Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (27/01/2021)

MANCHETES DA CAPA

O Globo

Governo de 15 estados tentam comprar vacinas
Guedes diz que auxílio depende de trava de gastos
Vacinação de 66 mil idosos da área de Saúde começa hoje no Rio
Famílias asfixiadas em Manaus
Baleia tenta recuperar dissidentes na reta final da disputa na Câmara
Prefeitura negocia volta do pedágio na Linha Amarela, mas com tarifa reduzida
Biden acerta com Putin, em telefonema, extensão de tratado de controle nuclear

O Estado de S. Paulo

SP detecta variante do Amazonas; País tem rastreamento precário
Empresas afirmam que ainda tentam comprar vacina
Atraso no Orçamento põe salários da União em risco
Verba a entidade religiosa vai exigir cadastro
Deputados do DEM na Bahia apoiam Lira
Governo gasta R$ 15 mi em leite condensado
MPF apura presença da Abin em evento da ONU
Final da Libertadores terá 5 mil pessoas no Maracanã

Folha de S. Paulo

DEM racha, dá força a bloco de Lira e irrita Maia
Para 71%, economia só melhora após a vacinação
Após questionar, Bolsonaro agora apoia imunização
Gestão Doria diz que insumos para doses chegam dia 3
Jarbas Barbosa – Consórcio entrega imunizante a partir de março
Governo corta benefício para pesquisa e atinge Fiocruz e Butantan
São Paulo confirma 3 casos com variante do Amazonas
AstraZeneca nega venda de fármaco, e empresas negociam com fundo
Presidente quer barrar plano de Doria no Ibirapuera
CNBB e entidades religiosas pedem impeachment
Verba para pagar militar pode acabar em abril
IPCA prévio de janeiro é o mais alto desde 2016
Sem maioria no Senado, premiê da Itália renuncia
Biden adota ações para enfrentar a desigualdade racial

Valor Econômico

Setor privado fecha contrato para comprar vacina da Índia
Mercado reage à dissensão no Copom
Caça aos gatos
Governo estuda auxílio de R$ 200 por 3 meses
Pelo ‘B’, Casas Bahia e Grupo BIG vão à Justiça
Apple deve registrar maior lucro trimestral por empresa privada
Alta eficácia é promessa de bioinsumo

EDITORIAIS

O Globo

Bolsonaro emperra privatizações

Resistência do presidente à venda do controle da Eletrobras força saída de gestor que saneava estatal

A saída de Wilson Ferreira Júnior da Eletrobras é mais uma demonstração do presidente Jair Bolsonaro de que seu verdadeiro pensamento econômico é muito diferente dos compromissos liberais que assumiu na campanha, reforçados pelo convite a Paulo Guedes para o robustecido Ministério da Economia. Depois de trabalhar desde o governo Temer no projeto de privatização do controle da holding do setor elétrico, Ferreira Júnior desistiu por falta de apoio político.

O último empurrão para sua saída foi a declaração do candidato de Bolsonaro à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), de que o projeto que permite a venda do controle da Eletrobras não estará entre suas prioridades se vencer a eleição. Pacheco se saiu com uma tentativa de agradar a todos os públicos. Disse ser favorável a desestatizações, mas contra um “entreguismo sem critério”.

Quem conhecia o perfil parlamentar e ideológico de Bolsonaro sabia bem que ele não combinava com o discurso liberal, feito sob encomenda para a campanha de 2018. Ex-capitão, atuou a vida toda como uma espécie de líder sindical dos militares de baixo escalão e policiais, em especial PMs. Natural que herdasse os cacoetes nacionalistas comuns àqueles militares que enxergam setores estratégicos por toda parte e acabam por parir aberrações como a reserva de mercado da informática.

Não dava, por isso, para levar a sério o R$ 1 trilhão em privatizações proclamado por Guedes na campanha, sem jamais especificar de onde viria a dinheirama. Quando ficou claro quem resistia às privatizações (o presidente), o empresário Salim Mattar desistiu da Secretaria de Desestatização. Com Ferreira Júnior, foi semelhante. Depois de pedir demissão, ele agradeceu a ajuda de Guedes e do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque — e pediu apoio de Bolsonaro à venda do controle da empresa. Sintomático.

