Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (14/08/2020)

MANCHETES

O Globo

Ministro do STJ manda prender Queiroz e Márcia
Chamas e migração forçada no Pantanal
Bolsonaro tem a maior aprovação desde o início do mandato
Pró-Brasil é adiado; Bolsonaro fala sobre ‘ideia de furar teto’
Ricardo Barros – ‘Apoio se constrói a partir de uma base sólida’
STF reforça limites à atuação da Abin
Ex-secretário de Saúde do Rio gravou políticos
Planos terão que cobrir sorologia para quem tiver sintomas
‘Não dá para esperar pela vacina’, diz ex-secretário de Mandetta
‘Room office’, o novo uso do hotel
China diz que detectou coronavírus em frango brasileiro
Emirados Árabes Unidos fazem acordo histórico com Israel

O Estado de S. Paulo

Governo diz defender teto, mas busca R$ 5 bi extra para obras
Juiz do STJ determina que Queiroz vá para cadeia
STF menciona ‘arapongagem’ e limita atuação da Abin
Morador de SP que trabalha fora se infecta 3 vezes mais
Faxina para a reabertura
Teste sorológico de covid será coberto por plano
Congresso vai retomar reforma administrativa
China diz ter achado vírus em frango brasileiro
Israel fixa laços com Emirados e revê anexação

Folha de S. Paulo

Bolsonaro tem aprovação recorde; rejeição cai 10 pontos
Maioria tem usado ajuda do governo para comprar comida
Ministro do STJ decide que Queiroz volte à prisão
Filha de Queiroz parou repasses logo após suposto vazamento
Imposto de Guedes pode ter alcance maior que a CPMF
Cristo Redentor passa por desinfecção antes de reabertura
Gleisi diz que petistas têm de apoiar Tatto e fala em usar estatuto
Câmara de SP aprova fim do salário-esposa para servidores
Vítimas de Brumadinho enfrentam recursos da Vale para indenização
Em SP, Covid-19 é mais prevalente entre os jovens
Capital interdita 79 bares e restaurantes em 7 dias
Maia fala em convencer presidente sobre reforma administrativa
China detecta coronavírus em frango brasileiro
Israel e Emirados reatam laços com ajuda de Trump

Valor Econômico

BC tenta a transferência de R$ 400 bi ao Tesouro
Governo quer gatilho para ajuste fiscal
Empresário domina o campo
Decisão do Supremo prejudica exportação
China detecta vírus em frango brasileiro
Acionistas da Linx questionam Stone
Ouro em barra atrai pequeno investidor
Reação de governadores a Bolsonaro perde apoio

EDITORIAIS

O Globo

Descaso de Bolsonaro com a Amazônia continua a dar prejuízo

A visão conspiratória impede o presidente de entender a real dimensão da questão ambiental

O meio ambiente continua a ser problema no governo Bolsonaro. A leniência perante os crimes ambientais, em especial na Amazônia, vem desde a campanha eleitoral. A preocupação começou a crescer antes da posse. Entre novembro e dezembro de 2018, grandes empresas do agronegócio já alertavam o futuro presidente para o risco de boicote às exportações de alimentos, devido ao descaso com a preservação ambiental. A participação de Bolsonaro na cúpula de países da região amazônica, na terça-feira, prova que ele nada aprendeu em um ano e meio de governo.

Continua com a mesma percepção equivocada do que acontece na Amazônia. Enquanto o vice, Hamilton Mourão, admitia que a destruição avançou no ano passado, Bolsonaro, no melhor estilo negacionista, tachou de “mentira” que a floresta “arde em fogo”. Os fatos são outros. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou em julho 6.803 focos de incêndio, ante 5.318 no mesmo mês de 2019. Bolsonaro afirmou que o desmatamento retrocedeu em relação a 2019, desprezando o avanço de 34% em 12 meses, o maior em uma década. Não é verossímil acreditar que o mundo vá ignorar o que acontece numa das regiões mais esquadrinhadas do planeta.

