José Serra: Um grande homem público

Barelli deixou marcas importantes na história do país

Na última quinta-feira (18), morreu o economista Walter Barelli, cuja militância profissional na área deixou marcas importantes na história brasileira após o golpe militar de 1964.

Foi ele quem conduziu o Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese) a partir da segunda metade dos anos 1960 até o início dos 90, instituição que teve um grande papel no fortalecimento do movimento dos trabalhadores de São Paulo, ao pesquisar índices de preços, ou custo de vida, que serviam de base às reivindicações sindicais.

O Dieese sobreviveu aos piores anos do autoritarismo no Brasil, com Barelli à frente, mantendo sempre sua credibilidade técnica.

Além de diretor do departamento, ele foi ministro do Trabalho de outubro de 1992 a abril de 1994, secretário do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo de 1995 a 2002 e deputado federal pelo PSDB de 2003 a 2007. Foi ainda professor do Departamento de Teoria Econômica e membro do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), da Unicamp.

Como ministro do Trabalho do presidente Itamar Franco, assinou juntamente com Fernando Henrique Cardoso a lei 8.678, de 1993, que introduziu na legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a possibilidade do trabalhador sacar a poupança no fundo quando fica fora do regime por um período de três anos ininterruptos. Nada mais justo.

Outra novidade da lei 8.678 foi o estabelecimento de uma taxa adicional de juros para remunerar o saldo nas contas dos trabalhadores que ficam fora do mercado de trabalho por três anos ininterruptos. Os recursos para cobrir essa bonificação são obtidos pela Caixa Econômica Federal cobrando-se compensações nas operações de crédito financiadas com recursos do FGTS.

No comando do Ministério do Trabalho, Barelli liderou ações para combater o trabalho escravo. Quando ocupou o cargo, coordenou um mapeamento das ocorrências de trabalho escravo no Brasil. Concluiu-se na época que 31% dos registros de trabalho escravo estavam no Sudeste; 26%, na região Norte; 18%, no Centro-Oeste; 13%, no Nordeste; e 12%, no Sul. Entre os setores, os casos se concentravam especialmente nas áreas sucroalcooleira, agrícola, carvoeira e de reflorestamento.

Ele também se voltou a propostas que tornassem a gestão pública mais eficiente. Como deputado federal, criou em 2005 uma subcomissão na Comissão de Trabalho e Administração Pública da Câmara para avaliar gestão de pessoas, processos, tecnologia e ética no setor público.

Barelli e eu militamos juntos no movimento estudantil na primeira metade dos anos 1960. Dele recebi apoio decisivo para assumir então a presidência da União Estadual dos Estudantes (UEE), que me levou a presidir, em seguida, a União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1964.

Quando voltei do exílio, em 1977/78, contei sempre com apoio do Barelli para integrar-me na vida acadêmica e na política nacionais. Ao longo desses anos todos, mais de perto ou mais de longe, dependendo das diferentes conjunturas, mantivemos sempre a relação de fraterna amizade. Perdemos um grande homem público.  (Folha de S. Paulo – 23/07/2019)

José Serra, senador da República (PSDB-SP), ex-governador de São Paulo (2007-2010), ex-prefeito de São Paulo (2005-2006) e ex-deputado federal (1987-1991), doutor em Economia pela Universidade Cornell

Nota de pesar pela morte de Walter Barelli

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, divulgou nota de pesar (veja abaixo) pela morte do economista Walter Barelli, uma semana antes em que completaria 81 anos de existência.

Morte de um grande brasileiro!

Em meu nome pessoal, e em nome do nosso Partido, transmito, com muita emoção e pesar, a notícia do falecimento ocorrido, nesta quinta-feira (18), à noite, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, do grande economista e líder político paulista Walter Barelli, uma semana antes em que completaria 81 anos de existência.

Tivemos rica convivência, durante os dois anos do Governo Itamar Franco, ele, como ministro do Trabalho, e eu como líder na Câmara Federal, e durante cinco anos cumprimos, lado a lado, mandato como deputados federais, de 2003 a 2007. Destaque-se também que ele foi diretor técnico do Diese, por mais de vinte anos, oportunidade em que reinventou este importante órgão.

Lamentamos profundamente sua morte, decorrente de uma violenta queda, ocorrida no prédio em que morava, o que o levou a hospitalar-se desde abril passado e não ter tido condições de recuperar-se, o que era esperado por familiares e amigos.

Nosso Partido se fará representar no seu enterro marcado para o dia 20 (sábado), às 11 horas, no Cemitério Gethsêmani Anhanguera, na capital paulista.

Paz para seus familiares e para quantos tiveram o prazer e o privilégio de com ele conviver.

Brasília, 19 de julho de 2019

Roberto Freire

Presidente do Cidadania 23″