Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (26/05/2020)

MANCHETES

O Globo

Barroso repudia ataques ao STF; Bolsonaro pede fim de inquérito
Planalto reconhece que Moro não assinou demissão
Brasil pode ter 7 vezes mais casos de Covid-19
Crivella libera cultos religiosos
Desoneração de folha deve ser prorrogada
Após monopólio do auxílio, Caixa avança no digital
Latam pode pedir recuperação judicial em Brasil, Chile e EUA
Governo americano antecipa veto à entrada de brasileiros

O Estado de S. Paulo

Ministros militares agora negociam cargos com Centrão
Visita inesperada à PGR
BC deve passar ao Tesouro R$ 500 bi de lucro com dólar
Bolsonaro chama mídia estrangeira de esquerdista
Estado de SP terá regras diferentes de quarentena
Número de infectados pode ser 7 vezes maior
Pandemia faz transplante de órgãos cair 34%
1 em 4 alunos não pagou faculdade
OMS suspende estudo de hidroxicloroquina
Latam avalia pedir recuperação judicial
Festa na reabertura italiana

Folha de S. Paulo

PGR busca indícios de possíveis crimes de Jair Bolsonaro
STF vê visita surpresa de presidente a Aras com novo ato de pressão
País pede 20 vezes mais a agências internacionais
Bolsa dispara no 1º dia após vídeo de reunião
Pandemia derruba em 35% as ações trabalhistas
Apoiadores do presidente ofendem jornalistas até serem dispersados
Planalto minimiza veto dos EUA a oriundos do Brasil
Quarentena na Justiça
Isolamento sobe, e Doria propõe quarentena seletiva
Número de infectados deve ser sete vezes maior, indica estudo
Confinamento não pode acabar sem rastreio, diz OMS
SP paga R$ 242 mi por respiradores atrasados da China
Local mais afetado na Colômbia culpa vizinho Bolsonaro

Valor Econômico

Deputados veem pressão de Bolsonaro sobre Aras
Barroso quer armar o povo ‘com educação’
Magazine Luiza usa a força de seu braço digital
BC poderá limitar juro do cartão
Condôminos antissociais são despejados
Relator quer prorrogar desoneração
Previsão para o PIB do 1º tri é de -1,5%
Oil Group prevê refinaria no Porto do Açu

EDITORIAIS

O Globo

Bolsonaro tem de explicar o projeto armamentista

Afirmações gravadas no vídeo da reunião ministerial requerem esclarecimentos do presidente

Do execrável conjunto da obra exposta pelo vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, liberado pelo ministro do STF Celso de Mello, há muitas cenas que falam por si, e outras que merecem mais atenção e alertas pelas graves implicações para a estabilidade e a paz no país. Bolsonaro sempre defendeu a liberalização de armas e colocou o tema em destaque na sua campanha. Não engana ninguém, portanto, quando trabalha para cumprir sua promessa.

Se seguisse os devidos trâmites para despejar mais armas e munições nas ruas e residências, os embates em torno de sua plataforma armamentista ocorreriam normalmente no Legislativo, e os conflitos seriam mediados na Justiça. Mas Bolsonaro não deixa mais dúvidas de que deseja desmantelar os freios e contrapesos necessários para conter excessos de cada um dos Poderes, sendo que o Executivo brasileiro já é muito forte. Com um presidente ideologicamente espaçoso, vive-se em tensão, no limite de crises institucionais.

Na questão das armas, o Congresso já teve de conter Bolsonaro por baixar decretos presidenciais que ilegalmente alteravam o Estatuto do Desarmamento — uma lei aprovada pelo Congresso —, ato digno de ditaduras. Foi forçado, então, a enviar projetos ao Congresso. Incontido, porém, o presidente determinou ao Exército que revogasse portarias que obrigavam a adoção de normas para facilitar o rastreamento de armas e munições, a fim de permitir sua identificação: origem, proprietário etc. Sem isso, a elucidação de crimes cometidos com armas de fogo ficará muito mais difícil ou impossível.

