Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (03/03/2021)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

CVM investigará operações suspeitas com ações da Petrobras
Bolsa Família pode sair do teto de gastos
Guedes vês risco de crise similiar à da Venezuela
Governadores e Congresso se movimentam por vacinas
Vacina de Oxford é boa para idosos
Ex-presidentes do TRT são presos
STF revê decisão e arquiva denúncia contra Arthur Lira
Para MP, ‘rachadinha’ ajudou a pagar imóvel de Flávio no Rio
O Globo é o jornal mais lido do país
EUA acusam serviço secreto russo de envenenar Navalny

O Estado de S. Paulo

País tem recorde de mortes e SP deve entrar em fase vermelha
Intervenção de Bolsonaro faz disparar dólar e risco país
CVM avalia apurar lucro atípico com ação da Petrobrás
Presidente planeja ir em abril à cúpula de Biden sobre clima
STF livra Lira do ‘quadrilhão do PP’
Em Santa Catarina, 16 morrem na fila por UTI

Folha de S. Paulo

No maior salto da pandemia, país perde 1.726 em 24 horas
Câmara dá aval à compra de vacina por empresas
Para Guedes, Brasil pode virar uma Venezuela
SP estuda fase vermelha no estado, com escolas abertas
Após 1ª dose idoso é protegido, dizem britânicos
UTIs em 10 capitais têm mais de 90% de ocupação
Capital inicia hoje imunização de maiores de 77
Designers lançam campanha ‘Bolsocaro’ para criticar alta de preços
Prestação da mansão é meia renda de Flávio e sua mulher
Clientes de banco devem pagar apoio a caminhoneiro
Denúncia aceita contra Lira é rejeitada pelo STF
Nutricionista que matou pedestre vai prestar serviços
Polícia pede prisão de MC Poze e 13 outros por bailes funk

Valor Econômico

Dólar alto pressiona custos de empresas e gera inflação
Fiocruz vê crise se agravar em todo o Brasil
Todos são clientes
Receita cria obstáculos a uso de crédito tributário
Setor de saúde ganha peso na bolsa
Drebor leva o Cuiabá à 1ª divisão

EDITORIAIS

O Globo

Reforma política proposta por Lira traria retrocesso

É inaceitável que o país volte atrás na cláusula de barreira, determinação que já deveria ter sido implementada por uma lei de 25 anos atrás

Fortalecido pela ascensão de Arthur Lira (PP-AL) para presidir a Câmara dos Deputados, o Centrão, frustrado na tentativa de fazer uma aprovação-relâmpago da “PEC da Impunidade”, dedica-se agora a executar uma ampla reforma política com ingredientes não menos nocivos. Entre eles, o fim da proibição de coligações em pleitos proporcionais, que elegem deputados e vereadores, e a extinção da cláusula de desempenho (ou de barreira), que estabelece um patamar mínimo de votos para um partido obter representação (usual em democracias maduras para reduzir o número excessivo de legendas no Legislativo).

A pulverização de partidos, por dificultar a construção de uma base que dê condições de governabilidade ao Executivo, dá espaço a negociações nada republicanas. É o que esteve por trás do mensalão e de vários outros escândalos que envolvem a compra —seja literal, seja na base do toma lá dá cá de verbas e cargos — do apoio de partidos menores ao governo no Congresso.

No último pleito municipal, em novembro, começou a vigorar a proibição de coligações na eleição para vereador. Ela se estenderá a deputados estaduais e federais em 2022. Já houve um nítido sinal de melhora. O fim das coligações reduziu o número de partidos nas Câmaras municipais e trouxe maior transparência e consistência programática aos entendimentos com os prefeitos sobre planos de governo.

Políticos do Centrão — em que se destacam PP, PSD, PL, PTB e Republicanos — reclamaram e passaram a trabalhar pela volta dessas coligações espúrias. Elas não passam de um logro com a representatividade do voto, frequentemente desviado nas coligações para um candidato que o eleitor não conhece e com quem não concorda. Nos tempos das amplas alianças do PT, votos da esquerda ajudaram a eleger políticos de direita e vice-versa. É um acinte à democracia representativa.

Agora, o bloco de partidos fisiológicos que se tornou a base do governo Bolsonaro planeja não só revogar o fim dessas coligações, mas também extinguir a cláusula de barreira em sua reforma política. A iniciativa deve ser vista com suspeição, analisada e debatida a fundo.

