#Suprapartidário: De volta para o futuro com o #Cidadania23

A imprensa vem destacando (merecidamente, aliás) a abertura do #Cidadania23 para os movimentos cívicos – enquanto outros partidos à esquerda e à direita, como o PDT e o NOVO, por outro lado, decidiram vedar expressamente essa aproximação.

Justiça seja feita, ainda que desperte só agora a atenção do grande público, não chega a ser novidade a busca dessa nova formatação política que surge do diálogo do ex-PPS com jovens lideranças de organizações como o Agora!, o Livres, o Acredito, a RAPS e o RenovaBR, entre outros.

Muito antes das manifestações de 2013, às quais se atribui grande parte da inspiração para essas mudanças cobradas pela sociedade dos agentes políticos e que estão transformando de modo irreversível os nossos partidos e as próprias instituições democráticas, o então PPS já sinalizava para a necessidade deste “aggiornamento” (ou uma atualização disruptiva do sistema).

Há 10 anos surgia, por exemplo, o conceito da #REDE23, iniciativa do Blog do PPS que seria incorporada oficialmente pelo partido no seu Congresso de 2011. E que dizia basicamente o seguinte:

“Na democracia contemporânea os partidos não se bastam. Dependem, para fazer política, do estabelecimento e manutenção de redes de relações com movimentos, instituições, grupos na internet e até com personalidades influentes nos temas que trabalham. 

O partido não pode manter mais a posição de vanguarda da época da circulação restrita da informação e deve assumir a postura de interlocutor dos movimentos, co-formulador de suas reivindicações à luz de suas diretrizes mais gerais e seu tradutor na linguagem das leis e das políticas públicas. 

Para tanto, surge a #REDE23, um movimento de discussão e mobilização em torno de objetivos comuns, que abrange outras siglas partidárias, entidades, organizações, sindicatos, associações, cidadãos interessados e grupos organizados na internet. 

Os conceitos de #REDE e da #NovaPolítica não são exclusividade de uma só legenda, uma única liderança ou um grupo restrito. É uma iniciativa que reúne gente de bem, de dentro e de fora dos partidos!”

Faz todo o sentido, portanto, quando o veteraníssimo presidente nacional do Cidadania, o ex-senador e ex-deputado federal Roberto Freire, afirma que não há de se falar em “velha” ou “nova” política, mas sim de “boa” ou “má”.

Afinal, é justamente este partido, o #Cidadania23 (com a sua origem quase centenária, como herdeiro do PCB, fundado em 1922, e refundado como PPS, em 1992), que se mostra mais aberto e disposto para formatar esse novo jeito de ver e fazer política.

Diga-se de passagem, outras inovações recentes, como os atuais mandatos coletivos e até mesmo as campanhas com custo reduzido, através da divulgação espontânea pelas redes sociais, também foram propostas apresentadas pelo PPS há mais de doze anos.

Veja que na campanha para as eleições municipais de 2008, essas ideias já estavam todas reunidas no projeto do “vereador virtual“, que chegou a ser encampado formalmente pelo então candidato a vereador do PPS Heraldo Correa (foto).

Ou seja, ainda na era pré-Facebook, pré-WhatsApp e mais de dez anos antes de se tornar realidade, com as deputadas e deputados que foram eleitos em 2018 pelo conceito das candidaturas coletivas e das bancadas ativistas, o PPS já vislumbrava o que viria pela frente.

É ou não é uma política diferenciada e voltada para o futuro? Pois então, parabéns aos envolvidos e sucesso ao #Cidadania23.

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#Suprapartidário – Alô, Brasil: Foi golpe ou não foi golpe, afinal?

A indicação ao Oscar do filme #DemocraciaEmVertigem reacende a polêmica: o impeachment de Dilma Rousseff foi golpe ou não foi golpe?

Obviamente, como não poderia deixar de ser, a narrativa escolhida depende dos interesses, do ponto de vista e da proximidade dos envolvidos.
Mas não deixam de ser legítimas, ainda que divergentes, as opiniões de quem acha que foi golpe ou que não foi. E viva a democracia, sem vertigem!

Veja (e essa é a minha narrativa) que até o golpe de 1964 não foi golpe para muita gente, principalmente entre os atuais inquilinos do poder. E não deixam de ter suas alegações históricas e ideológicas, afinal o povo nas ruas, as leis e o Congresso Nacional legitimaram o governo militar. Mas o saldo de 21 anos de ditadura, de tortura e de censura nos permitem chamar de golpe o que outros chamam indevidamente de revolução. E assim a História é escrita e reescrita.

Pois entre os que hoje acham que houve golpe contra Dilma – com a narrativa que chega ao Oscar – estão muitos que julgam que foi golpe também em 1964, outros que entendem que só houve o golpe militar e até quem defenda a tese já mencionada aqui de que não existiu golpe nem agora nem nos anos 60. E cada qual tem os seus motivos, os seus argumentos e as suas convicções.

Nós aqui documentamos passo a passo os acontecimentos que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff. Temos o registro histórico dos fatos no #ProgramaDiferente, desde as primeiras manifestações de rua, os debates incipientes sobre o impeachment (quando ainda parecia uma tese maluca e improvável) e o surgimento de personagens que acabariam chegando ao poder exatamente por terem protagonizado esses atos, como Kim KataguiriJoice Hasselmann, Deltan Dallagnol e Sérgio Moro, por exemplo, apenas para citar alguns.

