Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (14/05/2020)

MANCHETES

O Globo

Brasil passa França e já é o 6º país com mais casos
Depoimentos reforçam interesse de Bolsonaro na PF do Rio
MP pede busca de armas e fim de acampamento pró-Bolsonaro
Antes do veto, 25% de aumento a policiais do DF
Exame de Bolsonaro entregues ao STF deram negativo
Moradores de 14 favelas relatam mais mortes do que as oficiais
Vírus causa alterações neurológicas na retina
Medo e exaustão – A jornada sem fim dos médicos de CTI
Chile terá ‘lockdown’ após falhar a quarentena seletiva de Piñera

O Estado de S. Paulo

Bolsonaro entrega exames com condinome e resultado negativo
Cidade de SP já tem 89% dos leitos de UTI ocupados
General ‘se equivocou’ em depoimento, diz presidente
Parentes de presos são excluídos da lista dos R$ 600
Reajuste à polícia do DF custará R$ 505 milhões
Risco país e dólar sobem; Brasil vira aposta de risco
Noruega exclui Eletrobrás e Vale de carteira

Folha de S. Paulo

Menos de metade dos alunos acessa ensino online em SP
Falas e vídeo reforçam a narrativa de Sergio Moro
Enem não tem plano B, e Bolsonaro diz que prova precisa ser neste ano
Exames entregues por Bolsonaro dão resultado negativo
Base de dados falha impede cálculo da Covid-19 no Brasil
Campanha oferece aulas de dança pela internet a profissionais de saúde
Alto contágio pode barrar brasileiros na União Europeia
Presidente quer ampliar adoção da cloroquina até para casos leves
Quarentena custa R$ 20 bi semanais, estima governo
Rede lança ‘room office’ em 23 hotéis paulistano
Isolamento derruba índices de comércio, indústria e serviços
Portugal vai facilitar cidadania a estrangeiro e a bebê de imigrante
Kassab completa 500 dias como secretário-fantasma de Doria
EUA descartam taxa de juro negativa, e dólar sobre para R$ 5,90

Valor Econômico

Pequena empresa ainda espera socorro de crédito
Impeachment é para depois, acredita Doria
Acordos ‘sob medida’ para enfrentar crise
Sem dor de cabeça
Um mandato bem blindado por R$ 600
Bancos darão socorro de até R$ 7 bi a aéreas
Reabertura de fábricas impõe novas rotinas

EDITORIAIS

O Globo

Bolsonaro na difícil busca por uma saída

Versão inverossímil do que disse o presidente na reunião de ministros reflete a gravidade da situação

A contestação feita pelos ministros militares do Planalto do entendimento de Sergio Moro, e de pessoas que também assistiram à exibição anteontem do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, não acaba com as dificuldades de Bolsonaro diante da acusação do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública de que ele o pressionou a fazer mudanças na Polícia Federal de interesse pessoal, até chegar ao ponto de demiti-lo e também o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

A desconfiança de que, para proteger o presidente, foi construída a versão do suposto mal-entendido sobre o que disse Bolsonaro na reunião terá de ser confrontada com a íntegra da gravação, a ser liberada ou não pelo ministro do STF Celso de Mello, que preside este inquérito. Ajudará na busca da verdade se a liberar. A defesa que os ministros militares Braga Netto, da Casa Civil; Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo; e Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), fazem de Bolsonaro choca-se com a lógica e o transcorrer dos fatos depois daquela reunião, a começar pelas demissões de Moro e de Valeixo.

Este vídeo é a prova com a qual Moro quer fundamentar a acusação de uma grave ação patrimonialista de Bolsonaro para poder usar um braço importante de segurança do Estado em benefício próprio e do seu governo. Nem mesmo os choques entre o ex-juiz e o ex-capitão eram desconhecidos. Sabia-se da intenção do presidente de afastar o delegado Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da PF e/ou de mudar o superintendente da Polícia no Rio de Janeiro — “meu estado”. Foi feita uma troca no Rio em comum acordo entre Bolsonaro, Moro e Valeixo, saindo Ricardo Saadi, entrando Carlos Henrique Oliveira. Mas Bolsonaro continuou querendo no Rio e na cúpula da PF um delegado com quem ele pudesse “interagir”. As pressões continuaram — o que também era acompanhado pela imprensa—, até o presidente não aguentar mais e, na reunião de 22 de abril, anunciar que poderia afastar Valeixo e Moro. Assim foi entendido, mas testemunhas do presidente usam a palavra “segurança” dita por Bolsonaro para garantir que a irritação do presidente era com a guarda pessoal dele e da família. Mas os ministros Luiz Eduardo Ramos e Augusto Heleno citaram a PF nos depoimentos que prestaram.