Mourão assumiu o Conselho da Amazônia e abriu espaço de diálogo com grupos empresariais dentro e fora do país. Pressionados por acionistas e clientes, não querem contribuir para a destruição da Amazônia, ao vender alimentos produzidos em áreas de desmatamento. Os três maiores bancos brasileiros firmaram uma aliança para interromper o financiamento a qualquer iniciativa que resulte em devastação. A agenda é global — e levada a sério.

A articulação de Mourão pode distender o ambiente, mas na essência a Amazônia continua desprotegida. O ministro Ricardo Salles é responsável pelo desmonte da fiscalização do Ibama e do ICMBio e por revogar normas de proteção, “passando a boiada”. Nada leva a crer que as estruturas de fiscalização serão restabelecidas. As multas estão paralisadas. E enviar tropas não é solução.

A verdade é que Salles não desagrada ao presidente. Bolsonaro crê que a floresta existe para ser explorada. Vê garimpeiros como força civilizatória. Considera as ameaças de boicote tão somente uma retaliação de concorrentes do Brasil no mercado mundial de alimentos.É uma visão conspiratória que o impede de entender a questão amazônica em toda a sua dimensão. A permanência de Salles na pasta do Meio Ambiente, a despeito de tudo o que já disse e fez, diz muito.

O Estado de S. Paulo

As promessas do presidente

Ao fazer pronunciamento para dizer que está comprometido com o teto de gastos, ficou claro que Jair Bolsonaro foi obrigado a dar satisfação a Paulo Guedes

Em tom solene, o presidente Jair Bolsonaro fez anteontem um rápido pronunciamento para dizer que seu governo respeita o teto de gastos e está comprometido com a responsabilidade fiscal. Malgrado o fato óbvio de que a obediência tanto ao limite constitucional para o crescimento das despesas públicas como às leis que demandam o equilíbrio das contas nacionais não é mais que obrigação do presidente, trata-se de uma declaração de princípios que vem em muito boa hora.

Para conferir ares de compromisso sério, o presidente deu as declarações ao lado dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, David Alcolumbre, e do ministro da Economia, Paulo Guedes. Bolsonaro havia se reunido com todos eles ao final de um dia tumultuado, sob o impacto da notícia de que dois dos principais assessores do ministro Paulo Guedes haviam pedido demissão alegando frustração com o ritmo das reformas e das privatizações.

Estava claro que Bolsonaro foi obrigado a dar uma satisfação em primeiro lugar não aos cidadãos, mas a seu ministro da Economia. No dia anterior, Paulo Guedes havia dito que o presidente corria risco de impeachment caso insistisse na trilha da irresponsabilidade fiscal, defendida, segundo o ministro da Economia, por colegas da Esplanada os quais apelidou de “ministros fura-teto” – isto é, que insistem na expansão dos gastos públicos, por meio de dribles no teto, para realizar obras de infraestrutura com o objetivo de impulsionar a economia e, por tabela, melhorar o capital eleitoral do presidente.

Desde a campanha eleitoral, a presença de Paulo Guedes ao lado de Bolsonaro conferiu verniz liberal e reformista a um político desde sempre identificado com o estatismo. Para quem acreditou nisso, Bolsonaro, que admitia nada entender de economia, daria carta branca para que Paulo Guedes realizasse seus projetos de reformulação do Estado – havia a promessa de realizar uma profunda reforma tributária, de reduzir drasticamente a máquina pública e de levantar nada menos que R$ 1 trilhão em privatizações.

Como se sabe, nada disso aconteceu até agora, e não há nenhuma perspectiva de que venha a acontecer num futuro previsível, por basicamente dois motivos: primeiro, porque tal agenda demanda uma formidável base parlamentar, que Bolsonaro nunca teve e jamais se empenhou em ter; e segundo, porque o presidente não demonstrou genuíno interesse em comprar as brigas que Paulo Guedes queria criar.

Para piorar, a natureza de Bolsonaro começou a falar mais alto, e o presidente passou a dar sinais ambíguos sobre as reformas e as privatizações, além de tomar gosto pela demagogia dos programas de transferência de renda e de animar-se com o tal plano de obras duramente criticado por Paulo Guedes. Ao mesmo tempo, em troca dos votos necessários para se manter no cargo ante a múltipla crise causada pela pandemia de covid-19 e pelos misteriosos negócios envolvendo seu clã, o presidente associou-se a partidos acostumados a ganhar cargos em estatais e, portanto, refratários à redução do Estado.