Foram acompanhadas e registradas absolutamente todas as manifestações pró e contra o governo, seja com defensores do impeachment da presidente Dilma, seja com os maiores críticos da Operação Lava Jato e com vários “jornalistas independentes” (como se proclamaram aqueles que diziam atuar contra os interesses da grande imprensa), como Paulo Henrique AmorimLuis NassifBrasil 247Cynara MenezesLino BochiniPaulo Moreira LeiteBreno AltmanGabriel PriolliAlex SolnikFlorestan Fernandes Jr.Laura CapriglioneRenata FalzoniBob FernandesLeonardo SakamotoAlberto Dines etc.

Documentamos toda a origem do fenômeno do bolsonarismo. Acompanhamos a gênese dos movimentos cívicos, dos pioneiros MBL e Vem Pra Rua aos mais recentes, como Agora!, RenovaBR, Acredito, Livres e RAPS, todos surgidos no rastro das manifestações de 2013. Ou seja, não há como negar a crise pela qual passa a nossa democracia nem os efeitos danosos da aversão de setores da sociedade pela política tradicional e pelos partidos. Chamar isso simplesmente de “vertigem” chega a ser uma licença poética.

Entre os momentos históricos dos nossos registros há um especialmente hilário: em plena manifestação #NãoVaiTerGolpe entrevistamos um militante petista que defendia o impeachment de Dilma. Por outro lado, nas mobilizações da Avenida Paulista contra a corrupção e em apoio à Operação Lava Jato, era uma constante a presença de saudosos da ditadura. Um horror!

Aonde isso tudo vai dar não podemos prever ainda, mas sabemos como chegamos até aqui. Com golpe ou sem golpe, a democracia corre perigo. Que tenhamos sensibilidade, sabedoria e empatia para enxergar quem são os nossos verdadeiros adversários, os nossos aliados estratégicos e os inimigos em comum.

Reveja abaixo alguns dos principais momentos desse período:

Na reta final do julgamento de Dilma, personalidades pró e contra o impeachment debatem o futuro do país e o pós-PT no #ProgramaDiferente
Especial: Meia hora com o #ProgramaDiferente no ato de 20 de agosto

O Brasil sai às ruas contra os governos do PT, Dilma e Lula no já histórico 13 de março

O #ProgramaDiferente acompanha debate sobre a Ética na Política e ouve Pedro Simon e Miguel Reale Jr. sobre o Impeachment

#ProgramaDiferente: PMDB já discute Brasil pós-Dilma com Temer presidente

#ProgramaDiferente: Os dois lados de uma crise política sem precedentes

Sergio Moro, Marina e os tucanos viram alvo do contra-ataque governista

Deputado Orlando Silva defende Lula de “excesso” do juiz Sergio Moro

“Eles que enfiem no cu todo o processo”, diz Lula para a presidente Dilma

Veja a cobertura da Conferência sobre as Cidades no #ProgramaDiferente

Jornalista Alberto Dines afirma ser contra o impeachment da presidente Dilma e defende parlamentarismo para o Brasil sair da crise

No aniversário da República, um momento de nostalgia no #ProgramaDiferente: com FHC, o Brasil era feliz e não sabia!

O #ProgramaDiferente celebra o Dia da Democracia neste 25 de outubro

#NatalSemDilma é o novo bordão das manifestações de rua pró-impeachment

O #ProgramaDiferente revive os anos 90, analisa contexto do impeachment e relembra o “Vamos Sair da Crise” na entrevista com Alexandre Machado

Das páginas amarelas da Veja para a TVFAP.net: o jurista Joaquim Falcão e o lançamento do livro “Reforma Eleitoral no Brasil”

A crise do governo Dilma e a possibilidade do impeachment em debate

“De como Aécio e Marina ajudaram a eleger Dilma”, com Chico Santa Rita

Que país é este? O #ProgramaDiferente segue discutindo a crise

O que seria, de fato, uma ampla e necessária reforma política e eleitoral

TVFAP.net faz série de entrevistas e debates sobre a Reforma Política

Avenida Paulista lotada em mais um dia de #ForaDilma e #ForaPT

#ProgramaDiferente no ar em mais um dia de #ForaDilma e #ForaPT

#ProgramaDiferente acompanha a reta final da Marcha que chega no dia 27 a Brasília, entrevista Roberto Freire e debate o governo Dilma

No clima do #VemPraRua de 15 de março, #ProgramaDiferente entrevista Eduardo Jorge e debate possibilidade do impeachment de Dilma

As reflexões de Lobão: “Em Busca do Rigor e da Misericórdia”
O princípio do fim: o julgamento do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado Federal e a piada do golpe na Casa de Portugal

Artigo: “Coxinha Sempre, Acarajé e Enroladinho Nunca”

#Suprapartidário: Que 2020 vamos deixar para a História?

Senhoras e senhores, meninas e meninos, bem vindos a bordo.

Iniciamos 2020 sem conseguir ainda espantar completamente os fantasmas de 2019, que definitivamente foi um ano marcado por acontecimentos trágicos.

Agora, em poucos dias, Trump ataca o Irã, incêndios florestais devastam a Austrália, um catador de material reciclável é incendiado na MoocaBolsonaro diz que os livros didáticos são lixo porque “têm muita coisa escrita”…

Meu Deus, olhai por nós!

Ora, mas se até o Papa Francisco começou o ano dando uns tapas na mão da mulher sem noção que puxou o braço dele, não espere algo muito diferente de nós.

Vamos bater pesado (no sentido figurado, espera-se) em lunáticos e fanáticos de direita ou de esquerda e em puxa-sacos de BolsonaroLulaDoriaHuck e quem mais aparecer por aí como salvador da pátria.

