Estadão: em artigo, Jardim diz que líderes devem ouvir ciência no combate à Covid-19

Segundo o líder do Cidadania na Câmara, ações contra a pandemia devem se guiar por “recomendações estritamente técnicas” e não por “achismos”

Em artigo publicado nesta terça-feira (5) no jornal O Estado de São Paulo, o líder do Cidadania na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (SP), cobra que lideranças políticas nacionais ouçam cientistas e pesquisadores e sigam “recomendações estritamente técnicas” no combate à pandemia de Covid-19.

“Quem é da ciência estuda, pesquisa, testa, aplica e descobre. Quem não conhece, não pode atrapalhar. Tem que apoiar, aplaudir, incentivar e buscar experiências bem sucedidas”, afirma.

Falando especificamente sobre Jair Bolsonaro, Jardim lembra que o presidente vetou emenda de sua autoria, posteriormente restabelecida, que proibia a União de congelar recursos para instituições como Fiocruz e Embrapa. E que o debate que fomentou em torno da cloroquina como medicamento preventivo no tratamento do coronavírus foi feito em detrimento de pesquisas que apontam efeitos adversos da substância especialmente em casos leves.

“Aos líderes políticos, cabe ouvir, respeitar e seguir as recomendações estritamente técnicas. O que não pode é, sob o pretexto de uma suposta preservação da economia, por impulso, por vaidade ou na base do “achismo” contrariar instituições sérias e respeitadas como a própria Organização Mundial de Saúde (OMS)”, sustenta o texto.

Leia a íntegra abaixo:

Ciência no combate ao absurdo e à covid-19

Em tempos de pandemia do novo coronavírus, há a percepção de que muita gente parece ter descoberto que é um pouco cientista, médico ou especialista no tema. Quem é da ciência estuda, pesquisa, testa, aplica e descobre. Quem não conhece, não pode atrapalhar. Tem que apoiar, aplaudir, incentivar e buscar experiências bem sucedidas.

São exemplos como o da Alemanha que, em 2019, destinou o equivalente a quase R$ 200 bilhões de reais em pesquisas nas universidades. Não é à toa que o país tem para exibir, orgulhosamente, nomes como Alois Alzheimer, Robert Koch, Albert Einstein e Jürgen Habermas. Esses cérebros contribuíram com trabalhos que revolucionaram a ciência.

Outro exemplo de fomento maciço em pesquisa vem de Israel. Com apenas 8,5 milhões de habitantes, é considerada a nação mais inovadora do mundo. O país possui o maior nível de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em relação ao PIB e o maior número de cientistas, engenheiros, patentes médicas e profissionais em tecnologia em termos per capita.

Enquanto isso, no Brasil – terra do médico e cientista Oswaldo Cruz, o atual governo federal, mesmo antes da decretação da pandemia da covid-19, já havia dado demonstração de que investir em ciência e pesquisa não está no seu radar. O presidente da República vetou uma emenda de minha autoria que impedia que a União “congelasse” recursos para instituições como a Fiocruz, Embrapa e para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. O Congresso Nacional reagiu e derrubou a “canetada” presidencial. Vitória da ciência.

A discussão atual se dá sobre o uso ou não da cloroquina no tratamento contra a covid-19. Logo se formaram torcidas, como aquelas vistas em final de campeonato de futebol. Parte defende a prescrição, outra não. É o estudo científico que pode dar a devida resposta, baseada em protocolos rígidos. Não se joga com a vida de pacientes.

A respeitada Fiocruz em seu portal diz textualmente: “Especialistas afirmam que não se deve usar cloroquina ou hidroxicloroquina para prevenir ou tratar a covid-19 sem o devido acompanhamento médico”. Então por que um presidente da República defende com tanta veemência o uso da referida substância? A fala do mandatário ainda bate de frente com a as constantes advertências do Ministério da Saúde do seu próprio governo. Médicos renomados e sérios alertam sobre possíveis problemas que podem ser causados pelo medicamento, em especial em casos leves de coronavírus.

Aos líderes políticos, cabe ouvir, respeitar e seguir as recomendações estritamente técnicas. O que não pode é, sob o pretexto de uma suposta preservação da economia, por impulso, por vaidade ou na base do “achismo” contrariar instituições sérias e respeitadas como a própria Organização Mundial de Saúde (OMS).

Nesse sentido, valem para todos nós os ensinamentos do dr. Albert Sabin, que após o término da Segunda Guerra Mundial voltou aos Estados Unidos com força total para concluir os estudos que levaram à descoberta da vacina contra a poliomielite. A ciência não pode parar, nenhuma barreira pode detê-la. Que o Brasil e o mundo sigam este receituário agora e depois dessa batalha mundial contra um inimigo invisível.

Arnaldo Jardim é deputado federal por São Paulo, líder do Cidadania na Câmara e autor de emenda legislativa que impede o governo federal contingenciar recursos para pesquisa e tecnologia

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