Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (22/09/2020)

MANCHETES

O Globo

Presidente do CNPq vê risco de apagão na pesquisa
TRE forma maioria para Crivella ficar inelegível
O novo Senado
Uma rádio para defender Jair Bolsonaro
O pior da Covid no mundo já passou, aponta estudo
Governo agora estuda transição para novo imposto
Livraria Cultura pode falir após ter recurso rejeitado na Justiça
Operação da Mizuno no Brasil é comprada pela Vulcabras
Do Dops para o museu
Conselhos de empresas têm 2% de negros
Nova mostra no MAR propõe reflexões sobre a moradia
Salvini derrotado: Extrema direita perde eleições regionais na Itália, e referendo reduz tamanho do Parlamento

O Estado de S. Paulo

Pantanal tem maior número de incêndios em duas décadas
‘Estou aqui’, diz Huck sobre possibilidade de candidatura
O bom e barato que funciona nas cidades
Tensão no exterior derruba Bolsa no País e faz dólar subir
Empresas adotam ações para aumentar inclusão e diversidade
Mortes por covid têm alta em SP após 5 semanas
Maternidade sustentável
Itália reduzirá o número de parlamentares em 1/3

Folha de S. Paulo

Brasileiro é dos que mais sentem a ‘inflação da Covid’
Damares nega ter agido para menina não abortar
Estrangeiro mente sobre a Amazônia, afirma Heleno
Senado vota drive-thru e convida Ernesto a esclarecer visita de Pompeo
Em meio a críticas, secretaria é criada para preservação
WhatsApp e TSE fazem acordo para chat de denúncias
Não desistiremos, diz Trajano após ataques a trainee
Ministro acelera edital para leilão de Congonhas
Florence Bauer – É hora de preparar a volta às aulas
TRE forma maioria para tornar Crivella inelegível já nestas eleições
Receita dos resorts não se recupera antes de 2022, projeta setor
Jacinda Ardern ignora distanciamento e é criticada

Valor Econômico

Petrobras adia a oferta de ações da BR Distribuidora
No STF, 3 votos contra a venda de refinarias
Busca de eficiência
‘Agfintech’ deve reduzir custo de crédito agrícola
Governo tenta negar que seja ‘vilão ambiental’
Fundos colocam R$ 580 milhões na Acesso Digital

EDITORIAIS

O Globo

Trainee exclusivo para negros não constitui racismo

Varejista Magalu acerta ao tentar ampliar a presença das vítimas do preconceito em cargos de liderança

Ao lançar um programa de treinamento exclusivo para negros, o varejista Magalu despertou reação virulenta nas redes sociais. Por usar a cor da pele como critério para seleção, a empresa foi acusada de racismo. Ao mesmo tempo, a iniciativa foi elogiada por movimentos negros, que a veem como um passo necessário na reparação de injustiças históricas.

O Magalu informou que, na empresa, se identificam como “pretos” ou “pardos” 53% dos funcionários, mas só 16% dos que ocupam cargos de liderança. De acordo com o presidente da empresa, Frederico Trajano, apenas 10 dos 250 trainees já contratados eram negros. Usar a cor da pele como critério é um atalho para corrigir a distorção.

Não apenas no Magalu, programas semelhantes têm sido ocupados por brancos na quase totalidade. Isso é resultado de políticas que, ao longo da história, garantiram aos brancos privilégios na formação acadêmica, mas também do racismo que persiste em processos de seleção. O Supremo Tribunal Federal tem sido consistente ao aprovar as cotas como forma de ação afirmativa — e o critério do Magalu não passa de uma cota estipulada em 100%. Embora envolvam discriminação pelo fenótipo, as cotas não constituem, no entendimento do STF, uma forma de racismo.

Não há ilegalidade, portanto, se uma empresa privada quer adotar uma política para ajudar a corrigir uma distorção histórica por meio de discriminação reversa. Trata-se de um único programa de treinamento, não de um critério de seleção permanente. Há ainda, para a sociedade, um benefício indireto, na medida em que, mesmo que os selecionados não sejam contratados, o programa contribuirá para devolver ao mercado profissionais negros mais capacitados, que poderão assumir posições de comando noutras empresas.