Sim, fazemos oposição ao bolsonarismo. Não, não queremos Lula de volta. Para espanto e incompreensão do raciocínio binário dessa polarização burra e deletéria que toma conta do Brasil, acreditamos que é necessário encontrar uma saída equidistante, equilibrada, sensata e racional entre as quadrilhas petistas e as milícias bolsonaristas.

O mundo vive cada vez mais um clima de guerra. A civilização vem perdendo espaço para a barbárie num ritmo alucinante. Predominam o ódio, o preconceito, a intolerância. Em nome de ideologias, religiões, costumes e interesses, reacionários e obscurantistas fazem apologia de ditaduras, da censura, da tortura e do terror. Não é possível que essa escória seja maioria.

Em 2020, ao menos por aqui, não passarão!

Como disse Rui Barbosa“A pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade.”

Em 2020 vamos batalhar por mais sensatez, empatia, solidariedade, altruísmo, racionalidade e inteligência emocional. Por uma consciência ambiental e sustentável, pelo amor à humanidade e aos seres vivos, pela preservação da natureza, pelo respeito à diversidade. Não é por favor ou obrigação, mas até por instinto de sobrevivência.

A vida não é monopólio da direita ou da esquerda. Nem a inteligência. Será que tudo que falamos, pensamos e postamos precisa passar sempre por um filtro partidário, político e ideológico? Ô chatice, sô!

Não é possível que até um “bom dia” ou um “feliz ano novo” gerem polêmica, discussão, agressão. É inadmissível que não possamos ter opiniões divergentes sem sermos xingados, ameaçados, perseguidos. 

Se até o cérebro tem dois hemisférios; e o coração, dois ventrículos: o direito e o esquerdo, custa botar os dois juntos para funcionar? (#Suprapartidário)

Suprapartidário: Com ou sem disfarce, agradando ou não a maioria, o bolsonarismo é autoritário e fascista

O que é, o que é? Tem pé de pato, pena de pato, bico de pato e faz quack!

É um pato, oras, mesmo se estiver disfarçado de outro bicho qualquer.

Parece ser o caso do bolsonarismo.

Pode vir disfarçado de qualquer outra coisa mais ou menos democrática, mas continuará sendo fascista na sua essência.

É caracterizado pelo apego ao poder ditatorial, ao preconceito, à intolerância, ao ódio e ao desejo de censurar, reprimir e até mesmo aniquilar seus opositores.

Pois tem brasileiro que parece mais ingênuo que criança nesse jogo de adivinhação e ainda dá crédito ao bolsonarismo. Fora os mal-intencionados, de fato.

O que é, o que é?

Posa de democrata mas demonstra claros desvios autoritários, ostenta um nacionalismo exacerbado misturado com um fundamentalismo religioso teatral, tem desprezo pelo estado de direito, debocha das liberdades individuais e coletivas, crê na superioridade do seu próprio grupo sobre os demais, quer se impor por meio da força e se ampara no populismo e no poder de arregimentação de parcela significativa da sociedade, principalmente por meio das redes sociais?

O bolsonarismo – ou boçalnarismo, no seu estágio máximo – defende como necessária a mobilização da sociedade sob um estado totalitário de partido único para preparar a nação para o conflito armado contra um inimigo em comum (real ou imaginário): os “comunistas, a “esquerdalha”.

Ou seja, o bolsonarista raiz reproduz tudo aquilo que denuncia e condena no antagonista, no opositor esquerdista, mas no sentido inverso: fake news, doutrinação, controle da mídia, compra de apoio, aparelhamento do Estado. Porque se é da direita contra a esquerda, vale tudo.

Os bolsonaristas acreditam – ou querem nos convencer disso – que o Brasil deve ser comandado por um líder forte, um “mito”, sob uma ditadura com governo militarista constituído por membros deste partido salvacionista, capaz de forjar a unidade nacional e manter a ordem e a estabilidade social.

Ora, o que é isso tudo senão a completa definição do fascismo?

O detalhe é que o presidente Jair Bolsonaro foi um achado divino para esses fascistas e lunáticos chegarem ao poder. O instrumento ideal, o personagem perfeito.

Estava, como se diz, na hora certa e no lugar certo, reunindo uma série de fatores (inclusive os imponderáveis) que levaram à sua eleição como um sujeito autêntico, rude e simplório que incorporou o sentimento majoritário da população naquele momento decisivo (o Sassá Mutema da vez).

O que é essa onda bolsonarista, afinal, senão o resultado do sentimento de ojeriza da grande maioria do eleitorado ao PT, do bom uso da indignação coletiva contra a política tradicional e os políticos em geral e até do atentado que lhe poupou dos debates, turbinou sua campanha com o monopólio do noticiário político e injetou a overdose de emoção que faltava para lhe credenciar como o candidato do anti-petismo?

Agora a milícia de fanáticos, lunáticos, fundamentalistas e fascistas fará de tudo para se perpetuar no poder. Primeiro, buscando a reeleição do próprio Bolsonaro em 2022. Depois, fazendo seu sucessor em 2026 – com um nome que pode vir dos filhos, do olavismo, do “herói” Sérgio Moro ou de um desses líderes evangélicos onipresentes e oportunistas, como Silas Malafaia ou Edir Macedo.

Mas se este, digamos, “Plano A” eleitoral estiver ameaçado, já há sinais claros que eles não se intimidarão em propor medidas autoritárias e antidemocráticas. Declarações sobre um “novo” AI-5, sobre o fechamento do Congresso e do Supremo ou mesmo a tentativa de reescrever a História sob um filtro ideológico obscurantista são bolhas de ensaio para medir a reação popular. Se houver apoio, não vão pensar duas vezes para se manter no poder pela força. É típico do fascismo.

