Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (31/07/2020)

MANCHETES

O Globo

STF e Planalto agem para tirar MPF de acordos de leniência
Governo defende dossiê sobre 579 servidores
Economia dos EUA sofre o maior tombo da História
Pela 1ª vez, Trump sugere adiar eleições
‘Vão inventar nome em inglês’, diz Maia sobre novo imposto
Tour pelo sertão: Bolsonaro aciona o modo campanha
Alckmin é reú por caixa 2, lavagem de dinheiro e corrupção
Samu em crise – Atendimento à população prejudicado na pandemia
Queimadas no Pantanal têm o pior julho

O Estado de S. Paulo

Garimpo ameaça maior linha de transmissão de energia do País
Governo tem déficit recorde e dívida pode ir a 98% do PIB
Economia dos EUA sofre queda recorde de 32,9%
Em baixa, Trump propõe adiar eleição
Com ‘mofo no pulmão’, a volta às viagens
Sem acordo, Latam demitirá
Maia e Alcolumbre ampliam poder na pandemia
Alckimin vira reú por corrupção e lavagem
Nasa envia robô para Marte
Ladrões levam terror a Botucatu na madrugada

Folha de S. Paulo

Mais da metade das empresas sofre para pagar contas
Coronavírus gera rombo recorde nas contas do governo
Flexibilização do teto não entrará na pauta, diz Maia
Câmara de SP aprova que pais decidam volta às aulas
Bando faz Botucatu (SP) refém por uma noite
Moraes ordena bloqueio global de perfis bolsonaristas
Alckimin se torna réu sob acusação de receber caixa 2
Procurador-geral estuda dividir poder de Dallagnol
Primeira-dama e ministro Marcos Pontes estão com Covid-19
Anhangabaú terá verde, mas urbanistas veem problemas em obras
Nasa lança foguete para Marte com o jipe Perseverante
Com popularidade em baixa, Trump sugere adiar eleições
Economia americana registra queda recorde no 2º trimestre

Valor Econômico

Dados do 2º tri no mundo indicam retomada penosa
Bolsa já subiu 65,2% desde o piso de março
Porta-voz dos 70%
Juro baixo mantém em alta as ofertas de ações
Centro-esquerda vai para as urnas dividida
A dura tarefa de Guedes para repor Novaes

EDITORIAIS

O Globo

A falta que faz uma diplomacia profissional no Itamaraty

No Brasil de Bolsonaro e Ernesto Araújo, americanos devem levar país a se chocar com os chineses

Nada de comparável à política do porrete (big stick) e das canhoneiras, seguida pelos Estados Unidos na virada do século XIX para o XX, mas a entrevista que o embaixador americano no Brasil, Todd Chapman, concedeu ao GLOBO, publicada quarta-feira, faz lembrar o tempo em que Washington defendia seus interesses no continente com os músculos. A questão agora é a disputa da chinesa Huawei com as escandinavas Ericsson e Nokia, para fornecer equipamentos e software da nova tecnologia 5G, o próximo salto nas telecomunicações.

A Casa Branca de Trump, em conflito constante com Pequim, pressiona os aliados a impedir que a Huawei participe de concorrências para a modernização da infraestrutura digital. Alega razões de segurança nacional. Considerando o regime ditatorial chinês, cautela é recomendável. Tecnicamente, contudo, o argumento americano faz pouco sentido, pois a Huawei oferece a tecnologia mais barata e testada para operadoras montarem suas redes 5G.

Pressionar o Ocidente a alijar deste ciclo de investimentos um fornecedor bem avaliado é como se o mundo entrasse na máquina do tempo e fosse despachado para séculos atrás. O choque entre Washington e Pequim deverá persistir mesmo com o democrata Joe Biden na Casa Branca, por se tratar de conflito entre um poder estabelecido e uma potência emergente. Cabe ao Brasil se preparar para administrar a situação com habilidade.

