REGIONAL
O Cidadania acompanha com atenção e preocupação o momento político vivido pela Venezuela e seus impactos sobre a estabilidade regional. Reafirmamos que não há solução duradoura para a crise venezuelana fora da política, do diálogo e do respeito à soberania popular, com garantias efetivas de direitos, liberdades civis e eleições livres.
Essa compreensão se torna ainda mais clara diante da necessidade de uma política conjunta dos países da América do Sul, processo que o Brasil pode e deve liderar, sem hegemonismos e, sobretudo, sem ideologismos. A integração regional só pode avançar de forma legítima e sustentável se estiver fundada, de maneira inequívoca, na cláusula democrática. Democracia, pluralismo político, separação de Poderes, respeito aos direitos humanos e ao Estado de Direito não são temas acessórios nem negociáveis. São pressupostos obrigatórios de qualquer projeto integracionista sério.
A experiência regional demonstra que iniciativas de cooperação econômica, de infraestrutura e de concertação política, no Mercosul, na Unasul ou em novos fóruns, fracassam quando toleram autoritarismos, eleições sem garantias ou repressão a opositores. A integração não pode servir para blindar regimes que negam direitos a seus próprios povos.
Nesse contexto, é fundamental afirmar que uma integração sul americana democrática também é a resposta adequada e estratégica à recidiva do intervencionismo norte americano, hoje simbolizada pela postura de Donald Trump e pela reativação explícita da Doutrina Monroe e da política do Big Stick pelos Estados Unidos.
A história latino americana é marcada pelas consequências dessas doutrinas. Intervenções militares, golpes de Estado, tutela externa e negação da autodeterminação dos povos. A resposta a esse passado, e à sua reaparição no presente, não é o isolamento nem o alinhamento submisso, mas mais integração regional, baseada em soberania, democracia e cooperação entre iguais.
Por isso, o Cidadania defende uma integração sul americana democrática e soberana, que:
tenha a cláusula democrática como condição de ingresso, permanência e cooperação;
rejeite qualquer forma de tutela ou intervenção externa;
atue preventivamente diante de rupturas institucionais;
promova mediações políticas regionais com credibilidade;
fortaleça mecanismos regionais de defesa dos direitos humanos.
A América do Sul deve afirmar se como zona de paz, democracia e autodeterminação, capaz de falar com voz própria no cenário internacional. Sem democracia, a integração se esvazia. Sem soberania, ela se subordina. Com ambas, ela se fortalece.
Brasília, janeiro de 2026
Roberto Freire
Presidente Nacional do Cidadania
Cidadania, pela democracia, pela soberania e por uma integração sul americana com cláusula democrática