Sobre Ramos, Bolsonaro esclareceu que ele se “equivocou”, e não foi contestado pelo general. Os ministros militares não contestam o presidente, mas foram Moro e Valeixo que saíram do governo, e não Augusto Heleno, do GSI, que responde pela segurança do presidente e de parentes próximos. Acredite quem quiser na versão de conveniência. Diante da incoerência, Bolsonaro se esquiva.

Já se testemunhou a criação de embustes. Um deles, o “empréstimo” de US$ 3,7 milhões supostamente obtido pelo presidente Collor no Uruguai para campanha eleitoral. Era “lavagem” de dinheiro das propinas de PC Farias. Nunca se acreditou na “Operação Uruguai”, e Collor terminaria cassado. Devem-se guardar as diferentes peculiaridades históricas dos dois casos.

O Estado de S. Paulo

O Brasil precisa saber

Se é verdade que o tal registro não revela nenhuma irregularidade cometida pelo presidente, como Bolsonaro diz e repete, então nada deveria obstar sua publicidade voluntária e imediata

É imprescindível que o inteiro teor do vídeo da reunião do presidente Jair Bolsonaro com seu Ministério em 22 de abril seja tornado público. E essa iniciativa deveria partir não de uma ordem judicial, e sim do próprio presidente, certamente o maior interessado no esclarecimento dos fatos; afinal, se é verdade que o tal registro não revela nenhuma irregularidade cometida pelo presidente, como Bolsonaro diz e repete, então nada deveria obstar sua publicidade voluntária e imediata.

“Vocês vão se surpreender quando esse vídeo aparecer”, disse Bolsonaro. A Nação mal pode esperar para ser surpreendida. Por ora, os brasileiros conhecem apenas a versão fornecida por alguns dos espectadores do referido vídeo, exibido para procuradores da República, investigadores da Polícia Federal (PF) e o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, autor de denúncias contra o presidente e que citara a tal reunião como evidência de suas acusações. E a versão dessas testemunhas não surpreende ninguém: segundo algumas delas, Bolsonaro deixou claro que queria interferir na chefia da Superintendência da Polícia Federal no Rio para proteger sua família, que, segundo ele, estaria sendo “perseguida” pela PF. Tudo isso permeado por palavrões, gritaria, desrespeito e ameaças de demissão – ou seja, um dia comum na Presidência de Jair Bolsonaro.

Surpreendente, mesmo, seria se o vídeo mostrasse um chefe de governo equilibrado, consciente da função que desempenha e reverente em relação não apenas à liturgia do cargo, mas aos princípios básicos da República que preside – aquela em que ninguém, por mais poderoso que seja, pode se considerar acima da lei. Como até mesmo os camisas pardas que veneram Bolsonaro sabem a esta altura que isso é impossível, o único interesse no vídeo é verificar se o presidente realmente cobrou do então ministro Sérgio Moro que fizesse mudanças na Polícia Federal com o intuito de blindar seus filhos e amigos, enrolados com a Justiça – o que, segundo Moro, o motivou a pedir demissão do Ministério da Justiça.

Enquanto o vídeo não vem à luz na sua integralidade, para que se possa verificar o contexto de cada declaração, será a palavra de Bolsonaro – que nega tudo – contra a das testemunhas, e é ocioso discutir em quem se deve acreditar neste momento. O fato, por ora, é que há grossas suspeitas de que o presidente pode ter cometido delitos em série, e a divulgação do vídeo certamente ajudará a mostrar onde está a verdade.

Até que isso aconteça, é preciso muita prudência. A falta dela quase derrubou um governo, o do presidente Michel Temer, vítima de um escândalo irresponsável criado a partir da interpretação equivocada – maldosa até, pode-se dizer – de um diálogo dele com o empresário Joesley Batista, em 2017. Quando o diálogo afinal se tornou público, percebeu-se que nada havia ali que comprometesse o presidente a ponto de interromper seu mandato.

