Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (18/11/2020)

MANCHETES

O Globo

Covid acelera no país, e medidas de isolamento voltam a ser discutidas
Na berlinda, ministro aposta em militares
Cúpula do Brics: Brasil e China em lados opostos
Tragédia em paraíso turístico
Candidatos evitam Bolsonaro no segundo turno
IPOs no país têm o melhor ano desde 2007
Salário mínimo deve subir para R$ 1.088, acima do previsto
Lauro e Gabeira iniciam série de entrevistas com candidatos
Tradicional no Centro, Casa Villarino anuncia fechamento

O Estado de S. Paulo

No Brics, Bolsonaro diz que países compram madeira ilegal do Brasil
Governo flexibilizou exigências
Flávio desviou R$ 6 milhões em rachadinha, afirma MP
Descuido de Queiroz vira prova
Apagão atinge todo o Estado do Amapá em 2ª vez
Concessionária nega culpa
No centro, verde no lugar de vagas de estacionamento
Casos de covid voltam a crescer em Paraisópolis
Tragédia num paraíso do Nordeste

Folha de S. Paulo

Europa comprou madeira ilegal do Brasil, indica PF
PF relata que certificação não funciona e lembra da era do pau-brasil
Privilégio em verba eleitoral ainda é de homem e branco
Não voto supera líderes em votos em 483 cidades
Falésia desaba na praia de Pipa (RN) e mata casal e bebê
Para chefe do Mercado Livre, Pix ajudará fintechs
Bolsonarista é preso por burlar decisão de Moraes
Taxa de reeleição de prefeitos cresce em relação ao pleito de 2016 e chega a 63%
‘Vão ter que aprender a conviver comigo’, afirma primeira negra na Câmara de Curitiba
Kassab diz que eleitor negou radicalismo e que isso não tem a ver com Bolsonaro ou 2022
Vereadora mais votada em BH, primeira trans na Casa quer conciliar política e aulas
Trabalhador com corte de salário e jornada tem direito ao 13º integral, divulga ministério
Após duas semanas, capital do Amapá vive novo apagão completo, informa televisão
Escolas particulares em São Paulo suspendem aulas presenciais após casos de coronavírus
Conheça e compare os planos de governo de Bruno Covas e de Guilherme Boulos
Coronavac produz anticorpos em 97% dos participantes
O Brasil ainda tem problemas profundos de corrupção

Valor Econômico

Índice revela as empresas líderes em inclusão racial
Assembleia da Linx aprova a venda à Stone
Covas tem 48% e Boulos, 32% no segundo turno
STF reafirma que plano deve ressarcir o SUS
Crise põe em jogo futuro da Braskem Idesa
Agora o DEM será respeitado e terá relevância, diz ACM Neto
Ometto e Mattar, grandes doadores

EDITORIAIS

O Globo

Governos precisam se preparar para segunda onda de Covid

Pelo menos 15 estados já mostram tendência de aumento no número de infecções pelo novo coronavírus

São inequívocos os sinais de que uma segunda onda de Covid-19 se aproxima, enquanto o Brasil não se livrou ainda da primeira. Após um período de estabilidade ou queda na maior parte dos estados — o que contribuiu para que os brasileiros relaxassem na prevenção —, os números voltam a preocupar. Segundo o último boletim do sistema InfoGripe, da Fiocruz, 15 das 27 unidades da Federação têm pelo menos uma região com tendência de alta. O Imperial College de Londres informou ontem que a taxa de contágio voltou a subir no país e está acima de 1, patamar que caracteriza epidemias em expansão.

Nos dois estados que concentram o maior número de infecções e mortes — São Paulo e Rio —, os hospitais soaram o alarme. Na segunda-feira, o governo paulista verificou crescimento de 18% nas internações por Covid-19 nas redes pública e privada. Na capital fluminense, 97% dos leitos para Covid-19 nas UTIs municipais estavam ocupados na semana passada. Nas unidades federais e estaduais, a taxa beirava os 80%. A situação nos hospitais particulares não é muito diferente.