No que depender de nós, não passarão! E você, o que tem a dizer? (#Suprapartidário)

#Suprapartidário: “Filho meu não morreria aí”. Ufa, que alívio!

Ontem perguntamos que tipo de verme comemora os nove jovens mortos em ação da PM no baile da Favela de Paraisópolis?

Tivemos uma amostra bastante simbólica e significativa nos comentários postados aqui. É de embrulhar o estômago.

Indiferença, ódio, preconceito, intolerância, racismo, hipocrisia, autoritarismo, desumanidade. Vimos um pouco de tudo. Sinal dos tempos. Um horror!

Pois estes são os “bandidos”, os “drogados”, os “vagabundos” e a “prostituta” que parte dessa nossa sociedade podre e doente celebrou a morte. Nove mortes, pouco entre mais de cinco mil. Quase o “efeito colateral” de uma necessária e reivindicada ação para acabar com o incômodo dos pancadões, essas festas barulhentas que reúnem música ruim, álcool, bebida, sexo, sujeira e seres indesejáveis por “gente de bem”.

“Meus filhos nunca estariam ali!”. Portanto, como foram os filhos dos outros que morreram pisoteados após a ação desastrada da PM, para alguns não cabe nenhuma empatia. “Eles não deviam estar lá. Se estavam, sabiam do risco que corriam”.

Ora, porque famílias de bem obviamente controlam seus adolescentes. Jamais “filho meu” faria uma coisa errada. Nunca que ele estaria de madrugada numa festa estranha com gente esquisita. Tá certo. Tem pai que é cego, mesmo. Ou gosta de se iludir. Faz parte.

Entre os “vagabundos” que tiveram a vida ceifada aos 14, 16, 18, 20 anos, tínhamos estudantes, jovens aprendizes, um ajudante de oficina, um ajudante de tapeçaria, um atendente de telemarketing, outro que vendia produtos de limpeza.

Limpeza. Essa talvez seja a palavra mais apropriada. Ninguém quer ver tanta sujeita na porta de casa. É compreensível.

Os nove jovens gostavam de música, de festas, de jogos eletrônicos. Sonhavam ser médicos, advogados, professores, jogadores de futebol. Acabou.

Foram pisoteados por gente pobre e indesejada como eles mesmos, num espaço público que não pode ser ocupado pela sujeira de uma juventude incômoda e barulhenta. Espaço muitas vezes ocupado de forma irregular, mas que o poder público deve manter sempre limpo, silencioso e seguro, para tranquilidade das famílias de bem. Amém! (#Suprapartidário)

#Suprapartidário: Prisão dos brigadistas do Pará é um escândalo

Brigadistas de Alter do Chão são soltos após decisão da Justiça (Foto: Sílvia Vieira/G1)

Mais grave que qualquer declaração deste governo pregando algo como o AI-5 é o que pode estar ocorrendo por trás da prisão dos quatro jovens brigadistas do Pará.

Se comprovado que a polícia forjou provas a partir de trechos de conversas grampeadas, vai ser mais um escândalo mundial. Um absurdo repugnante!

Será que tudo isso é apenas para justificar o ódio do bolsonarismo contra o ativismo social, político, cultural e ambiental, o estado de direito e a democracia? Será que alguém está querendo criar outra situação para incriminar ONGs e ativistas, agora no episódio dos incêndios na floresta, como já tentaram no caso do vazamento do óleo nas praias do Nordeste?

Que vergonha alheia, meu Deus! Aonde o Brasil vai chegar nas mãos desses lunáticos, covardes, levianos e irresponsáveis? (#Suprapartidário)

Entenda os fatos aqui:

Inquérito contra brigadistas presos reúne grampos sem evidência de crime

Investigação federal apontava envolvimento de grileiros, e não de brigadistas, no incêndio em Alter do Chão

Ministério Público no Pará requisita inquérito que acusa brigadistas por incêndio

Tasso Azevedo: Prenderam o bombeiro

“Dossiê 2020”: Luciano Rezende no #Suprapartidário

Site entrevista o atual prefeito de Vitória (ES), Luciano Rezende, do Cidadania, que faz da “gestão compartilhada” a marca de seu governo (Foto: Reprodução/PMV)

O #Suprapartidário dá continuidade a uma série de entrevistas sobre o atual momento do Brasil e as perspectivas para 2020.

Reunimos personalidades da política e da sociedade, dos mais variados partidos e das mais diversas tendências, para responder a uma sequência idêntica de cinco perguntas.

O #Dossiê2020 já apresentou entrevistas com Eduardo Jorge, Soninha Francine e Gilberto Natalini. Hoje é a vez do prefeito de Vitória, a capital do Espírito Santo, Luciano Rezende.

Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, município famoso por ser a terra natal do cantor Roberto Carlos, o prefeito capixaba Luciano Santos Rezende está no seu segundo mandato (portanto, já reeleito uma vez, não pode ser candidato novamente nas eleições de 2020).

Filho de uma professora de escola pública e de um sapateiro, foi atleta campeão brasileiro e sul-americano de Remo e é médico formado pela Universidade Federal do Espírito Santo com Pós-graduação em Medicina Esportiva na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Em Vitória, atuou como médico da Prefeitura. Foi vereador por quatro mandatos (1995 a 2008), secretário municipal de Educação e de Saúde, secretário estadual de Esporte e Lazer e deputado estadual (2010 a 2012). Foi eleito prefeito de Vitória em 2012 e reeleito em 2016 pelo PPS (que desde março deste ano se tornou o #Cidadania23).