Chapman, mesmo de forma enviesada, foi explícito. Não disse que o Brasil sofreria represália caso permita que a Huawei esteja presente aqui na rede 5G — como está na atual infraestrutura de comunicações —, mas afirmou que haveria “consequências, sim”. E mencionou possibilidades de investimentos americanos condicionados ao afastamento da Huawei. Por comparação, o Reino Unido aceitou até retirar equipamentos chineses em uso.

Falta uma diplomacia profissional como o Brasil já teve — e foi desativada pelo bolsonarismo, com sua visão tosca do mundo, em que o trumpismo e correntes similares são guardiões dos valores da humanidade. Está difícil evitar que um movimento geopolítico americano leve o país a virar as costas a seu maior parceiro comercial, a China. Os prejuízos irão muito além da tecnologia. O Itamaraty, ouvido no governo Geisel, contrariou os americanos em Angola nos anos 1970, ao reconhecer o governo do MPLA apoiado por Cuba. Defesa semelhante do interesse nacional parece hoje impossível.

O Estado de S. Paulo

A importância do SUS

A grandeza do Sistema Único de Saúde vai além de seu papel central no socorro à esmagadora maioria dos infectados pelo novo coronavírus

Já havia razões de sobra para que todos os brasileiros pudessem se orgulhar do Sistema Único de Saúde (SUS), seguramente uma das maiores conquistas civilizatórias da sociedade no século passado. A pandemia de covid-19, a mais grave emergência sanitária que se abateu sobre o País desde a gripe espanhola de 1918-1920, só realçou a essencialidade de um sistema de saúde público e universal, sobretudo em um país com desigualdades sociais e econômicas tão profundas como o Brasil. Mas a grandeza do SUS vai além do papel central do sistema no socorro à esmagadora maioria dos infectados pelo novo coronavírus.

Se a covid-19 ainda é uma doença por ser totalmente decifrada pela ciência, é consensual entre leigos e especialistas a certeza de que a trajetória da pandemia no Brasil seria outra não fosse a existência do SUS. Mesmo havendo um sistema público de saúde que cobre todo o território nacional e está à disposição de qualquer cidadão, mais de 90 mil vidas já foram perdidas em pouco mais de quatro meses, uma catástrofe que levará tempo até ser totalmente assimilada pela Nação. Sem o SUS, só é possível imaginar o quadro tétrico: pilhas de corpos nas ruas e nas portas dos hospitais de brasileiros que sucumbiriam à falta de atendimento médico por não terem condições de arcar com seus custos.

Há mais de 30 anos, o SUS é o único refúgio para 7 em cada 10 brasileiros que precisam de cuidados médicos, um número que deve aumentar em decorrência dos efeitos econômicos da pandemia. Trata-se do maior sistema de saúde universal e gratuito do mundo, assim reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). O SUS é corolário do processo de redemocratização do País e está inscrito na Constituição de 1988, que em seu artigo 196 dispõe que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”, e determina que “as ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único”, como se lê no artigo 198 da Lei Maior.

As duas singelas disposições constitucionais, inteligíveis por qualquer cidadão alfabetizado, representaram uma verdadeira revolução na visão que se tem do sistema de saúde do País ao retirá-lo da lógica de mercado até então prevalente, vale dizer, o acesso aos cuidados com a saúde como um produto comercializável, e alçá-lo à categoria de direito fundamental.

O sistema privado de saúde jamais seria capaz de dar conta de um atendimento médico da magnitude do que tem sido exigido desde a eclosão da pandemia de covid-19, e tampouco das necessidades da imensa maioria de brasileiros que todos os dias acorrem aos hospitais, muitas vezes para tratar de problemas complexos.

É do SUS, por exemplo, o maior programa público de transplantes de órgãos do mundo. Cerca de 96% destas cirurgias no País são realizadas gratuitamente pelo SUS, de acordo com o Ministério da Saúde. Desde a organização da fila de espera por um órgão – gerida com seriedade – até o fornecimento de medicações imunossupressoras, essenciais para a vida dos transplantados, todo o processo é gerido pelo SUS, sem qualquer custo para os pacientes.

