Covid-19: entrada massiva de militares na Saúde coloca a crise no colo das Forças Armadas

Infraestrutura hospitalar, equipamentos de proteção e respiradores comprovadamente salvam vidas, cloroquina não, alerta Roberto Freire

Ao assumir o Ministério da Saúde com o interino general Eduardo Pazuello e instalar em um só dia 9 militares em postos-chave da pasta, as Forças Armadas se associam irremediavelmente à política “desumana, anticiência e impatriótica” de Jair Bolsonaro, pró Covid-19 e que despreza a vida de milhares de brasileiros. A avaliação é do presidente Nacional do Cidadania, Roberto Freire, para quem os militares assumiram agora total responsabilidade pelos absurdos que antes eram propagados apenas pelo presidente.

Segundo o ex-parlamentar, enquanto o número de mortos avança para a triste marca dos 20 mil mortos, Bolsonaro, com a ajuda dos militares, está sequestrando o debate que deveria estar sendo feito no Brasil no combate à doença: a falta da infraestrutura necessária para salvar o maior número de vidas.

“Falar de cloroquina como a solução não passa de fantasia e mau-caratismo. Equipamentos de proteção salvam vidas, de médicos e pacientes. Respiradores salvam vidas. Leitos de UTI salvam vidas. Testes podem ajudar a salvar vidas. Nada disso o governo federal conseguiu entregar. Militares que gostam tanto de planos até agora não apresentaram nenhum”, aponta.

Inépcia

Freire lembra que, segundo a imprensa, a primeira medida em discussão nesta nova formação do ministério seria um protocolo para disseminar o uso da cloroquina inclusive em fases iniciais da doença, o que contraria os estudos científicos realizados até o momento com a droga no tratamento da Covid-19. Os indicativos são de aumento do risco de problemas no coração e nos rins.

“Os estados, que não têm outros meios de financiamento nem a capacidade de articulação internacional que o governo federal tem, por meio do Itamaraty e das embaixadas, estão com a difícil tarefa de dar conta sozinhos da maior crise sanitária da nossa história em razão da completa ausência do poder central. É lamentável que os militares estejam se perfilando com o obscurantismo”, alerta.

O presidente do Cidadania diz que o fato de o Exército ter iniciado a produção em massa do medicamento, sem que ele tivesse sua eficácia e sua eficiência comprovadas, pode estar levando as Forças Armadas a apoiar a elaboração de um novo protocolo de uso. “O problema do diagnóstico absolutamente equivocado que fizeram é que a doença vai se agravar, por um período maior e com mais mortes evitáveis”, sustenta.

Ele não culpa apenas a inépcia de Bolsonaro, mas também a adesão acrítica de militares e mesmo de parte da elite econômica a teses obscurantistas em nome de um projeto político. “Se tivéssemos feito o isolamento com alto índice de adesão, poderíamos discutir agora, como outros países, o relaxamento das medidas e a retomada da economia. Para não abrir mão de um pouco, vão perder muito. Em vez de evitar, aprofundaram a recessão”, analisa.

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