No vídeo ele aparece gritando o jargão: “povo armado jamais será escravizado!”. Mas não revelou quem são os agentes da escravidão que tirariam a liberdade dos brasileiros, ameaça também vista pelo “militante” Abraham Weintraub, ministro da Educação. Bolsonaro, no entanto, fez uma referência nada sutil à possibilidade de reações armadas contra decisões de prefeitos e governadores com as quais não se concorde.

Significa, então, que o presidente imagina que seria cabível romper as medidas de isolamento social, às quais se opõe, com arma na mão. Ele próprio se viu indo à rua com dedo no gatilho para lutar contra a intenção “de um bosta de um prefeito” que por decreto obrigue que as pessoas fiquem em casa. Bolsonaro defenderia insurreições armadas quando os tais freios e contrapesos barrassem a sua vontade e a do seu grupo dentro dos espaços da Constituição. Isso se chama golpe.

Pode ser que o Planalto alegue que o presidente estava em um momento particularmente agitado, e não poderia imaginar que aqueles arroubos, não apenas dele, seriam divulgados.

Ainda assim é inaceitável que a plataforma armamentista do governo possa esconder projetos aventureiros, irresponsáveis, de tentativas de desestabilização da ordem constituída, que jogaria o Brasil de volta ao passado distante, em prejuízo de várias gerações.

O Estado de S. Paulo

Nascidos um para o outro

Tanto o presidente Jair Bolsonaro como o chefão petista Lula da Silva se associam na mais absoluta falta de escrúpulos, em níveis que fariam até Maquiavel corar

Não há dúvidas. Jair Bolsonaro e Lula da Silva nasceram um para o outro.

Tanto o presidente da República como o chefão petista se associam na mais absoluta falta de escrúpulos, em níveis que fariam até Maquiavel corar. Pois o diplomata florentino que viveu entre os séculos 15 e 16, malgrado tenha descartado a retidão moral absoluta como fator essencial para o bom governo, formulou uma ideia de ética específica para a política, segundo a qual, entre outras regras, o governante jamais deve colocar seus interesses pessoais acima dos interesses do Estado nem agir como se seu poder fosse ilimitado: “O príncipe que pode fazer o que quiser é um louco”, escreveu em sua obra mais conhecida, O Príncipe (1532).

Jair Bolsonaro e Lula da Silva unem-se como siameses. Enxergam o mundo e seu papel nele da mesmíssima perspectiva. Tudo o que fazem diz respeito exclusivamente a seus projetos de poder, nos quais o Estado e o povo deixam de ser o fim último da atividade política e passam a ser meros veículos de suas aspirações totalitárias.

Ambos, Bolsonaro e Lula, só se importam com o sofrimento e a ansiedade da população na exata medida de seus objetivos eleitorais. O petista, por exemplo, declarou recentemente que “ainda bem que a natureza criou esse monstro chamado coronavírus para que as pessoas percebam que apenas o Estado é capaz de dar a solução, somente o Estado pode resolver isso”.

Tão certo de sua inimputabilidade, Lula da Silva nem se preocupou em ao menos aparentar retidão moral, como recomendava Maquiavel aos príncipes de seu tempo, entregando-se à mais vil exploração política do sofrimento causado pela pandemia de covid-19. Lula da Silva é, assim, o anti-Maquiavel: enquanto o florentino elogiou seus conterrâneos por preferirem salvar sua cidade em vez de salvar suas almas, Lula saúda a morte de seus compatriotas como uma espécie de sacrifício religioso em oferenda à estatolatria lulopetista.

Já Bolsonaro, bem a seu estilo, continua a menosprezar os milhares de brasileiros mortos na pandemia, agora com requintes de crueldade. Depois do infame “e daí?”, expressão que usou ao reagir à informação sobre a escalada do número de mortos no Brasil, o presidente da República não viu nenhum problema em fazer piada com a desgraça do país que ele foi eleito para governar. “Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma Tubaína”, brincou Bolsonaro.

Nem se deve perder tempo procurando graça onde, definitivamente, não há. Diante das dramáticas circunstâncias, só riu da blague bolsonarista quem não nutre nenhuma empatia ou respeito pelo sofrimento dos outros. Para o presidente da República, só os direitistas são dignos de salvação – por meio da cloroquina, que Bolsonaro, baseado em estudos fajutos, quer que os brasileiros tomem para que o País supere rapidamente a pandemia e “volte ao normal”. Já os “esquerdistas” – isto é, todos os que não são bolsonaristas –, que bebam refrigerante.