Privatizar é a única alternativa para evitar que a Eletrobras volte a depender do Tesouro. A empresa reduziu seu endividamento na gestão Ferreira Júnior e obteve quase R$ 11 bilhões de lucro em 2019. Estava pronta para ser oferecida no mercado. Agora, cresceu o risco para os investimentos em geração e distribuição de energia.

No começo do governo, Eletrobras, Correios e Porto de Santos eram os três compromissos de privatização assumidos por Guedes. Até agora, nenhum saiu do papel. O governo não se desfez de nenhuma grande estatal. Bolsonaro e os políticos do Centrão têm outros planos para elas.

É enorme o risco de os feudos políticos em que a Eletrobras é dividida se fortalecerem. Os mineiros, como Pacheco, têm apreço por Furnas, enraizada no estado. Os entendimentos em torno da estatal são pluripartidários. Políticos nordestinos contam com a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). No governo Lula, ficaram célebres os conflitos entre a ministra Dilma Rousseff e o grupo do ex-presidente Sarney, avalista de Edison Lobão no Ministério de Minas e Energia. É uma cultura que voltará a prosperar.

O Estado de S. Paulo

Governo inexistente

Para o País que trabalha e produz, está claro que não se deve contar com um governo que não existe mais, se é que algum dia existiu

A palavra do presidente Jair Bolsonaro não vale nada. Diz algo num dia para desmentir suas próprias declarações no dia seguinte, desmoralizando-se como chefe de governo. Bolsonaro tornou-se sinônimo de caos – sua especialidade desde que aprontava como militar indisciplinado.

A rigor, sua gestão nem pode mais ser chamada de “governo”, pois um governo presume alguma direção, projetos claros e liderança política razoavelmente sólida. Bolsonaro não inspira nada disso: é, ao contrário, fonte de permanente inquietação e desorganização.

Para o País que trabalha e produz, está claro que não se deve contar com um governo que não existe mais, se é que algum dia existiu. Pior: é preciso encontrar maneiras de defender a vida e o patrimônio da dilapidação institucional e administrativa promovida pelo bolsonarismo.

Raros são os ministros de Bolsonaro que se salvam. A mediocridade é tamanha que o País aplaude quando um ministro não faz mais que sua obrigação e não atrapalha seu setor. Em áreas estratégicas, como Educação, Saúde, Meio Ambiente e Relações Exteriores, há mais do que simples incapacidade: Bolsonaro colocou ali ministros cuja missão parece ser a de ajudá-lo a vandalizar o Brasil.

De vez em quando, alguém lembra do dever de chamar esses sabotadores à responsabilidade. Atendendo a uma representação do partido Cidadania, que acusa o almoxarife que comanda a Saúde, Eduardo Pazuello, de omissão diante da crise de desabastecimento de oxigênio para doentes de covid-19 em Manaus, a Procuradoria-Geral da República requereu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a instauração de inquérito.

Não deve ter sido fácil para o procurador-geral da República, Augusto Aras, fazer o requerimento, mas, premido pela indignação nacional, decidiu afinal tomar alguma providência, e o ministro do STF Ricardo Lewandowski rapidamente atendeu ao pedido de inquérito.

A insanidade no Ministério da Saúde, que agora se tornou caso de polícia, retrata com fidelidade a essência do governo Bolsonaro – mas, em defesa do intendente, enfatize-se que a responsabilidade final e soberana é de quem o colocou lá.

Foi Bolsonaro quem passou os últimos meses a fazer campanha contra a vacina, contra o distanciamento social e contra as autoridades que trabalhavam para conter a pandemia. Promoveu aglomerações, receitou remédios inúteis e perigosos e escarneceu de mortos e doentes.

Pazuello, portanto, não é causa, mas consequência de um catastrófico desgoverno – cujo presidente ninguém de bom senso leva mais a sério e cujo principal fiador, o outrora superpoderoso ministro da Economia, Paulo Guedes, sai de férias e ninguém dá pela falta.

Aos brasileiros aflitos com as sombrias perspectivas econômicas após o fim do auxílio emergencial, Bolsonaro reserva o mais absoluto desdém: “Lamento muita gente passando necessidade, mas nossa capacidade de endividamento está no limite”. Ou seja, Bolsonaro não perde o sono diante do sofrimento de milhões de brasileiros a quem lhe coube governar e não toma nenhuma medida para cortar gastos e viabilizar o imprescindível auxílio emergencial.

