A Europa começa a respirar novamente

A Democracia dá sinais claros de resistência no Velho Continente.

Tudo começou pela Itália. No segundo turno das eleições municipais, o Partido Democrático (PD) venceu em cinco importantes cidades do país. Depois, tocou a vez da Inglaterra, onde o Partido Trabalhista deu uma verdadeira surra eleitoral no Partido Conservador. Agora, na França, com o Campo Democrático derrotando as forças reacionárias e, mesmo neofascistas, incrustadas no movimento pilotado por Marine Le Pen. Esse Campo Democrático é formado, na França, pela Nova Frente Popular e pelos seguidores centristas do atual presidente Macron. Caberá a ele decidir a formação do próximo Governo francês.

A Europa parece respirar aliviada. Em todo caso, é preciso ter um olho na Alemanha. Neste país, um partido de extrema-direita, muitas vezes um eufemismo para movimentos de características neonazistas, obteve a segunda colocação nas últimas eleições.

Essas eleições refletem uma série de mudanças que se operam nos países europeus. De um lado, temos uma revolução tecnológica, como que materializada pela robotização, pela automação e pela inteligência artificial. Eis o que mexe com o mundo do trabalho, alterando até mesmo o cotidiano das pessoas. Além disso, temos as mutações no plano étnico, com as migrações das últimas décadas mudando por vezes substancialmente o perfil das sociedades europeias. Isso para não aludirmos às transformações ocorridas no espaço nacional europeu, transformações essas que desembocaram na formação da União Europeia (UE), em 1992. É muita mudança em um curto espaço de tempo.

O nacionalismo fascistóide ou de extrema-direita explorou esse estado de coisas. É necessário que as forças da Democracia que obtiveram expressivas vitórias nessas últimas semanas trabalhem para além da conjuntura eleitoral ou mesmo da formação de um governo democrático amplo (extremamente necessário, diga-se de passagem).

Em outras palavras, convém atacar de frente os problemas estruturais presentes em suas sociedades. Afinal, a conjuntura nada mais é do que a própria estrutura em movimento.

Pois somente assim o perigo neofascista será totalmente afastado. Nesse sentido, a experiência que um país como a França começa a viver desde já poderá se apresentar como um verdadeiro laboratório político da Democracia contemporânea.

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