A segunda onda já é realidade na Europa e nos Estados Unidos. Governos precisam se preparar. Autoridades que se precipitaram, ao desmontar hospitais de campanha e ao desativar leitos para Covid-19, devem rever estratégias. Da mesma forma, os planos de flexibilização que permitiram a reabertura de quase todas as atividades precisam ser reavaliados à luz dos novos números. Mesmo que a letalidade não seja comparável à do início da pandemia, o exemplo europeu mostra que a segunda onda também pode ter impacto dramático no sistema de saúde.

O governo federal não se moverá. Fiel ao negacionismo, ao desprezo pela Ciência e pela vida, o presidente Jair Bolsonaro já disse que o Brasil “tem que deixar de ser um país de maricas”e enfrentar a doença de peito aberto. Noutra ocasião, se referiu à possibilidade de uma segunda onda como “conversinha”. Em seu estilo belicoso, ao discursar ontem na cúpula do Brics, Bolsonaro criticou a OMS, disse que ela pratica um “pretenso monopólio do conhecimento” e precisa de reformas .

Governadores e prefeitos têm autonomia para adotar medidas de restrição levando em conta o melhor para a população. Para afastar o risco de quarentenas desastrosas para a economia, precisam ter mais rigor com distanciamento e uso de máscaras, implantar testagem e rastreamento intensivos. Sobretudo, não devem atrelar as decisões ao fim do segundo turno — o vírus não respeita calendário eleitoral.

Em meio à preocupação, as pesquisas com vacinas trazem esperança. Pfizer/BioNTech e Moderna divulgaram números de eficácia animadores na fase final de seus testes (90% e 95%, respectivamente). Há outros estudos promissores. Mas, enquanto as vacinas ainda são uma promessa, não se pode agir como se a pandemia tivesse acabado. Falta pouco, mas ainda é preciso manter a disciplina e a paciência. Governadores e prefeitos sabem o que fazer. Só precisam agir.

O Estado de S. Paulo

Como agem os inimigos da democracia

Inconformados com a redemocratização não descansarão enquanto não realizarem sua obra deletéria.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, disse que “milícias digitais entraram em ação tentando desacreditar o sistema” de votação e apuração eleitoral, referindo-se aos ataques virtuais sofridos pela Justiça Eleitoral no primeiro turno das eleições municipais. E o ministro foi além: disse que “há suspeita de articulação de grupos extremistas que se empenham em desacreditar as instituições, clamam pela volta da ditadura e muitos deles são investigados pelo Supremo Tribunal Federal”.

Trata-se de grave revelação, que demanda investigação policial e punição exemplar dos envolvidos. A suspeita levantada pelo ministro Barroso mostra que estamos diante de um atrevido repto à democracia.

A estratégia desses criminosos é simples: semear a dúvida sobre as instituições democráticas para desmoralizá-las aos olhos dos cidadãos, fortalecendo o discurso autoritário dos que pretendem governar diretamente com o “povo”, sem a intermediação do establishment político-partidário.

A suspeita sobre a lisura do sistema de votação é central nessa estratégia. Os inimigos da democracia a levantam para questionar a legitimidade do resultado da eleição se este lhes for desfavorável. A rigor, segundo essa narrativa, nem haveria necessidade de eleição, pois o único resultado possível de qualquer consulta popular, desde que não haja “fraude”, é a vitória incontestável dos liberticidas.

Ou seja, se o vencedor da eleição não fizer parte dessa gangue será imediatamente desqualificado como representante do povo e será denunciado como preposto do “sistema”, supostamente desenhado para impedir, por meio de maquinações e conspirações, que a vontade popular seja realizada.

Esse embuste obviamente nada tem a ver com democracia. Oposição é fundamental num regime democrático, mas deixar de reconhecer a legitimidade da vitória eleitoral de um adversário é coisa bem diferente: significa negar a alternância do poder, sem a qual tiranos se perpetuam.

Parece sintomático, assim, que o presidente do TSE tenha mencionado que os suspeitos do ataque ao sistema da Justiça Eleitoral sejam extremistas que “clamam pela volta da ditadura”, pois esse parece ser o fulcro do plano original desses marginais que o bolsonarismo trouxe ao centro da política nacional.

