Em live, Freire fala sobre impeachment, crise de representatividade e movimentos de renovação política

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, participou de um debate nesta segunda-feira (13) com o advogado e líder municipal em Caruaru (PE) do movimento Acredito, Weslley Nascimento. Sobre o atual cenário político, Freire afirmou que apesar de o presidente Jair Bolsonaro não respeitar as instituições democráticas, a sociedade brasileira não aceitará retrocesso.

“Não estamos enfrentando uma ditadura, embora haja ameaça por conta de ser um governo que não respeita as regras democráticas. Temos condições de imobilizar essa tentativa de escalada golpista. Há risco, não está superado, mas instituições e própria sociedade têm a compreensão da importância do que é a liberdade. Talvez precisaremos até de um novo impeachment por total incompetência”, destacou.

Questionado se Brasil vive hoje uma crise de representatividade, pelo fato de muitos eleitores não se identificarem com nenhum dos partidos políticos, o ex-parlamentar disse que o problema do Brasil é o sistema eleitoral. “Nosso sistema não consolida partidos, mas privilegia a personalidade. É um sistema do voto uninominal. No Brasil, partido não tem força alguma porque o voto é pessoal e aí temos uma produção de grandes celebridades. Essa distorção é antiga. Daí a facilidade no Brasil de você acabar e criar um partido”, pontuou.

Durante o bate papo, o presidente do Cidadania também abordou a importância dos movimentos de renovação como uma nova forma de organização da política. “No Cidadania, chamamos de uma nova formação política. Não podemos ficar imaginando que teremos militantes como antigamente. Os quadros de hoje estão se formando por esses movimentos e novas relações. Tenho certo otimismo que estamos indo bem”, analisou.

Freire ainda apontou os cursos de formação política como instrumento de qualificação para essas novas lideranças, como os oferecidos pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP), do Cidadania.

“A formação hoje é uma exigência e não é dos partidos. Vem da juventude, da sociedade, porque o nível de informação é muito maior. O Cidadania tem uma fundação que funciona e tenta ser um instrumento de agitação cultural e efervescência”, sustentou.

Inovações tecnológicas

Por fim, o ex-parlamentar trouxe ao debate as mudanças promovidas pelas inovações tecnológicas. Segundo ele, o país vive uma profunda revolução na sociedade, um momento disruptivo. “Estamos experimentando algo que veio para ficar, com as novas tecnologias e mudando nossas relações. Estamos vivendo numa sociedade em que suas instituições estão sendo transformadas e superadas. Partido político e política estão sofrendo isso também. É preciso acompanhar as mudanças, sermos vanguarda e não prisioneiros do passado”, alertou.