Faz da “gestão compartilhada” a marca da sua administração transformadora e reconhecida nacionalmente. A Educação e a Saúde de Vitória, por exemplo, foram eleitas as melhores do país no Ranking Cidades Inteligentes, pela Revista Exame/Urban System. Ainda no mesmo ranking, Vitória conquistou o primeiro lugar geral entre cidades até 500 mil habitantes na categoria Cidade Inteligente e Humana.

Já o Instituto Ethos, de São Paulo, elegeu sua gestão como a mais transparente entre as capitais do Brasil. A Folha de São Paulo divulgou o Ranking de Eficiência dos Municípios, onde Vitória também ficou em primeiro lugar entre as prefeituras que entregam mais Saúde, Educação e Saneamento com menos recursos.

Entre outras conquistas, Vitória se tornou uma das capitais mais seguras do país. A cidade registrou queda expressiva nos números de homicídios e ocorrências envolvendo uso e tráfico de drogas. O Cerco Inteligente de Segurança da Prefeitura de Vitória, que é a identificação de veículos por meio de câmeras, foi premiado como iniciativa inovadora para modernizar as cidades no Smart City Business Brazil Congress & Expo 2019, um dos principais eventos de negócios para cidades inteligentes.

O prefeito Luciano Rezende destaca que tem buscado mecanismos na área de tecnologia para prestar serviços e fazer com que Vitória tenha verdadeiramente uma gestão representativa e emblemática do século 21. “Além de horizontal e compartilhado, o governo precisa também ser RETO (Rápido, Eficiente, Transparente e Online)”, afirma.

“Assim, uma cidade inteligente faz mais com menos, faz melhor, faz para quem mais precisa e se torna uma cidade mais justa, mais humana e mais feliz. Atualmente, oferecemos cada vez mais serviços online aos moradores e trabalhamos para que todos esses serviços estejam na palma da mão”.

Cerco Inteligente de Segurança, agendamento online das consultas médicas e para os Centros de Referência em Assistência Social (CRAS), avaliação da alimentação escolar e dos serviços de saúde, confirmação das consultas agendadas para otimizar a oferta de vagas (Confirma Vitória), Botão do Pânico e Procon Online, entre outros, são alguns dos serviços inovadores instituídos na sua gestão.

Que momento é esse que o Brasil vive? A democracia corre riscos? Como fazer política diante de tamanho descrédito da população nos partidos e nas instituições?

O Brasil vive um momento que acompanha uma tendência mundial de diminuição da solidariedade, aumento da intolerância, discursos de solução mágica pra situações complexas, populismo, nacionalismo, a estupidez na moda… Essa é uma tendência, como se vê, acontecendo no mundo inteiro.

Porém, a democracia brasileira tem, na minha opinião, instituições e massa crítica da sociedade que fazem com que ela possa sobreviver a esse momento difícil que a gente observa em vários países do mundo.

É muito importante que os agentes políticos entendam que a população precisa de resultados. Pouco importa se o gestor é de esquerda, de direita, de cima, de baixo, ou de banda, ela quer saber se os seus desafios do dia-a-dia estão sendo resolvidos.

Aqui em Vitória a gente desenvolve a tese do governo RETO (Rápido, Eficiente, Transparente e Online) pra que a gente possa atender as demandas da população e fazer com que a crença na política possa voltar a ficar forte diante de resultados melhores apresentados por quem faz gestão pública.

Como enfrentar a atual polarização nas urnas, nas redes e nas ruas? O que propor e como vencer o ódio, o preconceito, a intolerância e as fake news?

Bom! Primeiro, o que é errado agora, era errado antes e será errado depois. O preconceito, a intolerância, o ódio, devem ser enfrentados, não com mais ódio, mais intolerância, mais preconceito, mas com argumentação e com coragem pra poder enfrentar o senso comum, o caminho mais simples, o caminho mais fácil, que às vezes se coloca e às vezes é muito difícil defender o que é correto quando se tem uma massa irritada, frustrada, mas é preciso que a gente faça esse enfrentamento.

As fake news não são um fenômeno novo. Elas não surgiram com as redes sociais. Elas ganharam um novo formato com as redes sociais, mas a mentira, a desinformação, a distorção de fatos sempre existiram e o agente político tem que ter coerência, tem que ter nas suas atitudes conexão com o seu discurso e enfrentar, como eu falei, com a argumentação sólida essas situações que se colocam.

Que situação teremos nas eleições municipais de 2020? Que tipo de diálogo e de composição na política e na sociedade são necessários para garantirmos a eleição de alguém digno para a Prefeitura e para a Câmara Municipal? Existe uma receita?

As eleições de 2020 são eleições municipais. O foco será no poder local. Portanto, apresentar candidatos que possam dialogar com a comunidade, enfrentando os desafios daquela comunidade vai ser fundamental. Tentar nacionalizar o debate pode não dar em nada, porque o que o cidadão quer é escolher o seu prefeito, que é um síndico da sua comunidade – e também os vereadores.

Isso tem que ser levado em consideração para que a gente possa dialogar com a comunidade dentro da expectativa dela, e não fazer um debate nacional no momento em que a escolha é local. É lógico que as coisas têm relação, mas precisa ter o foco no poder local e nos desafios locais.

Sendo uma pessoa influente e exercendo incontestável liderança, seu nome sempre é lembrado como opção para as eleições. Qual o seu projeto e as suas expectativas para 2020 e para 2022?

