Sindicatos perderam 1,5 milhão de filiados em 2018, aponta IBGE

Sem a recuperação do emprego formal, a taxa de sindicalização do mercado de trabalho atingiu seu menor nível em sete anos (Foto: Reprodução)

Sindicatos perdem 1,5 mi de filiados em 2018 e têm menor nível em 7 anos

Segundo IBGE, só 12,5% dos trabalhadores ocupados eram sindicalizados no ano passado; proporção era de 16,1% em 2012

Bruno Villas Bôas – Valor Econômico

Sem a recuperação do emprego formal, a taxa de sindicalização do mercado de trabalho brasileiro seguiu em retração em 2018 e atingiu seu menor nível em sete anos.

De acordo com dados da Pnad Contínua ( Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua), divulgada nesta quarta-feira (18) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 12,5% das pessoas ocupadas eram sindicalizadas no País no ano passado, o menor nível desde 2012, início da série histórica da pesquisa.

Isso significa que o país tinha 11,518 milhões de pessoas sindicalizadas, 11,9% abaixo do ano anterior, o correspondente a uma redução de 1,5 milhão de filiados.

Desde 2012, os sindicatos perderam 2,88 milhões de trabalhadores.

A proporção de sindicalizados era de 16,1% em 2012. Esse percentual ficou praticamente estável até 2015. Então, recuou para 14,9% em 2016 e para 14,4% em 2017.

No ano passado, o número de pessoas ocupadas até cresceu, mas sobretudo em postos informais, de baixa representação sindical para intermediar relações com o patrão. Sindicatos têm sido afetados ainda pelo fim da obrigatoriedade da contribuição sindical.

Dados da pesquisa mostram que a maior taxa de sindicalização em 2018 estava no setor público (25,7%), seguido por trabalhadores do setor privado com carteira assinada (16%). Os trabalhadores sem carteira no setor privado apresentaram uma das menores taxas, de 4,5%.

Quanto maior o nível de instrução, maior a taxa de sindicalização. Pessoas mais instruídas têm, em geral, maior probabilidade de conseguir emprego formal, o que explica o indicador. Dos ocupados com superior completo, 20,3% estavam sindicalizados. Com médio incompleto, eram 8,1%.

Regionalmente, a região Nordeste tinha o maior percentual de sindicalizados: 14,1%, seguida por Sul (13,9%), Sudeste (12,0%), Centro-Oeste (10,3%) e Norte (10,1%).

Parte dos sindicatos diferencia o trabalhador “associado” (que se torna uma espécie de sócio do sindicato e que paga mensalidades com benefícios específicos) do “filiado” (trabalhadores de categorias profissionais filiados a sindicatos). O IBGE não faz essa distinção na pesquisa.

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