Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (04/12/2020)

MANCHETES

O Globo

Economia reage, mas avanço do vírus gera incertezas
Batalha do coronavírus – A política e a vacina
Clínicas privadas só devem oferecer vacina no 2º semestre de 2021
Especialistas defendem investir em refrigerados para estoque
Taxa de mortalidade no Rio é a maior registrada no país
Educação e arte, ferramentas para combater o racismo
EUA têm recorde de mortes em um dia e 100 mil hospitalizados

O Estado de S. Paulo

Apoiada pelo Planalto, rede do ódio lucra com canais antidemocracia
Lira faturava R$ 500 mil por mês com desvio, diz PGR
PIB cresce 7,7% no trimestre, mas perdas não são repostas
Consumo, auxílio e crédito puxam o crescimento
Felipe Salto – ‘Precisamos de um plano fiscal. Perdemos a capacidade de planejar
Após superar quebra, temor a restrições
Pfizer vende vacina a países latinos e dá prazo ao Brasil
Rede privada só deve ter vacina em 2022
Doria fala em vacinar paulistas em janeiro
Itália proíbe viagens no Natal e ano-novo

Folha de S. Paulo

PIB tem crescimento de 7,7%, recorde e abaixo do esperado
Vacinação deve começar em janeiro, diz Doria
Mundo já tem 1,5 milhão de mortos por vírus; Itália registra recorde
Campanha da Saúde ignora prevenção e exalta agricultura
Pazuello defende tratamento precoce em reunião do Mercosul
Paulo Chapchap – Fase amarela é suficiente
Governo paulista veta Réveillon em bar e restaurante
STF avalia drible para reeleições do Congresso
Promtores de SP pedem prioridade na imunização
Projeção encerra campanha contra garimpo em terra indígena
Bolsa Família volta a ter 1 milhão de cadastro na fila
Câmara aprova MP que cria o programa Casa Verde e Amarela
Obama, Bush e Clinton se oferecem para tomar doses e dar exemplo

Valor Econômico

Surgem na bolsa primeiros ganhadores do efeito vacina
Dasa compra Leforte por R$ 1,7 bilhão
“Polarização não acabou”
Juro baixo e fintechs afetam modelo da Crefisa
PIB cresce 7,7%, mas não compensa perda
3R oferece US$ 1 bilhão por Urucu

EDITORIAIS

O Globo

Retomada para valer, só comV de vacina

Alta do PIB mostra que país saiu do terreno da recessão, mas pandemia e desafio fiscal tornam futuro difícil

O crescimento de 7,7% do PIB no terceiro trimestre, em relação ao segundo, é sem dúvida excelente notícia. O IBGE também reviu para cima o tombo da economia no trimestre anterior (em vez de encolher 11,4%, ela encolheu “apenas” 10,9% em relação ao mesmo período de 2019). Os resultados mostram que o país deixou o terreno da recessão e ensaia a recuperação no formato de V em que apostavam analistas de mercado.

É verdade que, em termos relativos, a alta ficou aquém da expectativa. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado (que elimina variações sazonais), a economia contraiu 3,9%, quando mais da metade dos analistas esperava uma contração de até 3,4%. Mas vários setores surpreenderam, em particular o de serviços, o mais afetado pela pandemia, que até agora não esboçara reação.

Apesar dos sinais positivos, é importante entender o contexto para não criar expectativas irreais. A economia ainda deverá encolher em torno de 4,5% este ano. Dificilmente haverá recuperação robusta no ano que vem.

Os motivos para isso são dois. O primeiro — e mais crítico — é a reticência do investidor em apostar num país onde a agenda de reformas não anda. O governo não demonstra o menor sinal de compreender a urgência de encontrar um caminho viável para sair do abismo fiscal. Até agora, o Orçamento de 2021 é uma incógnita. Não se sabe se haverá extensão do auxílio emergencial ou criação de outro programa de renda mínima. Para completar, o Ministério da Economia não quer, como manda a lei, apresentar uma meta para o resultado fiscal de 2021 (sugere agora adotar uma “meta variável”, seja lá o que isso signifique).