Bolsonaro e Lula são o resultado mais vistoso da degradação violenta da atividade política, aquela que, na concepção de Maquiavel, deveria almejar a todo custo o bem coletivo. Cada um à sua maneira, um mais truculento, o outro mais dissimulado, o presidente e o petista se consideram fora do alcance das considerações éticas que deveriam moderar o poder e que estão no coração das sociedades democráticas.

Lula trabalha desde sempre para cindir o País – e sua recente celebração do coronavírus pode ser vista como uma espécie de corolário macabro da concepção doentia segundo a qual os brasileiros recalcitrantes, que ainda não aceitam o projeto de Estado autoritário idealizado pelo lulopetismo, devem ser castigados pela natureza para que aprendam de uma vez por todas que Lula sempre tem razão. Bolsonaro faz exatamente o mesmo, e ainda enxovalha publicamente quem se recusa a aceitá-lo como salvador.

O bolsonarismo é um monstrengo antidemocrático que só ganhou vida e ribalta por obra e graça do lulopetismo. A uni-los, a sede de poder absoluto. Mas, como já ensinou Maquiavel, não há poder que dure para sempre.

Folha de S. Paulo

A ficha de Weintraub

Ataque torpe ao Supremo pode ao menos contribuir para encerrar gestão ruinosa

Dadas as dimensões e a relevância da pasta que comanda, Abraham Weintraub talvez seja, entre os muitos ministros ineptos do governo Jair Bolsonaro, o mais potencialmente danoso ao país.

O titular da Educação reúne todos os atributos vis do bolsonarismo instalado no Executivo federal: ignorância arrogante, revanchismo ideológico, rejeição ao diálogo, agressividade doentia e sabujice acima de qualquer noção de respeito à função pública.

A própria imbecilidade pode impedir Weintraub de provocar um mal maior. Não é de hoje que manifestações lunáticas o desmoralizam e ameaçam sua permanência no posto —e a registrada no vídeo da fatídica reunião ministerial de 22 de abril desponta como a mais grave delas até o momento.

Na peça se vê o chefe do MEC, após mesuras tristonhas ao presidente e lamúrias raivosas contra Brasília, dar vazão a um dos mais escandalosos rompantes autoritários do encontro. “Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF.”

Até para os padrões destrambelhados do governo Bolsonaro, não é difícil imaginar o mal-estar provocado por um ataque de tamanha torpeza ao Supremo Tribunal Federal —onde se conduz inquérito que, no limite, pode resultar no afastamento do mandatário.

Não por acaso, intensificou-se o rumor sobre a insatisfação do Planalto com o auxiliar, que estaria ainda a dificultar acertos com os novos aliados do centrão. No domingo (24), Weintraub tentou pateticamente sanar o insanável.

“Não ataquei leis, instituições ou a honra de seus ocupantes”, escreveu. “Alguns, não todos, são responsáveis pelo nosso sofrimento, nós cidadãos”, completou, acrescentando covardia à boçalidade.

Cumprirá ao STF reagir com altivez à diatribe temerária. O ministro já foi alvo de um pedido de impeachment, por conduta indecorosa e irresponsável, arquivado em março por uma razão formal — a iniciativa, de parlamentares, caberia ao procurador-geral.

Em abril, o Supremo abriu inquérito para apurar crime de racismo por parte de Weintraub, em razão de ataques preconceituosos à China que também renderam crise diplomática com o maior parceiro comercial do Brasil. Em 22 de abril, o falastrão se queixou também de processos que o envolvem na Comissão de Ética da Presidência.

A opulência desse prontuário contrasta com o vazio do MEC, onde as raríssimas medidas acertadas, como o adiamento do Enem, resultam das pressões da sociedade que tanto irritam o ministro.