Mas não é uma decisão isenta de custos. Para a empresa, há custos internos de duas naturezas. Primeiro, trata-se de uma seleção mais desafiadora para garantir a qualidade técnica dos profissionais. Hoje, esse já é um custo mais fácil de mitigar, em virtude das políticas de ação afirmativa que vêm sendo adotadas nas universidades e têm garantido ao mercado uma oferta de profissionais negros capacitados bem maior do que poucos anos atrás.

O segundo custo, revelado pelo movimento de boicote contra a varejista promovido nas redes sociais, é bem mais preocupante, na medida em que se estende para fora da empresa. A reação virulenta resulta do racismo latente na sociedade. Dificilmente haveria a mesma revolta diante de um programa de treinamento destinado apenas a mulheres.

Políticas de seleção como a do Magalu oferecem pretexto a reações do tipo e, indiretamente, alimentam o ressentimento e o discurso racista que maculam a política contemporânea. O Magalu está certo em querer contratar mais negros para posições de liderança. Transformar isso em jogada de marketing, contudo, pode contribuir para agravar o problema que a empresa se propõe a resolver.

O Estado de S. Paulo

Retomada segue sem plano

Se o governo tem plano para sustentar a recuperação econômica sem o auxílio emergencial, deve estar empenhado em mantê- lo em segredo

Se o governo tem um plano para sustentar a recuperação sem o auxílio emergencial, deve estar empenhado em mantê-lo em segredo.

A mera redução do auxílio de R$ 600 para R$ 300, a partir de setembro, já provoca insegurança entre economistas. A reação econômica iniciada em maio, depois do tombo em março e abril, tem sido puxada principalmente pelo consumo. Até julho, a retomada na indústria havia sido insuficiente para levar a produção de volta ao nível de fevereiro, já muito baixo. Sem auxílio especial e com o desemprego alto, e de fato ainda em alta, é difícil dizer como será alimentado o motor da reativação. As condições da economia em 2021 permanecem obscuras, mas previsões são difíceis até para os meses finais de 2020, como ontem indicou reportagem do Estado

O cenário de alta incerteza se mantém, com o patamar de atividade muito baixo e a recuperação muito lenta, disse o economista Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV, ao apresentar o quadro geral de julho. Nesse mês o Produto Interno Bruto (PIB) foi 2,4% maior que em junho e 6,1% menor que um ano antes, segundo as últimas estimativas. O consumo foi o principal motor, embora tenha havido alguma reação no investimento produtivo, isto é, no valor das aplicações em máquinas, equipamentos, obras e outros bens de produção.

Mas é muito difícil, por mais de uma razão, indicar o investimento como importante motor da atividade, se o consumo perder vigor. Tem aumentado o uso da capacidade na indústria, mas a ociosidade continua ampla. Em julho, segundo o Monitor da FGV, o investimento aumentou e correspondeu a 17,1% do PIB, mas continuou abaixo da média mensal a partir de 2000 (18%). Além disso, o valor foi 7,8% menor que o de um ano antes, descontada a inflação

Em tempos de crise, o setor público pode estimular a atividade investindo em obras, mas isso parece muito improvável, no Brasil, por causa das condições muito precárias das finanças oficiais. O déficit primário do governo deve aproximar-se de 12% do PIB, neste ano, e será preciso reduzi-lo a 3% em 2021, de acordo com o projeto de Orçamento federal em exame no Congresso. Os Estados também terão muita dificuldade para aplicar dinheiro em obras.

Algum investimento em infraestrutura poderá surgir, em 2021, se o governo avançar nas privatizações e na atração de recursos privados para construções. Mas a administração federal teve pouco sucesso, desde o ano passado, em qualquer dessas tarefas. Falta consenso, mesmo no Executivo, para um programa de privatizações. Quanto a obras, só têm entrado na agenda presidencial quando envolvem a possibilidade de alguma inauguração – ou, talvez, até de mero lançamento diante de um público de apoiadores.

Capital externo poderia reforçar investimentos públicos e privados, mas falta um cenário mais claro e mais seguro para as decisões. No Executivo há um conflito entre a equipe econômica, ainda empenhada na defesa do ajuste, e ministros favoráveis a maiores despesas. Esses ministros nem sequer apresentam algo parecido com um plano. Tampouco dizem de onde sairá o dinheiro.

