Marco Aurélio Nogueira: Guinada não é líquida e certa

A demissão de Vélez Rodríguez não pegou ninguém de surpresa. Dada como certa, abriu uma janela de oportunidade para o governo Bolsonaro. Antes de tudo, porque limpou um território minado. O governo se desgastava ao permanecer sancionando o despreparo de Vélez e deixando-se contaminar pelas disputas entre “olavetes” e militares – e agora pode começar a pensar a Educação como dimensão estratégica, dando a ela um mínimo de atenção.

A guinada, porém, não é líquida e certa. O novo ministro, Abraham Weintraub, um bolsonarista de primeira hora, também é jejuno em gestão educacional, ensino médio e educação básica. Não se trata de um técnico da área, um intelectual ou um articulador político, qualidades sempre preciosas no complicado mundo da Educação. Além disso, gosta de se apresentar como adversário do “marxismo cultural”, o que poderá levá-lo a alimentar a guerra ideológica de Olavo de Carvalho, de quem se diz um admirador e um “adaptador”.

A decisão presidencial puxa um freio de arrumação no MEC, mas não se sabe se esfriará a influência de Olavo. Se o novo ministro, à diferença de seu antecessor, apresentar um plano para gerir a Educação no País, ajudará a dar ao governo um eixo que até agora não foi encontrado. Se permanecer agarrado ao doutrinarismo, a janela de oportunidade não passará de uma fresta, que logo se fechará.(O Estado de S. Paulo – 09/04/2019)

Marco Aurélio Nogueira, cientista político do Núcleo de Estudos e Análises Internacionais da Unesp

Paula Belmonte deseja sucesso ao novo ministro da Educação

A deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) usou sua conta no Twitter para desejar sucesso ao novo ministro da Educação, Abraham Weintraub. No texto, a parlamentar lembrou que “o futuro de nossas crianças é mais importante do que qualquer ideologia”. Paula Belmonte é titular da Comissão de Educação da Câmara.

Weintraub substitui Ricardo Vélez Rodríguez, que comanda a pasta desde o início do governo e que enfrentou uma crise que envolveu disputas internas entre grupos adversários, muitas exonerações, medidas contestadas e recuos.

Vélez Rodríguez também deu declarações polêmicas, como o anúncio de que iria mudar o conteúdo dos livros de história para recontar os fatos relativos ao golpe militar de 1964.

Weintraub também é professor, como Vélez. Segundo a mensagem postada no Twitter pelo presidente Jair Bolsonaro, ele tem “ampla experiência em gestão”, habilidade que faltava na administração do MEC do agora ex-ministro, conforme observou o próprio Bolsonaro na sexta-feira (05).