Prefeito de Vitória (ES), Luciano Rezende fala sobre futuro político e da polarização política no País

Em entrevista a “Folha de Vitória” nesta sexta-feira (6), o prefeito de Vitória Lucinao Rezende (Cidadania)

Sucessor em 2020? Candidato a governador em 2022? Governo Bolsonaro? Luciano Rezende abre o jogo

Na reta final dos seus oito anos a frente da Prefeitura de Vitória, Luciano Rezende conta quem irá apoiar nas eleições municipais de 2020, se irá ser candidato a governador em 2022 e o que pensa sobre os primeiros meses da gestão Bolsonaro

Rafael Silva Freitas – Folha Vitória

A pouco mais de um ano das eleições para a Prefeitura de Vitória, em 2020, o prefeito Luciano Rezende (PPS) falou quem irá apoiar para ser seu sucessor no cargo e como isso será decisivo para determinar seu próprio futuro político em 2022, quando os capixabas voltarão às urnas para decidir o próximo governador e uma das três vagas para o Senado.

O dilema está entre seu ex-secretário e atual deputado estadual Fabrício Gandini (PPS), que é o nome indicado por seu partido, e o PSB do governador Renato Casagrande, que também estuda colocar um nome em disputa na prefeitura da capital. O deputado estadual Sergio Majeski (PSB) e o atual vice-prefeito, Sérgio Sá (PSB), aparecem como apostas do partido para a vaga.

Luciano diz confiar em Gandini, mas quer evitar uma ruptura na aliança PSB-PPS, e garante: não irá disputar nenhuma vaga contra o atual governador Renato Casagrande. O anúncio o posiciona na disputa para o Palácio Anchieta em 2022, enquanto muitos o apontam como sucessor de Casagrande, ele afirma que irá respeitar a decisão do socialista, caso ele opte por uma reeleição.

Rezende também falou sobre o medo de que a prefeitura caia nas mãos de um “aventureiro”, sua aproximação com o apresentador Luciano Huck, como avalia os primeiros meses do governo do presidente Jair Bolsonaro e sobre a polarização política que tem tomado o país.

Folha Vitória: Prefeito, o senhor está a um ano e cinco meses de fechar seu segundo mandato na Prefeitura de Vitória, o que coloca o senhor em um cenário de destaque na política capixaba. O que o senhor projeta para o seu futuro político?

Luciano Rezende: O meu objetivo é ficar bem avaliado. Se no dia 31 de dezembro de 2020 eu terminar o governo bem avaliado, todos os planos futuros ficam possíveis de serem discutidos. Agora, é também muito importante defender a cidade de Vitória. Ano que vem teremos eleições. Temos visto alguns movimentos que nos preocupam muito. Pessoas extremamente despreparadas, fazendo turismo eleitoral na cidade, muda para cá no período eleitoral, depois muda de volta para outro município, depois muda de novo. Nós vamos de novo defender a cidade com a população e vamos colocar na cadeira de prefeito a partir do dia 1º de janeiro de 2021, uma pessoa honesta e preparada, com capacidade comprovada de gestão. Um bom político. As pessoas tem falado muito de nova política. Nem sempre a nova política é boa. Existe um novo velho e um velho novo. O que precisamos é de boa política. Prefeitura não é lugar de brincadeira, de aventureiro, não é lugar de gogó, é lugar de quem tenha capacidade de gestão. Ainda mais uma cidade como Vitória, que foi refundada. Não é mais aquela cidade rica que era. Ela vai ter que ser muito bem cuidada, manter o equilíbrio econômico que nós mantemos a duras penas para poder prestar os serviços de qualidade em educação, saúde e segurança que todos desejam.

Ano que vem teremos eleições. Temos visto alguns movimentos que nos preocupam muito. Pessoas extremamente despreparadas, fazendo turismo eleitoral na cidade, muda para cá no período eleitoral, depois muda de volta para outro município, depois muda de novo […] Prefeitura não é lugar de brincadeira, nem de aventureiro

Essa nova pessoa seria o deputado estadual Fabrício Gandini, ex-secretário do senhor, que é apontado como possível candidato em 2020?

O meu partido, Cidadania (PPS), tem o nome do Gandini como candidato. Eu confio muito no Gandini, acho que ele é uma pessoa preparadíssima, agora essa discussão é uma discussão que vai tomar formato ano que vem. Eu vou me movimentar com muito cuidado, respeitando os aliados. Um líder precisa de agregar, juntar as pessoas, para que a gente possa defender a cidade de maluquice. Vem aí o período eleitoral com maluquice, com aventura, com propostas completamente descabidas e gente que resolve tudo no gogó, tudo consegue resolver, agora nunca administrou nada, nunca pregou um prego, nunca cuidou de nada.

