Após pressão, governo Bolsonaro volta atrás e suspende promoção coletiva de servidores da AGU

Para líder Arnaldo Jardim, aumento salarial era “indevido”; Freire critica imoralidade e lembra que presidente alegou falta de recursos pra cortar auxílio emergencial

Horas após o líder do Cidadania na Câmara dos Deputados, Arnaldo Jardim (SP), protocolar um pedido de informações em que cobrava explicações do ministro da Advocacia Geral da União (AGU), José Levi, sobre a promoção ao topo da carreira de 606 servidores da pasta, veio a notícia: o órgão voltou atrás na decisão e suspendeu a farra com o dinheiro do contribuinte.

“Estamos passando por uma das mais agudas crises econômicas e fiscais da nossa história, decorrentes da pandemia da Covid-19. O momento exige cuidado redobrado com os gastos públicos e com ações efetivas para a superação da crise”, justifica o parlamentar em um dos trechos do documento.

Jardim pedia, entre outros detalhes, qual o fundamento jurídico e fático que justificou a promoção conjunta dos 607 membros da carreira de Procurador Federal para a denominada categoria especial, sendo 606 para o estágio final da carreira. 

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, também havia se manifestado e criticado duramente a decisão da Advocacia-Geral da União (AGU) de fazer a promoção em massa de servidores, que passariam a ganhar R$ 27 mil por mês.

“Não há critério administrativo que sustente a promoção em massa, de uma só vez, de 606 servidores ao topo da carreira. Nada contra advogados da União, mas como explicam isso a quem perdeu o emprego, a quem viu o auxílio cair pra R$ 300, aos milhões que não receberam, aos que já passam fome?”, questionou em seu perfil no Twitter.

Embora possa haver critério legal para as promoções, algo que a AGU terá de esclarecer, o ex-parlamentar não vê como justificar a medida do ponto de vista da boa prática administrativa. Ele considerou a decisão, no mínimo, uma imoralidade. 

“O mesmo governo Bolsonaro que cortou o auxílio emergencial pela metade promoveu de uma só vez 606 procuradores da AGU a um salário de R$ 27 mil. Sem justificativa sem critério. Uma imoralidade, um acinte, pra não dizer corrupção pura e simples. Reforma? Já virou esculhambação”, argumentou.

O caso havia sido revelado pelo Jornal Digital Poder 360. Diversos outros veículos de comunicação também noticiaram o tema. De acordo com as informações publicadas, a “promoção em massa”, que durou menos de uma semana, era 649% maior que nos 3 últimos anos.

Arnaldo Jardim também questionou o ministro sobre qual seria a despesa adicional aos cofres públicos a partir da elevação de cargos e salários dos funcionários da AGU. Após a notícia de que o governo Bolsonaro voltou atrás na decisão de elevar cargos e salários de servidores, o parlamentar publicou um vídeo dizendo que a promoção foi “indevida” e que somente uma completa reforma administrativa pode resolver questões como esta.

Leia também

Projeto de Isabela Souza visa garantir mais proteção à população LGBTQIAPN+

Matéria foi aprovada pela Câmara Municipal de Salvador Salvador poderá...

Em Curitiba, Cidadania filia futuros candidatos a deputado

Dirigentes estaduais, municipais e autoridades do Paraná participaram de...

Arnaldo Jardim defende aprovação do PL da Reciprocidade

Deputado do Cidadania foi escolhido relator da matéria, que...

Informativo

Receba as notícias do Cidadania no seu celular!