Agora, até mesmo o importante cargo de líder do governo na Câmara foi entregue por Bolsonaro a um legítimo representante desse grupo, o experiente deputado Ricardo Barros (PP-PR), que exerceu funções em outros governos. Há pouco menos de um ano, esse mesmo deputado, ao cobrar cargos do governo em troca de apoio à reforma da Previdência, disse que “se precisar demitir o presidente nós demitimos, ele não pode demitir o Congresso” e que “a palavra final é nossa, ele é que tem que querer estar de bem conosco”.

Se por um lado agora está “de bem” com o deputado Barros e seus colegas na Câmara, o presidente sabe que precisa ficar “de bem” com seu ministro da Economia, o principal avalista de seu governo com os investidores. A promessa de se manter na linha da responsabilidade fiscal foi um gesto nessa direção. Resta saber se o compromisso não será rompido assim que os ministros “fura-teto” encontrarem uma maneira criativa de dar a Bolsonaro os trunfos populistas que ele tanto deseja para se reeleger.

Folha de S. Paulo

Bolsonaro em alta

Presidente se livra do desgaste causado pela pandemia, mostra Datafolha

Depois de ter mantido a aprovação de quase um terço dos eleitores enquanto menosprezava a pandemia e confrontava os outros Poderes, o presidente Jair Bolsonaro obtém agora sua melhor avaliação desde que assumiu o posto, na série de pesquisas do Datafolha.

Levantamento dos dias 11 e 12 deste mês mostra que 37% dos entrevistados consideram o governo ótimo ou bom, uma evolução considerável ante os 32% que externavam a mesma opinião em junho.

A mudança é fortalecida pelo fato de se ter verificado queda ainda mais acentuada na rejeição, que voltou a patamares do início do mandato. Os que classificam o desempenho do governo como ruim ou péssimo encolheram de 44% para 34%, e a gestão passou a ser vista como regular por 27%, fatia acima dos 23% da pesquisa anterior.

Em que pese o avanço ainda acelerado da Covid-19, que já resultou em mais de 100 mil mortes no país, a imagem do governo melhorou em todas as faixas de renda. Entre os mais pobres, com renda até dois salários mínimos, a aprovação agora supera a rejeição (35% a 31%).

A reprovação é mais elevada entre os mais ricos e escolarizados, mas caiu da faixa de 52% e 53% em junho para 47% agora.

Alguns fatores podem, em tese, ter contribuído para a mudança de humores, como a reabertura gradual das atividades, a incipiente reação da economia e o auxílio emergencial fornecido pelo governo.

Além disso, houve a transfiguração do comportamento público do presidente, que abandonou a escalada autoritária de atritos com o Congresso e o Supremo Tribunal Federal para apresentar-se, o quanto possível, como um governante inclinado ao entendimento.

Essa repaginação de imagem coincidiu com o avanço das investigações em torno das atividades suspeitas do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, que trouxeram à luz evidências de ligações com a família presidencial.

Ao mesmo tempo, fechou-se o cerco à atuação de bolsonaristas na difusão de fake news e em manifestações golpistas. Sentindo-se ameaçado e contido pela reação robusta das instituições democráticas, o presidente modulou o tom e passou a aproximar-se da política tradicional que antes rejeitava.

A melhora na avaliação do governo pode revelar-se transitória, mas sem dúvida constitui um sinal de que Bolsonaro permanece longe de perder sua base de apoio e mantém a possibilidade de voltar a ampliá-la —seja na busca pela reeleição em 2022, seja para preservar seu mandato até lá. Que sirva de estímulo para o abandono definitivo dos arroubos autoritários.