Tampouco se empenha pelas reformas e pelas privatizações. A recente renúncia do presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, está diretamente relacionada à dificuldade de tocar adiante a privatização da estatal, em razão da falta de envolvimento de Bolsonaro. Não foi o primeiro a abandonar o barco por frustração das expectativas criadas pelo discurso supostamente liberal de Bolsonaro – no qual só acreditou quem quis.

O objetivo de Bolsonaro na política sempre foi o de salvaguardar os interesses de seu clã. Não é por outro motivo que entrou de cabeça no processo sucessório das Mesas Diretoras do Congresso. Quer ali políticos que lhe sejam fiéis o bastante para livrá-lo do impeachment, blindar a filharada e, de quebra, aprovar meia dúzia de projetos para agradar a sua base de fanáticos. Os mortos, os doentes, os desempregados e os famintos só lhe interessam na exata medida de seu projeto de reeleição. Foi a isso que Bolsonaro reduziu a Presidência da República.

Folha de S. Paulo

A última de Pazuello

Agora sob investigação, ministro volta a Manaus e se isenta de novo por fracasso

Não foi por falta de aviso. Quando Jair Bolsonaro pôs para correr do Ministério da Saúde o segundo médico com formação para enfrentar a Covid e plantou ali um general da ativa, multiplicaram-se alertas de que militarizar a pasta era ofensiva fútil contra a pandemia.

Eduardo Pazuello chegou com fama de especialista em logística, e os resultados estão à vista de todos no descalabro de Manaus.

Sem condições técnicas mínimas para liderar o combate, o general notabilizou-se por colher fracassos seguidos, promover charlatanices, mentir para o público e ainda pontificar sobre o certo e o errado em comunicação.

O ministro se encontra agora sitiado por várias instituições. A Procuradoria-Geral da República, depois de negar-se a investigar a responsabilidade do presidente na crise sanitária, escolheu o caminho fácil de fustigar Pazuello pedindo licença para investigar sua conduta desastrosa.

O Supremo Tribunal Federal deixou o sinal livre para abertura do inquérito e deu cinco dias à Polícia Federal fazer a oitiva do ministro. O depoimento poderá transcorrer na própria capital amazonense flagelada, para onde Pazuello foi despachado pelo Planalto só com passagem de ida.

Há mais. O Tribunal de Contas da União exige que o ministro explique o dispêndio de verbas do SUS para compra e distribuição de cloroquina no fictício tratamento precoce de Covid promovido pelo governo Bolsonaro. Até para o TCU parece claro, mesmo tardiamente, que a manobra diversionista carrega o fumo de ilegalidade.

Pazuello se aferra à tática de tentar encobrir com palavras o malefício que produz com atos e omissões. Justifica a hecatombe manauara com a hipotética transmissibilidade aumentada pela mutação do coronavírus e com uma referência a “gargalos de décadas” na saúde pública do estado nortista.

Se deficiências são conhecidas há decênios, e tendo sido alertado dias antes do colapso no fornecimento de oxigênio, por que não agiu a tempo de impedir que pacientes morressem sufocados? A real especialidade de Pazuello, até aqui, foi eximir-se de responsabilidade.

Entre suas esquivas assoma a de dizer que sua pasta nunca recomendou cloroquina. Talvez acredite que, para fazer o desmando desaparecer, bastaria retirar do ar uma nota mendaz e um aplicativo do ministério com código viciado para disseminar a panaceia cientificamente insustentável.

Pazuello não faz mais do que seguir o exemplo de Bolsonaro ao isentar-se de responder pelos próprios atos. O presidente, no entanto, conta com a prerrogativa e o hábito de livrar-se dos auxiliares quando se tornam incômodos.