Espera-se que o procurador-geral da República, Augusto Aras, aja com a responsabilidade que faltou a Rodrigo Janot quando este, na condição de procurador-geral, fez as denúncias contra Michel Temer movido pelo desejo incontido de criminalizar toda a classe política, a começar pelo presidente.

Assim, o procurador Augusto Aras deve se ater exclusivamente às evidências e solicitar quantas diligências forem necessárias para ter um quadro completo. Se as provas forem frágeis, como afirma Bolsonaro, então o caso obviamente não pode seguir. Entretanto, se houver razões para levar adiante as investigações e oferecer uma denúncia contra o presidente, Augusto Aras – indicado para o cargo por Bolsonaro – deve fazê-lo, com a independência que a Constituição garante ao Ministério Público.

Processar e eventualmente cassar um presidente da República não é uma brincadeira inconsequente. É a mais séria das decisões políticas num regime presidencialista, razão pela qual é preciso ter sólidos argumentos para consumá-la. A incivilidade e o despreparo do presidente Bolsonaro, por mais que envergonhem o País, não são motivos para isso. Advocacia administrativa, prevaricação, obstrução da justiça, coação, falsidade ideológica e crime de responsabilidade são.

Folha de S. Paulo

Reunião fatídica

Impõe-se divulgação na íntegra de vídeo a fim de esclarecer conduta de Bolsonaro

A apuração acerca das circunstâncias da saída de Sergio Moro do governo Jair Bolsonaro envolve, até aqui, uma batalha de versões.

O ex-ministro da Justiça forneceu mensagens de aplicativos para ajudar a montar seu relato de que o presidente quis exercer ingerência política na Polícia Federal.

Apontou duas circunstâncias em que o fato poderia ser aferido: a reunião ministerial de 22 de abril, antevéspera de seu pedido de demissão, e o encontro dele com ministros militares no dia seguinte.

O vídeo que registrou a reunião mencionada mobiliza agora as atenções de Brasília. Bolsonaro ensaiou divulgá-lo e depois recuou, alegando questões de segurança nacional debatidas na gravação.

Talvez elas existam, mas o que se vazou a respeito da peça sugere um pouco de tudo: ministros do Supremo Tribunal Federal sendo ameaçados, ofensas a governadores e à China, palavrões à mancheia.

No ponto central, até onde se pôde apurar, está uma fala de Bolsonaro sobre a intenção de mudar a chefia da Polícia Federal no Rio —e, se necessário para tal, de trocar o diretor ou Moro— para cuidar de interesses de seus filhos e amigos.

O vídeo foi assistido pela Procuradoria-Geral da República, porém ainda não liberado pelo condutor do inquérito, o ministro do Supremo Celso de Mello. À gravação foram juntados depoimentos de envolvidos no enredo e também dos três generais citados por Moro.

Na visão deles, o ex-ministro se equivocou. Bolsonaro se referiu à segurança de sua família no Rio, que seria responsabilidade do Gabinete de Segurança Institucional. “Eu não falo Polícia Federal. Falo sobre segurança da família e meus amigos”, afirmou o presidente.

À parte o fato de que não é atribuição do GSI cuidar de amigos do chefe de Estado, a defesa do Planalto se ampara numa questão interpretativa —Moro teria entendido errado o que foi dito na reunião.

Os generais palacianos corroboraram a versão de Bolsonaro, mas disseram que a PF foi, sim, tema da reunião, segundo Augusto Heleno (GSI) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). O mandatário correu a dizer que o último havia se enganado.

Impõe-se, em tal cenário, a pronta divulgação integral do vídeo, a despeito de constrangimentos políticos para o governo, a fim de dirimir, perante a sociedade, as dúvidas quanto à conduta do presidente na ocasião. Do ponto de vista jurídico, o inquérito ainda terá mais dados e testemunhos a considerar.

As negativas de Bolsonaro, de todo modo, destoam de seus atos. Afinal, ele fez exatamente o que Moro antecipou na saída do governo, ao trocar o diretor-geral e o superintendente da unidade fluminense da Polícia Federal.

Valor Econômico

Bolsonaro desdenha vídeo que pode comprometê-lo

O presidente está isolado e inimizou-se com os demais Poderes

Só a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, ou um pronunciamento do ministro Celso de Mello, é capaz de deixar claro o que exatamente nela disse o presidente Jair Bolsonaro. Há diversas nuances sobre seu teor e poucas sobre o que aconteceu no encontro – um espetáculo de baixarias, ao qual o presidente e muitos de seus ministros se entregam com volúpia. Bolsonaro vem acumulando ilegalidades, o Supremo Tribunal Federal já tem três inquéritos que podem comprometê-lo, a seus filhos ou todos. O mais recente, sobre a saída de Sergio Moro e a troca do comando da Polícia Federal poderá ou não pôr fim a sua carreira no Executivo.