Enquanto não se vislumbrar a saída do buraco fiscal, nem houver um cenário concreto de redução no endividamento público, capaz de controlar as pressões inflacionárias que já se fazem sentir, será impossível falar a sério em retomada da economia.

O segundo motivo para encarar os resultados do PIB com cautela é que a pandemia não acabou. O vírus, principal responsável pela paralisia nas atividades mundo afora, continua à solta. A população brasileira relaxou nas medidas de contenção do contágio, e os casos de Covid-19 voltaram a subir. O governo continua sem rumo na saúde, comandada por um general sem preparo para lidar com os desafios do setor, subordinado a um presidente que desdenha a ameaça e faz pouco da morte. O risco de colapso do sistema hospitalar continua presente em várias regiões do país.

Haverá novas medidas de restrição ou quarentenas? Qual a perspectiva para os setores que dependem da interação humana, como turismo ou entretenimento? Como reagirá o comércio ao provável fim do auxílio emergencial, que serviu para manter os níveis de consumo? Ninguém sabe responder. Por isso mesmo, não há como haver uma retomada consistente enquanto os riscos da pandemia continuarem a pairar. Retomada para valer, só com V de vacina. Até lá, todo número pode não passar de ilusão.

O Estado de S. Paulo

Um governo cruel

O governo federal é a expressão viva da indiferença e da falta da sensibilidade que marca a triste passagem de Jair Bolsonaro pela Presidência

Comandado por um presidente que tem evidente dificuldade para demonstrar empatia autêntica por qualquer um que não leve seu sobrenome, o governo federal é a expressão viva da indiferença que marca a triste passagem de Jair Bolsonaro pelo poder. A ministros sem currículo e sem o mínimo cabedal para as nobres tarefas que lhes foram concedidas pela irresponsabilidade bolsonarista, só resta empenhar-se em agradar ao chefe – e o fazem emulando fielmente a truculência tão característica de Bolsonaro.

Tome-se o exemplo do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Como se fosse titular do Ministério da Doença, o sr. Pazuello, inspirado no presidente, parece trabalhar em favor do coronavírus, facilitando-lhe a dispersão entre os brasileiros e agravando a pandemia. Na quarta-feira passada, contra todas as evidências, o ministro disse que a recém-encerrada campanha eleitoral, com suas aglomerações, “não trouxe nenhum tipo de incremento ou aumento de contaminação”, razão pela qual “não podemos mais falar em lockdown nem nada”.

Ora, o que aconteceu, segundo as informações disponíveis, foi o exato oposto. Tanto é assim que vários governos decidiram reforçar algumas das restrições que haviam sido abrandadas. Ao desestimular o isolamento social e fazer crer que as contaminações estão diminuindo, o ministro semeia confusão e colabora para desmoralizar os esforços de quem demonstra preocupação com o vírus.

Enquanto isso, o secretário executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, a propósito das recomendações para os brasileiros nas festas de fim de ano, menosprezou o isolamento social, pois segundo ele “não tem eficácia”, malgrado seja preconizado pela comunidade científica mundial para reduzir a pandemia. Já em caso de suspeita de contaminação, Élcio Franco defendeu o “tratamento precoce”, que não existe senão no discurso dos xamãs bolsonaristas.

Sabe-se lá quantos brasileiros mais ficarão doentes, correndo risco de morte, como resultado do conflito de mensagens estimulado pelo governo. Para os propósitos de Bolsonaro, como se sabe, isso não tem a menor importância, já que, em suas inolvidáveis palavras, “todos vamos morrer um dia”. A única coisa que importa é livrar-se da responsabilidade pelas consequências da pandemia.

Assim, não surpreende que o governo tenha demorado tanto para formular um plano de vacinação e, também, que esse plano, afinal apresentado na terça-feira passada, seja tão aquém do necessário. A vacinação não somente se estenderá por um ano ou talvez até mais, como será destinada a uma parcela muito pequena da população.

Sem jamais ter sido prioridade do governo – ao contrário, o próprio presidente disse e repetiu em voz alta que a vacinação não seria obrigatória, como se a vacina fosse uma aspirina que se escolhe tomar ou não –, a imunização dos brasileiros contra o coronavírus entrará para a já extensa e variada lista das obrigações que Bolsonaro, como presidente da República, está deixando de cumprir. E neste caso colocando em risco a saúde de todos.