Valor Econômico

Biden fecha chapa inclusiva contra populismo de Trump

Trump sempre aposta na divisão e na confusão e essa pode ser sua última chance

No início da campanha eleitoral, o presidente Donald Trump governava um país com a economia em boa forma e, favorito, esfregava as mãos de satisfação ao ver que, nas primárias democratas, seus rivais estavam empurrando o partido cada vez mais para a esquerda, o que facilitaria ainda mais sua recondução ao cargo. A 80 dias da votação, tudo mudou: Trump está atrás do democrata Joe Biden até mesmo em Estados nos quais derrotou Hillary Clinton em 2016, a economia americana ainda não se livrou da ameaça do coronavírus, o desemprego supera dois dígitos e os democratas fizeram o caminho de volta ao centro, ainda que não toda ele.

Biden, ex-vice-presidente de Barack Obama, fez uma escolha politicamente sábia ao indicar para companheira de chapa Kamala Harris, negra, filha de imigrantes, promotora e senadora pela Califórnia. Ela ficou para trás nas primárias democratas, onde suas ideias nem sempre claras não encontraram espaço entre a moderação com viés progressista de Biden e o radicalismo (nos termos da política convencional dos EUA) dos dois candidatos mais conhecidos à esquerda, os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren. Tido como azarão, Biden venceu a indicação democrata sem despertar entusiasmo, mas alívio, no establishment partidário.

A pandemia, porém, mudou o panorama a favor dos democratas. A crise que provocou revelou com mais vigor a incompetência de Donald Trump, seu populismo rude e a completa inadequação das políticas dos republicanos. Contra os alertas de seus serviços de informação, Trump desdenhou do perigo da covid-19, propagandeou cloroquina, evitou máscaras e disse que o vírus iria embora de um dia para outro. Não foi – mais de 5 milhões de americanos foram infectados e 157 mil morreram até agora. Pelas projeções, esse número chegará a 250 mil no dia das eleições, em 3 de novembro.

O trabalho sistemático de Trump para destruir as instituições multilaterais que os EUA criaram no pós-guerra e sua guerra comercial com a China têm enormes consequências globais, mas influenciam menos a política eleitoral doméstica. Nela, Trump seguiu seu instinto e paga um preço por isso. Os protestos contra o assassinato do negro George Floyd pela polícia de Minnesota foram violentamente reprimidos, sob aplauso de um presidente que qualificou os manifestantes de anarquistas radicais, alinhando-se aos que cometeram um ato indefensável.

Trump foi mais longe ao ameaçar convocar tropas federais para reprimir americanos e, algo impensável antes, enviou a vários Estados agentes federais civis para prender manifestantes e sequestrá-los em veículos não identificados – sinistra cena de república bananeira com seus ditadores violentos.

Aos 77 anos, Biden representa a possibilidade da volta da política americana à normalidade bipartidária, arrasada pelo populismo de Trump. Sem dom para empolgar as massas, vítima frequente de lapsos de memória e de gafes, ele assiste à autocombustão do presidente, que, mais do que seus próprios feitos, deram-lhe a liderança nas pesquisas, com média de 8 pontos percentuais à frente do rival.

Com apoio político de Obama, Biden escolheu uma candidata que reforça e energiza o voto de negros e minorias, já galvanizados pelos insultos de Trump, e cria uma ponte para parte da esquerda que preferia Bernie Sanders – que se aliou a Biden, mas não o fez quando perdeu as primárias para Hillary Clinton. Kamala Harris, por outro lado, é aguerrida e boa de campanha, embora tenha o perfil mais próximo do centro entre os candidatos da esquerda do partido.

Biden dirigirá e será dirigido pelo arco de forças democratas que levaram Obama ao poder, que, em atmosfera política radicalizada, empurrará mais eleitores democratas às urnas, uma diferença decisiva em relação ao morno apoio dado a Hillary.

Trump deve ser um mau perdedor. Atrás nas pesquisas, insinuou que não respeitará o resultado das eleições, já classificadas por ele como “as mais fraudulentas da história”. Denuncia o aumento dos pedidos de voto por correio, natural diante de uma pandemia, e seu partido se recusa a dotar o serviço postal de US$ 2,5 bilhões para o esforço. Ele sempre aposta na divisão e na confusão e essa pode ser sua última chance. A história recente só registra dois presidentes que fracassaram em busca da reeleição – Jimmy Carter e George H. Bush – e nenhum dos dois era tão despreparado e desqualificado como Trump. Mas ele ainda pode vencer.

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