O respeito ao voto do eleitor instituído pelo veto a coligações em pleitos proporcionais se conjuga com a cláusula de desempenho para melhorar a representatividade do Legislativo. No conjunto, ambas são um golpe nas legendas nanicas interessadas apenas em mercadejar apoios.

É inaceitável que o país volte atrás na cláusula de barreira, determinação que já deveria ter sido implementada por uma lei de 25 anos atrás. Já nas eleições de 1996, os partidos que não contassem com pelo menos 5% dos votos para deputado federal não teriam bancada no Congresso, acesso a fundos partidários e eleitorais, nem à propaganda em TV e rádio. A implementação foi adiada por dez anos. Em 2006, o Supremo invalidou a lei, numa decisão equivocada.

Constatado o erro, a cláusula voltou atenuada na reforma política de 2018 (1,5% dos votos válidos, numa escala crescente até chegar a 3% em 2030). Pequenos partidos pressionaram pela derrubada, com a ajuda daquelas legendas que cercam a presidência de Lira na Câmara, conhecidas mais pela sanha fisiológica que pela consistência ideológica. A pressão está de volta. Será preciso resistir.

O Estado de S. Paulo

O alto custo da baixa política

Enquanto o presidente cuida de interesses pessoais e familiares, os mais destacados em sua agenda, o governo segue sem rumo

Emperrado por um governo inepto e irresponsável e agora ameaçado também pelo fisiologismo triunfante no Congresso, o Brasil continua perdendo espaço na economia internacional, enquanto a pandemia se agrava e a mortandade supera os piores momentos do ano passado. Perdido o primeiro trimestre, é preciso muito otimismo para ainda apostar num crescimento, embora pífio, na faixa de 3% a 3,5%. É a glória do bolsonarismo – do negacionismo, do atraso na compra de vacinas, da exaltação da morte e do desvario administrativo, comprovado mais uma vez na decisão de subordinar a Petrobrás, a maior estatal brasileira, aos interesses de uma categoria profissional, a dos caminhoneiros.

O carnaval passou, a Semana Santa começará no fim do mês e o ministro da Economia, Paulo Guedes, continua à espera de verbas para um novo auxílio emergencial. Enquanto isso, parlamentares tentam cavar mais R$ 18,4 bilhões para suas emendas. Se conseguirem, o total chegará a R$ 34,7 bilhões, soma igual, talvez pouco superior, àquela necessária para socorrer as famílias mais desamparadas, mais uma vez, e dar algum impulso ao consumo.

Se passar, a expansão das emendas será mais um desarranjo num Orçamento ainda nem aprovado e muito atrasado. Ficará mais difícil arrumar as contas federais, já muito esburacadas, controlar a dívida pública e ao mesmo tempo reanimar os negócios e a criação de empregos. Mesmo em condições políticas mais favoráveis seria difícil combinar estímulo econômico e ajuste das finanças oficiais.

Enquanto o presidente cuida de interesses pessoais e familiares, sempre os mais destacados em sua agenda, o governo segue sem rumo e o País mal consegue manter a recuperação iniciada em maio do ano passado e já enfraquecida. Esses dados bastariam para compor um quadro preocupante.

Mas a isso é preciso adicionar inegáveis pressões inflacionárias, claramente perceptíveis nos preços por atacado. No varejo os consumidores encontram, como no segundo semestre de 2020, alimentos caros e ainda sujeitos a novas altas. O câmbio instável é um poderoso combustível para o aumento de preços. Nos últimos dias o dólar voltou a atingir – e até a superar – a cotação de R$ 5,60.

O dólar tem oscilado em níveis elevados, no Brasil, principalmente por causa da insegurança ocasionada pelo quadro político de Brasília, marcado pelo voluntarismo do presidente Jair Bolsonaro, por sua insistência em conflitos desnecessários e por suas decisões erráticas e fora de quaisquer padrões compatíveis com a racionalidade administrativa. A incompetência gerencial do presidente ficou clara desde os primeiros dias de seu mandato.