À inépcia junta-se o autoritarismo explícito, única promessa de campanha que Bolsonaro cumpre à risca. Uma portaria do Ministério da Educação publicada na quarta-feira determinava o retorno às aulas presenciais nas universidades federais e nas faculdades particulares a partir de janeiro. De uma tacada só, a ordem violava a autonomia universitária e, sem qualquer consulta aos gestores universitários, atropelava os esforços para reduzir o contágio entre estudantes e professores.

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, expressou surpresa com a repercussão negativa. Ou seja, foi simplesmente incapaz de perceber a violência da medida, evidente por si mesma. É, portanto, muito pior do que a simples incompetência: trata-se de um governo sem qualquer sensibilidade, movido exclusivamente pelos delírios bolsonaristas de poder, nos quais o presidente e alguns de seus principais ministros não demonstram compaixão pelos pobres e os doentes.

Com um presidente que é fã declarado de torturadores, quem haverá de se dizer surpreso, afinal?

Folha de S. Paulo

Retomada parcial

PIB confirma início de retomada, mas auxílio, emprego e reformas são incertezas

Ainda que um pouco inferior ao que se projetava, o crescimento de 7,7% da economia no terceiro trimestre, ante o período imediatamente anterior, confirma a superação do pior momento da crise e a importância das medidas emergenciais que ajudaram a reduzir os impactos da pandemia de Covid-19.

Em consonância com o que ocorre em outros países onde houve suporte fiscal e monetário à atividade, observou-se compensação da maior parte da queda ocasionada pelas medidas restritivas —que no caso brasileiro chegou a assustadores 9,6% no segundo trimestre.

Consolidam-se, assim, estimativas de retração do Produto Interno Bruto em torno de 4,5% neste ano, resultado menos ruim do que o temido há alguns meses.

Também em sintonia com o padrão mundial, a retomada foi liderada por setores menos atingidos pelas exigências de distanciamento social, como a indústria e a construção. A produção manufatureira cresceu 14,8% no trimestre e recuperou o nível pré-crise.

Pelo lado da demanda, a melhora se mostrou menos intensa. O consumo privado cresceu 7,6%, insuficientes para compensar o recuo de 11,3% no segundo trimestre, mas com perspectiva de continuidade.

O papel do auxílio emergencial na preservação de renda aparece com clareza. A poupança interna atingiu 17,3% no período, a maior cifra desde 2013. Desse modo, há possibilidade de que a saída do auxílio emergencial, embora dolorosa, não interrompa o crescimento.

Tudo dependerá, porém, da expansão das horas trabalhadas e do emprego, que ainda dá sinais ambíguos. Nota-se forte criação de vagas formais na medição do Caged, mas a pesquisa domiciliar do IBGE ainda aponta desemprego de 21% e o pior quadro de desalento da série histórica.

Há indicações positivas para 2021, que podem levar a economia a crescer mais que os 3,5% previstos hoje.

Globalmente espera-se uma forte recuperação, impulsionada pela perspectiva de vacinação em massa ao longo do primeiro semestre, algo que poderá ajudar setores ainda deprimidos, sobretudo serviços intensivos em contato social.

Além disso, as condições monetárias e financeiras devem permanecer favoráveis. Os juros mundiais ficarão próximos de zero. No caso brasileiro, podem perder força pressões de preços em alimentos e itens industriais que tiveram sua oferta comprometida, ajudando o Banco Central a manter a taxa básica de juros em nível baixo.

A consolidação da retomada também dependerá da disposição do governo em retomar seriamente a essencial agenda de reformas, com foco na redução das incertezas orçamentárias. Os sinais nesse sentido, porém, não são animadores.

Valor Econômico

País volta ao crescimento, mas com ritmo incerto

Parte da poupança pode desaguar no consumo

O desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre foi menos vigoroso do que o previsto (7,7% em relação ao trimestre anterior, ante 8,8% da mediana de expectativa dos analistas). Mesmo assim, se as atividades não voltarem ao negativo nesse último trimestre, um pequeno crescimento será suficiente para garantir pelo menos a continuidade do avanço medíocre do PIB nos últimos anos, algo em torno de 1,3%. As previsões pessimistas de quedas maiores em 2020, como as do FMI (-5,8%) e da OCDE (-6%) não se concretizarão.