Imprescindível também é a presença do SUS na produção e distribuição das drogas que compõem o “coquetel” antiviral que dá suporte à vida dos cerca de 900 mil brasileiros portadores do HIV. Sem falar nas campanhas de prevenção.

Não menos importante, é do SUS o maior programa de imunização de que se tem notícia. São cerca de 300 milhões de doses incluídas no Calendário Nacional de Vacinação, protegendo os brasileiros contra mais de 20 doenças. Laboratórios vinculados ao SUS estão participando ativamente de pesquisas para desenvolvimento e produção da tão esperada vacina contra o Sars-Cov- 2.

Não resta a menor dúvida de que o SUS é um bem público a ser valorizado e protegido. Mas é hora de o SUS receber das autoridades uma atenção proporcional à sua importância para a vida de milhões de brasileiros, o que não vem acontecendo.

Folha de S. Paulo

Resposta casuística

Proposta de quarentena eleitoral para ex-juízes carece de fundamentação sólida

Por bons e maus motivos, há questionamentos e reações contrárias à Operação Lava Jato nas cúpulas dos três Poderes. Trata-se de terreno fértil para propostas como a imposição de quarentena de oito anos para que ex-juízes e ex-procuradores possam disputar eleições.

Um projeto de lei nesse sentido foi defendido na quarta-feira (29) pelos presidentes do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Nenhum dos dois mencionou o nome óbvio a ser associado à medida —o de Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato, ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro e mais do que nunca cogitado como presidenciável no pleito de 2022.

Talvez porque, nesse caso em particular, a proposta possa ser inócua. Não poucos especialistas entendem que a norma, se aprovada pelo Congresso Nacional, não afetaria Moro devido à irretroatividade da lei eleitoral. O ex-magistrado, afinal, tem hoje o direito de se candidatar ao que bem entender.

De todo modo, mira-se a politização do Judiciário e do Ministério Público, que de fato é tema digno de enfrentamento —e as operações bombásticas de combate à corrupção, não raro com excessos, deram motivo para preocupações.

A guinada de Moro rumo ao mundo político decerto não contribuiu para a credibilidade da Lava Jato, bem como a tentativa de criação de um fundo privado por parte dos procuradores da operação.

Entretanto episódios do gênero não bastam para justificar a inscrição de uma norma tão restritiva na lei —e, sem justificativa mais sólida, debate legislativo amadurecido ou amparo na experiência internacional, a proposta de Toffoli e Maia se aproxima do casuísmo.

Regras processuais já preveem suspeição e impedimento de magistrados. Ademais, a legislação eleitoral já fixa quarentena de seis meses para essas autoridades, enquanto os oito anos aventados são exorbitância evidente.

Tal prazo hoje só se aplica a casos envolvendo ilegalidades, como na perda do cargo por sentença judicial. Estendê-lo a todos os ex-juízes e ex-procuradores equivale, na prática, a suspensão de direitos políticos sem prova de parcialidade.

Trata-se, além disso, de discriminação pouco compreensível. Não se entende, a não ser por argumentos circunstanciais, por que a norma não contemplaria delegados, militares, diplomatas, auditores e outras carreiras típicas de Estado.

Dada a ampla resistência do mundo político à Lava Jato, agora reforçada pelo próprio bolsonarismo, a ideia tem chances de prosperar. Seria a proverbial resposta simples e errada a um problema complexo.

Valor Econômico

Os pesados estragos econômicos da covid-19

O problema é que o coronavírus não terminou ainda a sua obra

A destruição já causada pelo coronavírus na produção dos países pode agora ser melhor avaliada pelos dados do desempenho das maiores economias do mundo, que começam a ser divulgados. Em alguns casos, como o dos Estados Unidos, com redução anualizada de 32,9%, o tombo foi menor do que se previa, mas não muito (-34,1%). No caso da Alemanha, a quarta maior economia mundial, foi mais forte do que o projetado – 10,1% em relação ao primeiro trimestre – e não por pouco, com as expectativas na faixa entre 7% a 8%. As quedas abissais foram as mais fortes da história para a maioria dos países, mas é um retrato do passado. O problema é que o coronavírus não terminou ainda a sua obra e tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, a recuperação começa a dar sinais de perda de fôlego – apesar de estímulos monetários nunca antes vistos.