Os espectadores que viram no vídeo evidências devastadoras contra Bolsonaro, atribuem a ele o desejo, expresso com toda as letras, de proteger sua família de eventuais embaraços com a Polícia Federal. “Não vou esperar foderem com alguém da minha família”, teria dito o presidente, em um dos pontos áureos de um discurso no qual cobrou acesso a relatórios da inteligência da PF para não ser “surpreendido” por investigações. O presidente também ameaçou de demissão quem se colocasse em seu caminho, inclusive ministros.

As ações de Bolsonaro desde o início do capítulo da PF são uma linha reta. Desde agosto de 2019, tentou mudar a direção da superintendência do Rio, sem outra explicação a não ser que “o Rio é meu Estado”. A PF do Rio não investiga as rachadinhas envolvendo o gabinete do então deputado Flavio Bolsonaro, mas personagens que se cruzavam com ele, em especial milicianos. Familiares de alguns deles foram empregados por Flavio.

O presidente apressou-se e voltou à carga depois que o STF abriu um inquérito para investigar “fake news”, do qual membros da PF participam operacionalmente, e, depois, outro, para apurar o financiamento das manifestações contra a democracia, das quais o próprio presidente da República tornou-se assíduo frequentador. Em nenhum deles Bolsonaro é investigado, mas o das “fake news” aponta na direção de Carlos Bolsonaro, seu irmão Eduardo e o “gabinete do ódio” do Planalto.

Bolsonaro forçou a saída de Moro da Justiça, nomeou um amigo da família, Alexandre Ramagem, para o comando da PF, mas foi barrado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Bolsonaro esbravejou, mas retirou a indicação e nomeou outro delegado da PF, indicado por Ramagem, cujo ato inaugural foi trocar o comando da superintendência do Rio de Janeiro. À sua maneira, dando pontapés nas instituições, Bolsonaro obteve o que queria.

Depois, para intimidar e desgastar o STF, o presidente organizou uma esdrúxula passeata de empresários até o Supremo, onde foi recebido pelo presidente do tribunal, Dias Toffoli, fazendo lives sem pedir autorização ao anfitrião, defendendo, com apoio de sua entourage, o fim do isolamento social, tudo ao som de notas fúnebres, como a das “mortes de CNPJs” e “empresas na UTI”. Pouco depois, o país somava mais de 10 mil mortes (CPFs).

Enrascado no caso da PF, Bolsonaro, que se desdiz com facilidade, apegou-se à duplicidade das palavras. A “proteção” a que se refere no vídeo, segundo ele, diz respeito à segurança física de sua família. Só o vídeo pode aclarar se isso não passa de mais uma esperteza tosca, de Bolsonaro, com a qual pretende se livrar de eventual acusação de vários crimes.

Três crises simultâneas não parecem constranger o presidente, que ainda encontra tempo e energia para revogar portarias do Exército que obrigavam a identificação de cartuchos, em mais um de seus decretos que tem a finalidade de facilitar a proliferação de armas e dificultar a identificação de usuários. As milícias objetivamente têm seu trabalho facilitado com isso. Mas não só. Começa a surgir o embrião de grupos paramilitares de bolsonaristas fanáticos que portam armas. É um dos subprodutos mais perigosos da campanha do presidente contra as instituições e de suas pregações a favor da ditadura militar.

Bolsonaro crê que descobriu o caminho certo para seguir com seu trabalho destrutivo: unir-se ao centrão, bando de partidos que reúne condenados e investigados pela Lava-Jato. Ao jogar fora promessas de campanha, em nome de velhas companhias, faz opção preferencial pela sobrevivência no poder. Ela está longe de assegurada. É da natureza do centrão ser infiel e o Judiciário está atento a seus passos e aos de seus filhos encrenqueiros. Bolsonaro está isolado e inimizou-se com os demais Poderes. Julgar que a pandemia pode evitar um processo de impeachment é mais uma aposta de alto risco. Pelo conjunto da obra, pode perdê-la.

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