Eu digo aqui em Vitória que eu sou candidato, nesse momento, somente a cuidar de Vitória, a continuar cuidando de Vitória com muito carinho. O meu desejo é que a cidade de Vitória escolha um prefeito responsável, honesto, capaz de liderar essa cidade.

Vou trabalhar muito pra enfrentar as ameaças que estão surgindo no horizonte da cidade, para que a gente possa deixá-la em boas mãos. E tenho a intenção de continuar sendo bem avaliado. A última pesquisa feita agora nas capitais pelo Instituto Paraná nos deu 63,7% de aprovação e a nossa intenção é aumentar essa aprovação, até pra poder ter mais credibilidade pra poder apoiar algum candidato na eleição de 2020.

Que legado você, particularmente, gostaria de deixar para as futuras gerações com a sua trajetória e história política?

O legado já está colocado. Vitória se modernizou e se transformou numa cidade inovadora, com gestão fiscal exemplar e responsável. Tivemos ações que mudaram a forma de prestar serviço público. A cidade está toda conectada e online, se tornou a cidade inteligente.

Os serviços da Prefeitura estão cada vez mais online, dispensando filas, sofrimento físico em repartições. A Prefeitura de Vitória facilitou a vida de quem empreende se tornando a melhor capital pra se empreender no país, segundo a revista Exame. Os fiscais em Vitória não recebem por multa aplicada, só recebem quando cooperam com o empreendedor. Isso é revolucionário e será um caminho que o Brasil todo vai ter que seguir.

A mobilidade na cidade foi toda modernizada. Nós demos prioridade ao transporte coletivo, às bicicletas, calçadas cidadãs, colocamos estacionamentos rotativos em toda a cidade pra acabar com a rua sendo privatizada por quem utilizava a rua como garagem… Enfim, e uma gestão fiscal séria, honesta, transparente, que marca a nossa gestão. É uma gestão que ficará marcada com uma gestão inovadora, séria, e que transformou a cidade de Vitória. Inclusive, colocou a cidade de Vitória como um dos pólos de destinos turísticos mais importantes do País.

Suprapartidário: Lula livre vai beneficiar principalmente Bolsonaro

O “tapa na cara” do lavajatismo foi dado pelo STF com o fim da prisão em segunda instância (Foto: Reprodução)

Que situação, hein? Quem diria!? Os principais retrocessos da Operação Lava Jato vem ocorrendo exatamente no período daqueles que se popularizaram com a onda da caça aos corruptos, como o meme que virou presidente, Jair Bolsonaro, e seu superministro Sérgio Moro (que ultimamente parece sofrer os efeitos da kryptonita governista e ter perdido seus superpoderes).

O “tapa na cara” do lavajatismo foi dado pelo STF com o fim da prisão em segunda instância. Mas a reação do bolsonarismo – ou sua versão mais fanática e lunática, o boçalnarismo – se revelou com os tapas de Augusto Nunes no colega Glenn Greenwald, nas cenas de pugilato ao vivo no programa Pânico. O jornalismo definitivamente perde terreno para o shownarlismo.

A polarização entre esquerda e direita vai se acirrar. Quem se beneficiará disso, inicialmente, são obviamente os dois pólos que já faturaram eleitoralmente em 2018 e vão tentar repetir a dose nas eleições municipais de 2020. O confronto reacenderá nas ruas e nas redes. A senha para as cortinas de fumaça está dada. Dias piores virão.

Lulismo e bolsonarismo, já dissemos aqui, são idênticos no prejuízo que trazem ao país com o engessamento de um debate político mais racional e menos apaixonado, cerceando a presença de todo um “centro democrático” neste cenário de embate ideológico constante.

O PT e seus satélites à esquerda, por um lado, e do outro o PSL, bolsonaristas, olavistas, fundamentalistas, conservadores, agregados e adesistas deste “PT da direita” vão comemorar igualmente o #LulaLivre. Há uma relação simbiótica nessa polarização. Lula e Bolsonaro retroalimentam seus fanáticos e milicianos virtuais com todo esse ódio, preconceito, intolerância, radicalismo e fake news.

Suprema ironia nos trouxe essa decisão dividida do Supremo: vibram com a soltura dos corruptos, lulistas, bolsonaristas e maus políticos em geral. A polarização burra e retrógrada está viva! Ao contrário dos quadrinhos de heróis, aonde acontece a guerra entre o bem e o mal, aqui só conseguimos identificar os maus. Isso acarreta na deletéria vilanização da política.

Em vez da preservação do “estado de direito”, o que nos assusta cada vez mais é o “estado da direita”. A reação raivosa, antidemocrática e populista dessa escória despolitizada e essencialmente golpista que prega o fechamento do Congresso e do Supremo, seguindo como manada a ordem de líderes descerebrados nas redes anti-sociais, saudosos da ditadura e adoradores de torturadores, que ameaçam diariamente nossos direitos, garantias e liberdades individuais e coletivas.

Reverter esse quadro caótico caberia aos deputados e senadores, a quem compete o papel institucional de legislar, se deixassem o corporativismo de lado, mostrassem alguma virtude e aprovassem, por exemplo, a PEC da prisão em segunda instância para impor constitucionalmente essa nova ordem ao STF.