Essa incompetência se manifesta, com frequência, em ordens absurdas, porque ele tende a confundir a função presidencial com o mero exercício do poder de mando, concretizado sem respaldo técnico, sem atenção a detalhes legais e com base em opiniões estritamente particulares e infundadas. Essa tendência o levou, em 2019, a intervir na publicidade veiculada pelo Banco do Brasil, numa desastrada interferência na gestão de uma empresa de capital aberto.

A política econômica, apesar da expectativa otimista manifestada por analistas e investidores, seguiu o padrão de qualidade bolsonariano. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu menos em 2019 que em 2018 e encolheu no primeiro trimestre de 2020, antes do choque da pandemia. O crescimento projetado para 2021 será insuficiente para a retomada do nível pré-crise. Além disso, o País já crescia menos que outros emergentes antes de 2020, e continuará em desvantagem na recuperação.

Fraquezas econômicas acumuladas em vários anos e agravadas a partir de 2019 são parte do problema. Mas o Brasil ainda carrega desvantagens associadas à pandemia. Com maior contágio, mais mortes, vacinação lenta, sem coordenação federal das ações de saúde e com o presidente estimulando o risco da contaminação, a retomada econômica será mais difícil e insegura. Investidores nacionais e estrangeiros sabem disso, mas o presidente insiste em viver num mundo próprio.

Folha de S. Paulo

Basta de boicote

País chega à etapa mais mortífera da pandemia em razão da desorientação federal

Ocorreu o que estava havia tempos delineado, dada a irresponsabilidade atroz do governo federal e do presidente da República no manejo da maior crise sanitária em um século. O Brasil atravessará agora as semanas mais mortíferas da pandemia de coronavírus.

Com vacinados em volume pífio e crescendo devagar, o país colhe o fruto envenenado da desorientação, da ignorância, do desleixo e da imprevidência de suas lideranças. Os óbitos montam a mais de 1.200 por dia, e essa cifra, infelizmente, deve continuar crescendo.

No estado de São Paulo, com o sistema de saúde mais equipado do país, já há perto de 7.000 doentes de Covid-19 internados em UTIs. Eram menos de 3.000 no início de novembro. A necessidade de cuidado intensivo cresce mais de 1% ao dia, quase 50% ao mês. Não há capacidade hospitalar que resista a tamanha carga por muito tempo.

Em outros estados, como na região Sul, o colapso já deixou de ser uma hipótese e se concretizou.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, demonstra mais uma vez a sua monstruosa incompetência. Prometeu, em meados de janeiro, que o Brasil seria o líder mundial em vacinas aplicadas em fevereiro. Graças à inépcia da pasta comandada pelo general da ativa, o país é apenas o 6º nessa corrida, embora seja o 2º a registrar mais mortes.

O presidente Jair Bolsonaro mostrou o caminho a seus ministros. Em plena segunda explosão dos casos, voltou a boicotar o uso de máscaras, estimulou aglomerações e ameaçou não repassar recursos a governadores que decretem restrições em seus estados.

Como a vacinação ainda se arrasta e os hospitais ficam superlotados, restringir a circulação dos cidadãos é a única ferramenta que restou às autoridades para reduzir os danos dessa nova maré mortífera. Bolsonaro, mais uma vez, age deliberadamente contra a vida, o bem mais valioso dos governados.

Secretários estaduais de Saúde pedem que o governo federal decrete toque de recolher noturno em todo o território nacional. Num país continental, com regiões em estágios diferentes e com capacidades de resposta diversas, talvez uma medida uniforme como essa não seja a mais recomendada.

Em algumas localidades, as medidas precisarão ser mais duras que em outras. O espírito do apelo dos governos estaduais, entretanto, deveria ser atendido. O Executivo federal precisa não apenas deixar de ser um elemento perturbador das ações contra a pandemia viral.

É urgente que passe a apoiar os estados e os municípios, que deixe de divulgar mentiras e diga a verdade à população sobre o que prevenirá milhares de mortes nos próximos meses: vacinas, máscaras, hábitos de higiene e distanciamento.