A principal economia, a americana, já levara um tombo de 5% no primeiro trimestre, e esses dados corroboram o desastre previsto para 2020 pelo Fundo Monetário Internacional, de retração de 8% do PIB. Os indicadores recentes alertaram o Federal Reserve, que manteve intactos, ou prorrogou por precaução, suas linhas de apoio, diante de um cenário instável e que pode piorar de novo no curto prazo. A reviravolta na recuperação, que parecia ser acelerada, foi provocada pelo avanço da pandemia nos Estados do Sul e Oeste americano – há apenas 5 dos 50 Estados onde o contágio não está crescendo. Ontem o país atingiu a marca de 70 mil novos casos diários.

Os indicadores de confiança, de produção e serviços da Alemanha mais recentes davam alguma margem ao otimismo em uma nação que teve paralisia relativamente curta para enfrentar resolutamente a covid-19, e danos humanos pequenos comparados a outros países. A queda no segundo trimestre, porém, foi muito forte – 11,7% em relação a igual trimestre de 2019 – o que indica que a recuperação terá de ser bem mais vigorosa porque a base da qual partiu é mais baixa.

Brecaram o motor da economia europeia os estragos do coronavírus no mundo e nos vizinhos, arruinando grande parte da grande força exportadora alemã para a Europa e para a China. Seus mercados europeus não vão bem, ou estão em situação muito pior. A zona do euro deve ter encolhido 13% no segundo trimestre e só voltará ao nível pré-pandemia em 2023, estima o Banco Central Europeu. Ainda no trimestre que marcou o auge da pandemia, França e Itália deverão ter queda de 15% no PIB.

A China, segunda maior economia do mundo, onde o vírus surgiu e onde o combate a ele foi decidido rapidamente em uma primeira etapa, é o único país relevante do mundo a crescer em 2020, segundo o FMI. O recuo do PIB foi intenso, de 6,8% no primeiro trimestre, mas avanço de 3,2% no segundo. Pelo cálculo de especialistas, o crescimento potencial do país é de 6% no segundo semestre, o que resultaria em um PIB de 2,5% no ano (Valor, 29 de julho). O FMI prevê apenas 1%, o que ainda assim é um desfecho triunfal comparado ao comportamento das demais economias diante do vírus.

A China precisa de uma taxa de expansão maior do que 2,5% para suprir a necessidade de trabalho de sua população e o governo vive um dilema que é velho – gastar mais em infraestrutura ou segurar uma bolha de endividamento e crédito que nunca estourou. Na dúvida, Pequim deve fazer as duas coisas. O déficit público projetado é de 12,1% do PIB (FMI), o dobro dos 6,3% de 2019. E, para compensar um consumo em queda e relutante, os investimentos, cuja proporção é de 55% do PIB e estão em queda, terão de ser novamente reativados.

O Japão, a terceira maior economia do mundo, cresce muito pouco e tampouco mergulhará muito fundo na recessão. O Banco do Japão faz há anos experimentos radicais de estímulos monetários de todos os tipos, com efeitos frustrantes até agora. O crescimento não decolou, o PIB deve cair 6% este ano e o BC não consegue produzir uma inflação de 2% – por sinal, nem o BCE, nem o Fed, que chegaram, porém, mais perto disso.

O Brasil não está em último na fila da recessão. O México o supera – no segundo trimestre, seu PIB caiu 17,3% ante o trimestre anterior, na quinta redução consecutiva. Mas os custos do coronavírus vão além dos estragos na produção. Para apoiar a economia, o Brasil registrou déficit primário de R$ 417,2 bilhões no primeiro semestre (-6,71% do PIB) e de R$ 787,4 bilhões em doze meses (11% do PIB). Está a caminho de ter o segundo pior déficit dentre os países relevantes, de 16% (nominal, FMI), atrás apenas dos EUA (23,8% do PIB).

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