Valor Econômico

Questões ambientais vão afetar comércio com os EUA

A carta enviada por Bolsonaro a Biden foi um bom passo, mas Washington vai demandar mais ações concretas em relação ao ambiente

Uma das frentes em que provavelmente o governo brasileiro mais vai ter que se esforçar para construir as relações com a nova administração dos Estados Unidos é a comercial. O realinhamento praticamente cego do governo de Jair Bolsonaro às propostas comerciais, políticas e ideológicas do ex-presidente Donald Trump quase nada rendeu em termos de aumento de exportações e importações, nem livrou o Brasil das tarifas e cotas que Trump impôs ao restante do mundo.

O comércio entre o Brasil e os Estados Unidos teve, em 2020, o pior resultado desde a crise financeira de 2009. As exportações brasileiras para os Estados Unidos encolheram 27,8%, para US$ 21,4 bilhões. E as importações diminuíram 19,8%, somando US$ 24,1 bilhões. O saldo deficitário em US$ 2,7 bilhões para o Brasil é o pior em seis anos. O fluxo comercial entre os dois países caiu 23,8%, para US$ 45,6 bilhões, segundo levantamento da Câmara Americana de Comércio, menos da metade dos US$ 101,7 bilhões em trocas com a China. Principal parceira comercial do Brasil, com 28,4% de participação, a China é frequentemente criticada por apoiadores de Bolsonaro e sua própria família.

A pandemia, a retração econômica global e o câmbio ajudaram a reduzir os negócios entre o Brasil e os Estados Unidos em 2020. Mas houve forte influência das limitações impostas pelo governo Trump. Descrente do multilateralismo e das negociações em fóruns internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC), Trump geralmente preferiu impor cotas e sobretaxas sem muito espaço para negociação. As exportações de produtos siderúrgicos, importantes no comércio bilateral, foram das mais prejudicadas pelas restrições colocadas em vigor desde 2018, que tiveram efeito nos anos seguintes, especialmente em 2020.

Já em março de 2018, Trump impôs cotas para o aço brasileiro e taxou em 10% as compras de alumínio do país – apenas essas duas medidas tiveram impacto negativo de US$ 1,2 bilhão na balança comercial. A medida foi tomada por meio da Seção 232, sob o argumento que as compras ameaçavam a segurança nacional dos Estados Unidos. Diversos países, como Rússia, Índia, Turquia, e a União Europeia abriram reclamações na OMC contra os americanos.

Neste último ano de governo, Trump foi especialmente ativo em distribuir cotas e sobretaxas. Aumentou a taxa sobre chapas de alumínio importadas do Brasil e mais 17 países. Abriu investigação contra o Brasil e outros países por taxação de serviço digital, para defender empresas americanas como o Google e a Amazon. Em agosto, lançou novas ameaças sobre as importações caso Brasília não reduzisse as tarifas do etanol americano. Mesmo sendo o país um dos maiores produtores do etanol de cana, Bolsonaro cedeu, mas não ganhou nada em troca. Já nos últimos dias de Trump em Washington, o Congresso americano não renovou o Sistema Geral de Preferências (SGP), vantagens concedidas às compras de países em desenvolvimento, o que pode prejudicar alguns produtos brasileiros.

Esses problemas estão longe de uma solução. O Brasil não é claramente uma prioridade do governo Biden no campo comercial. A China, que emerge da pandemia ainda mais forte, é certamente o principal motivo de preocupação, como competidor no cenário global. Durante o governo de Trump, ações comerciais atingiram importações de produtos chineses que somam mais de US$ 360 bilhões. A preocupação com a China certamente é de Biden. Isso ficou evidente na escolha de Katherine Tai pelo novo presidente para o comando do US Trade Representative (USTR), que cuida das relações comerciais de Washington. Fluente em mandarim, ela foi a chefe de fiscalização da China no escritório do organismo.

Para negociar com o governo Biden, Brasília deve se preparar para uma conversa diferente. Para começar, o ponto mais sensível deve ser a questão ambiental, como indicou Biden ainda na campanha presidencial, quando mencionou o Brasil e as queimadas na Amazônia em debate com Trump. A questão ambiental deverá ser transversal, pontuando todas as frentes de discussão do novo governo americano, que ainda contará com apoio dos europeus em relação ao tema. A carta enviada por Bolsonaro ao novo presidente americano foi um bom passo, mas tudo indica que Washington vai demandar ações concretas do governo brasileiro diante do aumento recorde de desmatamentos e queimadas no país registrado no ano passado.

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