O PSB tem estudado colocar um candidato para disputar a prefeitura. O próprio vice-prefeito, Sérgio Sá, que é do PSB, é apontado nos bastidores como um possível candidato. Sua ideia é unir, ou seja, não deixar romper essa aliança entre o PPS e o PSB aqui no Estado?

Eu tenho conversado muito com Casagrande. Minha aliança com ele é sólida, profunda, somos amigos e confiamos um no outro e é natural que a mais de um ano da eleição os partidos se movimentem. Nós vamos estar todos juntos. Não é junto brigando com ninguém, forçando ninguém, é construindo uma unidade.

Essa construção de 2020, com as eleições municipais, também esbarra na eleição de 2022, com eleição para governador? Está tudo interligado?

Olha, as eleições embora sejam conectadas de alguma forma, elas tem tarefas específicas que, se você ficar pensando lá na frente, você não desenvolve a tarefa nesse momento. Temos que trabalhar muito para defender a cidade de maluquice. Colocar na cadeira de Vitória uma pessoa capacitada para que a gente possa dormir em paz. 2022 está muito longe.

Em relação a essa “aliança sólida” com o governador Casagrande, vocês já discutiram sobre 2022, se ele vai tentar a reeleição ou se o senhor vai se colocar na disputa para o governo?

Eu não tenho nenhuma disposição, nenhuma intenção de disputar a mesma coisa que o Renato Casagrande em situação nenhuma. Ele é o governador, ele tem todo o direito de disputar a eleição.

Eu tenho uma trajetória na minha vida de respeito às minhas relações políticas e pessoais. Traição, falar que vai para o Norte e ir para o Sul ou trair amigos é coisa de outros líderes, que não é o meu caso. Então isso é tranquilo, eu e Renato estaremos juntos em 2020 e em 2022.

O apresentador Luciano Huck tem se aproximado do PPS, de algumas lideranças e tem se aproximado do senhor também. Como você vê essa liderança dele e como ele pode agregar para a política?

Eu não vou falar da movimentação do Luciano Huck. Vou falar de como eu vejo a política nacional, que saiu de um radicalismo e entrou em outro.

Esse não é o caminho do Brasil, isso vai passar, tanto o radicalismo anterior que não deu certo, quanto o que tentam implantar hoje. A intolerância, o preconceito, a visão medieval, a tentativa do Estado entrar na vida das pessoas, na privacidade, isso não vai funcionar. O Brasil rejeita isso.

Então, eu acho que o país vai caminhar para um equilíbrio, um caminho de qualidade. O Luciano (Huck) tem discutido isso. Eu acho que todas as outras lideranças que discutirem isso no Brasil vão pegar uma avenida, porque ninguém quer nem radicalismo de direita, nem de esquerda, nem de cima, nem de baixo e nem de banda. Radicalismo não é solução e nunca foi para país nenhum. Nós não vamos entrar nessa.

Pode ser que durante um período a gente flerte com isso, porque as pessoas estavam com muito ódio da política, muito desgostosas, e quando você tem uma eleição com esse ambiente, o resultado é geralmente péssimo, o resultado é um erro enorme

Nós estamos vendo agora um amadurecimento do país, acho que vamos caminhar por esse movimento de equilíbrio e nenhum radicalismo.

Como o senhor, tanto como prefeito como uma liderança dentro do PPS, avalia esses primeiros meses do governo Bolsonaro?

Nós estamos aguardando ainda a modificação e o fim da crise política e econômica que o Brasil entrou em 2014. Essa crise não acabou ainda. Nós estamos aguardando e torcendo para que isso seja resolvido. Estamos em setembro e o cenário ainda é de incerteza, de sofrimento, de desemprego alto e a gente espera que isso tenha resolução em algum momento. Essa profunda crise que o Brasil entrou em 2014, na minha opinião e respeito quem pensa o contrário, ainda não foi resolvido.

Como você vê esse ‘estilo’ do presidente, trocando farpas com presidentes de outros países?

Eu não gostaria de fazer nenhum comentário sobre nenhum político. Acho que quem julga político é Deus e a população. Acho que o líder tem que inspirar as pessoas.

Líder não tem que brigar com ninguém, não tem que mandar em ninguém, não tem que obrigar ninguém, não tem que se sentir Super Homem, líder tem que inspirar as pessoas. Não vou julgar ninguém, quem julga é Deus e a população. Não é julgamento de outro político que vai resolver

As pessoas tem que olhar para o líder, o coração bater mais forte e os olhos brilharem. Defendo o equilíbrio.

Fonte: https://www.folhavitoria.com.br/politica/noticia/09/2019/sucessor-em-2020-candidato-a-governador-em-2022-governo-bolsonaro-luciano-rezende-abre-o-jogo

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