Reforma da Previdência não é “pacote fechado”, diz Carmen ao defender texto alternativo

Em audiência pública , nesta terça-feira (21), com o secretário especial da Previdência Social, Rogério Marinho, a deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania-SC) defendeu que o Parlamento promova as mudanças necessárias no texto da Reforma da Previdência.

“Esta Casa tem o dever de corrigir as distorções neste texto para que possamos apresentar à sociedade uma proposta de reforma da Previdência mais justa e condizente com a realidade do conjunto dos trabalhadores brasileiros”, disse a parlamentar.

A Carmen Zanotto foi clara ao falar da urgência do Brasil de se fazer mudanças no atual sistema previdenciário, mas alertou que a iniciativa do governo “não pode ser um pacote fechado”. Ela disse a Rogério Marinho que o Congresso Nacional compreende e quer dar sua contribuição para que o Brasil saia da crise econômica.

“Se trabalharmos juntos [Executivo e o Legislativo], teremos uma proposta melhor. Queremos crer que as informações nos últimos dias na mídia de que não aceita um texto alternativo não sejam verdadeiras. Se há emendas sendo apresentadas, se existem propostas de vários partidos de exclusão do BPC [Benefício de Prestação Continuada] , sobre a aposentadoria rural. É claro que estamos construindo um texto alternativo na comissão especial, que será levado ao referendo o plenário”, argumentou.

A deputada é uma dos autores do requerimento da audiência conjunta que foi promovida Comissões de Direitos Humanos e Cidadania e dos Direitos da Pessoa Idosa.

Em sua fala, Carmen ao defender a retirada do BPC da proposta, relatou as dificuldades por que passam os idosos brasileiros que precisam do benefício. 

“Dói muito ouvir que o homem e a mulher que dependem do benefício não quiseram trabalhar. Não é isso. A verdade é que eles não conseguiram garantir os 15 anos para a efetiva contribuição do tempo exigido para a aposentadoria”, disse.

Carmen Zanotto propôs a manutenção das aposentadorias para trabalhadores rurais da mesma  forma como que é atualmente. Ela chamou a atenção para a maneira como a mulher é tratada na iniciativa do Executivo.

“Seja no campo ou na cidade, estamos recebendo o tratamento injusto e desigual“, revelou.

A deputada catarinense pediu “um olhar diferenciado” para as pessoas portadoras de deficiência em todos os graus.

“Os portadores de deficiência envelhecem muito mais cedo do que as demais pessoas da população. O tempo de vida deste segmento da população é menor. É preciso olhar diferenciado nesta questão”, afirmou.

Ao final de sua fala, Carmen Zanotto pediu mudanças nas partes do texto que tratam da pensão por morte e para os trabalhadores submetidos a risco.

Governo negocia pontos da reforma da Previdência na CCJ, diz Rogério Marinho

O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, confirmou que o governo aceitou negociar a reforma da Previdência para facilitar a aprovação do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Ele deu a declaração após reunir-se com deputados do PP, do PRB e do PSL.

“Tivemos uma primeira conversa com membros de vários partidos, que têm algumas restrições ao projeto como ele se encontra. Iniciamos um diálogo, mas não existe meio acordo. O acordo tem que ser feito por inteiro. Vamos continuar a conversar”, declarou o secretário.

Originalmente, a votação da reforma na CCJ da Câmara, que avalia se a proposta não viola a Constituição, estava prevista para hoje (17). No entanto, a votação foi adiada para a próxima semana. Segundo Marinho, o governo e os líderes da base aliada pretendem fechar o acordo até segunda-feira (22), para votação no dia seguinte. “Se o acordo for celebrado até sexta-feira (19), ou segunda-feira (22), na terça-feira (23) a votação se dará sem obstrução e seguiremos para a comissão de mérito.”

Pontos negociados

Segundo o líder do PP na Câmara, deputado Arthur Lira (AL), o governo aceitou discutir a retirada de quatro pontos da proposta na CCJ. O primeiro é o fim do pagamento da multa de 40% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do recolhimento do fundo do trabalhador já aposentado que voltar ao mercado de trabalho.

O segundo ponto é a concentração, na Justiça Federal em Brasília, de ações judiciais contra a reforma da Previdência. Os outros pontos são a exclusividade do Poder Executivo de propor mudanças na reforma da Previdência e a possibilidade de que a idade de aposentadoria compulsória dos servidores públicos (atualmente aos 75 anos) seja alterada por lei complementar, em vez de ser definida pela Constituição, como atualmente.

“Esses quatro pontos não trazem nenhum impacto fiscal para o governo e podem ser suprimidos na CCJ”, destacou o deputado.

Segundo Lira, dois pontos adicionais podem ser negociados na comissão especial da Câmara: a restrição do abono salarial para quem ganha apenas um salário mínimo e a “desconstitucionalização” – retirada da Constituição de cerca de 60 artigos que tratam da Previdência.

Impacto fiscal

No caso do abono salarial, Lira disse que o impacto fiscal e de R$ 150 bilhões, da retirada do ponto da proposta, o que dificulta as negociações na CCJ.

“Vamos ter uma discussão ainda sobre o abono. Não está acertado. O secretário Rogério [Marinho] fez um apelo, porque há uma diminuição de quase 15% do valor total da [reforma da] Previdência, e ninguém quer criar dificuldades sem que tenhamos os números completos”, disse o líder.

Em relação à “desconstitucionalização, o deputado disse que não há tempo hábil de retirar esses pontos da proposta durante a tramitação na CCJ e que o tema pode ser discutido na comissão especial da Câmara. “A desconstitucionalização é trabalhosa. O relator ficou de, ainda na sexta-feira, passar o que é possível nesse momento retirar, sem que haja nenhum tipo de desidratação”, disse.

Negociação

O secretário especial de Previdência e Trabalho considerou a negociação da reforma da Previdência normal, dentro de um regime democrático. “Esta é uma casa de pluralidade e de negociação. Os deputados que aqui estão e representam suas bancadas se dispuseram a vir nos ajudar nesse processo de negociação, que é a essência do processo democrático. Estamos avançando nesse sentido”, disse. (Agência Brasil)