O presidente oscila, em suas manifestações, entre os dois grupos, mas sempre exibindo, mesmo involuntariamente, a prioridade atribuída à reeleição. Diante da insegurança até em relação à política fiscal, estrangeiros tiram recursos ou deixam de aplicar no País. Desde 2015 a participação estrangeira em títulos da dívida pública diminuiu de 20,8% para 9%. A fuga do Brasil intensificou-se neste ano e a saída de capitais é claramente refletida na instabilidade cambial.

Ninguém pode dizer com segurança, agora, como o governo cuidará de suas finanças em 2021 e como evoluirá a dívida pública. Incapaz de fixar um roteiro até para a gestão das contas federais, a equipe econômica deve ainda – e nada sugere alteração desse quadro – um plano de sustentação da retomada econômica e de consolidação do crescimento nos próximos anos. Mesmo assim, empresários mostram alguma confiança. Ainda bem. Pessimismo seria pior.

Folha de S. Paulo

Vergonha nacional

Insegurança alimentar exige políticas que reduzam riscos criados pela pandemia para os mais pobres

Mesmo antes da crise do coronavírus, o país amargava retrocessos nos mais básicos indicadores sociais.

Pesquisa cujos resultados acabam de ser divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que a insegurança alimentar atingiu 37% de 58 mil domicílios observados entre junho de 2017 e julho de 2018.

É um nível semelhante ao registrado em 2004, quando 35% disseram estar nessa situação, e bem superior aos 23% de 2013, o melhor momento captado pela pesquisa.

No grupo que indicou algum grau de insegurança, 24% declararam preocupação com o acesso a alimentos e o risco de perda de qualidade no futuro. Outros 8% enfrentavam escassez temporária, e 5% estavam em situação de fome.

A pesquisa também oferece novas evidências das iniquidades do país. A falta grave de alimentos atingia principalmente famílias chefiadas por negros. Crianças e adolescentes também se mostravam desproporcionalmente afetados.

A deterioração detectada pela pesquisa resulta da recessão atravessada pela economia entre 2014 e 2016. A lenta retomada que se seguiu foi insuficiente para impulsionar a geração de empregos e reduzir a informalidade do trabalho.

Há indícios de que a situação pode ter se agravado com a pandemia, dada a combinação de uma nova recessão com um salto abrupto nos preços dos alimentos. A queda do Produto Interno Bruto neste ano pode ser de 5%, um pouco menos dramática do que há quatro anos, mas a inflação de itens essenciais da cesta de consumo das famílias pobres é pior.

Embora o auxílio emergencial tenha minorado o sofrimento, ao beneficiar cerca de 67 milhões de pessoas, trata-se de um efeito temporário. A redução do valor da ajuda a partir de outubro, de R$ 600 para R$ 300, aumentará a parcela da população no grupo de risco.

A inflação de alimentos decorre da combinação explosiva da alta do dólar com a demanda externa crescente, que impulsionam preços de grãos e proteína animal. Se a volta à atividade for lenta, como se prevê, o desemprego permanecerá elevado e a renda voltará a cair.

Para um país que se tornou um dos maiores produtores de alimentos do mundo, permitir que parcela da população passe fome serve apenas como sinal embaraçoso de continuada degradação nacional.

Não há saída sem consciência do problema e políticas em prol dos mais pobres. Recuperar o dinamismo perdido, a criação de empregos e a capacidade de distribuir renda depende de um amplo redesenho dos impostos e do gasto público —hoje capturados por grupos insensíveis ao fato de que, sem redução da pobreza e da desigualdade, nada de sólido poderá ser construído.

Valor Econômico

Indústria tem dificuldades para voltar ao nível pré-pandemia

Os problemas da indústria brasileira se agravaram nos últimos anos com tributação elevada e ineficiente e cenário político e econômico instável

A forte recuperação da indústria nos últimos três meses animou o setor. No gráfico da produção industrial é possível ver o traçado bastante nítido de um V: depois de ter mergulhado em março e abril em consequência da virtual paralisação das atividades causada pela pandemia do novo coronavírus, voltou a subir de maio em diante. O otimismo, no entanto, tem limites. A produção ainda está abaixo dos níveis pré-pandemia e a reação não é generalizada. Alguns segmentos não respondem com a mesma intensidade, especialmente os de tecnologia mais elevada. Há perda de espaço da indústria de transformação.

