Comitê para gerenciar crise de Covid-19 ainda é viável, diz governador do ES em resposta a Eliziane Gama

“Eu propus ao presidente da República essa coordenação nacional, esse comitê nacional; ainda há tempo de fazermos isso”, afirmou Renato Casagrande (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

“Ainda há tempo de o governo brasileiro montar uma  coordenação nacional [com estados e municípios para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus]”. A avaliação é do governador do Espírito Santo Renato Casagrande (PSB) ao responder à senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) sobre a necessidade da existência de um comitê gestor para planejar  ações de forma cooperativa entre os entes federativos no combate à Covid-19.

“Ainda estamos em uma curva infelizmente ascendente [de contaminação da Covid-19 no País]. Essa ação agora, de forma imediata, traria ainda bons resultados para os estados brasileiros?”, quis saber a parlamentar.

“No Brasil temos visões diferentes que têm atrapalhado o trabalho nos estados. Por isso, pedimos uma coordenação nacional que envie mensagens que  reconheçam a letalidade e a importância dessa pandemia. Eu propus ao presidente da República essa coordenação nacional, esse comitê nacional; ainda há tempo de fazermos isso”, afirmou Casagrande.

Ele e os governadores do Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), e  do Amapá, Waldez Góes (PDT), participaram nesta quinta-feira (25) de audiência pública remota da comissão mista do Congresso Nacional que acompanha  a situação fiscal e a execução orçamentária e financeira das medidas relacionadas ao coronavírus.

FPE e auxílio emergencial

Eliziane Gama também perguntou se há a necessidade da prorrogação do recurso de reposição do FPE (Fundo de Participação dos Estados) e do auxílio emergencial de R$ 600 aos trabalhadores desempregados, sem renda e vulneráveis durante a pandemia.

“Ampliação dos recursos emergenciais: certamente precisaremos. A primeira parcela [da reposição do FPE] foi repassada em junho, há mais três parcelas, mas certamente precisaremos, assim como está sendo discutida também uma prorrogação da ajuda emergencial às pessoas físicas”, disse Casagrande.

“É importante as medidas já aprovadas pelo Congresso Nacional, seja de ajuda, de apoio aos mais pobres, aos que ficaram em situação de vulnerabilidade, seja ajuda aos estados e municípios, os recursos destinados diretamente ao enfrentamento à Covid, como foi feito”, reconheceu Waldez Góes.

Discurso de governador do Amapá na ONU sobre Amazônia é barrado pelo Itamaraty

Itamaraty barra discurso de governador do Amapá sobre Amazônia na ONU

Governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), falaria em encontro sobre desmatamento

Patrícia Campos Mello, Marina Dias – Folha de S. Paulo

O Itamaraty intercedeu para que o presidente do Consórcio Amazônia Legal, o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), tivesse seu discurso cancelado durante encontro organizado pela França, Chile e Colômbia para discutir o desmatamento na Amazônia, às margens da Cúpula do Clima nas Organizações das Nações Unidas (ONU) em Nova York. Com isso, na reunião, não houve nenhuma fala sobre Amazônia de um representante brasileiro.

Segundo a Folha apurou com fontes diplomáticas, o governador foi convidado formalmente pelos presidentes Emmanuel Macron, da França, Sebastián Piñera, do Chile, e Iván Duque, da Colômbia, na segunda-feira passada (16), para participar do encontro que foi realizado na manhã desta segunda-feira (23).

Mas segundo relataram fontes diplomáticas, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, protestou contra o fato de um representante de governo estadual ser convidado para representar a Amazônia no encontro enquanto o governo federal não estaria presente. A Colômbia então teria passado a se opor ao convite para o discurso.

“Desde 4ª feira a Colômbia, sob pressão do Ministro Araújo, cria grandes obstáculos à participação de autoridades estaduais”, diz mensagem enviada por organizadores do encontro e obtida pela Folha.

No encontro, o presidente Macron anunciou que o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a ONG Conservação Internacional vão doar US$ 500 milhões para combate ao desmatamento da Amazônia e de outras florestas tropicais.

“Eu tinha recebido convite para participar e falar enquanto autoridade regional, mas depois, pelas informações que tivemos, a Colômbia teria criado problema, dada a relação com o governo do Brasil”, disse à Folha o governador Waldez Góes.

Segundo ele, como o governo federal brasileiro não participou, dependeria do consenso entre Chile, Colômbia e França decidir sobre a possível fala regional, e “a Colômbia disse que vetaria.”

“É lamentável porque queríamos que houvesse um representante brasileiro falando para o mundo sobre a Amazônia. É um debate necessário para a humanidade.”, disse Waldez, que apenas assistiu à reunião.

O Itamaraty nega que tenha havido ingerência para impedir o governador de falar.

“A notícia é falsa e não tem fundamento. Não temos qualquer participação na cúpula, direta ou indiretamente. Não houve qualquer intervenção brasileira direta ou por intermédio de outro país.”, disse o ministério, em nota. Segundo o Itamaraty, o veto pode ter sido iniciativa de “países amigos do Brasil”, o que não quer dizer que tenha havido pedido ou gestão do ministério.

Waldez publicou no Twitter um vídeo em que cumprimenta o presidente Emmanuel Macron na manhã desta segunda (23). Macron trocou farpas com o presidente Bolsonaro por causa das queimadas na Amazônia e de menção do líder brasileiro à esposa do francês.

Waldez também tuitou parte do discurso de Macron: “O Brasil é bem vindo, eu acho que todos devem trabalhar com o Brasil, com os Estados da região. É bom que isso aconteça de forma respeitosa. As próximas semanas permitirão uma solução política que será um avanço.”

Emmanuel Macron, presidente da França, na Cúpula do Clima da ONU: “O Brasil é bem vindo, eu acho que todos devem trabalhar com o Brasil, com os Estados da região. É bom que isso aconteça de forma respeitosa. As próximas semanas permitirão uma solução política que será um avanço”.

O embaixador da França no Brasil, Michel Miraillet, retuitou a mensagem de Waldez, dizendo: “Muito abrigado [sic] governador Waldez Goes pelo trabalho liderando o consórcio dos governadores da Amazônia”.

O Brasil já havia sido excluído da lista de discursos oficiais da cúpula do clima por não ter apresentado nenhum plano para aumentar o compromisso com o clima.

O Consórcio da Amazônia Legal, formado por Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, vem se movimentando para negociar diretamente com o G7 e com países como França, Alemanha, Noruega e Reino Unido projetos de proteção à Amazônia e obtenção de recursos, uma vez que o governo federal vem bloqueando iniciativas.

Os governadores do consórcio da Amazônia se reuniram neste mês com embaixadores da Alemanha, da França, do Reino Unido e da Noruega, entre os principais doadores de recursos para proteção da Amazônia. Eles terão uma segunda rodada de reuniões com esses embaixadores em outubro. Os governadores negociam a manutenção do Fundo da Amazônia e outros programas de financiamento.

“Deixamos claro que, enquanto estados e consórcio da Amazônia, temos personalidade jurídica para negociar”, diz Waldez.