Os inconformados com a redemocratização do Brasil não descansarão enquanto não realizarem sua obra deletéria. As manifestações contra o Supremo Tribunal Federal e contra o Congresso ao longo do governo de Jair Bolsonaro foram apenas um aperitivo do que essa gente é capaz. A criação de um clima de desconfiança generalizada, que esgarça laços de solidariedade e inviabiliza a democracia, é o passo seguinte.

Por isso, é reconfortante saber que a Justiça Eleitoral não somente manteve intacto o sistema de votação, reconhecidamente um dos mais seguros do mundo, como reagiu rapidamente ao ataque que sofreu e indicou de maneira clara que tipo de ideologia criminosa o motivou. Os brasileiros devem saber que suas eleições são limpas, de modo que não pairem dúvidas sobre a legitimidade dos eleitos.

Para que a democracia seja preservada, contudo, é preciso que Jair Bolsonaro, na condição de chefe de Estado, pare de questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas, como fez seguidas vezes desde que chegou ao poder e tornou a fazer depois das eleições de domingo passado – como a justificar a acachapante derrota que sofreu.

A mudança de comportamento do presidente é especialmente necessária ante a suspeita de que houve, nas palavras do ministro Barroso, uma “orquestração” contra o sistema eleitoral e as instituições – ou seja, o ataque teria sido realizado apenas com o intuito de alimentar a narrativa segundo a qual o sistema não é confiável – e que essa “orquestração” teria como protagonistas conhecidos manipuladores das redes sociais. Cabe então a Bolsonaro desvincular- se dessa trama, expressando sua confiança no sistema; se não o fizer, estará se prestando ao vergonhoso papel de cúmplice da trama.

Folha de S. Paulo

Cordão sanitário

Forças acertam em distinguir entre seu papel institucional e o governo Bolsonaro

O que se convencionou chamar de ala militar da administração Jair Bolsonaro compreende perspectivas e interesses heterogêneos. Entre fardados do serviço ativo, em particular, transparece o incômodo com a visão de que governo e caserna formam um corpo único.

A responsabilidade, obviamente, é daqueles oficiais-generais que emprestaram credibilidade a um capitão reformado conhecido por sua indisciplina. Não foi, convém destacar, um apoio unânime —a adesão ao projeto bolsonarista teve sua maior intensidade no Exército e menor na Aeronáutica.

Mas a bênção dada ao candidato pelo Alto-Comando do Exército em 2018 e a consequente ocupação de postos-chave do governo por militares cimentou a união.

O presidente usou a carta fardada por diversas vezes, chegando ao paroxismo das insinuações golpistas do primeiro semestre deste ano, ora moduladas pela composição com o centrão enquanto a Justiça cercava a família de Bolsonaro.

Os militares foram recompensados. Gastos em seus programas foram preservados, e uma reforma previdenciária e de carreira sob medida foi entregue a eles. Além de 9 de 23 ministros, 2.900 membros da ativa estão no governo, e o número mais que dobra se forem contados os da reserva.

Mas o mal-estar com o presidente se acentuou após atritos com setores ideológicos do gabinete e, mais recentemente, com a declaração destrambelhada sobre a necessidade de “ter pólvora” diante do risco de sanções ao Brasil após a vitória de Joe Biden nos EUA.

Foi com grande atraso que o comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, explicitou na semana passada o óbvio —que lugar de fardado não é na política, e ela não deve adentrar nos quartéis, como pontificou em debate público.

Mensagem do mesmo teor foi assinada no sábado (14) pelo ministro Fernando Azevedo, da Defesa, e pelos comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica. “O único representante político das Forças Armadas, como integrante do governo, é o ministro da Defesa”, afirma-se no documento conjunto.

É bem-vindo esse cordão sanitário, a despeito de militares da ativa —como o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello— permanecerem em cargos importante da administração federal.

Quanto mais clara a distinção entre a missão institucional das Forças e a agenda do ocupante do Palácio do Planalto, melhor para o país.

