os exemplos são claros.

No Reino Unido, o Partido Trabalhista condena a repressão, as execuções e a imposição do véu obrigatório. O Labour Party expressa apoio político explícito às manifestações democráticas e defende medidas internacionais contra o regime iraniano.

Na Itália, o Partito Democratico, originado do PCI, condena abertamente a violência do regime, a repressão às mulheres e as execuções. Apoia sanções europeias contra autoridades responsáveis por violações de direitos humanos, e seus parlamentares participam de moções e atos públicos de solidariedade.

Na França, o Partido Socialista é um dos mais claros na esquerda europeia ao denunciar a natureza teocrática e repressiva do regime iraniano e ao apoiar explicitamente o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”. Parlamentares socialistas participam ativamente de atos públicos. Já o Partido Comunista Francês condena a repressão e as execuções, mas mantém um discurso mais ambíguo, frequentemente preso a uma leitura anti imperialista que evita afirmar com clareza a ruptura revolucionária democrática.

Na Alemanha, o Partido Social Democrata sustenta uma das posições mais firmes da social democracia europeia. Defende os direitos humanos, os direitos das mulheres iranianas e apoia sanções europeias de forma consistente, tanto no Parlamento alemão quanto no Parlamento Europeu.

Nos países nórdicos, os partidos social democratas e trabalhistas da Suécia, Noruega e Dinamarca adotam um apoio enfático às manifestações democráticas no Irã, com foco no feminismo, nas liberdades civis e na liberdade religiosa, além de respaldo claro a sanções internacionais.

Diante desse quadro, a pergunta se impõe.

Quando as esquerdas brasileiras PT e os partidos da federação PV e PCdoB, PSB, PDT e PSOL irão se pronunciar de forma clara contra a ditadura teocrática do Irã e a favor da liberdade e da democracia para o povo iraniano.

O silêncio, ou a relativização em nome de um anti imperialismo defasado, que acaba justificando regimes autoritários e fundamentalistas, não representa a tradição democrática da esquerda. Representa apenas atraso político, confusão moral e a negação dos valores universais de liberdade, dignidade humana e direitos das mulheres.

Essa é a diferença entre uma esquerda democrática e uma esquerda que ainda se recusa a romper com a defesa de ditaduras.

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