Mas você, sinceramente, acredita na vitória da boa política? Os bons vão se diferenciar dos maus? O brasileiro conseguirá, enfim, vencer essa dependência de salvadores da pátria, que mistura no mesmo balaio heróis e vilões, e acreditar que a saída está na conscientização, no diálogo e na convergência? Ou o Brasil seguirá num vale-tudo até a próxima crise incontornável? (#Suprapartidário)

A democracia vem sendo vilipendiada faz tempo, diz Soninha ao #Suprapartidário

Para a vereadora do Cidadania de São Paulo, não foi Bolsonaro que inaugurou a intolerância de quem pensa diferente, mas o governo do PT (Foto: Reprodução/Facebook)

“Dossiê 2020”: Soninha Francine no #Suprapartidário

O #Suprapartidário dá continuidade a uma série de entrevistas sobre o atual momento do Brasil e as perspectivas para 2020.

Reunimos personalidades da política, dos mais variados partidos e das mais diversas tendências, para responder a uma sequência idêntica de cinco perguntas.

O #Dossiê2020 começou na semana passada com Eduardo Jorge. Hoje é a vez de Soninha Francine.

Vereadora de São Paulo pelo Cidadania, Soninha Francine Gaspar Marmo já foi duas vezes candidata à Prefeitura pelo PPS, secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, subprefeita da Lapa, superintendente da Sutaco (Subsecretaria do Trabalho Artesanal nas Comunidades do Estado de São Paulo) e coordenadora de Políticas para a Diversidade.

Fez Magistério e Cinema na ECA-USP. Jornalista, ex-produtora, redatora e apresentadora da MTV, ex-debatedora do “Saia Justa”, colunista de jornais e revistas, comentarista esportiva no rádio e na TV, escritora, blogueira, cicloativista, budista. Soninha é dona de uma personalidade marcante e singular. Foi eleita para o primeiro mandato de vereadora em 2004 pelo PT. Em 2007, “totalmente desgostosa da orientação geral do partido”, nas palavras dela própria, migrou para o PPS (atual #Cidadania23).

Que momento é esse que o Brasil vive? A democracia corre riscos? Como fazer política diante de tamanho descrédito da população nos partidos e nas instituições?

Compreendendo o descrédito e suas razões… Aceitando as críticas (fundamentadas) à classe política (em vez de nos defendermos obtusamente), e buscando verdadeiramente melhorar nossa conduta (transparência, honestidade, responsabilidade).

A democracia vem sendo vilipendiada faz tempo; Bolsonaro não inaugurou a intolerância a quem pensa diferente. Ela começou a ganhar escala nos anos de governo petista, principalmente depois do segundo mandato do Lula e seu uso pornográfico da máquina pública em favor da eleição de Dilma e seus aliados, do favorecimento “nunca dantes” tão magnífico a grandes grupos empresariais e personagens nefastos de nossa história – ao mesmo tempo em que os adversários eram sempre tratados como inimigos – não só do governo, mas dos pobres, da inclusão, da Justiça Social.

Opor-se ao PT foi equiparado a ser elitista, imperialista, insensível. Aí o pêndulo se movimentou para a outra extremidade e chegamos a Bolsonaro. Apesar disso tudo, de milícias virtuais, de violência moral e física, de abuso de poder e deboche das instituições… Temos eleições, temos instituições resilientes, temos imprensa razoavelmente rebelde, temos até mesmo avanços históricos!!!

Nesse contexto maluco, extremado, observamos avanços na pauta LGBT, por exemplo; no enfrentamento à violência contra a mulher; na normatização sobre uso terapêutico de cannabis. Se sobrevivermos à devastação ambiental, isto é, se sobrevivermos como espécie, a democracia nos acompanhará como uma bendição.

Como enfrentar a atual polarização nas urnas, nas redes e nas ruas? O que propor e como vencer o ódio, o preconceito, a intolerância e as fake news?

As ruas só são polarizadas quando as redes transbordam para elas; quando as urnas estão chegando perto. Eleições culminam, inevitavelmente – a menos que não haja segundo turno – em duas opções se antagonizando. Redes sociais (whatsapp inclusive), até mesmo pela falta de empatia inerente a pessoas que não se vêem enquanto falam, também tornam tudo mais extremado. Mas as ruas, passeatas excluídas, não!

Somos muito mais “misturados” do que internet e eleições fazem parecer. Assim como meninas que cantam músicas evangélicas também vão ao pancadão, quem admira a Janaína Paschoal pode achar o Suplicy um grande cara. Às vezes achamos isso muito incoerente, mas talvez devêssemos achar compreensível, até saudável.

Para vencer a intolerância, só posso recomendar firmeza, paciência e perseverança. Odiar o outro, acusar o outro de fascista, machista etc. não constrói pontes, só aumenta os muros. Prefiro explicar, ouvir, explicar de novo, compreender, tentar demonstrar para o outro que ele pode discordar de mim sem me odiar – tanto quanto eu mesma não o odeio por pensar diferente.

Que situação teremos nas eleições municipais de 2020? Que tipo de diálogo e de composição na política e na sociedade são necessários para garantirmos a eleição de alguém digno para a Prefeitura e para a Câmara Municipal? Existe uma receita?

Acredito que estamos vivendo um momento de transição, em que muitos ainda votam pensando em interesses pessoais e locais (ou muito estreitos), mas um número cada vez maior de pessoas escolhe candidatas e candidatos por afinidade com sua postura, propostas e área de atuação. Do meu primeiro mandato (2005-2009) para esse, a Câmara ganhou muito em diversidade e respeito a divergências. Sintomaticamente, passamos de cinco para onze mulheres na última eleição…

Sendo uma pessoa influente e exercendo incontestável liderança, seu nome sempre é lembrado como opção para as eleições. Qual o seu projeto e as suas expectativas para 2020 e para 2022?