Valor Econômico

Brasil pode zerar déficit em conta corrente

Câmbio reflete inquietação com a situação fiscal brasileira

O que era impensável algumas semanas atrás parece agora cada vez mais provável: o balanço em conta corrente pode ficar zerado ou até positivo em 2020. Se isso acontecer, será a primeira vez em 13 anos. Desde 2007, quando o país teve superávit de US$ 408 milhões nas transações correntes, a conta vem fechando no vermelho. No ano passado, o déficit foi de US$ 49,5 bilhões. A previsão para este ano era que o déficit iria aumentar para US$ 57,7 bilhões, uma vez que a recuperação econômica esperada inicialmente deveria ampliar as importações, reduzindo o saldo comercial projetado. Mas isso não chegava a ser um problema dado o volume de investimentos estrangeiros diretos esperados, na casa dos US$ 60 bilhões, suficientes para cobrir a defasagem. As volumosas reservas internacionais também funcionam como garantia extra.

As perspectivas mudaram radicalmente com a disseminação do novo coronavírus. Em março, sob os primeiros efeitos da pandemia no país, o Banco Central (BC) revisou as projeções, reduzindo o déficit estimado para US$ 41 bilhões. Algumas semanas depois, porém, com um quadro mais nítido do forte impacto econômico do problema sanitário e suas consequências no nível de atividade, instituições financeiras já falam que a conta poderá ficar empatada ou apresentar um superávit, estimado até em US$ 10 bilhões (Valor, 22/5).

Se as novas expectativas se concretizarem, o resultado positivo não terá sido, como idealmente esperado, fruto de um aumento da produtividade, com efeitos positivos na expansão das exportações, ou de maior interesse de investidores pelo país. Será sim consequência de fatores claramente negativos: pela combinação de recessão e câmbio elevado, que deve reduzir as importações, ampliar o saldo comercial, diminuir os gastos com remessa de lucros e dividendos das empresas para o exterior e com a contratação de serviços, e, naturalmente, restringir as viagens internacionais, de resto impossibilitadas pelas questões sanitárias.

Um dos componentes mais importantes nesse processo é a desvalorização do real, uma das moedas que vem ocupando a liderança entre as mais afetadas na crise do coronavírus, deprimida pela recessão interna que exacerbou a crise fiscal, pela queda dos juros, que afugentou os investidores estrangeiros, e pela baderna causada pelo presidente da República, que deteriora as expectativas. Do início do ano até agora o real se desvalorizou em cerca de 30%, percentual bem superior ao de moedas africanas, que caem pouco mais de 20%; e ao peso mexicano, que perde ao redor de 19%. Especialistas do Ibre-FGV e analistas de mercado já concordam que o corte nos juros vem alimentando a depreciação cambial.

Sinal dessa influência é a saída do investidor estrangeiro. Do início do ano até a primeira quinzena de maio, ele resgatou US$ 33,4 bilhões pelo câmbio financeiro. A expectativa é que o investimento estrangeiro direto será igualmente afetado, ficando abaixo do projetado anteriormente, em consequência da aversão generalizada ao risco no mundo e um cenário doméstico adverso, com contração da economia, perspectiva fiscal desfavorável e instabilidade política.

Os resultados das empresas brasileiras foram afetados pelo câmbio e pela crise em geral, conforme revelam os balanços do primeiro trimestre, analisados pelo Valor Data. As 112 companhias abertas que divulgaram os resultados até o dia 15 pela manhã tiveram um prejuízo consolidado de R$ 21 bilhões, No mesmo período de 2019, essas empresas tiveram lucro líquido de R$ 17 bilhões. Foram excluídas da amostra a Petrobras e a Vale.

O câmbio reflete ainda a preocupação com a situação fiscal do país. As ações para mitigar os efeitos da pandemia na economia, na vida da população e as despesas para reforçar a área da saúde têm impacto nas contas públicas em todas as partes do mundo. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) calcula que elas devem aumentar em US$ 17 trilhões a dívida pública dos países ricos, elevando de 109% para 137% o montante em relação ao PIB. No caso do Brasil, a dívida bruta do governo vai superar 100% do PIB neste ano, e pode levar uma década para cair abaixo desse patamar, de acordo com cálculos do economista Marcos Lisboa (Folha 25/5). Afetados pelos mesmos fatores, cerca de 100 países já pediram ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O Brasil está longe disso, mas inspira preocupação.

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