Valor Econômico

Corte do auxílio emergencial já leva a aumento da pobreza

É insensato retirar a rede de proteção em momento em que a economia ainda patina

No momento em que se discute o futuro do auxílio emergencial, estudo do pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), Daniel Duque, dá a dimensão eloquente do impacto positivo do benefício, que não só ajudou a tirar a economia do abismo em que mergulhou, como também teve o efeito poderoso de reduzir a pobreza para o menor patamar em nada menos do que 40 anos. A redução do auxílio dos R$ 600 iniciais para os R$ 300 atuais já está pondo a perder parte dessa conquista. A eventual extinção pura e simples do benefício, sem nada que beneficie ao menos parte da população vulnerável, em um ambiente de emprego ainda escasso e educação insatisfatória, representaria uma séria volta atrás.

O levantamento de Daniel Duque mostrou que a concessão do auxílio emergencial levou a pobreza, em agosto, para a menor taxa desde a década de 1980. A faixa da população na extrema pobreza, que vivia com menos de US$ 1,9 por dia, de acordo com a definição do Banco Mundial, caiu para 2,3%, o equivalente a 4,8 milhões de pessoas. Os números são praticamente metade dos registrados em maio, um dos momentos mais agudos da crise, quando 4,2% da população viviam em extrema pobreza, ou 8,8 milhões de pessoas.

Já o segmento considerado pobre, com renda diária inferior a US$ 5,5 também pelo parâmetro do Banco Mundial, era de 18,4% da população, ou 38,9 milhões de pessoas em agosto, bem abaixo dos 23,7% de maio, ou 50 milhões de pessoas.

A pobreza voltou infelizmente a aumentar agora em setembro, com o corte do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300. A taxa da extrema pobreza subiu para 2,5% da população, englobando 5,2 milhões de pessoas, ou 400 mil a mais do que no mês anterior. Enquanto a faixa vivendo na pobreza aumentou para 19,4% da população, equivalente a 41,1 milhões de pessoas, ou nada menos do que 2,2 milhões a mais – a população de Manaus ou quase uma Belo Horizonte.

Os indicadores foram calculados com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A deterioração dos índices deve piorar nas contas de outubro em diante uma vez que, em setembro, algumas pessoas ainda receberam o auxílio emergencial mais elevado. Em entrevista, o pesquisador Daniel Duque disse que a situação dos mais pobres será na prática ainda pior em consequência do aumento da inflação, que vem atingindo principalmente os alimentos.

Apesar de as pesquisas brasileiras a respeito do tema terem variações de metodologia e abrangência ao longo do tempo, o Ibre/FGV avalia que o pagamento do auxílio emergencial reduziu a miséria da população em agosto ao menor nível desde o início da década de 1980. A área rural da região Norte não era bem coberta e o levantamento passou a ser realmente nacional em 2004. Até então, o melhor momento havia sido em 2014, quando a população em extrema pobreza representava 4,5% do total ou pouco mais de 9 milhões de pessoas, e viviam abaixo da linha da pobreza 22,8%, ou 46,2 milhões.

Depois disso, dois anos de recessão no fim do governo da presidente de Dilma Rousseff deterioraram o quadro, levando a extrema pobreza a afligir 13,3 milhões de pessoas ou 6,5% da população, e a pobreza, 52,2 milhões, ou 25,5% em 2016, para então começar uma lenta recuperação. Depois disso, a taxa da extrema pobreza ficou estável em 6,5%, mas como a população aumentou, mais pessoas caíram na armadilha. Assim, o total de extremamente pobres era de 13,7 milhões em 2019 ou 400 mil a mais do que em 2016. Já os pobres recuaram para 24,7% em 2019, mas somavam 52,1 milhões de pessoas, apenas ligeiramente abaixo do número de 2016.

Compreensivelmente é impossível manter para sempre o auxílio emergencial com a abrangência e o calibre iniciais até por conta da frágil situação fiscal. Mas também não se pode ignorar o impacto positivo do benefício da retomada do nível de atividade. É igualmente insensato retirar a rede de proteção em momento em que a economia ainda patina e o mercado de trabalho custa a reagir. Dados mais recentes da Pnad Contínua de agosto mostram uma taxa de desemprego de 14,4% no trimestre encerrado em agosto, bem acima dos 11,7% do fim de 2019. A perspectiva é que vai aumentar ainda mais, antes de diminuir. Assim, uma solução para a situação demanda uma atuação em várias frentes, incluindo a educação.

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