Quero mais um mandato como vereadora, espero conseguir (rs). Talvez seja candidata à Câmara Federal em 2022 – e gostaria muito de ser prefeita em 2025 😀

Que legado você, particularmente, gostaria de deixar para as futuras gerações com a sua trajetória e história política?

A certeza de que as coisas podem ser como acreditamos que devem ser, desde que a gente realmente se esforce e persista nessa direção. (#Suprapartidário)

Um resumão da semana no #Suprapartidário

Neste ritmo frenético de notícias, confessamos a nossa incapacidade (uma verdadeira fraquejada humana) para acompanhar todos os acontecimentos mais recentes e importantes do Brasil na mídia e nas redes sociais, então apelamos para este resumão virtual do #Suprapartidário.

Veja aí:

Antonio Prata: Conan, veadagem e comunismo

Uma semana emblemática deste Brasil de Bolsonaro

Sem critérios, homenagens oficiais da Câmara Municipal são usadas para troca de favores políticos e pessoais

Vazamento de óleo, Ricardo Salles e Jair Bolsonaro: o que não falta é presente de grego para o Brasil

Ditadura de direita ou de esquerda é ditadura; portanto, o mundo civilizado une liberais e conservadores contra toda e qualquer apologia a ditadores e torturadores

O pior presidente da história do Brasil

Por que fazemos oposição a Bolsonaro

Lista atualizada de comunistas para bolsonaristas

De Marighella a Marielle no #ProgramaDiferente

“Dossiê 2020”: Eduardo Jorge no #Suprapartidário

Uma pronta recuperação ao prefeito Bruno Covas

Suprapartidário: Por que fazemos oposição a Bolsonaro

Esse governo não vai terminar bem. Nem é preciso qualquer dom premonitório para cravar esse prognóstico pessimista (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Um ministro do Meio Ambiente que é inimigo dos ambientalistas, da natureza e da sustentabilidade. Um ministro da Educação que é um deseducador, avesso aos livros, provocador insano e inimigo de estudantes e professores. Uma ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que é uma fanática religiosa, homofóbica e desequilibrada. Um ministro das Relações Exteriores que é um provinciano ignorante, antiglobalista e caçador extemporâneo de comunistas.

O ministério de Jair Bolsonaro junta um bando de ineptos, desqualificados, despreparados,  insensatos, irresponsáveis e incompetentes. Tudo à imagem e semelhança do chefe, o meme que virou presidente, com seu guru charlatão e um bando de filhos problemáticos e incontroláveis, num governo retrógrado, limitado, bélico, antidemocrático, leviano, populista, intolerante, preconceituoso e desagregador. Verdadeira ameaça ao estado democrático de direito e às instituições republicanas.

Dia após dia, o governo fabrica as suas próprias crises. Nem é preciso oposição. Vale tudo para manter a estratégia do eterno confronto, a caça aos inimigos reais e imaginários, a lavagem cerebral de seus seguidores. Cada postagem nas redes sociais é um tiro no pé. A bolha ideológica se apequena, cria uma realidade paralela, enquanto a claque de adoradores e a milícia virtual cumprem o papel de aniquilar os críticos e manter unido o círculo de bajuladores do presidente.

Esse governo não vai terminar bem. Nem é preciso qualquer dom premonitório para cravar esse prognóstico pessimista. Basta acompanhar os fatos cotidianos, fazer a leitura isenta dos acontecimentos e traçar um paralelo com o que vem acontecendo em outros países. Além disso, devemos compreender que a política é cíclica. Ondas de direita e esquerda, mais liberais ou mais conservadoras, progressistas e retrógradas, vem e vão.

O Brasil já assistiu a ascensão e queda de líderes políticos com extrema popularidade, de Vargas Lula, passando pelos presidentes da ditadura militar, por Tancredo/SarneyCollor/ItamarFHC, Dilma/Temer. Todos tiveram seus momentos de quase unanimidade, de vitória arrasadora nas urnas, de salvadores da Pátria ungidos pelo povo. A frustração e o tombo são inevitáveis. O fim do bolsonarismo já iniciou a contagem regressiva. Tic-tac.

Do nosso lado, em espaços como o #Suprapartidário, seguiremos vigilantes, críticos e resistentes. Defendendo a democracia, o estado de direito e as liberdades individuais e coletivas. A reação por vezes indignada de alguns legitima e valoriza a nossa existência. A direita nos acusa de ser esquerda, e vice-versa. Porque fanáticos geralmente não convivem bem com a crítica independente e imparcial, sem contar que a liberdade de expressão incomoda quem sofreu lavagem cerebral e idolatra mitos e ditaduras em geral. Sigamos em frente. (#Suprapartidário)

#Suprapartidário: O Rio de Witzel e Bolsonaro matou Ágatha

Milhares de pretos e pobres são mortos no Brasil.

A PM e os governos costumam alegar que os “suspeitos” reagiram.

Têm o CPF cancelado, como gostam de dizer os milicianos virtuais.

Agora eu suspeito que eles não tem como justificar a morte de uma criança de 8 anos que nem CPF tem.

Não deu tempo.

Cancelaram o RG.

Ela não teve nenhuma chance.

E nós não reagimos. Ou só reagimos nas redes.

É muito pouco. Quase nada. É o fim.

PS. Antes que comparem, também sentimos pelos policiais que morrem em serviço. Não deveriam morrer, mas estavam lá conscientes do risco. Ágatha não escolheu ser o destino final da bala de uma sociedade doente. (#Suprapartidário)