O futuro, porém, não está garantido. Há pouca coisa que possa impulsionar uma expansão econômica potente após a pandemia do que havia antes dela. O que a série do PIB mostra é que a economia já caminhava devagar, quase parando, dois trimestres antes da covid-19 espalhar pânico e destruição. Na comparação trimestre contra trimestre anterior com ajuste sazonal, o PIB do terceiro trimestre de 2019 caiu 0,2%, retomou 0,2% no seguinte para afundar 1,5% nos primeiros três meses deste ano e mais 9,6% no trimestre seguinte.

As revisões do IBGE na série de 2019 e na dos dois primeiros trimestres de 2020 ajudaram a frustrar as expectativas de crescimento maior. Pelo lado da produção, a indústria puxou a reação, com 14,8% ante o trimestre anterior, acima dos 14,2% previstos porque a revisão estatística agravou o tombo do setor, de -12,7% para -14,1% no segundo trimestre.

Não será possível uma expansão alentada sem a recuperação dos serviços (73,5% de peso no PIB), com sub-setores quase dizimados pelo distanciamento social necessário ao combate da pandemia. Seu avanço no terceiro trimestre foi de 6,3%, abaixo dos 7% esperados, mas a base de comparação revisada tornou-se mais alta (de -11,2% para -10,2%). O relaxamento observado nos últimos meses ativou o setor e os maiores sub-setores, como o de outras atividades (peso 18%, avanço de 7,8%), transporte, armazenamento (12,5%) e comércio (15,9%), cresceram bem.

Como parte substancial dos serviços são movidos pelo comportamento da renda, não é possível prever com algum grau de certeza sua evolução. O desemprego está aumentando, com boa parte dos que estavam fora da força de trabalho voltando, e o auxílio emergencial, que acaba em dezembro, foi reduzido à metade do valor. A taxa de desemprego no trimestre findo em agosto foi de 14,4%, com 13,8 milhões de pessoas que buscaram ocupação e não encontraram.

O recrudescimento da pandemia pode fazer com que eles continuem desempregados. A vacina estará disponível alguns meses depois do que nos países desenvolvidos, que começam a imunização este mês, e não haverá doses suficientes para todos em 2021. Ainda que não se repitam os lockdowns do início da pandemia, as restrições atuais limitam os negócios e o trabalho no setor de serviços.

Papel tão relevante no PIB pelo lado da demanda quanto é o de serviços pelo da produção, o consumo das famílias aumentou 7,6% no trimestre, bem abaixo dos 9,8% esperados. Como a maior parte dos que perderam renda são informais, o fim do auxílio é um freio ao consumo, ainda mais diante de um mercado de trabalho hostil. A inflação, mesmo temporária, consome nacos maiores da renda dos que ganham menos. Juros baixos e aumento da oferta de crédito podem dar algum alento, mas o fator decisivo é a garantia de emprego ou a possibilidade de encontrá-lo.

O governo, que vê um horizonte azul onde há sinais de tempestade, aposta na desova da poupança “precaucional”, o dinheiro economizado para enfrentar dificuldades futuras, ampliado pelo auxílio emergencial. A poupança nacional bruta, de R$ 327,9 bilhões, deu um salto de R$ 70,4 bilhões do segundo para o terceiro trimestre. A taxa de poupança chegou a 17,3%, acima dos 16,2% da taxa de investimentos. O FMI, por outras contas, mostra que a poupança privada no início do terceiro trimestre atingiu 29,6% do PIB, enquanto que a pública caiu 15,2%.

Parte dessa poupança pode desaguar no consumo, mas sem progressos consistentes de renda e emprego seu efeito é limitado. Contam muito também as expectativas, que não são otimistas diante de um governo caótico, no qual o presidente não se empenha em levar à frente reformas imprescindíveis e cuja indecisão amplia desconfianças sobre a solvência do Estado. Não há nada, por ora, que indique o arranque para um crescimento sustentado, diferente daquela exasperante lentidão com que se move desde o fim da recessão.

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