A necessidade de isolamento social, o bloqueio aos fluxos de matérias-primas, peças e componentes e a retração dos mercados interno e externo provocaram a virtual interrupção das linhas de produção e resultaram em duro golpe no setor, que já não vinha propriamente bem. Depois de crescimentos módicos em 2017 e 2018, de 2,5% e 1% respectivamente, a produção industrial caiu 1,1% em 2019, puxada pela queda de 9,7% do setor extrativo, consequência do rompimento da barragem de Brumadinho no início do ano.

Em janeiro e fevereiro deste ano a indústria vinha mostrando tímida melhora, com crescimento de 1% e 0,9%, respectivamente, quando a pandemia chegou no país. A economia como um todo experimentou um baque. A produção mergulhou 9,3% em março e despencou mais 19,5% em abril. Apoiada em alguns segmentos, no entanto, que ganharam dinamismo, como alimentos e produtos de informática, reagiu em maio, com elevação de 8,7%, seguida por 9,7% em junho e 8% em julho.

No entanto, a indústria terá que segurar esse ritmo extraordinário para neutralizar as perdas da pandemia porque, na média, ainda está 6% abaixo do patamar em que estava em fevereiro. No caso de alguns segmentos, a situação é ainda mais difícil por sofrerem diretamente com a redução da mobilidade das pessoas e dificuldade de financiamento. Entre eles estão vestuário, couro e calçados, que estão 38,7% e 30,7% respectivamente abaixo do patamar de fevereiro; e, pelos mesmos motivos, veículos, 32,9% abaixo.

Alguns segmentos já superaram esse desafio, entre os quais aqueles cuja demanda avançou em consequência da crise sanitária e seus reflexos. Entre eles estão a produção de bebidas, 11,6% acima de fevereiro; a de equipamentos de informática e eletrônicos, 8,6% superior; produtos de limpeza e cosméticos, 4,5%; e alimentos, 3,5%.

Isso não significa, porém, que o ano deve fechar no azul. Resta muita insegurança em relação à própria evolução da pandemia, sem falar nas questões de fundo, como o andamento das reformas econômicas e o ajuste fiscal. De janeiro a julho, a queda acumulada da produção industrial está em 9,6% na comparação com o mesmo período de 2019. As projeções do Boletim Focus para o ano de 2020 apontavam no final de agosto recuo de 7,7%, reduzido para 6,3% ontem, enquanto a previsão para o PIB é de – 5,05%.

Se esses números se confirmarem, deve-se esperar uma nova redução da participação da indústria no PIB, que ficou em 20,9% em 2019, em comparação com 26,7% em 2000. Nesse espaço de tempo, a fatia da indústria da transformação recuou de 15,3% para 11%. No acumulado do primeiro semestre, quando o PIB caiu 5,9%, a indústria da transformação contribuiu com queda de 10,7%.

A indústria brasileira perde espaço também no cenário internacional. Em dez anos, sua participação caiu praticamente pela metade, segundo acompanhamento da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). Em 2010, era de 2%, recuando de 1,24% para 1,19% entre 2018 e 2019. A retração empurrou o país uma posição abaixo no ranking de maiores potências industriais, para o 16º lugar. Enquanto isso, países também emergentes que estavam atrás do Brasil passaram à frente. A Indonésia está em 10º lugar; o México em 11º; e até a Turquia avançou, para o 15º posto.

O país ainda se destaca em setores de menor tecnologia, como couro e calçados (4º lugar), papel e produtos de papel (5º); bebidas (7º); alimentos, metais básicos e vestuário (8º) e produtos químicos, coque e derivados do petróleo (9º).

Esse ranking retrata bem os problemas da indústria brasileira, que se agravaram nos últimos anos com dificuldades de infraestrutura, tributação elevada e ineficiente e cenário político e econômico instável. Esse conjunto inibe investimentos, especialmente da indústria de maior tecnologia.

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