Valor Econômico

Caos com a pandemia ajuda a depreciar o real

Situação pode piorar se os juros nos EUA subirem antes do previsto e o Brasil não encontrar formas de evitar o massacre da covid-19

As más surpresas econômicas e políticas reservadas pelo governo de Jair Bolsonaro, que parecem não ter fim, deixaram os investidores externos e domésticos preocupados. As ações do governo, não só no campo econômico, criam problemas onde eles não deveriam existir. A inflação ganhou fôlego com elas – hoje o maior fator de impulso aos preços domésticos é a desvalorização do real. Tendências que seriam favoráveis ao crescimento do país, como o atual ciclo de recuperação dos preços das commodities, deixaram ser acompanhadas de valorização do real e tornaram-se um pesadelo para a política monetária, que poderá ser arrastada a uma elevação da taxa de juros mesmo com uma economia com baixa tração.

O dólar ameaçou disparar ontem, diante de mais um ataque de nervos do presidente – o aumento de imposto sobre bancos para abrir espaço para que Bolsonaro reduza PIS e Cofins sobre diesel e agrade suas bases eleitorais entre os caminhoneiros. A grande elevação das cotações das commodities e a igualmente intensa perda de valor do real têm a força combinada de megadesvalorizações. O diesel, objeto da preocupação de Bolsonaro, subiu no ano até ontem 34%. A gasolina subiu mais, 41%.

O índice de preços ao produtor (IPP), que dá uma ideia das pressões que se acumulam no atacado à espera de brechas para se infiltrarem nos preços finais, avançou 22,96% em 12 meses findos em janeiro. Metalurgia, refino de petróleo e indústria extrativa puxaram majoritariamente o índice. O IPP desse setor da indústria avançou 52,91%, ante 21,47% da indústria de transformação – uma enormidade. Dentre os preços por subsetores, o de bens intermediários, em grande parte importados, aumentaram 28,81%. Nos doze meses até fevereiro, o IGP-DI, que capta a evolução de preços no atacado e no varejo, variou 26,55%.

Até ontem, o dólar comercial valorizou 26,24%. Sem essa extraordinária evolução da moeda americana, e alguma estabilidade de cotações no último ano, a significativa elevação dos preços das commodities mal teria acendido o sinal vermelho dos preços. A depreciação do real ocorre com reservas internacionais confortáveis, déficit em conta corrente bastante baixo e exportações em alta, embora se note corrosão no ingresso de capitais externos voltados para investimentos, que caíram a menos da metade (US$ 33 bilhões) em relação a janeiro de 2020 (US$ 69 bilhões).

Há muitos outros fatores em jogo. A distinção que os investidores fazem entre países vulneráveis a cada crise é diferente. Na atual, eles passaram a considerar um fator fundamental, a capacidade de reação à pandemia. Onde ela foi fraca, ou continua caótica, como no Brasil, as moedas nacionais se desvalorizaram mais, aponta o BIS. É o caso de Brasil, Argentina e Colômbia. Um gráfico do boletim da instituição, que cruza número de novos casos de covid com desvalorização das moedas dos emergentes desenha essa correlação nitidamente. As moedas asiáticas aguentaram o tranco porque não só os países controlaram a pandemia como têm, por isso, perspectivas de crescimento muito superiores às do Brasil e demais países latino-americanos.

Além disso, Brasil e vizinhos reduziram os juros mais do que na maioria de seus pares (200 pontos base em média) devido à profundidade da crise sanitária, avaliam os economistas do BIS. Agora, diante da valorização do dólar, seus BCs têm opções difíceis pela frente. “Eles têm de enfrentar desafiadores trade-offs, com a inflação forçando- os a agir preventivamente antes da economia se recuperar plenamente do choque da covid”. Outra comparação, mais tradicional, mostra que os países com grau de investimento tiveram menores depreciações do que os que não tem o mesmo rating.

Na derrocada do real predominam os fatores domésticos. A desconfiança com a perda de controle fiscal do Brasil empurrou o CDS, uma medida de risco, a subir 36,7% até 1 de março. As guinadas populistas e eleitorais de Bolsonaro, com a desmoralização em progresso da agenda liberal e a deplorável reação à pandemia, minaram a crença na capacidade de o governo encontrar uma rota sensata de saída da crise sanitária. E os investidores têm opções – o dinheiro está indo para os mercados asiáticos. No Brasil, os dólares entraram e saíram da bolsa ao sabor das inconsistências do governo Bolsonaro. A situação pode piorar se os juros nos Estados Unidos subirem antes do previsto e o Brasil não encontrar formas de evitar o massacre e o caos trazidos pela covid-19.

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